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Direito do Consumidor

Pesquisa do Procon Vitória revela diferença de até 190% nos preços da ceia de Natal

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Economia

Por Deyvison Longui* – Vitória / ES

Comprar sem pesquisar pode fazer o consumidor pagar quase o triplo pelo mesmo produto na ceia de Natal. É o que mostra a Pesquisa de Ceia de Natal 2025, realizada pelo Procon Vitória, que identificou variação de até 190,09% no preço da castanha-do-pará, encontrada por valores entre R$ 127,20 e R$ 369,00 o quilo em supermercados da capital. O levantamento reforça que comparar preços é a principal estratégia para garantir uma ceia farta e mais econômica.

A pesquisa foi realizada presencialmente entre os dias 1º e 8 de dezembro, em nove supermercados de Vitória, e analisou 43 itens tradicionais do Natal, como panetones, carnes, frutas secas, azeites e bebidas. O objetivo é orientar o consumidor e facilitar as compras de fim de ano. Veja aqui o resultado apurado pelo Núcleo de Pesquisa e Dados.

Segundo o secretário municipal de Cidadania, Direitos Humanos e Trabalho, Luciano Forrechi, o estudo é uma ferramenta importante de proteção ao consumidor. “A pesquisa do Procon Vitória mostra, de forma muito clara, que o consumidor informado economiza. Em um período de tantas despesas como o Natal, nosso papel é garantir transparência e orientar as famílias para que façam escolhas conscientes e seguras”, destacou.

 Frutas secas lideram as maiores variações de preços

Entre os itens pesquisados, as frutas secas foram as grandes vilãs da ceia em 2025. Além da castanha-do-pará, a castanha-de-caju apresentou variação de 142,61%, com preços entre R$ 115,00 e R$ 279,00 o quilo. O damasco teve diferença de 141,03%, enquanto a lentilha seca chegou a 106,90%, custando de R$ 8,69 a R$ 17,98 o pacote de 500g.

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Para o gerente do Procon Vitória, Breno Panetto, a disparidade de preços é o principal alerta do levantamento. “O maior risco para o orçamento do consumidor está na diferença de preços de um mesmo produto. Em alguns casos, a falta de pesquisa pode fazer a pessoa pagar o equivalente a três unidades comprando apenas uma. As frutas secas são o melhor exemplo disso neste Natal”, explicou.

 Azeite mais barato

Apesar de registrar queda média de 31% em relação a 2024, o azeite ainda apresentou forte variação entre os estabelecimentos. O azeite extravirgem Gallo 500ml foi encontrado entre R$ 28,90 e R$ 67,99, uma diferença de 135,26%. Já o azeite Andorinha 500ml variou 68,11%, com preços de R$ 33,90 a R$ 56,99.

 Panetones, carnes e bebidas

Nos itens mais tradicionais da mesa natalina, o consumidor também encontra diferenças significativas. O panetone tradicional de frutas 400g e o chocotone 400g apresentaram variação de 61%, custando entre R$ 14,90 e R$ 23,99.

Entre as carnes, a ave Supreme Sadia 1kg variou 62,99%, com preços de R$ 24,48 a R$ 39,90, enquanto o pernil suíno oscilou 58,33%, sendo vendido entre R$ 16,99 e R$ 26,90 o quilo.

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Já nas bebidas, o vinho branco suave 1 litro teve variação de 61,93%, com preços entre R$ 20,99 e R$ 33,99, e o vinho tinto suave 1 litro oscilou 54,39%, de R$ 23,90 a R$ 36,90.

 Orçamento equilibrado

Mesmo com altas pontuais, o levantamento mostrou que o custo total da cesta natalina teve variação média de apenas 3,5% em relação a 2024, indicando estabilidade geral. Categorias como azeites, lentilhas e panetones ficaram mais baratas, criando oportunidades de economia.

“O consumidor pode, sim, montar uma ceia completa gastando menos. A dica é não ser fiel a uma única marca ou supermercado, aproveitar as quedas de preço e substituir itens mais caros quando possível”, reforçou Breno Panetto.

Recomendações e dicas do Procon Vitória para a compra:
– Procedência: Verifique a origem do produto e se atende aos padrões de qualidade
– Validade: Certifique-se de que o item está dentro do prazo de validade;
– Condicionamento: Inspecione as condições de armazenamento e embalagem para garantir a integridade do produto:
– Kits e Cestas Prontas: Ao comprar cestas natalinas fechadas ou kits promocionais, verifique se a soma dos preços individuais dos produtos não é inferior ao preço do pacote completo:
– Nota Fiscal: Exija sempre a nota fiscal.

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  • Prefeitura de Vitória – Conteúdo
  • Foto/Destaque: Antônio Carlos Nascimento 
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Economia

EUA taxa produtos brasileiros em até 37,5% a partir desta sexta-feira (24)

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Nova sobretaxa dos EUA atinge cerca de 3 mil produtos brasileiros e eleva tributação para até 37,5%

A nova tarifa de 12,5% anunciada na quinta-feira (23/7) pelos Estados Unidos para produtos brasileiros entra em vigor já nesta sexta-feira (24/7) e, para a maior parte das exportações afetadas, será somada à sobretaxa de 25% imposta na semana passada.

Com isso, milhares de itens passarão a enfrentar uma tributação adicional de até 37,5% para entrar no mercado norte-americano. A alíquota coloca o Brasil entre os parceiros comerciais mais sobretaxados pelos Estados Unidos, atrás apenas da China.

A medida foi adotada no âmbito de uma investigação conduzida pelo governo norte-americano com base na Seção 301 do Trade Act de 1974, que acusa o Brasil de não combater adequadamente o trabalho forçado em determinadas cadeias produtivas.

Ela se soma a outra investigação aberta sob a mesma legislação, relacionada a supostas práticas comerciais desleais e ao desmatamento. Essa primeira ação resultou na imposição de uma tarifa adicional de 25%, anunciada em 15 de julho e em vigor desde essa quarta-feira (22/7).

Segundo a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), a tarifa de 12,5% alcança cerca de 3 mil produtos brasileiros, equivalentes a US$ 12,5 bilhões (cerca de R$ 63,7 bilhões) em exportações anuais para os Estados Unidos.

Desse total, 85,3% das vendas – cerca US$ 10,7 bilhões (R$ 54,6 bilhões) – passam a acumular as duas sobretaxas.

Na prática, todos os produtos brasileiros que não constam nas listas de exceção publicadas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) para as duas investigações ficam sujeitos à acumulação das tarifas.

Veja alguns dos produtos que terão tarifa de até 37,5%

  • Etanol:etanol de cana-de-açúcar (combustível), álcool etílico não desnaturado para uso industrial ou em bebidas e álcool etílico para produção de químicos.
  • Polpa solúvel de alta pureza:celulose de madeira para fabricação de fios têxteis (como rayon e viscose), polpa para a produção de celofane e derivados químicos de celulose para plásticos.
  • Máquinas agrícolas e de mineração:tratores agrícolas, colheitadeiras, semeadoras, escavadeiras para mineração, britadeiras e componentes de borracha específicos para esses maquinários.
  • Transformadores elétricos industriais:transformadores de potência para subestações elétricas, transformadores de distribuição urbana e equipamentos de infraestrutura para centros de dados de inteligência artificial.
  • Calçados:sapatos e botas com sola e parte superior de couro, calçados esportivos (tênis) e calçados de segurança industrial.
  • Móveis de madeira:mesas, cadeiras, armários e estantes de madeira de lei ou compensados, exceto assentos técnicos específicos para aeronaves.
  • Vestuário novo:camisas de algodão, calças jeans, peças de moda íntima novas, blusas sintéticas e casacos de inverno.
  • Pisos e rochas ornamentais:placas de granito polido, blocos de mármore trabalhados, quartzito para bancadas e pisos de madeira engenheirada.
  • Equipamentos eletrônicos:equipamentos eletrônicos para uso geral, infraestrutura industrial ou aplicações de consumo.
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etanol brasileiro aparece como um dos principais alvos das medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos.

Segundo os documentos da investigação da Seção 301, o acesso ao mercado brasileiro de etanol foi um dos fatores que motivaram a abertura da apuração contra o Brasil, em julho de 2025.

O produto foi atingido pela tarifa adicional de 25% da primeira investigação e voltou a ser alcançado pela sobretaxa de 12,5% relacionada ao trabalho forçado. Como não integra a lista de exceções de nenhuma das duas medidas, a tributação adicional sobre o etanol chega a 37,5%.

Durante a consulta pública conduzida pelo USTR, produtores norte-americanos afirmaram que tarifas e outras políticas adotadas pelo Brasil reduziram a competitividade do etanol dos Estados Unidos e defenderam a sobretaxa como forma de compensar essas perdas. Parte do setor também pediu que Washington avaliasse a adoção de medidas não tarifárias adicionais contra o Brasil.

Por outro lado, participantes da consulta alertaram que a tributação acumulada de 37,5% sobre o etanol brasileiro seria desproporcional em relação às tarifas aplicadas pelo Brasil ao produto norte-americano. Na avaliação desses interlocutores, a medida pode reduzir o fluxo de comércio bilateral e elevar os custos para importadores e consumidores nos Estados Unidos.

O que fica fora

As duas decisões mantêm listas de exceção praticamente idênticas, excluindo produtos considerados estratégicos para a economia dos Estados Unidos ou já sujeitos a outras medidas comerciais.

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Entre os itens isentos das novas sobretaxas, estão:

  • aeronaves civis, motores e componentes aeronáuticos;
    produtos de aço e alumínio já tributados pela Seção 232;
  • ferro-gusa, pelotas de minério de ferro, sucata metálica e hidróxido de alumínio;
  • materiais informativos, como livros e filmes;
  • doações humanitárias e bagagem de uso pessoal;
  • alguns produtos agrícolas e florestais, como determinados tipos de madeira tropical, café solúvel não aromatizado, mel orgânico e cortes específicos de carne bovina.

Tarifas já afetam exportações brasileiras

Os efeitos negativos das tarifas impostas desde o retorno de Trump à Casa Branca, em fevereiro de 2025, já aparecem na balança comercial brasileira.

Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostram que 20 dos 27 estados brasileiros registraram queda nas exportações para os Estados Unidos no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior.

Desde março de 2025, as vendas brasileiras ao mercado norte-americano recuaram 13%, o equivalente a US$ 2,6 bilhões.

Governo Lula promete reciprocidade

Desde o anúncio da primeira sobretaxa, no valor de 25%, o Brasil afirma estudar o acionamento dos instrumentos previstos na Lei da Reciprocidade, que autoriza o país a retaliar ou aplicar tarifas equivalentes contra países que imponham barreiras comerciais unilaterais aos produtos brasileiros.

Nessa quinta, após o anúncio da sobretaxa de 12,5%, a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) subiu o tom no discurso.

Em nota, o Palácio do Planalto afirmou que iniciaria “imediatamente” os trâmites para acionar a reciprocidade. De acordo com o texto, o governo brasileiro também pretende levar o caso ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).

O texto ainda acusa os Estados Unidos de se apropriar do tema do trabalho forçado para sustentar sua política comercial protecionista.

“Na ausência de base legal interna para sustentar sua política comercial protecionista, o USTR optou por manipular tema caro aos direitos humanos e à luta dos trabalhadores e trabalhadoras em todo o mundo para acusar 59 países e a União Europeia de práticas desleais”, afirma.

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  • Com informações de agências
  • Foto destaque: Reprodução
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