Combate ao Tráfico
Caças da FAB interceptam avião com 500 kg de cocaína; piloto fugiu
BRASIL
A aeronave decolou do Paraguai e tinha como destino a região de Araraquara (SP). Piloto pousou em uma pista de terra, próximo à SP-326 e correu para canavial
Um avião carregado com mais de 500 quilos de cloridrato de cocaína foi interceptado por caças da Força Aérea Brasileira (FAB), na manhã desta quarta-feira (26), entre Matão e Dobrada (SP). O piloto fugiu e é procurado pela Polícia Federal.
A aeronave decolou do Paraguai e tinha como destino a região de Araraquara (SP). Após a interceptação, o piloto da aeronave pousou em uma pista de terra, próximo à Rodovia Brigadeiro Faria Lima (SP-326) e fugiu pelo canavial.

Inicialmente, foi informado à imprensa que a carga pesava 400kg. O peso foi atualizado horas depois pelos órgãos que comandaram a operação.
Em nota, a FAB informou que o piloto descumpriu as ordens para pouso e foi necessário um tiro de advertência. Depois, a aeronave fez um pouso forçado.
A ação de interceptação foi desenvolvida pela Polícia Federal (PF), em conjunto com o Comando de Operações Aeroespaciais (Comae), o Comando de Aviação Militar da PM e o Grupo Especial de Fronteira (Gefron/MT).
De acordo com a PF, neste momento estão sendo realizadas diligências na região em busca do piloto e outros possíveis ocupantes do avião.
A ocorrência da apreensão da droga e do avião foi encaminhada e apresentada na delegacia da PF em Araraquara.
Segundo Fernando Catalano, professor do curso de engenharia aeronáutica da USP de São Carlos, a aeronave interceptada é um bimotor Beechcraft Baron 58. Ainda não há informações sobre a identidade do dono dela.

Ela tem capacidade para transportar um piloto e cinco passageiros em viagens intermunicipais e interestaduais (rotas domésticas).
Foi projetada, desenvolvida e produzida em larga escala nos Estados Unidos a partir da década de 1970 pela então Beech Aircraft, atualmente Beechcraft Corporation.
O que diz a FAB
Veja a nota na íntegra:
A Força Aérea Brasileira (FAB) interceptou, na manhã desta quarta-feira (26/07), nas proximidades de Gavião Peixoto (SP), uma aeronave de modelo Beechcraft Baron 58, que ingressou no espaço aéreo brasileiro oriunda do Paraguai transportando mais de 500 quilos de cloridrato de cocaína. Duas aeronaves de defesa aérea A-29 Super Tucano e o avião radar E-99 foram empregadas na missão, realizada em conjunto com a Polícia Federal (PF).
Ao ingressar no espaço aéreo brasileiro, sem plano de voo, o avião passou a ser monitorado pelo Comando de Operações Aeroespaciais (COMAE) e pela PF. A partir de então, os pilotos de defesa aérea seguiram os protocolos das Medidas de Policiamento do Espaço Aéreo (MPEA) e a aeronave foi classificada como suspeita, conforme previsto no Decreto 5.144, de 16 de julho de 2004.
Após descumprimento das ordens dos pilotos da FAB, foi necessário que a defesa aérea comandasse o tiro de advertência. Nesse momento, a aeronave fez um pouso forçado em uma pista de terra nas proximidades de Gavião Peixoto (SP). Depois disso, a Polícia Federal assumiu as Medidas de Controle de Solo (MCS). Dois tripulantes que estavam a bordo se evadiram antes da chegada dos policiais.

A ação dessa quarta-feira faz parte da Operação Ostium e da Operação Ágata, do Ministério da Defesa, interligadas ao Programa de Proteção Integrada de Fronteiras (PPIF). O objetivo é coibir ilícitos no espaço aéreo brasileiro, no qual atuam em conjunto a FAB e Órgãos de Segurança Pública.
* Conteúdo – G1 São Carlos e Araraquara – SP / Fotos: Divulgação – Policia Federal
BRASIL
Delegados da PF pedem que Gonet se declare impedido para apurar relatório
A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) quer que Gonet se retire de investigações com citações ao Procurador Geral da República
Por Manuela de Moura e Luana Patriolino* | Brasília (F)
A ADPF pediu neste sábado (5) que o procurador geral da República, Paulo Gonet, se declare impedido de atuar na apuração sobre a elaboração de um relatório da Polícia Federal (PF) relacionado à Operação Compliance Zero.
A ADPF argumenta que Gonet deveria se declarar impedido porque seu nome aparece no próprio relatório que está sendo analisado pela PGR. A entidade cita o artigo 258 do Código de Processo Penal, que estende aos integrantes do Ministério Público as regras de impedimento e suspeição aplicadas aos juízes.
“Independentemente de qualquer juízo sobre intenções, que a ADPF não formula, o efeito objetivo da medida é intimidatório sobre os investigadores”, afirmou a associação.
A entidade também questionou o fato de a apuração ter como alvo os policiais responsáveis pela elaboração do documento, e não a decisão judicial que determinou sua produção.
Para a ADPF, responsabilizar os executores por cumprir uma ordem judicial transfere aos investigadores uma controvérsia que, na avaliação da associação, deve ser discutida no próprio STF.
“Se a Procuradoria-Geral da República entende que a decisão determinante do relatório é irregular ou que deveria ter sido previamente comunicada, a via própria é o processo perante o Supremo Tribunal Federal”, afirmou a associação.
Relatório da Policia Federal
– A controvérsia envolve um relatório produzido pela PF a pedido do ministro André Mendonça, do STF
– O documento reuniu informações sobre mensagens e contatos do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, com autoridades, entre elas o ministro Alexandre de Moares e o próprio Paulo Gonet.
– Após retirar o sigilo do relatório, Mendonça determinou que os elementos apresentados fossem analisados e solicitou manifestação da PGR.
– Na sequência, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, passou a conduzir os procedimentos relacionados ao caso e pediu esclarecimentos à Procuradoria sobre a elaboração do documento.
– A PGR informou a Fachin que abriu o Procedimento de Controle Externo da Atividade Policial para apurar se houve eventual ordem ou interferência externa que pudesse ter comprometido o conteúdo do relatório.
– Segundo a Procuradoria, o Ministério Público não foi comunicado sobre a determinação para a produção do material.
– A PGR sustenta que a ausência de comunicação impediu o exercício do controle externo da atividade policial durante a elaboração do documento.
– Além do impedimento de Gonet, a associação pediu o arquivamento do procedimento instaurado pela PGR, sob o argumento de que o instrumento seria inadequado para questionar uma decisão do STF.
A entidade também defendeu que os fatos revelados pela Operação Compliance Zero sejam investigados “em toda a sua extensão”, sem seletividade em relação às autoridades envolvidas.
A ADPF afirmou ainda que prestará assistência aos delegados e servidores eventualmente alcançados por procedimentos instaurados nas circunstâncias questionadas.
“Assegurar que ninguém seja responsabilizado por cumprir ordem judicial não é defesa corporativa: é defesa da capacidade do Estado brasileiro de investigar sem receio de retaliação”, declarou a entidade.
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- Matéria do Metrópoles – Conteúdo
- Foto destaque: Crédito – Breno Esaki / Metrópolis
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