Economia
China não comprou “toda a safra de açaí” do Amapá; acordo prevê exportação de apenas uma cooperativa
Brasil / Economia
Por Maria Eduarda Joia*
Não é verdade que uma empresa chinesa tenha comprado “toda a safra de açaí” produzida no estado do Amapá pelos próximos cinco anos, como alegam publicações que somam mais de 30 mil interações nas redes sociais em julho de 2026. Os conteúdos distorcem um contrato divulgado entre uma cooperativa de extrativistas e uma distribuidora chinesa para a exportação de 15 mil toneladas de açaí até 2031. O montante, que deverá ser exportado ao longo de cinco anos, se trata da safra de uma única cooperativa e é cerca de metade do que o estado produz em um ano.
As publicações circulam após a divulgação, no fim de maio de 2026, de um contrato firmado entre a Amazonbai, uma cooperativa de produtores agroextrativistas de açaí do Amapá, e uma rede de distribuição de alimentos chinesa.
No entanto, não se trata da compra de “toda a produção” de açaí do estado do Amapá, apenas da produção da cooperativa.
A parceria estabelece a exportação de toda a safra dos produtores da Amazonbai, totalizando 15 mil toneladas do fruto, até 2031. O acordo foi realizado durante uma feira de alimentos da Ásia, da qual participaram oito cooperativas brasileiras, com investimento do governo federal, para promover o desenvolvimento regional.

Rampa do Açaí, em Macapá / Foto: Reprodução – Redes Sociais
Algumas publicações incluem ao fim do texto a explicação de que a compra é referente apenas à produção da cooperativa, apesar da chamada enganosa. Ainda assim, nos comentários, muitos usuários demonstram preocupação com possíveis impactos na oferta do produto no Brasil.
Mas as 15 mil toneladas acordadas para exportação não são expressivas no contexto da produção anual, tanto do estado quanto do país.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Amapá produziu 22 mil toneladas da fruta em 2024. Já em 2025, a produção subiu para cerca de 30 mil toneladas — o dobro do total estipulado no acordo para cinco anos.
Ainda assim, o estado é superado pelo Amazonas, que produziu mais de 90 mil toneladas de açaí em 2024, e pelo Pará — maior produtor da fruta no país — com mais de 1,6 milhão de toneladas produzidas no mesmo ano.
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- Matéria reproduzida da AFP Brasil – Conteúdo
- Foto destaque: Reprodução / Redes Sociais
Brasil / Economia
Bolsa Família ganha reajuste de 15,04%; o impacto nas contas públicas supera os R$ 22 bilhões
Sob protestos da oposição, Lula assina decreto elevando o benefício de R$ 600 para R$ 691. Impacto ultrapassa os R$ 22 bi
A pouco mais de duas semanas do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reajustou em 15,04% os valores do programa Bolsa Família. Muito acima do salário mínimo do trabalhador brasileiro. A medida foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) em edição especial e já produz efeitos a partir de outubro, no próximo pagamento dos benefícios. O valor mínimo, que era de R$ 600, passa a ser de R$ 691. O ato presidencial dá, ao que parece aos contribuintes, meramente eleitoreiro, sem observar o impacto que isso causará às contas públicas, tão combalidas.
Segundo o presidente, a atualização tem como objetivo recompor a inflação e preservar o poder de compra das famílias beneficiárias. “É o governo federal cuidando de quem precisa, combatendo a fome, reduzindo a pobreza e criando condições para que milhões de brasileiros tenham mais renda, mais oportunidades e uma vida melhor”, afirmou Lula, em entrevista à Rádio Itatiaia (MG). O impacto financeiro da medida, segundo o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, será de R$ 5,8 bilhões em 2026, considerando os pagamentos de outubro a dezembro. Para 2027, a estimativa é de aproximadamente R$ 22 bilhões.
Falando a jornalistas após a assinatura do decreto, Moretti comentou que o ajuste será realizado sem aumento de gastos. Os recursos serão obtidos por meio do remanejamento de outras rubricas orçamentárias que apresentem sobras. “Essa recomposição será feita sem R$ 1 de aumento do nosso limite global de despesa”, garantiu o ministro. A medida deverá ser incorporada ao próximo relatório bimestral de avaliação das contas públicas, previsto para 24 de setembro.
Ao comentar a continuidade do programa em um eventual próximo mandato, o presidente Lula disse que o Bolsa Família continuará enquanto houver brasileiros que dependam do benefício. Ele mencionou que o número de beneficiários teria caído. “Nós caímos de 22 milhões para 18 milhões porque as pessoas que foram melhorando de vida foram saindo do Bolsa Família”, afirmou sem apresentar números comprobatórios.
Na mesma entrevista, Lula afirmou que seu governo continuará promovendo reajustes no salário-mínimo e mantendo o Bolsa Família. Esqueceu, por conveniência ou visando às urnas, que reajuste dado ao Bolsa Família superou o que deu para o salário mínimo para o tralhador.
Segundo Lula, a política econômica atual prevê a reposição da inflação e uma parcela adicional vinculada ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).
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- Com informações de agências
- Foto Destaque: Reprodução / Redes Sociais
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