Uma Santa Casa!!!
Santa Casa da Misericórdia recebe herança de quase R$ 90 milhões deixada por advogado
Reportagem Especial
Homem destinou todo o seu patrimônio à entidade social em testamento. O gesto foi motivado pela admiração ao trabalho realizado pela instituição.
Por Mateus Aguiar* / Rio de Janeiro – RJ

A Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, irmandade católica com 444 anos fundada pelo Padre José de Anchieta, vai receber um reforço histórico em seu caixa. A instituição, que vem se recuperando de momentos difíceis mas ainda opera 3 hospitais, um educandário e 2 asilos foi contemplada com uma herança avaliada em R$ 88 milhões, deixada pelo advogado e servidor aposentado do Senado Federal, José Maria Valdetaro Vianna. O legado inclui uma combinação de ativos financeiros, ações e imóveis localizados em Brasília. A informação foi divulgada pelo Blog do Ancelmo.
José Valdetaro Vianna faleceu em novembro de 2022, aos 91 anos. Divorciado e sem filhos, o advogado registrou em testamento o desejo de que quase todo seu patrimônio fosse entregue à Santa Casa. No documento, ele justificou a decisão exaltando a trajetória e a atuação filantrópica da entidade. Historicamente, a irmandade que opera o mais antigo hospital da cidade e já geriu os cemitérios do Caju e São João Baptista recebeu legados de centenas de grandes beneméritos e benfeitores, e até hoje recebe alugueis de imóveis que lhe foram legados por estas grandes figuras da sociedade carioca e brasileira. Sua galeria de imensos retratos históricos de grandes benfeitores é uma atração cultural pouco conhecida, mas de grande importância histórica, e fica na sua sede na rua Santa Luzia.

Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro | Foto: Diário do Rio
A doação chega em um momento crucial para a Santa Casa, que ano passado reelegeu o Juiz Francisco Horta – ex-presidente do Fluminense – como seu provedor – nome que se dá ao presidente da entidade.
A instituição – formada por cerca de 180 irmãos membros – atravessa um processo rigoroso de saneamento financeiro e gestão, que tem rendido muitos frutos. Recentemente, a entidade quitou mais de R$ 80 milhões em débitos trabalhistas, com a venda de seus prédios da Praia do Flamengo, amplamente divulgada na imprensa, e tem também realizado leilões de imóveis para quitação das dívidas deixadas pelo ex-provedor Dahas Zarur, que acabou afastado. Também foram anulados quase R$ 200 milhões em dívidas consideradas fraudulentas. Atualmente, a Santa Casa realiza uma auditoria completa em seu portfólio imobiliário para otimizar receitas.
Com o novo aporte, a expectativa é que a instituição ganhe ainda mais fôlego para modernizar suas operações e garantir a continuidade de seus serviços assistenciais no Rio de Janeiro.

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- Diário do Rio – Conteúdo
- Foto Destaque: Reprodução | Redes Sociais
Reportagem Especial
Após tragédia com o filho, dona de casa vive para ajudar crianças com câncer
Dona Vera perdeu o filho de 1 ano e transformou o luto em solidariedade e amor. Ela é a alegria de crianças que lutam pela vida em hospital de Vitória
Por Raul Rodrigues*
Entre a venda de biscoitos amanteigados, pães caseiros, bolos e outros doces, a simpática e sorridente dona de casa Vera Lúcia da Silva Coutinho, de 64 anos, encontrou um propósito que transformou sua dor em amor.

O que começou como uma maneira simples de levar um pouco de conforto para quem enfrenta momentos difíceis durante um tratamento de saúde doloroso, tornou-se uma missão de vida.
Com o coração partido, Dona Vera conta que perdeu o filho, de apenas 1 ano e 6 meses, de forma trágica. Enfrentando o luto, ela decidiu canalizar sua energia para ajudar crianças em tratamento contra o câncer no Hospital Infantil Nossa Senhora da Glória (HINSG), em Vitória, por meio do Projeto Essência, criado por ela mesmo há 14 anos.
Ela dedica seus dias à produção e venda de doces, bolos e pães, revertendo a arrecadação para apoiar as crianças do setor de oncologia e suas famílias.
Além de fornecer lanches semanais no hospital, Dona Vera organiza campanhas e eventos especiais para acolher os pequenos pacientes e oferecer um pouco de alegria em meio ao tratamento.

E ela chega cheia de cor, sapatos e meias trocados, peruca na cabeça, fantasia, sorrisos e um enorme coração para ajudar.
“Eu descobri que muitos chegam ao hospital sem dinheiro nenhum. Então, quando vi o olhar de gratidão por um simples pão com café, entendi que precisava fazer algo. Foi assim que nasceu o Projeto Essência”, conta Dona Vera.
Perda do filho impulsionou a fazer algo
O luto de Dona Vera começou com a morte de seu filho, ainda bebê, em um acidente que marcou sua vida para sempre. Ela morava em Pancas, região Noroeste do Espírito Santo, e veio para Cariacica, na Grande Vitória, após a tragédia, um afogamento.

“Minha experiência pessoal é muito triste. Perdi meu filho cheio de saúde por um descuido meu. É uma ferida aberta, um luto que ainda não consegui colocar um limite, nem sei se existe limite para o luto”, desabafa.
Sem encontrar conforto sozinha, ela percebeu que poderia transformar sua tristeza em solidariedade. Em um dia que não conseguiu vender seus pães caseiros, tomou a decisão de fazer algo diferente.
“Chamei meu marido, fomos comprar leite, fiz umas garrafas grandes, parti os pães e levei para o Hospital Infantil, na Reta da Penha. Daí em diante, não parei mais”, relembra.
Lanches e até pudim: como funciona o Projeto Essência
O projeto cresceu e atualmente Dona Vera realiza diversas ações. Todas às terças-feiras, ela prepara lanches para as crianças e seus acompanhantes no setor de oncologia do hospital.
O cardápio varia de acordo com as doações e a venda dos produtos: café, leite, bolos, pães e, quando possível, até frutas e pudins.

“Quando acho que estou rica, levo pudim para todos. Eles adoram”, brinca.
Além disso, ela restaura bonecas para doar às crianças, acolhe mães enlutadas e celebra cada vitória dos pequenos guerreiros.
Os recursos arrecadados com a venda dos doces e pães são usados para a compra de insumos para os lanches, produtos de higiene e até para auxiliar nas despesas de famílias que precisam viajar para transplantes ou tratamentos específicos.
“Às vezes, uso um pouco para pagar um Uber ou colocar gasolina para um evento. Não tenho outra renda, então também ajudo em algumas contas básicas de casa”, explica.
Morte de menina de 2 anos foi momento difícil para Dona Vera
Entre tantas histórias que marcaram sua jornada, Dona Vera se emociona ao lembrar de Valentina, uma menina de apenas 2 anos que morava em Santa Teresa e estava em tratamento no Hospital Infantil.
A menina e sua família precisavam de apoio para transporte e alimentação, e Dona Vera se tornou uma figura presente para eles. Valentina já havia se tornado “parte da família”.

“Ela até pediu para ser batizada por mim e pelo meu marido. Foi um momento muito especial”, relembra.
No entanto, Valentina não resistiu à doença e morreu. Dona Vera estava ao lado da pequena menina quando ela partiu, enquanto a mãe descansava por alguns instantes.
“Foi um dos momentos mais difíceis que vivi. Criamos laços, nos tornamos família. Cada perda me marca profundamente”, confessa.
Ânimo para produzir 800 ovos de chocolate para a Páscoa
Apesar dos desafios emocionais, Dona Vera segue firme em sua missão. Ela também organiza ações para datas especiais, como Natal, Dia das Crianças e Páscoa.

Este ano, já conseguiu arrecadar chocolates para produzir 800 ovos de Páscoa, que ela mesma vai fazer e distribuir entre as crianças. “No final do ano, nosso Natal é lindo. Sempre conseguimos levar um pouco de alegria para essas famílias”, diz.
O Projeto Essência conta atualmente com oito voluntários fixos para os lanches, além de outros que se unem em eventos pontuais.
A filha de Dona Vera, que também enfrentou desafios pessoais, encontrou no projeto uma forma de ressignificar sua dor. Ela ajuda na produção dos bolos e participa das ações ao lado da mãe.
Mesmo diante das dificuldades, Dona Vera declara que não pensa no futuro, mas sim no presente.
“A vida é hoje, é agora. Não espero nada além de deixar incentivos para quem me vê por aí, com meus sapatos de cores trocadas, minhas roupas coloridas, mudando o dia de alguém. O Projeto Essência é algo de Deus, e Ele dita a rota. Se é no hospital, se é em uma comunidade carente, só queremos deixar nossa essência”, finaliza.
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* Reprodução / Folha Vitória
* Fotos; Reprodução / Arquivo Pessoal / FV
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