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Opinião / Coluna

Bloco de Notas – Edição de Novembro

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OPINIÃO

Por Paulo Roberto Borges  

 

 

 

 

 

 

 

Previsões Políticas

O governador Renato Casagrande (PSB) não diz claramente o que planeja para o seu futuro político. Mas, tem dado algumas pistas e, uma delas é a sua possível pré-candidatura a uma das duas vagas para o Senado, em 2026.

Quando fala na possibilidade de continuar até o final do seu mandato de governador é mera conversa que, na prática, não parece ser realidade. Ele tem o seu vice, Ricardo Ferraço (MDB), na fila e, provavelmente, é o preferido para sucedê-lo. Uma pré-candidatura à Câmara dos Deputados, não vejo nenhuma possibilidade, até porque não seria – na ordem natural de quem é governador – pleitear uma vaga nesse patamar.

Renato Casagrande é, quase 100% pré-candidato ao Senado nas eleições de 2026.

Carnificina a brasileira

São assassinados brutalmente no Brasil 55 mil pessoas. Desaparecidos são milhares. Mas, não há política séria no combate ao crime, um endurecimento das leis contra a criminalidade.

Escândalo!

O déficit acumulado pelo governo do Lula (PT) é igual ao de países em guerra. E, mesmo com índices absurdos, tem dificuldade de cortar gastos.

G20 e Janjapaloosa

A primeira dama Janja da Silva tem criado situações constrangedoras para a diplomacia brasileira. Fala o que não deve, xingou o Elon Musk, se intromete em cerimônias protocolares destinadas apenas a chefes de estados, promoveu um show em que conseguiu patrocínio junto as empresas estatais que destinaram cerca de R$ 35 milhões e só pagou cachê para os artistas que fizeram o “L” e que privilegiados com a Lei Rouanet.

Vale registrar que um evento contra a fome, deveria dar aos pobres a grana que arrecadou. Agora a CGU quer saber que fim levou esse dinheirão. Foram 80 milhões!

Homenagem e investimento

O governador Renato Casagrande foi a São Mateus no Dia da Consciência Negra. Na oportunidade, transferiu simbolicamente a capital do Estado para a cidade de São Mateus. Aproveitou para assinar ordens de serviços e entregar obras já prontas. O seu governo está investindo cerca de R$ 500 milhões no município.

Casagrande é considerado também o “prefeito de São Mateus”, porque o que ainda lá está, nesses oito anos de mandato, nada fez pelo município. O que tem de importante foi o estado quem fez.

Em tempo: o prefeito Daniel Santana (sem partido e sem noção) havia sido preso pela Polícia Federal por roubo, mas a “justiça” o soltou e ele retornou para a Prefeitura. A farra com festas com recursos públicos continuou.

Ansiosos

As próximas eleições acontecem em 2026 e já tem gente fazendo as malas para viajar até lá e disputar um cargo eletivo. Até mesmo os eleitos neste ano, nem bem começou a nova gestão, já estão com o pensamento daqui a dois anos.

O eleitor brasileiro vota, mas não se sente representado. Se assim fosse, a vontade do cidadão seria efetivada e o político seria apenas um despachante das demandas do eleitor. Vota-se nesses caras e eles depois fazem o que lhes convier e o que que dá na “telha”. Reforma eleitoral já. Voto distrital é fundamental.

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Aprovado

O projeto de lei que substitui as sirenes e alarmes usados nos estabelecimentos de ensino da rede pública e privada, agora é lei. O projeto é de autoria da ótima vereadora, Dra. Mel (PSDB), que foi sancionado pelo prefeito de Santa Teresa, Kleber Medici (PSDB) e publicado no Diário Oficial do Estado. Agora é lei.

Livros

A professora e escritora, Carla Marques, lançou o seu segundo livro. É o “Estela sem Tela”. Assim como o primeiro (A Coelha Joana), o segundo já é sucesso. Uma obra que traz à tona uma questão cada vez mais relevante: o uso excessivo de telas por crianças. De maneira lúdica e didática, o livro conta a história de Estela, uma menina que adora passar horas em frente a diferentes dispositivos eletrônicos, mas que, aos poucos, descobre o quão mal a tela pode fazer a ela. O enredo busca incentivar pais e filhos a refletirem sobre o equilíbrio entre o uso da tecnologia e atividades que estimulem a criatividade, o movimento e a socialização. A mensagem é clara e inspiradora: há muito mais para ser explorado além das telas, e a infância é o momento ideal para viver essas descobertas.

Quem também está com livro lançado é Tânia Valenna. Trata-se do livro “Luiz Noronha: Biografia”. É a própria história do rádio capixaba.

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Pode isso, Arnaldo?!

Não. Não pode.

No Brasil pode. Um magistrado acusado, julgado e condenado por vender sentença ou praticar atos não condizentes com a carreira tem como punição a aposentadoria recebendo seu salário integral. É o prêmio recebido por isso, é direito, respaldado por lei.

Vale ressaltar que o teto salarial no serviço público é dos ministros do STF, pouco mais de R$ 40 mil. Mas, para burlar a lei, criaram os penduricalhos que elevam os salários no judiciário em torno de R$ 100 mil.

Em tempo: o salário mínimo é de R$ 1.412,00. Sem penduricalho, porém, com descontos.

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RESUMÃO

Gastança – O governo do petista e comunista confesso, Luís Inácio Lula da Silva, já conseguiu a proeza de construir um rombo de mais de 5 trilhões de reais de déficit ao País em tão pouco tempo. Não quer cortar gastos em suas viagens com a Janja, nem mesmo com aqueles programas meramente populistas e nem os que favorecem os amigos dos palcos, como a Lei Rouanet, que leva R$ 16 bilhões dos cofres públicos. Deve cortar na Saúde, Educação etc. /// Surra homérica – Como se não bastasse a coça que a esquerda levou nas eleições municipais no Brasil, agora foi a vez dos Estados Unidos. Donald Trump varreu a ideologia de esquerda, pois ela foi derrotada de cabo a rabo pelo presidente eleito. /// Fato – Todo governo mente. Verdade só diz quando lhe é conveniente. /// Exemplo – A Câmara Municipal de Santa Teresa tem se destacado pela composição dos seus membros parlamentares. O nível dos seus pares e dos debates são propositivos, não há baixaria como se vê em outras casas legislativas. /// Se acham – Toda gestão tem sempre um que se coloca acima de Deus e do mundo. Pensa que é dono das pessoas e do município. Já tem alguns se achando por aí. Logo vão se frustrarem quando perceberem que são pouca coisa. Lembrando que o povo tudo pode. Quando quer. /// Homenagem – O prefeito eleito de São Mateus, Marcus Batista (Podemos) vai receber a comenda Domingos Martins- dia 11, na Assembleia Legislativa. Outras personalidades de vários segmentos também receberão. /// O cara é bom – Pelo trabalho e entregas que o governador Renato Casagrande e seu governo tem feito pelo interior, o qualifica para o Senado em 2026. /// Seca – O governo Lula está sem grana para levar água aos nordestinos. E teve a maioria dos votos da Paraíba. Não valeu fazer o “L”. /// Inversão de valores – Vereadores de Santa Teresa questionaram o valor destinado, no Orçamento para o próximo ano, para a Agricultura, um dos pilares da economia do município. Vanildo Sancio, do MDB, foi o que mais esperneou. /// Que coisa hein! – A vereadora Almery Lilian Moraes Lopes, conhecida na política de Santa Teresa como Dra. Mel (PSDB), não foi reeleita, apesar do mandato propositivo e de importância para o município e sua população. Faltaram 16 votos para reconduzi-la ao cargo para a próxima legislatura. /// Golpe? – É uma narrativa ensaiada faz tempo pela esquerda, que nada para tem para apresentar de positivo para o País. /// Presente – O Governo do Estado vai dar um abono de R$ 1.000 a todos os seus servidores e, especificamente aos professores, R$ 3.500. /// Construindo – O prefeito reeleito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), tem sido reconhecido como um dos melhores que passaram pela capital. Está pavimentando sua caminhada para uma possível pré-candidatura ao governo estadual, em 2026. /// Visita – A Polícia Federal esteve na Prefeitura de São Mateus cumprindo mandado de busca e apreensão como parte da Operação Morada Ilusória. O alvo foi a Secretaria de Obras e o seu titular. Ele está foragido. Vale lembrar que o prefeito também já esteve preso e foi solto pela justiça e cumpre seu segundo mandato que termina no final do ano.

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Para Reflexão

“Tolo no governo só existe porque o eleitor o colocou lá”

 

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OPINIÃO

Produtividade travada: fatores históricos que explicam o atraso do Brasil

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A baixa produtividade do trabalhador brasileiro tem origem no modelo extrativista da economia que vem do colonialismo e, em muitos aspectos, permanece em vigor, mesmo tendo à frente governos liberais ou progressistas

Por Arthur Gebara Júnior*

A produtividade do trabalhador brasileiro é considerada baixa quando comparada à de países desenvolvidos e de algumas nações em desenvolvimento. O Brasil ocupa a 94ª posição no ranking global de produtividade da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ficando atrás até mesmo de vizinhos latino-americanos com graves dificuldades estruturais.

Na América Latina, por exemplo, o Brasil perde para o Uruguai, o Chile, a Argentina e Cuba – país que lida há décadas com um embargo econômico e fortes limitações sob um governo centralizado. No ranking global de produtividade por hora trabalhada, que avalia 184 países, o Brasil registra uma geração média de riqueza de US$ 21,2 por hora. No contexto regional, o Uruguai lidera com US$ 38, seguido por Chile (US$ 34,4), Argentina (US$ 33,8) e Cuba (US$ 22,6).

O indicador é calculado pela OIT ao dividir o Produto Interno Bruto (PIB) em dólares pelo total de horas trabalhadas da população ativa. Os líderes mundiais em produtividade são a Irlanda (US$ 164,7), Luxemburgo (US$ 159), Noruega (US$ 125,6) e Cingapura (US$ 100,4). Em relação aos Estados Unidos, onde o trabalhador gera US$ 81 por hora, o rendimento brasileiro representa apenas cerca de 26% da riqueza produzida por um americano.

A pesquisa da OIT (com dados do primeiro trimestre de 2026) também aborda a jornada semanal. O brasileiro trabalha, em média, 38,9 horas por semana, índice inferior ao de 97 países, incluindo nações como a China (46,1 horas), Índia (45,7 horas) e o México (42,2 horas). A possível aprovação da jornada 6×1, em andamento no Congresso Nacional, por exemplo, deve aumentar o custo para o empregador e para o consumidor, sem alterar a produtividade.

Mas, afinal, o que trava a produtividade? Por que o país permanece estagnado nesse patamar há décadas? Trata-se de uma questão complexa, na qual fatores históricos e estruturais exercem um papel decisivo.

Para ajudar a entender a baixa performance do trabalhador brasileiro, é possível recorrer ao chamado “mito da preguiça tropical”: ideias racistas e deterministas do século XIX, herdadas do período colonial, tentavam culpar o clima ou a etnia pelo atraso econômico. No entanto, a história econômica desmente esses mitos ao demonstrar a alta intensidade de esforço físico imposta aos trabalhadores sob regimes de exploração e escravidão.

Instituições determinantes

Daron Acemoglu é professor de economia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e James A. Robinson, professor de ciência política da Universidade de Chicago. Os dois receberam o Prêmio Nobel de Economia pelo conjunto de suas pesquisas acadêmicas fundamentais sobre como as instituições sociais e políticas afetam a prosperidade dos países, que servem de base para a tese apresentada na obra “Por que as Nações Fracassam”. Este livro destaca como as justificativas geográficas e culturais para decretar a riqueza ou a pobreza de um país não convencem. Os dois especialistas afirmam que o desenho de suas instituições é determinante.

Para uma análise mais precisa, eles classificaram os países em duas categorias. Os de economias inclusivas, que promovem a prosperidade ao garantir direitos de propriedade, incentivar a inovação e distribuir o poder político, com um resultado histórico que gera crescimento sustentável de longo prazo. Direitos amplos, garantia da propriedade privada com segurança jurídica e regulação clara também contribuem para a construção de um ambiente favorável aos investimentos, o que não tem ligação com fatores geográficos e culturais. A educação, a qualificação e o preparo do trabalhador afetam diretamente a sua produtividade.

Já as nações enquadradas como extrativistas concentram a riqueza nas mãos de poucas elites e barram o desenvolvimento. Embora a questão das instituições seja parte das regras do jogo, ela é também determinante para o desenvolvimento de um país. O modelo que os economistas classificam como extrativista não estimula o trabalhador, o que afeta de maneira decisiva a sua produtividade. Ele não tem incentivo para se educar ou investir na sua qualificação técnica, o que o impede de enxergar oportunidades, se preocupar em inovar ou empreender. Além disso, não existe a perspectiva e a garantia de que será recompensado e se apropriará dos resultados do seu esforço, já que o investimento produtivo é muito baixo, com falta de capital físico, o que compromete a produtividade.

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O livro compara o sucesso de países como os Estados Unidos com a economia de nações da América Latina, África e Ásia, explicando como essas características institucionais e políticas são cruciais para o êxito ou o fracasso. No caso da América Latina, o modelo colonial de dominação e exploração gerou instituições extrativistas que concentram renda e travam a produtividade moderna.

Produtividade travada: fatores históricos que explicam o atraso do Brasil

E o Brasil?

O país ainda sofre com as sequelas desse modelo. O latifúndio colonial limitou o acesso à propriedade para a maioria da população, enquanto a escravidão prolongada atrasou a criação de um mercado consumidor livre e qualificado.

Marcel Solimeo, economista-chefe do Instituto de Economia Gastão Vidigal da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), alerta que a educação e, especialmente, a qualificação dos trabalhadores ainda não são efetivas. “Existem cursos de qualificação profissional em várias entidades empresariais, escolas e institutos de formação técnica, mas o problema vem da educação básica, ainda muito deficiente e que continua produzindo um grande número de analfabetos funcionais”, diz.

O economista afirma ainda que “a falta de cultura geral e o pouco interesse de alguns setores do empresariado pela educação e pelo investimento na qualificação do trabalhador agravam o problema.”

Determinismo histórico

Historicamente, a estrutura econômica brasileira priorizou a extração de recursos de baixo valor agregado para exportação. Esses fatores afetam diretamente a produtividade do trabalhador, que recebe menos e tem menor acesso à infraestrutura e à tecnologia de ponta.

Países dominados por dinâmicas extrativistas entram em ciclos de estagnação, pobreza e disputas pelo controle do Estado. Nesse contexto, fica claro que atribuir a baixa produtividade à cultura do povo desvia o foco dos problemas reais e das falhas dos sistemas econômicos, ignorando as profundas diferenças entre modelos inclusivos e exploradores.

Para Ulisses Ruiz de Gamboa, economista do Instituto de Economia Gastão Vidigal da ACSP e professor de História Econômica do Insper, trata-se de um problema crônico: “Ao longo de toda a sua história, o Brasil sofreu com essas instituições extrativistas que, infelizmente, se mantêm vivas, independentemente da linha ideológica dos sucessivos governos. Nem a ascensão de governos declaradamente progressistas foi capaz de promover mudanças“.

O professor acrescenta que, além do problema da baixa qualificação do trabalhador, o Estado muitas vezes protege interesses corporativos específicos em vez de garantir a livre concorrência, criando um ambiente de negócios que penaliza o empreendedorismo em massa, dificulta ganhos de eficiência e desincentiva os ganhos de produtividade do trabalhador.”

O mapa da baixa produtividade

A colonização estabeleceu bases estruturais que moldaram o destino econômico e social de continentes inteiros. A África teve fronteiras desenhadas arbitrariamente pelas potências europeias na Conferência de Berlim, o que fragmentou etnias, alimentou conflitos civis duradouros e estruturou economias baseadas na exportação de commodities primitivas.

A Ásia sofreu com a exploração comercial agressiva e a imposição de tratados desiguais, sendo que a desestruturação de impérios locais abriu caminho para instabilidades políticas prolongadas no século XX.

Na América Latina, o foco na extração de recursos e na monocultura para exportação deixou um legado de extrema desigualdade social, concentração de terras e dependência externa.

A Divergência Coreana

Em “Por que as Nações Fracassam”, os autores mostram o contraste entre as duas Coreias: a do Norte (comunista) e a do Sul (capitalista). O capítulo ilustra como as instituições e os modelos econômicos superam o determinismo geográfico.

A Coreia do Sul adotou o capitalismo de Estado, investiu massivamente em educação de base e promoveu indústrias voltadas à exportação – os chamados chaebols (conglomerados empresariais familiares) -, transformando-se em uma potência tecnológica global.

Por outro lado, a Coreia do Norte seguiu o modelo de economia planejada e fechada do sistema comunista (Juche), priorizando o setor militar e sofrendo com o isolamento internacional, a estagnação econômica e as crises de abastecimento.

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A retomada de Singapura e da China

A ascensão do Sudeste Asiático e da China redefiniu o equilíbrio de poder econômico mundial por meio do pragmatismo estratégico. Singapura transformou-se de uma ilha portuária vulnerável e sem recursos naturais em um centro financeiro global, com um sucesso baseado em forte controle estatal, combate rigoroso à corrupção, abertura ao capital estrangeiro e foco absoluto em logística e educação.

A China recuperou-se de um século de submissão colonial, conflitos e graves convulsões internas. Sob o governo comunista a partir de 1949, passou por grandes dificuldades econômicas decorrentes das tentativas de Mao Tsetung – como o plano “O Grande Salto Adiante”. Foi com as reformas de abertura econômica iniciadas em 1978 que conseguiu combinar o controle político do Partido Comunista com zonas econômicas especiais de livre mercado, tornando-se uma potência militar e industrial e a segunda maior economia do mundo.

Defasagem

No Brasil, a imensa defasagem no ensino básico e técnico, que reduz a capacidade de inovação e a eficiência nas funções, representa um grande desafio. A infraestrutura insuficiente e pouco eficiente, associada ao chamado “Custo Brasil”, constitui outro fator determinante: logísticas precárias e transportes deficientes geram perdas diárias de tempo e recursos. A baixa incorporação de equipamentos modernos nas empresas também deprime o rendimento por hora trabalhada, ao passo que falhas na gestão de processos produtivos e a baixa valorização do capital humano prejudicam o desempenho geral.

Reformas

As reformas estruturais voltadas à produtividade no Brasil estão no radar dos especialistas. É cada vez mais urgente iniciar mudanças profundas capazes de retirar o país da armadilha da baixa produtividade e conduzi-lo a um modelo econômico inclusivo, o que exige a remoção de privilégios corporativistas e a valorização do potencial da força de trabalho. A produtividade do trabalhador brasileiro segue estagnada desde 1950, acumulando avanço de apenas 0,4% em 2025 e desaceleração contínua em 2026. Esse cenário reflete o peso do ecossistema estrutural e da burocracia, distanciando o país da média global de produtividade no trabalho.

Radiografia da Estagnação Produtiva

A eficiência do trabalho no Brasil patina em meio a desajustes setoriais e à reversão de ganhos pontuais do passado. Dados do Observatório da Produtividade Regis Bonelli, gerido pelo FGV-IBRE, mostram que o salto temporário de produtividade registrado em 2020, devido à pandemia, foi totalmente revertido, retornando à trajetória de queda iniciada em 2017.

Após alta de 2,3% em 2023, impulsionada pela agropecuária, o indicador avançou apenas 0,1% em 2024 e fechou 2025 com alta modesta de 0,4%. O setor de serviços, que concentra a maior parte da mão de obra, mantém ganhos de produtividade próximos a zero, na casa de 0,2% ao ano.

Para a Virada Estrutural

A reversão desse quadro depende de reformas profundas, divididas em quatro frentes prioritárias:

– Consolidação e Simplificação Tributária: Fim do Custo Brasil, redução da burocracia fiscal e estímulo direto ao investimento produtivo em inovação, superando o planejamento tributário defensivo.

– Reforma Educacional e Técnica: Alinhamento curricular voltado para ciências, engenharia e ensino técnico, além de requalificação contínua de adultos frente à automação.

– Modernização Administrativa: Corte de privilégios e supersalários no funcionalismo, atrelando a máquina pública à meritocracia e à entrega de serviços eficientes.

– Abertura Comercial e Infraestrutura: Redução de barreiras tarifárias para elevar a competitividade externa e ampliação de concessões em portos, ferrovias e saneamento por meio de segurança jurídica.

Em um momento em que as atenções se voltam para as eleições de outubro, existe a expectativa de que surja um projeto inovador para a próxima gestão. Nesse sentido, refletir sobre a baixa produtividade do trabalhador brasileiro é fundamental para confrontar os resquícios de um passado extrativista que continua a limitar o desenvolvimento nacional.

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  • Artigo publicado no Diário do Comércio – Conteúdo
  • Foto destaque: Reprodução / Redes Sociais
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