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Coluna / Bloco de Notas

Coluna Bloco de Notas / 1ª edição de abril

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OPINIÃO

Por Paulo Borges

As imagens fora do ar

É estranho que as imagens do aeroporto de Roma, do presídio de Mossoró, do Ministério da Justiça no tempo do Dino sumiram ou as câmeras estavam “suspostamente” desligadas. Mas, as imagens de câmeras da embaixada da Hungria apareceram em um jornal americano. É ou não – no mínimo – estranho?

Caso Marielle

Depois de seis anos tentando incriminar o ex-presidente Jair Bolsonaro no caso Marielle e Anderson Gomes, apareceram quem já se sabia a algum tempo como sendo os mandantes. A diferença era que não haviam sido presos. A única novidade foi a condescendência do delegado do caso.

Todo o esforço para atingir o ex-presidente é mais uma tentativa que não deu certo. Mas vão continuar buscando alguma motivo tosco e narrativas para colocar Bolsonaro na prisão. A seguir essa linha, o caso da baleia não deu certo, mas vão criar o crime do bacalhau. Bolsonaro será acusado de ter comido a bacalhoada sem batatas.

Falta mais um a ser esclarecido

Com toda a sua eficiência, a Polícia Federal chegou aos mandantes do assassinato da ex-vereadora do Rio de Janeiro, Marielle e do seu motorista Anderson Gomes. Toda essa “eficiência” não consegue chegar aos mandantes de dar uma facada no ex-presidente Jair Bolsonaro.

O ministro da Justiça, tão zeloso das coisas do PT e de Lula, assim como exigiu apuração do caso Marielle, deveria usar toda essa volúpia de servir à esquerda, na solução do Caso Adélio, açougueiro de Juiz de Fora.

Um caso insolúvel no ES

O assassinato do professor universitário Berinello, que lecionava no campus da Ceunes, em São Mateus, ficou no esquecimento. Na ocasião ele era diretor do Hospital Regional Roberto Arnizaut Silvares. Levou um relatório para ser entregue a comissão de Saúde da Assembleia Legislativa e, ao retornar para São Mateus, foi brutalmente assassinado próximo a localidade de Rio Quartel (ou Bebedouro?), em Linhares. A Polícia Civil disse que descobrir os seus algozes era uma questão de honra. Honra? O crime foi esquecido. A única certeza foi a morte do professor, muito querido pelos seus alunos que até fizeram uma grande manifestação pelas ruas e avenidas da cidade, pedindo justiça.

Vingança?

O prefeito de Santa Leopoldina, Romero Luís Endringer (Podemos) esteve na sessão da Câmara, dia 27, para fazer sua prestação de contas, uma exigência do Regimento. No legislativo ele tem a maioria dos noves edis como aliado, mas deu uma canseira nos três oposicionistas e acabou atingindo a todos. A prestação de contas, que durou umas duas horas, foi vingança?

A única certeza é que o prefeito atrasou o jantar dos vereadores. Alguns devem ter chegado em casa e encontrado seu prato feito no forno do fogão. Comeram, supostamente, comida esfria.

Fernando x Vavá x Romero

Esse é o trio parada dura que está no palco das eleições deste ano em Santa Leopoldina, visando se mudar ou continuar inquilino no Casarão Amarelo (sede da Prefeitura). Para algumas felpudas raposas políticas leopoldinense, o trio pode virar uma dupla, mesmo com a dificuldade de misturar óleo com água. Neste caso Fernando Rocha (PDT) com Vavá Coutinho (PSB).

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Romero, pelo que se ouve, ainda é o nome mais forte para continuar como inquilino do Casarão Amarelo. Mas, somente as urnas vão dizer ou “desdizer”.

Caminho Sinuoso

Em Santa Leopoldina e Santa Teresa o Caminho dos Imigrantes é um dos mais importantes eventos daquela região. Atrai pessoas de todos os lugares e por não ter acontecido no ano passado frustrou muita gente, inclusive turistas. O motivo foi o estado em que se encontra a rodovia ES-080 que foi muito atingida pelas fortes chuvas na época.

Hoje a estrada continua perigosa e o Departamento Estadual de Edificações e Rodovias (DER) ainda não conseguiu resolver esses problemas que continuam prejudicando as comunidades, pessoas, estudantes e veículos que por ali trafegam. Urge uma intervenção do DER, antes que haja uma tragédia. O perigo dos caminhantes caírem ladeira abaixo em direção ao precipício é sempre uma possibilidade.

Ampliação da Unidade

A tão decantada ampliação da Unidade Básica de Saúde Raul Oliveira Neves, do bairro Jardim Camburi, Vitória, ainda não vingou. A rua Silvino Grecco, onde a ampliação vai avançar, chegou a ser interditada e alguns bloquetes retirados. Os moradores se animaram, mas no dia seguinte tudo foi recolocado no lugar e a rua liberada para o tráfego. Ao que parece foi apenas um ensaio, um aperitivo.

Afinal, quando vai começar essa obra? Será que a iniciativa esfriou devido ao aluguel de salas no shopping Unique Mall como se fosse a extensão da unidade?

Em tempo. O ditado popular costuma dizer que uma obra demorada mais parece obra de igreja. Neste caso de Jardim Camburi, não se sustenta. As obras da Igreja Sagrada Família vão de vento em popa e logo estarão prontas, para que os fiéis rezam pelo início e conclusão da ampliação da unidade Básica de Saúde do bairro.

CPI em São Mateus

A Câmara Municipal de São Mateus, pressionada por estudantes e moradores que usam os serviços da única empresa de ônibus que detém o monopólio do transporte urbano da cidade, decidiu instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar os péssimos serviços prestados (ou imprestáveis?) da Viação São Gabriel, na cidade.

Ônibus sucateados, quebram constantemente no percurso, não cumpre horários, linhas são suprimidas ao seu bel prazer, ônibus velhos com idade acima de 10 anos (o contrato fala que devem ser de 7) etc. Essa empresa opera no município há 50 anos e entra prefeito sai prefeito nada acontece. As bocas de Matildes disseram que toda essa força da concessionária é devido ao apoio que costuma dar a esses candidatos em períodos eleitorais. Quando vence o período de exploração a cada 15 anos, ela entra em ação novamente e consegue renovar esse contrato que, na última vez foi por 30 anos.

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Recentemente o secretário de Obras e o responsável pela fiscalização do cumprimento do contrato foram convocados a prestarem contas aos vereadores e eles não compareceram. Deram uma banana para o Legislativo e seus “nobres” edis.

Mossoró e seu presídio

Querubin e Tatú, os bandidos que fugiram do tal presídio de “segurança máxima”, da cidade de Mossoró, Rio Grande do Norte deram um drible nas forças de segurança e em todo o aparato usados em sua captura. As investigações deveriam acontecer no próprio presídio para apurar o que levou a fuga dos dois bandidos do Comando Vermelho. Na tentativa da captura deles foram gastos uma grana preta em vão.

O que se sabe até agora é que de segurança máxima é onde estão os dois fugitivos.

Muito Prazer

O pré-candidato à Prefeitura do município de Serra, Weverson Meireles (PDT), escolhido pelo prefeito Sérgio Vidigal para seu sucessor, teve sua escolha questionada na Câmara Municipal.

O vereador Elson, do PL, afirmou que gostaria de apresentar o “queridinho” do Vidigal à população da Serra. Para o parlamentar serrano, ninguém o conhece e que gostaria de entabular um debate com o “escolhido” pelo prefeito como seu sucessor.

Deu à pista?

O presidente da Câmara de Vitória, vereador-delegado Leandro Piquet, decidiu não concorrer à reeleição. Aproveitou para trocar o Republicanos pelo PP. As felpudas raposas da política, apostam na sacada de que Piquet pode sir a compor na vice da chapa com o prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos). Rolou o papo que a chapa poderia ser pão com pão, pelo simples fato de ambos serem delegados de polícia. “Mas queijo e presunto pode ser colocado nesse pão e a chapa ficar competitiva com chances reais de vencer o pleito na capital”, disse um futurólogo amador.

A propósito…

O prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, é muito bem avaliado e tem merecido elogios e reconhecimento dos munícipes da capital capixaba.

Prestígio

Durante o encontro do PSDB (foto) realizado na segunda-feira (1º), com a presença do presidente nacional da legenda, Marconi Perillo, chamou a atenção na composição da mesa de convidados. Quem não ficou na principal, ficou na segunda fileira, escondido do público. A única vereadora a ocupar a mesa de honra foi a Dra. Mel, de Santa Teresa. O prefeito foi também chamado, mas depois dela.

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Pode isso, Arnaldo?!

Não, não pode.

Um ministro do STF acusar, investigar, julgar, condenar e prender. Nem um condenado pelo mensalão, como Zé Dirceu, solto pela justiça, aparecer em plenário do Congresso Nacional para proferir discurso. 

Isso pode, Arnaldo?!

Pode, isso pode.

Um ex-presidente visitar uma embaixada estrangeira, seja lá por que motivo tenha sido.

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Para reflexão

“A verdade não tem dois lados. Verdade é verdade”.

 

 

 

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OPINIÃO

Produtividade travada: fatores históricos que explicam o atraso do Brasil

Publicados

em

A baixa produtividade do trabalhador brasileiro tem origem no modelo extrativista da economia que vem do colonialismo e, em muitos aspectos, permanece em vigor, mesmo tendo à frente governos liberais ou progressistas

Por Arthur Gebara Júnior*

A produtividade do trabalhador brasileiro é considerada baixa quando comparada à de países desenvolvidos e de algumas nações em desenvolvimento. O Brasil ocupa a 94ª posição no ranking global de produtividade da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ficando atrás até mesmo de vizinhos latino-americanos com graves dificuldades estruturais.

Na América Latina, por exemplo, o Brasil perde para o Uruguai, o Chile, a Argentina e Cuba – país que lida há décadas com um embargo econômico e fortes limitações sob um governo centralizado. No ranking global de produtividade por hora trabalhada, que avalia 184 países, o Brasil registra uma geração média de riqueza de US$ 21,2 por hora. No contexto regional, o Uruguai lidera com US$ 38, seguido por Chile (US$ 34,4), Argentina (US$ 33,8) e Cuba (US$ 22,6).

O indicador é calculado pela OIT ao dividir o Produto Interno Bruto (PIB) em dólares pelo total de horas trabalhadas da população ativa. Os líderes mundiais em produtividade são a Irlanda (US$ 164,7), Luxemburgo (US$ 159), Noruega (US$ 125,6) e Cingapura (US$ 100,4). Em relação aos Estados Unidos, onde o trabalhador gera US$ 81 por hora, o rendimento brasileiro representa apenas cerca de 26% da riqueza produzida por um americano.

A pesquisa da OIT (com dados do primeiro trimestre de 2026) também aborda a jornada semanal. O brasileiro trabalha, em média, 38,9 horas por semana, índice inferior ao de 97 países, incluindo nações como a China (46,1 horas), Índia (45,7 horas) e o México (42,2 horas). A possível aprovação da jornada 6×1, em andamento no Congresso Nacional, por exemplo, deve aumentar o custo para o empregador e para o consumidor, sem alterar a produtividade.

Mas, afinal, o que trava a produtividade? Por que o país permanece estagnado nesse patamar há décadas? Trata-se de uma questão complexa, na qual fatores históricos e estruturais exercem um papel decisivo.

Para ajudar a entender a baixa performance do trabalhador brasileiro, é possível recorrer ao chamado “mito da preguiça tropical”: ideias racistas e deterministas do século XIX, herdadas do período colonial, tentavam culpar o clima ou a etnia pelo atraso econômico. No entanto, a história econômica desmente esses mitos ao demonstrar a alta intensidade de esforço físico imposta aos trabalhadores sob regimes de exploração e escravidão.

Instituições determinantes

Daron Acemoglu é professor de economia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e James A. Robinson, professor de ciência política da Universidade de Chicago. Os dois receberam o Prêmio Nobel de Economia pelo conjunto de suas pesquisas acadêmicas fundamentais sobre como as instituições sociais e políticas afetam a prosperidade dos países, que servem de base para a tese apresentada na obra “Por que as Nações Fracassam”. Este livro destaca como as justificativas geográficas e culturais para decretar a riqueza ou a pobreza de um país não convencem. Os dois especialistas afirmam que o desenho de suas instituições é determinante.

Para uma análise mais precisa, eles classificaram os países em duas categorias. Os de economias inclusivas, que promovem a prosperidade ao garantir direitos de propriedade, incentivar a inovação e distribuir o poder político, com um resultado histórico que gera crescimento sustentável de longo prazo. Direitos amplos, garantia da propriedade privada com segurança jurídica e regulação clara também contribuem para a construção de um ambiente favorável aos investimentos, o que não tem ligação com fatores geográficos e culturais. A educação, a qualificação e o preparo do trabalhador afetam diretamente a sua produtividade.

Já as nações enquadradas como extrativistas concentram a riqueza nas mãos de poucas elites e barram o desenvolvimento. Embora a questão das instituições seja parte das regras do jogo, ela é também determinante para o desenvolvimento de um país. O modelo que os economistas classificam como extrativista não estimula o trabalhador, o que afeta de maneira decisiva a sua produtividade. Ele não tem incentivo para se educar ou investir na sua qualificação técnica, o que o impede de enxergar oportunidades, se preocupar em inovar ou empreender. Além disso, não existe a perspectiva e a garantia de que será recompensado e se apropriará dos resultados do seu esforço, já que o investimento produtivo é muito baixo, com falta de capital físico, o que compromete a produtividade.

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O livro compara o sucesso de países como os Estados Unidos com a economia de nações da América Latina, África e Ásia, explicando como essas características institucionais e políticas são cruciais para o êxito ou o fracasso. No caso da América Latina, o modelo colonial de dominação e exploração gerou instituições extrativistas que concentram renda e travam a produtividade moderna.

Produtividade travada: fatores históricos que explicam o atraso do Brasil

E o Brasil?

O país ainda sofre com as sequelas desse modelo. O latifúndio colonial limitou o acesso à propriedade para a maioria da população, enquanto a escravidão prolongada atrasou a criação de um mercado consumidor livre e qualificado.

Marcel Solimeo, economista-chefe do Instituto de Economia Gastão Vidigal da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), alerta que a educação e, especialmente, a qualificação dos trabalhadores ainda não são efetivas. “Existem cursos de qualificação profissional em várias entidades empresariais, escolas e institutos de formação técnica, mas o problema vem da educação básica, ainda muito deficiente e que continua produzindo um grande número de analfabetos funcionais”, diz.

O economista afirma ainda que “a falta de cultura geral e o pouco interesse de alguns setores do empresariado pela educação e pelo investimento na qualificação do trabalhador agravam o problema.”

Determinismo histórico

Historicamente, a estrutura econômica brasileira priorizou a extração de recursos de baixo valor agregado para exportação. Esses fatores afetam diretamente a produtividade do trabalhador, que recebe menos e tem menor acesso à infraestrutura e à tecnologia de ponta.

Países dominados por dinâmicas extrativistas entram em ciclos de estagnação, pobreza e disputas pelo controle do Estado. Nesse contexto, fica claro que atribuir a baixa produtividade à cultura do povo desvia o foco dos problemas reais e das falhas dos sistemas econômicos, ignorando as profundas diferenças entre modelos inclusivos e exploradores.

Para Ulisses Ruiz de Gamboa, economista do Instituto de Economia Gastão Vidigal da ACSP e professor de História Econômica do Insper, trata-se de um problema crônico: “Ao longo de toda a sua história, o Brasil sofreu com essas instituições extrativistas que, infelizmente, se mantêm vivas, independentemente da linha ideológica dos sucessivos governos. Nem a ascensão de governos declaradamente progressistas foi capaz de promover mudanças“.

O professor acrescenta que, além do problema da baixa qualificação do trabalhador, o Estado muitas vezes protege interesses corporativos específicos em vez de garantir a livre concorrência, criando um ambiente de negócios que penaliza o empreendedorismo em massa, dificulta ganhos de eficiência e desincentiva os ganhos de produtividade do trabalhador.”

O mapa da baixa produtividade

A colonização estabeleceu bases estruturais que moldaram o destino econômico e social de continentes inteiros. A África teve fronteiras desenhadas arbitrariamente pelas potências europeias na Conferência de Berlim, o que fragmentou etnias, alimentou conflitos civis duradouros e estruturou economias baseadas na exportação de commodities primitivas.

A Ásia sofreu com a exploração comercial agressiva e a imposição de tratados desiguais, sendo que a desestruturação de impérios locais abriu caminho para instabilidades políticas prolongadas no século XX.

Na América Latina, o foco na extração de recursos e na monocultura para exportação deixou um legado de extrema desigualdade social, concentração de terras e dependência externa.

A Divergência Coreana

Em “Por que as Nações Fracassam”, os autores mostram o contraste entre as duas Coreias: a do Norte (comunista) e a do Sul (capitalista). O capítulo ilustra como as instituições e os modelos econômicos superam o determinismo geográfico.

A Coreia do Sul adotou o capitalismo de Estado, investiu massivamente em educação de base e promoveu indústrias voltadas à exportação – os chamados chaebols (conglomerados empresariais familiares) -, transformando-se em uma potência tecnológica global.

Por outro lado, a Coreia do Norte seguiu o modelo de economia planejada e fechada do sistema comunista (Juche), priorizando o setor militar e sofrendo com o isolamento internacional, a estagnação econômica e as crises de abastecimento.

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A retomada de Singapura e da China

A ascensão do Sudeste Asiático e da China redefiniu o equilíbrio de poder econômico mundial por meio do pragmatismo estratégico. Singapura transformou-se de uma ilha portuária vulnerável e sem recursos naturais em um centro financeiro global, com um sucesso baseado em forte controle estatal, combate rigoroso à corrupção, abertura ao capital estrangeiro e foco absoluto em logística e educação.

A China recuperou-se de um século de submissão colonial, conflitos e graves convulsões internas. Sob o governo comunista a partir de 1949, passou por grandes dificuldades econômicas decorrentes das tentativas de Mao Tsetung – como o plano “O Grande Salto Adiante”. Foi com as reformas de abertura econômica iniciadas em 1978 que conseguiu combinar o controle político do Partido Comunista com zonas econômicas especiais de livre mercado, tornando-se uma potência militar e industrial e a segunda maior economia do mundo.

Defasagem

No Brasil, a imensa defasagem no ensino básico e técnico, que reduz a capacidade de inovação e a eficiência nas funções, representa um grande desafio. A infraestrutura insuficiente e pouco eficiente, associada ao chamado “Custo Brasil”, constitui outro fator determinante: logísticas precárias e transportes deficientes geram perdas diárias de tempo e recursos. A baixa incorporação de equipamentos modernos nas empresas também deprime o rendimento por hora trabalhada, ao passo que falhas na gestão de processos produtivos e a baixa valorização do capital humano prejudicam o desempenho geral.

Reformas

As reformas estruturais voltadas à produtividade no Brasil estão no radar dos especialistas. É cada vez mais urgente iniciar mudanças profundas capazes de retirar o país da armadilha da baixa produtividade e conduzi-lo a um modelo econômico inclusivo, o que exige a remoção de privilégios corporativistas e a valorização do potencial da força de trabalho. A produtividade do trabalhador brasileiro segue estagnada desde 1950, acumulando avanço de apenas 0,4% em 2025 e desaceleração contínua em 2026. Esse cenário reflete o peso do ecossistema estrutural e da burocracia, distanciando o país da média global de produtividade no trabalho.

Radiografia da Estagnação Produtiva

A eficiência do trabalho no Brasil patina em meio a desajustes setoriais e à reversão de ganhos pontuais do passado. Dados do Observatório da Produtividade Regis Bonelli, gerido pelo FGV-IBRE, mostram que o salto temporário de produtividade registrado em 2020, devido à pandemia, foi totalmente revertido, retornando à trajetória de queda iniciada em 2017.

Após alta de 2,3% em 2023, impulsionada pela agropecuária, o indicador avançou apenas 0,1% em 2024 e fechou 2025 com alta modesta de 0,4%. O setor de serviços, que concentra a maior parte da mão de obra, mantém ganhos de produtividade próximos a zero, na casa de 0,2% ao ano.

Para a Virada Estrutural

A reversão desse quadro depende de reformas profundas, divididas em quatro frentes prioritárias:

– Consolidação e Simplificação Tributária: Fim do Custo Brasil, redução da burocracia fiscal e estímulo direto ao investimento produtivo em inovação, superando o planejamento tributário defensivo.

– Reforma Educacional e Técnica: Alinhamento curricular voltado para ciências, engenharia e ensino técnico, além de requalificação contínua de adultos frente à automação.

– Modernização Administrativa: Corte de privilégios e supersalários no funcionalismo, atrelando a máquina pública à meritocracia e à entrega de serviços eficientes.

– Abertura Comercial e Infraestrutura: Redução de barreiras tarifárias para elevar a competitividade externa e ampliação de concessões em portos, ferrovias e saneamento por meio de segurança jurídica.

Em um momento em que as atenções se voltam para as eleições de outubro, existe a expectativa de que surja um projeto inovador para a próxima gestão. Nesse sentido, refletir sobre a baixa produtividade do trabalhador brasileiro é fundamental para confrontar os resquícios de um passado extrativista que continua a limitar o desenvolvimento nacional.

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  • Artigo publicado no Diário do Comércio – Conteúdo
  • Foto destaque: Reprodução / Redes Sociais
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