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Guerra no Oriente Médio

Israel retalia os iranianos e ataca alvos militares em Teerã

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Política Internacional

Em retaliação ao disparo de 200 mísseis balísticos, em 1º de outubro, forças israelenses alvejam instalações militares em Teerã e em outras cidades. Exército judeu fala em ataques de precisão. EUA negam envolvimento e apoiam “autodefesa”

Por Rodrigo Craveiro*

A retaliação ocorreu 24 dias depois de o Irã lançar 200 mísseis balísticos contra Israel — a maioria deles foi interceptada pelo Domo de Ferro, o sistema de defesa israelense. Por volta das 2h30 de hoje (20h30 de ontem em Brasília), explosões foram ouvidas na capital iraniana, Teerã, e em outras cidades, como Karaj, Isfafan, Mashhad e Shahid. Uma segunda onda de bombardeios foi lançada cerca de uma hora depois e atingiu a cidade de Shiraz (centro-sul), segundo a rede de tevê Al-Jazeera.

Imagem de vídeo mostra Netanyahu no mesmo local, monitorando os bombardeios

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o ministro da Defesa, Yoav Gallant, coordenaram os ataques de um bunker construído no subsolo da base militar Kirya, em Tel Aviv. A agência de notícias semi-estatal iraniana Fars informou que “várias bases militares nas regiões oeste e sudoeste de Teerã foram alvejadas”.

O jornal The Washington Post citou uma fonte militar israelense, segundo a qual a retaliação se resumiria a uma noite e incluiria ativos militares. Israel descartou bombardear instalações petrolíferas e usinas nucleares ou prédios ligados ao programa de enriquecimento de urânio. Até o fechamento desta edição, não havia informação sobre o exato impacto da retaliação. À zero hora de hoje (hora de Brasília), as Forças de Defesa de Israel (IDF) comunicaram que os aviões “retornaram em segurança”. Segundo a nota, a aviação atacou instalações de fabricação de mísseis e lançadores de mísseis terra-ar.

A televisão estatal do Irã reportou pelo menos seis explosões no entorno da capital, mas não especificou a causa. “Seis fortes detonações, similares ao ruído de explosões, foram ouvidas em algumas áreas de Teerã”, declarou um apresentador da emissora. Por volta das 4h30 (hora local), jornalistas da agência France-Presse relataram ter escutado novas detonações na capital. O Iraque fechou o seu espaço aéreo, sob a alegação de preocupação com a segurança. 

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Nas redes sociais, vídeos supostamente publicados por moradores de Teerã mostravam fogo traçante no céu e explosões iluminando o céu da capital, pouco antes do amanhecer.

Resposta a agressões

O contra-almirante Daniel Hagari, porta-voz das IDF:

O anúncio dos bombardeios foi feito pelo contra-almirante Daniel Hagari, porta-voz das IDF, em vídeo publicado nas redes sociais. “Em resposta a meses de ataques contínuos do regime no Irã contra o Estado de Israel, neste momento as Forças de Defesa de Israel estão conduzindo ataques precisos em alvos militares no Irã”, afirmou. “O regime no Irã e seus aliados na região têm atacado Israel incessantemente desde 7 de outubro — em sete frentes —, incluindo ataques diretos a partir do solo iraniano. Assim como qualquer outro país soberano no mundo, o Estado de Israel tem o direito e o dever de responder”, acrescentou. Hagari assegurou que as capacidades defensivas e ofensivas de Israel estão “totalmente mobilizadas.”

A Casa Branca classificou os ataques israelenses como “um exercício de autodefesa”. “Ataques dirigidos contra alvos militares são um exercício de defesa própria e em resposta ao ataque do Irã”, afirmou Sean Savett, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional. Ele negou que os EUA tenham participado da retaliação israelense.

Um funcionário de defesa dos Estados Unidos admitiu à agência France-Presse que o governo Joe Biden foi informado por Israel antes que a retaliação ocorresse. O jornal The Times of Israel publicou que o secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, telefonou para Gallant para conversar sobre a ação militar. Biden e a vice-presidente, Kamala Harris, candidata democrata à Casa Branca, receberam atualizações sobre a operação militar de Israel.

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Moradora da região noroeste de Teerã, Sara — ela não quis divulgar o sobrenome — contou ao Correio que estava deitada quando, pouco depois das 2h (hora local), ouviu explosões “muito fortes”. “Senti como se alguma coisa estivesse atingindo o solo. Os vidros de casa começaram a sacudir. Eu devo ter escutado quatro ou cinco explosões consecutivas em intervalos precisos”, explicou. “Houve um pânico inicial, enquanto as pessoas tentavam se dar conta sobre o que estava ocorrendo. Pouco depois das explosões, pude ouvir o barulho de carros nas ruas e algumas pessoas subiram nos telhados de suas casas para buscar alguma evidência de bombardeios. Acho que o pânico inicial logo diminuiu”, acrescentou.

Em 17 de outubro, o general Hossein Salami, chefe do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica — o exército ideológico do aiatolá Ali Khamenei — advertiu Israel para caso levasse adiante a retaliação: “Vamos golpear de novo dolorosamente”.

Alta tensão

A retaliação se soma a um contexto de alta tensão no Oriente Médio, depois de mais de um ano de guerra de Israel contra o Hamas em Gaza, que se estendeu para o Líbano contra o movimento xiita Hezbollah, apoiado pelo Irã. Teerã justificou o ataque ao território israelense como uma resposta aos bombardeios contra o Líbano, que mataram, em setembro, o xeque Hassan Nasrallah, líder do Hezbollah, e um general da Guarda Revolucionária.

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* Informações Correio Braziliense

* Fotos: AFP

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Política Internacional

Trump diz que romperá com Espanha após país se negar a ceder bases militares

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Presidente norte-americano havia requisitado base militar do país europeu para atacar Irã

Por Gabriel Botelho*

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou, nesta terça-feira (3/3), que romperá ligações comerciais com a Espanha. A quebra da relação se deu após o país europeu ter se negado a ceder bases norte-americanas no país para que os EUA pudessem atacar o Irã.

“E agora a Espanha disse que não podemos usar as bases deles, e tudo bem, não precisamos. Poderíamos usar a base deles se quiséssemos, poderíamos simplesmente voar para lá e usá-la. Ninguém vai nos dizer para não usar. Mas não precisamos. Eles foram hostis e por isso eu disse a ele que não queremos”, contou o presidente. 

Ainda durante a declaração, Trump mencionou o fato de a Espanha ter sido o único país da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) a se negar a subir a taxa de importação no país para 5%. “Eu não acho que eles gostariam de concordar em subir para nada. Eles queriam manter em 2% e eles não pagam os 2%. Então, vamos cortar todo o comércio com a Espanha. Não queremos nada com a Espanha”, acrescentou Trump. 

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O ministro dos Negócios Estrangeiros da Espanha, José Manuel Albares, confirmou, nessa segunda-feira (2/3), ter negado o uso das bases aos Estados Unidos. Em entrevista à rádio pública espanhola RTVE, disse que a soberania espanhola prevaleceria no controle das bases de Rota e Morón de la Frontera, no sul do território do país. 

“Não vamos emprestar as nossas bases para nada que não esteja no Tratado ou que não se enquadre na Carta das Nações Unidas. São bases de uso conjunto, mas de soberania espanhola e, portanto, a Espanha tem a última palavra sobre o uso dessas bases”, reforçou. Ele ainda contou que os EUA não haviam informado os espanhóis sobre o ataque com antecedência. 

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