Guerra Tarifária
Trump escala tensão com Brasil e Lula revida ataque
Política Internacional
Presidente dos Estados Unidos volta à ofensiva e diz que a relação comercial entre as duas nações tem sido péssima para os americanos. Chefe do Planalto chama declaração de mentirosa e enfatiza que país “não vai ficar de joelho” para o governo dos EUA
Por Israel Medeiros* – Brasília / DF
Com os produtos brasileiros chegando mais caros aos lares e empresas dos Estados Unidos desde a semana passada, o presidente norte-americano, Donald Trump, voltou a atacar o Brasil, nesta quinta-feira, em uma entrevista na Casa Branca. A retórica foi a mesma que usou quando anunciou o tarifaço: disse que a relação entre os dois países ficou prejudicial para os EUA. “O Brasil tem sido um péssimo parceiro comercial em termos de tarifas. Como vocês sabem, eles nos cobram tarifas enormes, muito maiores do que as que cobramos, e basicamente nem estávamos cobrando nada”, argumentou o republicano. Horas depois, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou de mentira a declaração do chefe de Estado americano.
Trump havia sido questionado sobre as tarifas aplicadas aos países da América Latina e a respeito da possível aproximação deles com a China. Ele se disse despreocupado e citou o Brasil como um dos “piores países” do mundo para fazer negócios.
“Eles (referindo-se ao Brasil) nos trataram muito mal como parceiros comerciais por muitos e muitos anos, um dos piores. Um dos piores países da Terra para isso. Eles cobram tarifas enormes e tornaram muito difícil fazer qualquer coisa”, frisou. “Agora eles estão sendo cobrados em 50% (nas tarifas), não estão felizes, mas é como a coisa funciona”, acrescentou. As declarações de Trump ocorreram menos de 10 dias depois de a chantagem tarifária do republicano contra o Brasil entrar em vigor.
Mais tarde, Lula rebateu o desafeto: “É mentira quando o presidente norte-americano diz que o Brasil é um mau parceiro comercial. O Brasil é bom, só não vai ficar de joelho para o governo americano”, enfatizou, durante evento no município de Goiana, em Pernambuco. “O Trump fez uma insensatez com o Brasil porque nós somos parceiros americanos há 201 anos. Não é de hoje, são 201 anos de relação diplomática.”
Ex-presidente
Trump também aproveitou para defender o ex-presidente Jair Bolsonaro, a quem chamou de um “homem honesto”. “O Brasil tem algumas leis acontecendo, quando eles pegam um presidente e o colocam na prisão, ou estão tentando prendê-lo. Eu vou dizer a vocês: eu sou muito bom com as pessoas, e eu acho que ele é um homem honesto.”
O chefe de Estado americano disse ser “terrível” o tratamento dispensado ao ex-presidente, que está em prisão domiciliar aguardando ser julgado por liderar uma tentativa de golpe de Estado. “Acho que estão tentando fazer uma execução política com Bolsonaro. Acho que é terrível”, completou.
O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) — que articulou, nos últimos seis meses, contra autoridades brasileiras nos Estados Unidos para tentar beneficiar o pai — comentou as falas de Trump. “Agora imagine se Jair Bolsonaro for condenado. Qual seria a reação do presidente Donald Trump? O mundo todo está vendo um juiz ativista, Alexandre de Moraes, tentando fazer o que ele não consegue nas urnas: derrubar o maior líder político da América Latina”, pontuou.
Nas urnas, no entanto, Bolsonaro foi derrotado em 2022, e se depender da Justiça, não aparecerá nelas ao menos até 2034, quando poderia voltar a concorrer a um cargo eletivo, caso não seja condenado pela tentativa de golpe, já que foi declarado inelegível em dois processos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2023.
Na última terça-feira, a gestão Trump havia divulgado um relatório abordando a situação dos direitos humanos no Brasil. O relatório, que cita poucas fontes e reproduz desinformação, encaixa-se na narrativa bolsonarista de que as instituições brasileiras, especialmente o Judiciário, estariam atacando a liberdade de expressão da direita no Brasil.
Violência
O documento citou o bloqueio de acesso de usuários a redes sociais, a restrição a conteúdos antidemocráticos e a “supressão desproporcional” da liberdade de expressão de de Bolsonaro. Também abordou casos de violência no Brasil, desrespeito a leis trabalhistas e outras questões estruturais.
O relatório diz que a Constituição brasileira impede prisões arbitrárias e o direito à defesa, mas argumentou que esses princípios foram desrespeitados com os presos do 8 de Janeiro. A argumentação segue a mesma linha adotada por deputados e senadores de oposição que pressionam a cúpula do Congresso desde 2024 pela aprovação de uma anistia aos golpistas que depredaram os prédios dos Três Poderes pedindo um golpe de Estado.
“Figuras políticas e grupos de direitos humanos alegaram que o governo manteve centenas de indivíduos acusados de participação nos protestos que levaram à invasão dos prédios governamentais em 8 de janeiro de 2023, detidos por vários meses sem apresentação de denúncias”, diz o relatório. “O governo norte-americano também reproduziu a falsa alegação de que os presos pelo 8 de Janeiro foram “privados de acesso a advogados”. Não citou, no entanto, as fontes utilizadas para sustentar as afirmações.
Segundo o Supremo Tribunal Federal (STF), dos 1,4 mil presos do 8 de Janeiro, 141 permaneciam na cadeia e outros 44 estavam em prisão domiciliar até a última terça-feira. Ao menos 112 já foram condenados por crimes relacionados às invasões. Há, ainda, 29 em prisão preventiva aguardando julgamento.
__________________________________
* Correio Braziliense – Conteúdo
* Foto/Destaque: Reprodução / Instagram
Política Internacional
Irã confirma acordo com EUA, mas exige pagamento de pedágio em Ormuz
Trump e mediador paquistanês apresentaram informações contraditórias sobre o teor do texto que trata do fim da guerra
Estados Unidos e Irã alcançaram um acordo neste domingo (14) para estabelecer o fim imediato da guerra no Oriente Médio, incluindo o conflito no Líbano, e pretendem assinar o texto na sexta-feira (19), em Genebra. O país persa adicionou uma cláusula sobre o pagamento de pedágio marítimo no Estreito de Ormuz.
O teor do acordo não foi divulgado, mas o Irã indicou que as negociações devem começar em, no máximo, 60 dias, com o objetivo de alcançar um acordo definitivo em questões delicadas como o programa nuclear ou as sanções contra sua economia.
O compromisso foi anunciado pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, mediador do conflito, que o qualificou de “passo histórico em direção à paz”. Posteriormente, Washington e Teerã confirmaram a informação.
“O acordo com a República Islâmica do Irã já está concluído. Parabéns a todos!”, escreveu Trump em sua plataforma Truth Social. “Autorizo plenamente a abertura sem cobrança de pedágio do Estreito de Ormuz e, simultaneamente, autorizo a suspensão imediata do bloqueio naval dos Estados Unidos. Navios do mundo, liguem seus motores. Que o petróleo flua!”, completou.
Pouco depois, ele afirmou que a passagem marítima só será reaberta após a assinatura do acordo na sexta-feira.
A agência iraniana Fars, no entanto, afirmou que o Irã incluiu, no último momento, uma cláusula sobre o pagamento de um pedágio marítimo no Estreito de Ormuz.
“Nos momentos finais da negociação, o texto do memorando de entendimento recebeu uma emenda para enfatizar de forma clara e explícita a questão da soberania do Irã e de Omã sobre o Estreito de Ormuz”, por onde transitam o gás e o petróleo exportados do Golfo, indicou a agência Fars, que citou uma fonte anônima que acompanha as negociações.
“O uso do termo ‘serviços marítimos’ significa que os Estados Unidos aceitaram o pagamento de pedágios ao Irã”, acrescentou a agência iraniana.
O fechamento de Ormuz teve um grande impacto na economia mundial, provocando inflação em alguns países e problemas de abastecimento de fertilizantes necessários para a produção de alimentos, entre outros.
Segundo o vice-ministro iraniano das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, o acordo com Washington põe “fim imediato à guerra”.
Uma fonte diplomática próxima às conversações indicou que Estados Unidos e Irã devem manter negociações indiretas durante a semana no Catar, antes da assinatura do acordo na sexta-feira.
Moratória nuclear
O conteúdo do acordo, alcançado após semanas de negociações tensas e ameaças frequentes de Trump de novas hostilidades, não foi divulgado publicamente.
As partes publicaram informações contraditórias sobre o teor. Trump afirmou ao jornal The New York Times que o Irã aceitou uma moratória de 20 anos sobre o enriquecimento de urânio.
Por sua vez, Gharibabadi declarou que as próximas conversações abordarão o fim das sanções contra o Irã, a questão nuclear, a reconstrução e o desenvolvimento econômico de seu país e a implementação de um mecanismo de supervisão dos acordos alcançados.
Israel reagiu e anunciou que seu Exército “permanecerá nas zonas de segurança no Líbano, na Síria e em Gaza por um período ilimitado”, segundo as palavras do ministro da Defesa, Israel Katz.
O acordo foi recebido com alívio pela comunidade internacional. O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse esperar “que as partes aproveitem o novo impulso e redobrem seus esforços em direção a uma resolução final do conflito”.
Reino Unido, França, Alemanha e Itália celebraram o acordo e afirmaram que estão dispostos a suspender algumas sanções contra o Irã. Egito e Arábia Saudita também elogiaram o pacto.
Petróleo a US$ 80
O conflito começou em 28 de fevereiro com os bombardeios de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã, que respondeu atacando alvos americanos nos países do Golfo aliados de Washington.
Em 2 de março, o Líbano entrou na guerra devido aos ataques do Hezbollah contra Israel, que respondeu com uma ofensiva para “eliminar” o movimento xiita apoiado por Teerã. Os bombardeios israelenses provocaram mais de 3.700 mortes desde março, segundo o governo libanês.
Uma fonte oficial libanesa disse nesta segunda-feira (15) à reportagem que o governo de Beirute “não foi informado” sobre o acordo, nem sobre o momento em que entrará em vigor.
O acordo impulsionou as Bolsas e derrubou os preços do petróleo.
“O que poderemos fazer é reduzir o custo da energia, não apenas agora, mas a longo prazo, e criar um verdadeiro motor de prosperidade no Oriente Médio”, disse o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, ao canal Fox News.
—————————————————————————————
- Matéria da agência AFP – Conteúdo
- Foto destaque: Bandeira do Irã / Crédito: Heinz Peter Bader
-
Acidente Aéreo7 dias atrásAvião caiu em Marília causando duas mortes e um ferido
-
OPINIÃO5 dias atrásEntrelinhas da Política | junho 1ª edição
-
Evento / Empreendedorismo7 dias atrásFeira da Mulher Empreendedora acontece de sexta-feira a domingo em Vila Velha
-
ENTRETENIMENTO6 dias atrásContagem regressiva: Festa de São Pedro chega à 98ª edição com shows, tradição e muita animação
-
Justiça6 dias atrásJuiz aposentado acusado de assediar estagiárias recebe condenação do TJES
-
CULTURA & ENTRETENIMENTO6 dias atrásGrande Buda de Ibiraçu é reconhecido como patrimônio cultural do Espírito Santo
-
Esportes / Futebol7 dias atrásSem dificuldade, México vence a África do Sul no jogo de abertura da Copa de 2026
-
Esportes / Futebol5 dias atrásEUA estreia na Copa com goleada contra o Paraguai