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Medicina & Saúde

Esquizofrenia: tipos, causas, tratamentos e sintomas

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SAÚDE

Por Rui Brandão*

A esquizofrenia é um dos transtornos mentais mais conhecidos e hoje afeta 1% da população mundial. Mas, ainda hoje é um assunto com muitos tabus e sobre o qual pouco se fala.

A desinformação a respeito dos transtornos mentais é uma das grandes causas do preconceito que ainda existe hoje. A falta ou demora de um diagnóstico correto afeta a qualidade de vida de pessoas que sofrem com os sintomas.

Por isso, vamos entender melhor o que é esquizofrenia, como ocorre, quais os principais sintomas, os tipos e como acontece o tratamento. Dessa maneira, com mais informação podemos aprender a lidar melhor e ajudar pessoas que sofrem com esse transtorno.

O que é esquizofrenia?

A esquizofrenia é um transtorno mental grave que muda o modo como a pessoa pensa, sente e se comporta socialmente. Ou seja, essa desestruturação psíquica tem sintomas como alucinações, delírios, dificuldades no raciocínio e alterações no comportamento como indiferença afetiva e isolamento social.

Além disso, a pessoa com esse transtorno perde a noção da realidade e tem dificuldades de entender a diferença entre o imaginário e o que é real (isso é chamado de psicose). Por isso, as principais características desse transtorno é quando a pessoa ouve e vê coisas que, na verdade, não existem para mais ninguém. 

Por ser um transtorno mental que afeta a percepção de realidade de uma pessoa, a esquizofrenia pode afetar diversas áreas da vida, como a pessoal, profissional e social.

Então, a esquizofrenia é um distúrbio psiquiátrico que envolve psicose crônica ou recorrente. Essa doença influencia no aspecto social e ocupacional. Nesse sentido, ela está entre as doenças médicas mais incapacitantes.

Aliás, ela é classificada pela OMS como uma das dez principais doenças que mais interferem na mortalidade e capacidade laboral do ser humano. Mas, vale lembrar também que a esquizofrenia tem tratamento e nada tem a ver com dupla personalidade. 

Com o diagnóstico feito e um tratamento certo, a pessoa pode viver com uma boa qualidade de vida.

Esquizofrenia: tipos, sintomas e o que fazerCaracterísticas da esquizofrenia

A esquizofrenia foi descoberta e primeiro nomeada como demência precoce pelo psiquiatra alemão Emil Kraepelin. Já no século XX, recebeu o nome que conhecemos hoje graças ao psiquiatra suíço Eugen Bleuler.

O termo “esquizofrenia” (que significa mente dividida ou fragmentada), busca representar os sintomas apresentados por quem sofre com essa doença mental, onde a pessoa passa a não conseguir diferenciar os alucinações e psicoses do que é realidade.

Segundo dados da OMS, a doença atinge homens e mulheres a partir do começo da vida adulta. Mais especificamente até o começo dos 20 anos em homens, e entre os 20 e 30 anos entre as mulheres. Os diagnósticos com menos de 10 anos e mais de 60 anos são muito raros.

A esquizofrenia também é considerada a terceira causa entre doenças que atrapalham a qualidade de vida de pessoas entre 15 e 44 anos. Isso porque, entre os mais jovens, essa doença é facilmente confundida com problemas mais comuns.

O problema da esquizofrenia é muito mais sério do que se pensa, pois não só degrada a saúde mental do indivíduo acometido, mas também é preciso lembrar que 50% dos pacientes com esquizofrenia tentam suicídio ao menos uma vez, 10-15% concretizam o ato.

Esquizofrenia: o que é, sintomas, tipos e se tem cura - Minha VidaQuais são as causas e fatores de risco da esquizofrenia?

Como muitos transtornos mentais, as causas específicas da esquizofrenia ainda são incertas. 

Identificar causas exatas de transtornos mentais não é uma tarefa fácil porque geralmente não está relacionado apenas com um fator. Assim, costuma-se atribuir como causa “geral” para o Transtornos Mentais os fatores biopsicossociais (biológicos, psicológicos e sociais).

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Nesse contexto, pesquisas feitas ao longo dos anos concluíram que a genética e outros fatores ambientais têm influência na esquizofrenia.

Por exemplo, pessoas com parentes de primeiro grau (especialmente uma mãe, pai ou irmão) que têm essa doença têm maior chance de desenvolvê-la do que outros.

Além disso, quanto aos fatores ambientais, alguns estudos conseguiram relacionar momentos que podem ser um sinal de alerta e risco para o desenvolvimento dessa doença. Para explicar melhor, separamos em alguns tópicos para explicar melhor o por que eles são um risco:

Algumas das principais situações que podem desencadear a esquizofrenia durante o período neonatal são:

  • Complicações na gravidez ou na hora do parto;
  • Nascimento com massa cinzenta do cérebro reduzida;
  • Crescimento ou desenvolvimento anormal do feto;
  • Falta de interação entre mãe e filho;
  • Perdas emocionais precocemente.

Quais os principais sintomas de pessoas com esquizofrenia?

Ser capaz de perceber ou identificar os principais sintomas de esquizofrenia ajuda e é fundamental para buscar ajuda e obter um diagnóstico mais rápido. Pessoas que sofrem com esquizofrenia podem ter uma vida normal e um dia a dia saudável com o acompanhamento e tratamentos corretos 

Os sintomas se manifestam de maneira diferente em cada pessoa, por isso a esquizofrenia tem seus sintomas separados em categorias, e são eles os sintomas positivos, negativos, cognitivos, neurológicos e comportamentais. 

Vale lembrar que o diagnóstico de doenças mentais apenas pode ser realizado por um médico psiquiatra. Separamos os principais sintomas de pessoas com esquizofrenia para te ajudar a identificar sinais e procurar ajuda.

Sintomas positivos da esquizofrenia

Os sintomas positivos da esquizofrenia recebem esse nome pois estão ligados a comportamentos com mais aceleração ou agitação. Esses também são os sintomas que possuem uma resposta melhor e mais efetiva à medicação.

Esse tipo de sintoma também é caracterizado por reações ligadas à perda de contato com a realidade. São eles:

  • Alucinação: A alucinação mais comum é a de ouvir vozes que não existem, onde a pessoa conversa e até interage com elas;
  • Delírios: As pessoas que sofrem com isso tem convicções que não possuem nenhum motivo de ser. Os principais tipos de delírio na esquizofrenia são os chamados persecutórios em que se têm a certeza de que eles são alvos de alguma perseguição ou espionagem;
  • Pensamentos desordenados: Por causa das alucinações e delírios, muitos esquizofrênicos têm dificuldades em organizar seus pensamentos e ações, o que também interfere na comunicação com os outros;
  • Distúrbios do movimento: pessoas com esquizofrenia podem apresentar movimentos desordenados ou agitados, que se repetem sem motivo aparente.

Sintomas negativos da esquizofrenia

Os sintomas negativos são aqueles que demoram mais tempo para se manifestar ou para serem percebidos. Também estão ligados a comportamentos mais apáticos ou com falta de emoções.

Esse tipo de sintoma também é mais difícil de apresentar uma resposta positiva mais rápida diante da medicação. São eles:

  • Não expressar afeto: Não significa que o esquizofrênico não tenha sentimentos e sim que tem dificuldades para demonstrar a empatia;
  • Perda de prazer na vida cotidiana: A esquizofrenia reduz a sensação de prazer;
  • Dificuldade em iniciar e manter atividades: Não é preguiça. Para essa pessoa começar qualquer atividade torna-se difícil. Por isso, muitos acabam escolhendo atividades passivas, que não exigem grande esforço ou raciocínio;
  • Compreensão e fala: Ou seja, a pessoa que sofre de esquizofrenia pode ter muita dificuldade em se comunicar e manter uma lógica em conversas. Por isso, é preciso que a família e amigos tenham paciência e tentem entender, com carinho e compreensão.
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Sintomas cognitivos da esquizofrenia

Os sintomas cognitivos são mais facilmente percebidos durante a fase escolar, já que estão diretamente ligados com o desempenho e capacidade intelectual. Os principais sintomas cognitivos da esquizofrenia são:

  • Dificuldade de aprendizado;
  • Falta de concentração;
  • Problemas de memória;
  • Isolamento social;
  • Abandono da escola.

Sintomas neurológicos da esquizofrenia

Os sintomas neurológicos da esquizofrenia têm um reflexo físico direto e aparente, por isso quando eles se manifestam percebe-se com mais facilidade que algo está errado. São eles:

  • Tiques faciais;
  • Movimentos mais desajeitados ou estabanados;
  • Movimentos bruscos e descoordenados;
  • Piscar dos olhos mais frequentes;
  • Desorientação espacial.

Os sintomas comportamentais geralmente se fazem muito presentes em diagnósticos de esquizofrenia. Os principais e mais severos deles são:

  • Suicídio: acontece na fase aguda e na crônica. Por isso, é preciso estar atento à queixa do esquizofrênico sobre vozes e outros sintomas da doença.
  • Agressividade: esse tipo é um pouco mais raro. Mas, podem acontecer surtos, ataques de fúria e reações impulsivas;
  • Repetições: ou seja, é comum apresentarem manias e hábitos repetitivos, de higiene e alimentação muito semelhantes a pessoas com Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC);
  • Atividades solitárias: Isso porque, conversas solitárias e risos sem razão aparente, são comuns e acontecem de forma involuntária e automática por conta das vozes que o esquizofrênico escuta. Muitas vezes o que motiva um familiar a levar seu parente ao médico psiquiatra ou a um psicólogo é o relato de que ele está “falando sozinho”. Isso é comum nos pacientes com esquizofrenia. Na maior parte das vezes, não se consegue entender o que a pessoa diz, isto é, não formam-se coerentes ou completas.

A esquizofrenia tem cura?

Assim como as causas e fatores de risco ainda são incertos, ainda não existe uma cura definida para esse transtorno mental. No entanto, quando há um diagnóstico, acompanhamento e tratamentos corretos, a pessoa com esquizofrenia pode viver uma vida normal. 

O tratamento e controle da doença podem variar de pessoa para pessoa, e existem diversos fatores para um resultado satisfatório ou não às medidas e tratamentos. Há fatores que indicam bom ou mau prognóstico, ou seja, chance de boa ou má reação ao tratamento. Vamos entender melhor quais são eles:

Hospitalização

A hospitalização não deve ser um tabu e é um tratamento que ajuda em momentos de crise ou casos da dhttps://youtu.be/kffX32RgUkQoença onde a pessoa precisa de assistência médica de forma mais integral e completa.

Por isso, tenha sempre por perto o contato do psicólogo ou psiquiatra que acompanha o caso. Não deixe de buscar ajuda principalmente em casos de ideação ou tentativa de suicídio.

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* O autor é médico, com experiência em Portugal, Brasil e Estados Unidos da América, e mestre em Administração pela FGV em São Paulo. Hoje é CEO & Co-fundador do Zenklub, plataforma de saúde emocional e desenvolvimento pessoal que oferece conteúdos, profissionais e ferramentas especializadas para mais de 1.5 milhões de pessoas no Brasil.

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SAÚDE

Venda de ivermectina cresce após ator Mel Gibson citar cura do câncer

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Ator citou que três amigos teriam se recuperado de cânceres em estágio avançado usando o fármaco

Um estudo publicado na última terça-feira (12) na revista JAMA Network Open apontou um aumento expressivo nas prescrições de ivermectina nos Estados Unidos após declarações do ator Mel Gibson que, em janeiro do ano passado, afirmou que três amigos teriam se recuperado de cânceres em estágio avançado usando o fármaco.

O levantamento foi conduzido por pesquisadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) e analisou dados de mais de 68 milhões de pacientes entre 18 e 90 anos atendidos em serviços ambulatoriais e emergenciais no país. Os pesquisadores compararam prescrições da combinação ivermectina-benzimidazol entre janeiro e julho de 2025 com o mesmo período do ano anterior.

Os resultados mostraram que, de forma geral, as prescrições desses medicamentos dobraram após a repercussão das declarações. Entre pacientes com câncer, o aumento foi ainda mais acentuado, ultrapassando 2,5 vezes os índices registrados anteriormente.

Apesar do crescimento, os autores alegam que não há evidências clínicas que comprovem segurança ou eficácia da ivermectina ou de medicamentos benzimidazólicos no tratamento do câncer em humanos. No entanto, é ressaltado que essas substâncias chegaram a apresentar atividade anticancerígena em estudos laboratoriais e em testes com animais.

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No Brasil, a ivermectina é aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apenas para tratamento de infecções parasitárias. Já o fenbendazol é destinado ao uso veterinário.

A oncologista clínica Clarissa Baldotto, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), ressaltou que resultados promissores em laboratório representam apenas fase inicial da pesquisa científica.

– Muitas substâncias que parecem promissoras em laboratório não se confirmam em estudos clínicos. Apenas uma pequena parte das moléculas que entram em pesquisa pré-clínica chega a ser testada em humanos – afirmou.

Por se tratar de pesquisa observacional, o estudo não estabeleceu relação direta de causa e efeito e avaliou apenas prescrições médicas, sem confirmar se os medicamentos foram efetivamente utilizados pelos pacientes.

IVERMECTINA NA PANDEMIA DE COVID

A repercussão em torno da ivermectina também remete à forte polarização registrada na pandemia de Covid-19. À época, o fármaco foi defendido por setores da sociedade e por parte da classe médica como uma alternativa terapêutica acessível, além de símbolo da autonomia profissional diante do que classificavam como resistência de autoridades e organismos internacionais ao chamado tratamento precoce.

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Na ocasião, a controvérsia representava uma disputa sobre liberdade médica e direito de escolha do paciente. Defensores do protocolo, como o ex-presidente Jair Bolsonaro, argumentavam que, em meio ao cenário de incerteza vivido na pandemia, os médicos deveriam ter a liberdade para prescreverem remédios como a hidroxicloroquina e a ivermectina caso entendessem ser uma forma viável de combate à Covid.

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  • FONTE: PlenoNews.
  • Foto destaque: Reprodução / Internet

 

 

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