Coluna / Opinião
Coluna / Bloco de Notas – 2ª edição de outubro
OPINIÃO

Paulo Roberto Borges
Conversa atravessada
O presidente sem povo, Lula (PT), disse que está satisfeito com o que vem acontecendo no Brasil. Afirmou que está do jeito que deseja.
Diante dessas declarações deu a impressão de estar delirando, passando a certeza de que não vai à feira e muito menos ao mercado fazer compras.
Na oportunidade, disse que é a encarnação do povo incorporado em sua pessoa. Detalhe: o povo não é corrupto.
Nomes chamativos
Na verdade, são nomes criativos que os candidatos usam levando para a política como são chamados na vida comum. Nomes como, por exemplo, Zé da Égua, que após as eleições virou uma besta pelo resultado pífio.
Tem o Biroca, que levou uma…. Ainda existiu o Zé da Rola, que também levou uma ao abrirem às urnas.
Outro apelido usado nas eleições, foi um tal de Sete Boia, que não conseguiu se salvar do afogamento eleitoral; O Joel Barbicha, que colocou as barbas de molho; O Lilico, alusão a um antigo humorista, que batendo tambor cantava: “Tempo bom, não volta mais…”. Para ele, o tempo fechou ao abrir as urnas.
Ainda nessa toada de nomes e apelidos exóticos (e sem voto), apareceu no cenário da política, o Guga Pau no Gato. Esse, coitado, levou pau na eleição.
Lá em São Mateus, em toda eleição, se apresentava ao eleitor o indefectível Peixe Seco. Gente boa, porém, não é peixe, é humano, nunca soube nadar, mora longe do mar, e em vez de peixe, só come carne. Seca, jamais. Nesta eleição seus eleitores, que nunca o elegeram, sentiram sua falta, neste pleito. Evidentemente para perder mais uma vez.
O inexplicável da política
Uma coisa é fato: nem sempre vence o melhor. Na política costuma vencer o malado, o popular e o festeiro. Os sérios fazem parte do grupo dos compromissados que se elegem, porém, com alguma dificuldade.
Nessas eleições muita gente boa, capacitada, competente e capaz de ajudar na transformação da sociedade, ficou de fora.
Cacique, dono de sigla partidária quase sempre ganha e em todos os sentidos…
Azedaram a Pizza
Em São Mateus, foi instalada pela Câmara de Vereadores a CPI da Viação São Gabriel. Apesar de ter nome de santo, essa empresa, que detém a concessão dos serviços de transporte coletivo urbano na cidade, presta sem dó e piedade, péssimos serviços aos seus usuários.

Foram 180 dias com oitivas, investigações, requisição de documentos, interrogatório, secretário da Prefeitura, fiscais do contrato dos serviços etc. Uma equipe foi constituída para analisar e organizar toda a documentação e ser apresentado um relatório final. O relator solicitou mais 15 dias e depois mais 15 para terminar a elaboração do seu relatório. Venceu o prazo e nada foi apresentado para apreciação e votação pelo plenário da Câmara.
A presidente da CPI preocupada com o prazo, providenciou um relatório paralelo para que a CPI não fosse arquivada e perderia a sua serventia.
Pois bem, o relator fez perder o prazo e o relatório paralelo para salvar a Comissão, foi derrotado pelos outros membros e, como consequência, a CPI foi arquivada.
A presidente indignada, vereadora Isamara da Farmácia (União Brasil) fez vários questionamentos, querendo saber o que levou aos seus pares enterrarem todo um trabalho feito em defesa do cidadão, que faz uso do transporte coletivo da cidade. Ela percebeu que estava sozinha nessa tarefa. Foi reeleita como a campeã de voto e seus colegas amargam, até agora, fragorosa derrota eleitoral.
A máxima prevaleceu: CPI acaba em pizza.
Ele é o cara

Lorenzo Pazolini
O prefeito reeleito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos) mostrou durante o processo eleitoral, a importância de pouca conversa fiada e focar na prestação de serviço ao cidadão, valorizando e atendendo as suas demandas. Esse é um dos fatores para a sua avassaladora vitória, diante dos seus adversários. Ele entendeu que o cidadão está de saco cheio de muita conversa e pouca ação. O resultado foi a sua reeleição e se cacifando para voos mais altos nos próximos embates da política capixaba.
Após colocar seus adversários dentro de um saco só, sem dúvida, se apresenta como uma liderança importante, confiável e de trabalho diante da sociedade produtiva do Espírito Santo. Sua fama de bom gestor extrapolou a Grande Vitória.
Em 2026 é um nome natural a disputar o governa do estado ou um cargo eletivo em nível federal.
Queda providencial
O acidente que aconteceu com o presidente Lula, que caiu no banheiro do Palácio da Alvorada e se feriu na cabeça, teve o seu lado “bom”. Com isso a viagem à Rússia para a reunião com os membros do Brics, foi cancelada e, assim, Lula se livrou de um fato que poderia trazer mais descrédito. Ele apareceria em foto ao lado de Putin e Xi Jinping. Portanto, foi uma queda providencial.
A pane no avião da presidência também, pois com receio não ia querer usar um avião da FAB sem as “exigências” presidenciais.
Quem deve ter ficado uma arara foi a Janja, até porque seu espírito de turista oficial perdeu essa viagem para fazer turismo em Moscou.
Escolha e apoio

Fernando Rocha
Logo, logo as eleições para a presidência das mesas diretoras das câmaras de vereadores entrarão com maior intensidade na agenda dos chefes de executivos. Em Santa Leopoldina a disputa de nomes para se colocarem na vitrine em que o prefeito eleito, Fernando Rocha (PDT), possa ver, já está movimentando bastidores. Todos querem, mas só um será o escolhido. Para os outros cargos da Mesa Diretora será um entendimento entre todos os pares.
Pelo cenário que se desenhou após as eleições, o Legislativo leopoldinense está repleto de interessados na presidência. Está sendo prevista uma disputa intensa para se tornar o queridinho do pedaço. Sergio lago, Nelson do Sindicato, Marquinho Rauta, Romi Miller e Marcelo Leppaus são nomes que estão na passarela da política para ocupar o cargo de presidente da Câmara.
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Pode isso, Arnaldo?!

Não. Não pode.
Empresas estatais que estão dando prejuízo de R$ 7,2 bilhões. Um rombo histórico, fruto de voltar a abrigar e ser aparelhada no atual governo por políticos e seus apadrinhados. Em 2020 o lucro das estatais, com o governo anterior, teve um lucro de R$ 69 bilhões.
A lei das estatais aprovada no Congresso Nacional que tem a finalidade de impedir a nomeações de políticos para seus quadros, foi “esquecido”, como consequência de liminar impetrada no Supremo. A marca registrada do governo Lula é a “Sem Governança”.
Diante disso, o Brasil é um improviso e – ao que parece – foi feito para não dá certo diante de tanta insanidade político-administrativa.
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Resumão
CPI não vingou – A Comissão Parlamentar de Inquérito de São Mateus foi jogada às favas, deixando a empresa investigada continuar prestando péssimos serviços de transporte coletivo na cidade, e apoiando algumas candidaturas. Em tempo: o relatório final ficou para ser votado após as eleições, por isso perdeu o prazo e foi arquivada. /// Parlando besteira – O Lula além de assassinar a Língua Portuguesa, está assassinando a verdade a cada pronunciamento que faz. /// Fato: Quem tira a liberdade dos outros, não pode ser livre. /// Guerra no Oriente – Israel tem todo o direito a defesa como estado nacional, que foi covardemente atacado por terroristas que desejam sua destruição e também da população judia. /// Fator de poluição – O vereador André Moreira (Psol) afirmou, em sessão da Câmara desta segunda-feira (21), que os índices de pó preto despejado sobre a cabeça do capixaba morador de Vitória, bateu todos os recordes neste mês. A luta continua. /// Sonho e Desejo – Instituições quilombolas e suas lideranças estão propondo a criação de uma universidade quilombola. O movimento em São Mateus começa a ganhar corpo e já se procura parceiros, como a Suzano. /// Mexe-Mexe – Começaram as articulações para a escolha de presidentes para as mesas diretoras das câmaras de vereadores. Todo vereador eleito ou reeleito se diz não candidato, mas a mentira não é um dos valores conservados e cultivados pela classe política. Quando dizem que não é, pode apostar que é. /// Na contramão – Apesar de não ser transparente e tudo ser mantido em segredo, a Eco-101 repactuou seu contrato com o TCU e, supostamente está a não obrigatoriedade de duplicar o trecho da BR-101 na região Norte do Espírito Santo. Não se sabe se o pedágio vai continuar a ser cobrado naquela área.
OPINIÃO
Produtividade travada: fatores históricos que explicam o atraso do Brasil
A baixa produtividade do trabalhador brasileiro tem origem no modelo extrativista da economia que vem do colonialismo e, em muitos aspectos, permanece em vigor, mesmo tendo à frente governos liberais ou progressistas
Por Arthur Gebara Júnior*
A produtividade do trabalhador brasileiro é considerada baixa quando comparada à de países desenvolvidos e de algumas nações em desenvolvimento. O Brasil ocupa a 94ª posição no ranking global de produtividade da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ficando atrás até mesmo de vizinhos latino-americanos com graves dificuldades estruturais.
Na América Latina, por exemplo, o Brasil perde para o Uruguai, o Chile, a Argentina e Cuba – país que lida há décadas com um embargo econômico e fortes limitações sob um governo centralizado. No ranking global de produtividade por hora trabalhada, que avalia 184 países, o Brasil registra uma geração média de riqueza de US$ 21,2 por hora. No contexto regional, o Uruguai lidera com US$ 38, seguido por Chile (US$ 34,4), Argentina (US$ 33,8) e Cuba (US$ 22,6).
O indicador é calculado pela OIT ao dividir o Produto Interno Bruto (PIB) em dólares pelo total de horas trabalhadas da população ativa. Os líderes mundiais em produtividade são a Irlanda (US$ 164,7), Luxemburgo (US$ 159), Noruega (US$ 125,6) e Cingapura (US$ 100,4). Em relação aos Estados Unidos, onde o trabalhador gera US$ 81 por hora, o rendimento brasileiro representa apenas cerca de 26% da riqueza produzida por um americano.
A pesquisa da OIT (com dados do primeiro trimestre de 2026) também aborda a jornada semanal. O brasileiro trabalha, em média, 38,9 horas por semana, índice inferior ao de 97 países, incluindo nações como a China (46,1 horas), Índia (45,7 horas) e o México (42,2 horas). A possível aprovação da jornada 6×1, em andamento no Congresso Nacional, por exemplo, deve aumentar o custo para o empregador e para o consumidor, sem alterar a produtividade.
Mas, afinal, o que trava a produtividade? Por que o país permanece estagnado nesse patamar há décadas? Trata-se de uma questão complexa, na qual fatores históricos e estruturais exercem um papel decisivo.
Para ajudar a entender a baixa performance do trabalhador brasileiro, é possível recorrer ao chamado “mito da preguiça tropical”: ideias racistas e deterministas do século XIX, herdadas do período colonial, tentavam culpar o clima ou a etnia pelo atraso econômico. No entanto, a história econômica desmente esses mitos ao demonstrar a alta intensidade de esforço físico imposta aos trabalhadores sob regimes de exploração e escravidão.
Instituições determinantes
Daron Acemoglu é professor de economia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e James A. Robinson, professor de ciência política da Universidade de Chicago. Os dois receberam o Prêmio Nobel de Economia pelo conjunto de suas pesquisas acadêmicas fundamentais sobre como as instituições sociais e políticas afetam a prosperidade dos países, que servem de base para a tese apresentada na obra “Por que as Nações Fracassam”. Este livro destaca como as justificativas geográficas e culturais para decretar a riqueza ou a pobreza de um país não convencem. Os dois especialistas afirmam que o desenho de suas instituições é determinante.
Para uma análise mais precisa, eles classificaram os países em duas categorias. Os de economias inclusivas, que promovem a prosperidade ao garantir direitos de propriedade, incentivar a inovação e distribuir o poder político, com um resultado histórico que gera crescimento sustentável de longo prazo. Direitos amplos, garantia da propriedade privada com segurança jurídica e regulação clara também contribuem para a construção de um ambiente favorável aos investimentos, o que não tem ligação com fatores geográficos e culturais. A educação, a qualificação e o preparo do trabalhador afetam diretamente a sua produtividade.
Já as nações enquadradas como extrativistas concentram a riqueza nas mãos de poucas elites e barram o desenvolvimento. Embora a questão das instituições seja parte das regras do jogo, ela é também determinante para o desenvolvimento de um país. O modelo que os economistas classificam como extrativista não estimula o trabalhador, o que afeta de maneira decisiva a sua produtividade. Ele não tem incentivo para se educar ou investir na sua qualificação técnica, o que o impede de enxergar oportunidades, se preocupar em inovar ou empreender. Além disso, não existe a perspectiva e a garantia de que será recompensado e se apropriará dos resultados do seu esforço, já que o investimento produtivo é muito baixo, com falta de capital físico, o que compromete a produtividade.
O livro compara o sucesso de países como os Estados Unidos com a economia de nações da América Latina, África e Ásia, explicando como essas características institucionais e políticas são cruciais para o êxito ou o fracasso. No caso da América Latina, o modelo colonial de dominação e exploração gerou instituições extrativistas que concentram renda e travam a produtividade moderna.

E o Brasil?
O país ainda sofre com as sequelas desse modelo. O latifúndio colonial limitou o acesso à propriedade para a maioria da população, enquanto a escravidão prolongada atrasou a criação de um mercado consumidor livre e qualificado.
Marcel Solimeo, economista-chefe do Instituto de Economia Gastão Vidigal da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), alerta que a educação e, especialmente, a qualificação dos trabalhadores ainda não são efetivas. “Existem cursos de qualificação profissional em várias entidades empresariais, escolas e institutos de formação técnica, mas o problema vem da educação básica, ainda muito deficiente e que continua produzindo um grande número de analfabetos funcionais”, diz.
O economista afirma ainda que “a falta de cultura geral e o pouco interesse de alguns setores do empresariado pela educação e pelo investimento na qualificação do trabalhador agravam o problema.”
Determinismo histórico
Historicamente, a estrutura econômica brasileira priorizou a extração de recursos de baixo valor agregado para exportação. Esses fatores afetam diretamente a produtividade do trabalhador, que recebe menos e tem menor acesso à infraestrutura e à tecnologia de ponta.
Países dominados por dinâmicas extrativistas entram em ciclos de estagnação, pobreza e disputas pelo controle do Estado. Nesse contexto, fica claro que atribuir a baixa produtividade à cultura do povo desvia o foco dos problemas reais e das falhas dos sistemas econômicos, ignorando as profundas diferenças entre modelos inclusivos e exploradores.
Para Ulisses Ruiz de Gamboa, economista do Instituto de Economia Gastão Vidigal da ACSP e professor de História Econômica do Insper, trata-se de um problema crônico: “Ao longo de toda a sua história, o Brasil sofreu com essas instituições extrativistas que, infelizmente, se mantêm vivas, independentemente da linha ideológica dos sucessivos governos. Nem a ascensão de governos declaradamente progressistas foi capaz de promover mudanças“.
O professor acrescenta que, além do problema da baixa qualificação do trabalhador, o Estado muitas vezes protege interesses corporativos específicos em vez de garantir a livre concorrência, criando um ambiente de negócios que penaliza o empreendedorismo em massa, dificulta ganhos de eficiência e desincentiva os ganhos de produtividade do trabalhador.”
O mapa da baixa produtividade
A colonização estabeleceu bases estruturais que moldaram o destino econômico e social de continentes inteiros. A África teve fronteiras desenhadas arbitrariamente pelas potências europeias na Conferência de Berlim, o que fragmentou etnias, alimentou conflitos civis duradouros e estruturou economias baseadas na exportação de commodities primitivas.
A Ásia sofreu com a exploração comercial agressiva e a imposição de tratados desiguais, sendo que a desestruturação de impérios locais abriu caminho para instabilidades políticas prolongadas no século XX.
Na América Latina, o foco na extração de recursos e na monocultura para exportação deixou um legado de extrema desigualdade social, concentração de terras e dependência externa.
A Divergência Coreana
Em “Por que as Nações Fracassam”, os autores mostram o contraste entre as duas Coreias: a do Norte (comunista) e a do Sul (capitalista). O capítulo ilustra como as instituições e os modelos econômicos superam o determinismo geográfico.
A Coreia do Sul adotou o capitalismo de Estado, investiu massivamente em educação de base e promoveu indústrias voltadas à exportação – os chamados chaebols (conglomerados empresariais familiares) -, transformando-se em uma potência tecnológica global.
Por outro lado, a Coreia do Norte seguiu o modelo de economia planejada e fechada do sistema comunista (Juche), priorizando o setor militar e sofrendo com o isolamento internacional, a estagnação econômica e as crises de abastecimento.
A retomada de Singapura e da China
A ascensão do Sudeste Asiático e da China redefiniu o equilíbrio de poder econômico mundial por meio do pragmatismo estratégico. Singapura transformou-se de uma ilha portuária vulnerável e sem recursos naturais em um centro financeiro global, com um sucesso baseado em forte controle estatal, combate rigoroso à corrupção, abertura ao capital estrangeiro e foco absoluto em logística e educação.
A China recuperou-se de um século de submissão colonial, conflitos e graves convulsões internas. Sob o governo comunista a partir de 1949, passou por grandes dificuldades econômicas decorrentes das tentativas de Mao Tsetung – como o plano “O Grande Salto Adiante”. Foi com as reformas de abertura econômica iniciadas em 1978 que conseguiu combinar o controle político do Partido Comunista com zonas econômicas especiais de livre mercado, tornando-se uma potência militar e industrial e a segunda maior economia do mundo.
Defasagem
No Brasil, a imensa defasagem no ensino básico e técnico, que reduz a capacidade de inovação e a eficiência nas funções, representa um grande desafio. A infraestrutura insuficiente e pouco eficiente, associada ao chamado “Custo Brasil”, constitui outro fator determinante: logísticas precárias e transportes deficientes geram perdas diárias de tempo e recursos. A baixa incorporação de equipamentos modernos nas empresas também deprime o rendimento por hora trabalhada, ao passo que falhas na gestão de processos produtivos e a baixa valorização do capital humano prejudicam o desempenho geral.
Reformas
As reformas estruturais voltadas à produtividade no Brasil estão no radar dos especialistas. É cada vez mais urgente iniciar mudanças profundas capazes de retirar o país da armadilha da baixa produtividade e conduzi-lo a um modelo econômico inclusivo, o que exige a remoção de privilégios corporativistas e a valorização do potencial da força de trabalho. A produtividade do trabalhador brasileiro segue estagnada desde 1950, acumulando avanço de apenas 0,4% em 2025 e desaceleração contínua em 2026. Esse cenário reflete o peso do ecossistema estrutural e da burocracia, distanciando o país da média global de produtividade no trabalho.
Radiografia da Estagnação Produtiva
A eficiência do trabalho no Brasil patina em meio a desajustes setoriais e à reversão de ganhos pontuais do passado. Dados do Observatório da Produtividade Regis Bonelli, gerido pelo FGV-IBRE, mostram que o salto temporário de produtividade registrado em 2020, devido à pandemia, foi totalmente revertido, retornando à trajetória de queda iniciada em 2017.
Após alta de 2,3% em 2023, impulsionada pela agropecuária, o indicador avançou apenas 0,1% em 2024 e fechou 2025 com alta modesta de 0,4%. O setor de serviços, que concentra a maior parte da mão de obra, mantém ganhos de produtividade próximos a zero, na casa de 0,2% ao ano.
Para a Virada Estrutural
A reversão desse quadro depende de reformas profundas, divididas em quatro frentes prioritárias:
– Consolidação e Simplificação Tributária: Fim do Custo Brasil, redução da burocracia fiscal e estímulo direto ao investimento produtivo em inovação, superando o planejamento tributário defensivo.
– Reforma Educacional e Técnica: Alinhamento curricular voltado para ciências, engenharia e ensino técnico, além de requalificação contínua de adultos frente à automação.
– Modernização Administrativa: Corte de privilégios e supersalários no funcionalismo, atrelando a máquina pública à meritocracia e à entrega de serviços eficientes.
– Abertura Comercial e Infraestrutura: Redução de barreiras tarifárias para elevar a competitividade externa e ampliação de concessões em portos, ferrovias e saneamento por meio de segurança jurídica.
Em um momento em que as atenções se voltam para as eleições de outubro, existe a expectativa de que surja um projeto inovador para a próxima gestão. Nesse sentido, refletir sobre a baixa produtividade do trabalhador brasileiro é fundamental para confrontar os resquícios de um passado extrativista que continua a limitar o desenvolvimento nacional.
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- Artigo publicado no Diário do Comércio – Conteúdo
- Foto destaque: Reprodução / Redes Sociais
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