Coluna / Opinião
Rumos da Política / fevereiro – 1ª edição
OPINIÃO

Por Paulo Roberto Borges
Acabou a festa; é hora de trabalhar
Encerradas as festividades de verão e o carnaval, é hora de voltar a atenção para aquilo que realmente impacta a vida do cidadão. O mesmo cidadão que paga seus impostos esperando, em contrapartida, serviços públicos de qualidade — um direito que, diga-se de passagem, tem sido negligenciado por muitos mandatários Brasil afora, nas esferas municipal, estadual e federal.
As demandas são inúmeras, e o que se espera é que os governantes as atendam com responsabilidade. No entanto, muitos torraram verdadeiras fortunas com a contratação de “bandas e bundas” para animar o carnaval nas orlas de municípios litorâneos. Depois, tentam justificar a falta de recursos para atender às reais necessidades da sociedade.
Campanha eleitoral antecipada
Apesar da proibição legal, há políticos que já estão em campanha para as eleições deste ano. Figuras que antes passavam despercebidas em regiões fora dos grandes centros agora reaparecem para a tradicional conversa de engana-trouxa: prometem tudo o que não cumpriram e ainda posam como salvadores da pátria. Fica a sugestão: soltem o cachorro que está preso no quintal.
Rebaixados
A escola de samba Acadêmicos de Niterói foi rebaixada e levou consigo todo o enredo manco que homenageava o Lula. Apesar dos recursos públicos e da puxação de saco e, pasmem, campanha eçeitoral antecipada, deu ruim!
Acredita-se que a Acadêmicos de Niterói não sabia que Lula não combina com escola. Nem com escola de samba. O resultado vexatório não poderia ser outro.
Covardia
Tentaram puxar o tapete de uma das parlamentares mais atuantes de Santa Catarina, a deputada federal Caroline de Toni. Ela pretendia disputar uma das vagas ao Senado, mas o presidente do PL, Waldemar Costa Neto, afirmou que já havia compromisso firmado com o senador Esperidião Amin para a vaga pleiteada pela deputada. A outra vaga ficaria com Carlos Bolsonaro.
Ofereceram-lhe, ainda, a possibilidade de compor a chapa majoritária com Jorginho Mello, que buscará a reeleição ao governo. De Toni recusou a proposta e recebeu solidariedade da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Até o momento, o que se sabe é que a deputada pediu desligamento do PL e deve se filiar ao partido Novo.
Gritaria sem ressonância
Em São Mateus, o vereador Cristiano Balanga (PP) tem protagonizado sucessivas polêmicas. Já se envolveu em embates com colegas do Legislativo e também com pessoas fora do ambiente parlamentar.
Foi aliado ferrenho do ex-prefeito Daniel Santana (sem partido e, para muitos, sem noção), reelegeu-se fazendo muito barulho e, agora, integra a base de apoio do atual gestor do município, Marcus Batista (Podemos). No período em que esteve ao lado de Daniel, não utilizava qualquer tipo de “penduricalho”; hoje, porém, exibe um distintivo pendurado ao pescoço, semelhante aos usados por policiais. Chamou atenção também ao comparecer à primeira sessão após o recesso usando um chapéu no estilo sombreiro.
Atualmente, Balanga trava uma batalha com o Departamento de Edificações e de Rodovias (DER), tendo como pano de fundo uma ponte na região do Nativo, deteriorada há bastante tempo e já palco de acidentes. Ele reclama que a licitação para a construção de uma nova ponte foi realizada há cerca de sete meses, mas a obra sequer saiu do papel. Grita, protesta, cobra — mas não tem sido ouvido.
Vale registrar que Balanga apoiou e ajudou a reeleger o deputado federal Paulo Foletto (PSB). Já o atual diretor-presidente do DER, Eustáquio de Freitas, saiu derrotado nas últimas eleições e, segundo comentários que circulam pelas bandas do Nativo e de Campo Grande, esse fato poderia estar influenciando o andamento da obra. Uns negam; outros confirmam.
E Balanga continua balangando.
As eleições, os políticos e os eleitores
Os partidos seguem em suas articulações, lançando balões de ensaio para medir a temperatura político-eleitoral a partir da repercussão junto ao eleitorado. É claro que ainda é cedo para despertar maior interesse dos eleitores, que, na verdade, estão mais preocupados com os problemas do dia a dia.
Muitos — talvez a maioria — desacreditam da classe política. Votam acreditando que os eleitos cumprirão o que prometeram, mas o que se vê, na prática, é frustração e descrença.
E mais: ainda são obrigados a ouvir as velhas justificativas de que o sistema é forte e de que tudo é difícil. Ora, se não dão conta do recado, que saiam do caminho. Desocupem o espaço para que alguém verdadeiramente comprometido com o cidadão possa cumprir o que prometeu em campanha.
O Brasil e seus cidadãos não suportam mais ver cargos públicos tratados como empregos comuns. As exceções existem, mas são raras.
As preliminares eleitorais
O clímax eleitoral acontece em outubro, mas afagos, descartes, possibilidades e articulações para a formação de chapas proporcionais e majoritárias já estão em curso.
As especulações são muitas. Basta uma fotografia com Lorenzo Pazolini (Republicanos) e Arnaldinho Borgo (PSDB) para que surjam conjecturas sobre um possível alinhamento entre ambos. Vitória e Vila Velha até podem “dar samba”, mas o enredo, para muitos, ainda soa desafinado. Fala-se também em uma possível junção envolvendo Pazolini, Arnaldinho e Paulo Hartung.
Circula, ainda, a possibilidade de Guerino Zanon (PSD) — ex-prefeito de Linhares e candidato ao governo do Estado na eleição passada — compor a chapa da pré-candidatura de Pazolini ao Palácio Anchieta. A justificativa seria fortalecer a visibilidade da região Norte, trabalho que também vem sendo desenvolvido pelo deputado federal Evair de Melo (PP) e pelo ex-deputado estadual Erick Musso (Republicanos).
A ponte existe, mas ainda corre muita água por debaixo dela. Da ponte velha.
Resumão
Queria entender – Como se explica a concessão do “Gás do Povo” a famílias carentes se o presidente Lula afirmou ter retirado mais de 30 milhões de brasileiros da pobreza? As cenas de políticos posando com botijões de gás, exaltando a política pública, beiram a hipocrisia. Confesso: é, no mínimo, contraditório.
Absurdo – O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, colocou em votação projeto que permite a servidores públicos receberem acima do teto constitucional. A proposta foi apreciada de forma acelerada, sem espaço para posicionamentos contrários. Trata-se de matéria questionável do ponto de vista constitucional e com impacto estimado em mais de R$ 1 bilhão aos cofres públicos. Enquanto o teto é de cerca de R$ 46 mil, haverá contracheques que podem alcançar R$ 77 mil.
Cadê a oposição? – Parte do PL votou com o PT nesse projeto. Que oposição é essa?
Já deu? – Os Estados Unidos começam a demonstrar impaciência com a Rússia nas negociações sobre a guerra na Ucrânia.
Mais um – O empresário colombiano Alex Saab, apontado como operador de Nicolás Maduro, foi alvo de ações das autoridades americanas.
Convite – Lula recebeu representantes russos no Brasil em meio às tensões internacionais. O episódio gerou críticas e debates sobre alinhamentos diplomáticos.
Por quê? – Por que setores que discursam em defesa da moralidade resistem a assinar CPIs para investigar escândalos envolvendo o INSS e o Banco Master? A incoerência alimenta a desconfiança popular.
Na linha de tiro – Vereadores de Vitória têm questionado serviços da EDP e da Cesan, citando problemas recorrentes que, segundo eles, não recebem a devida atenção.
Será? – Comentários apontam a possibilidade de a Cesan absorver o Saae de São Mateus. A autarquia enfrenta críticas há anos, embora municípios como Aracruz e Linhares apresentem experiências consideradas eficientes.
Opostos – O deputado estadual Lucas Polese (PL) e o diretor-presidente do DER, Eustáquio de Freitas, estariam em rota de colisão.
Ela voltou – A CPMI do INSS retomou os trabalhos após o recesso, reacendendo embates entre governo e oposição.
Desnecessário – Magistrados devem pautar-se pelo equilíbrio, impessoalidade e respeito ao ordenamento jurídico — princípios inerentes à função.
Difuso – Cristiano Balanga mantém a estratégia de proximidade com quem está no poder. Para alguns colegas, o comportamento é visto como oportunismo; daí o apelido de “vereador-camaleão”.
Esforço – O PT do Espírito Santo trabalha para viabilizar o nome do deputado federal Helder Salomão como pré-candidato ao governo do Estado. Internamente, há resistências, mas a tendência é de candidatura própria.
Percepção – Empreender no Brasil continua sendo um desafio monumental. O ambiente burocrático e tributário desestimula, mas muitos persistem.
Acabou – Pelo tom do discurso recente de Lula no aniversário do PT, o “Lulinha Paz e Amor” parece ter ficado no passado.
Atuante – O presidente da Câmara Municipal de Santa Leopoldina, vereador Darley Espíndula (PP), demonstra habilidade na condução dos trabalhos legislativos, preservando a harmonia institucional.
Inútil – O eleitor espera que seu representante cumpra o que prometeu. Quando isso não ocorre, cresce o descrédito.
Aprovado – O carnaval do balneário de Guriri, São Mateus foi muito elogiado pela sua organização. Muitos elogios ao prefeito Marcus Batista.
Fato – O centrão tem compromisso com a conveniência.
____________________
PODE ISSO, ARNALDO?!

Não. Não pode.
Mas o Brasil parece ter se transformado na República do Rabo Preso. Quando investigações envolvem figuras poderosas, os processos emperram e as apurações esfriam. Em CPIs, parlamentares governistas frequentemente atuam para blindar aliados.
Para reflexão
“Existem aqueles que são contra a corrupção, não importa o partido.
E aqueles que são a favor do partido, não importa a corrupção”.
Wesley Mendes, ao comentar o cenário político brasileiro.
OPINIÃO
Produtividade travada: fatores históricos que explicam o atraso do Brasil
A baixa produtividade do trabalhador brasileiro tem origem no modelo extrativista da economia que vem do colonialismo e, em muitos aspectos, permanece em vigor, mesmo tendo à frente governos liberais ou progressistas
Por Arthur Gebara Júnior*
A produtividade do trabalhador brasileiro é considerada baixa quando comparada à de países desenvolvidos e de algumas nações em desenvolvimento. O Brasil ocupa a 94ª posição no ranking global de produtividade da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ficando atrás até mesmo de vizinhos latino-americanos com graves dificuldades estruturais.
Na América Latina, por exemplo, o Brasil perde para o Uruguai, o Chile, a Argentina e Cuba – país que lida há décadas com um embargo econômico e fortes limitações sob um governo centralizado. No ranking global de produtividade por hora trabalhada, que avalia 184 países, o Brasil registra uma geração média de riqueza de US$ 21,2 por hora. No contexto regional, o Uruguai lidera com US$ 38, seguido por Chile (US$ 34,4), Argentina (US$ 33,8) e Cuba (US$ 22,6).
O indicador é calculado pela OIT ao dividir o Produto Interno Bruto (PIB) em dólares pelo total de horas trabalhadas da população ativa. Os líderes mundiais em produtividade são a Irlanda (US$ 164,7), Luxemburgo (US$ 159), Noruega (US$ 125,6) e Cingapura (US$ 100,4). Em relação aos Estados Unidos, onde o trabalhador gera US$ 81 por hora, o rendimento brasileiro representa apenas cerca de 26% da riqueza produzida por um americano.
A pesquisa da OIT (com dados do primeiro trimestre de 2026) também aborda a jornada semanal. O brasileiro trabalha, em média, 38,9 horas por semana, índice inferior ao de 97 países, incluindo nações como a China (46,1 horas), Índia (45,7 horas) e o México (42,2 horas). A possível aprovação da jornada 6×1, em andamento no Congresso Nacional, por exemplo, deve aumentar o custo para o empregador e para o consumidor, sem alterar a produtividade.
Mas, afinal, o que trava a produtividade? Por que o país permanece estagnado nesse patamar há décadas? Trata-se de uma questão complexa, na qual fatores históricos e estruturais exercem um papel decisivo.
Para ajudar a entender a baixa performance do trabalhador brasileiro, é possível recorrer ao chamado “mito da preguiça tropical”: ideias racistas e deterministas do século XIX, herdadas do período colonial, tentavam culpar o clima ou a etnia pelo atraso econômico. No entanto, a história econômica desmente esses mitos ao demonstrar a alta intensidade de esforço físico imposta aos trabalhadores sob regimes de exploração e escravidão.
Instituições determinantes
Daron Acemoglu é professor de economia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e James A. Robinson, professor de ciência política da Universidade de Chicago. Os dois receberam o Prêmio Nobel de Economia pelo conjunto de suas pesquisas acadêmicas fundamentais sobre como as instituições sociais e políticas afetam a prosperidade dos países, que servem de base para a tese apresentada na obra “Por que as Nações Fracassam”. Este livro destaca como as justificativas geográficas e culturais para decretar a riqueza ou a pobreza de um país não convencem. Os dois especialistas afirmam que o desenho de suas instituições é determinante.
Para uma análise mais precisa, eles classificaram os países em duas categorias. Os de economias inclusivas, que promovem a prosperidade ao garantir direitos de propriedade, incentivar a inovação e distribuir o poder político, com um resultado histórico que gera crescimento sustentável de longo prazo. Direitos amplos, garantia da propriedade privada com segurança jurídica e regulação clara também contribuem para a construção de um ambiente favorável aos investimentos, o que não tem ligação com fatores geográficos e culturais. A educação, a qualificação e o preparo do trabalhador afetam diretamente a sua produtividade.
Já as nações enquadradas como extrativistas concentram a riqueza nas mãos de poucas elites e barram o desenvolvimento. Embora a questão das instituições seja parte das regras do jogo, ela é também determinante para o desenvolvimento de um país. O modelo que os economistas classificam como extrativista não estimula o trabalhador, o que afeta de maneira decisiva a sua produtividade. Ele não tem incentivo para se educar ou investir na sua qualificação técnica, o que o impede de enxergar oportunidades, se preocupar em inovar ou empreender. Além disso, não existe a perspectiva e a garantia de que será recompensado e se apropriará dos resultados do seu esforço, já que o investimento produtivo é muito baixo, com falta de capital físico, o que compromete a produtividade.
O livro compara o sucesso de países como os Estados Unidos com a economia de nações da América Latina, África e Ásia, explicando como essas características institucionais e políticas são cruciais para o êxito ou o fracasso. No caso da América Latina, o modelo colonial de dominação e exploração gerou instituições extrativistas que concentram renda e travam a produtividade moderna.

E o Brasil?
O país ainda sofre com as sequelas desse modelo. O latifúndio colonial limitou o acesso à propriedade para a maioria da população, enquanto a escravidão prolongada atrasou a criação de um mercado consumidor livre e qualificado.
Marcel Solimeo, economista-chefe do Instituto de Economia Gastão Vidigal da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), alerta que a educação e, especialmente, a qualificação dos trabalhadores ainda não são efetivas. “Existem cursos de qualificação profissional em várias entidades empresariais, escolas e institutos de formação técnica, mas o problema vem da educação básica, ainda muito deficiente e que continua produzindo um grande número de analfabetos funcionais”, diz.
O economista afirma ainda que “a falta de cultura geral e o pouco interesse de alguns setores do empresariado pela educação e pelo investimento na qualificação do trabalhador agravam o problema.”
Determinismo histórico
Historicamente, a estrutura econômica brasileira priorizou a extração de recursos de baixo valor agregado para exportação. Esses fatores afetam diretamente a produtividade do trabalhador, que recebe menos e tem menor acesso à infraestrutura e à tecnologia de ponta.
Países dominados por dinâmicas extrativistas entram em ciclos de estagnação, pobreza e disputas pelo controle do Estado. Nesse contexto, fica claro que atribuir a baixa produtividade à cultura do povo desvia o foco dos problemas reais e das falhas dos sistemas econômicos, ignorando as profundas diferenças entre modelos inclusivos e exploradores.
Para Ulisses Ruiz de Gamboa, economista do Instituto de Economia Gastão Vidigal da ACSP e professor de História Econômica do Insper, trata-se de um problema crônico: “Ao longo de toda a sua história, o Brasil sofreu com essas instituições extrativistas que, infelizmente, se mantêm vivas, independentemente da linha ideológica dos sucessivos governos. Nem a ascensão de governos declaradamente progressistas foi capaz de promover mudanças“.
O professor acrescenta que, além do problema da baixa qualificação do trabalhador, o Estado muitas vezes protege interesses corporativos específicos em vez de garantir a livre concorrência, criando um ambiente de negócios que penaliza o empreendedorismo em massa, dificulta ganhos de eficiência e desincentiva os ganhos de produtividade do trabalhador.”
O mapa da baixa produtividade
A colonização estabeleceu bases estruturais que moldaram o destino econômico e social de continentes inteiros. A África teve fronteiras desenhadas arbitrariamente pelas potências europeias na Conferência de Berlim, o que fragmentou etnias, alimentou conflitos civis duradouros e estruturou economias baseadas na exportação de commodities primitivas.
A Ásia sofreu com a exploração comercial agressiva e a imposição de tratados desiguais, sendo que a desestruturação de impérios locais abriu caminho para instabilidades políticas prolongadas no século XX.
Na América Latina, o foco na extração de recursos e na monocultura para exportação deixou um legado de extrema desigualdade social, concentração de terras e dependência externa.
A Divergência Coreana
Em “Por que as Nações Fracassam”, os autores mostram o contraste entre as duas Coreias: a do Norte (comunista) e a do Sul (capitalista). O capítulo ilustra como as instituições e os modelos econômicos superam o determinismo geográfico.
A Coreia do Sul adotou o capitalismo de Estado, investiu massivamente em educação de base e promoveu indústrias voltadas à exportação – os chamados chaebols (conglomerados empresariais familiares) -, transformando-se em uma potência tecnológica global.
Por outro lado, a Coreia do Norte seguiu o modelo de economia planejada e fechada do sistema comunista (Juche), priorizando o setor militar e sofrendo com o isolamento internacional, a estagnação econômica e as crises de abastecimento.
A retomada de Singapura e da China
A ascensão do Sudeste Asiático e da China redefiniu o equilíbrio de poder econômico mundial por meio do pragmatismo estratégico. Singapura transformou-se de uma ilha portuária vulnerável e sem recursos naturais em um centro financeiro global, com um sucesso baseado em forte controle estatal, combate rigoroso à corrupção, abertura ao capital estrangeiro e foco absoluto em logística e educação.
A China recuperou-se de um século de submissão colonial, conflitos e graves convulsões internas. Sob o governo comunista a partir de 1949, passou por grandes dificuldades econômicas decorrentes das tentativas de Mao Tsetung – como o plano “O Grande Salto Adiante”. Foi com as reformas de abertura econômica iniciadas em 1978 que conseguiu combinar o controle político do Partido Comunista com zonas econômicas especiais de livre mercado, tornando-se uma potência militar e industrial e a segunda maior economia do mundo.
Defasagem
No Brasil, a imensa defasagem no ensino básico e técnico, que reduz a capacidade de inovação e a eficiência nas funções, representa um grande desafio. A infraestrutura insuficiente e pouco eficiente, associada ao chamado “Custo Brasil”, constitui outro fator determinante: logísticas precárias e transportes deficientes geram perdas diárias de tempo e recursos. A baixa incorporação de equipamentos modernos nas empresas também deprime o rendimento por hora trabalhada, ao passo que falhas na gestão de processos produtivos e a baixa valorização do capital humano prejudicam o desempenho geral.
Reformas
As reformas estruturais voltadas à produtividade no Brasil estão no radar dos especialistas. É cada vez mais urgente iniciar mudanças profundas capazes de retirar o país da armadilha da baixa produtividade e conduzi-lo a um modelo econômico inclusivo, o que exige a remoção de privilégios corporativistas e a valorização do potencial da força de trabalho. A produtividade do trabalhador brasileiro segue estagnada desde 1950, acumulando avanço de apenas 0,4% em 2025 e desaceleração contínua em 2026. Esse cenário reflete o peso do ecossistema estrutural e da burocracia, distanciando o país da média global de produtividade no trabalho.
Radiografia da Estagnação Produtiva
A eficiência do trabalho no Brasil patina em meio a desajustes setoriais e à reversão de ganhos pontuais do passado. Dados do Observatório da Produtividade Regis Bonelli, gerido pelo FGV-IBRE, mostram que o salto temporário de produtividade registrado em 2020, devido à pandemia, foi totalmente revertido, retornando à trajetória de queda iniciada em 2017.
Após alta de 2,3% em 2023, impulsionada pela agropecuária, o indicador avançou apenas 0,1% em 2024 e fechou 2025 com alta modesta de 0,4%. O setor de serviços, que concentra a maior parte da mão de obra, mantém ganhos de produtividade próximos a zero, na casa de 0,2% ao ano.
Para a Virada Estrutural
A reversão desse quadro depende de reformas profundas, divididas em quatro frentes prioritárias:
– Consolidação e Simplificação Tributária: Fim do Custo Brasil, redução da burocracia fiscal e estímulo direto ao investimento produtivo em inovação, superando o planejamento tributário defensivo.
– Reforma Educacional e Técnica: Alinhamento curricular voltado para ciências, engenharia e ensino técnico, além de requalificação contínua de adultos frente à automação.
– Modernização Administrativa: Corte de privilégios e supersalários no funcionalismo, atrelando a máquina pública à meritocracia e à entrega de serviços eficientes.
– Abertura Comercial e Infraestrutura: Redução de barreiras tarifárias para elevar a competitividade externa e ampliação de concessões em portos, ferrovias e saneamento por meio de segurança jurídica.
Em um momento em que as atenções se voltam para as eleições de outubro, existe a expectativa de que surja um projeto inovador para a próxima gestão. Nesse sentido, refletir sobre a baixa produtividade do trabalhador brasileiro é fundamental para confrontar os resquícios de um passado extrativista que continua a limitar o desenvolvimento nacional.
———————————————————————-
- Artigo publicado no Diário do Comércio – Conteúdo
- Foto destaque: Reprodução / Redes Sociais
-
OPINIÃO13 horas atrásProdutividade travada: fatores históricos que explicam o atraso do Brasil
-
Evento Esportivo7 dias atrásMaratona de Vitória reúne mais de 9 mil corredores e movimenta a cidade com esporte e turismo
-
Esportes / Futebol7 dias atrásCom dois gols de Samuel Lino, Flamengo derrota o Botafogo no Brasileirão
-
Política / Eleições6 dias atrásSaiba quem são os candidatos a vice-governador nas eleições 2026 no ES
-
Política Nacional4 dias atrásGilmar procura Lula para cobrar apoio do governo à cúpula da PF em embate entre Moraes e Mendonça
-
Política / Eleições6 dias atrásRenan Santos chama decisão de Toffoli de “absurda” e diz que vai recorrer
-
POLÌCIA6 dias atrásJogador do Vasco é alvo de operação contra tráfico de armas e drogas
-
Brasil / Economia4 dias atrásEuropa veta entrada de carne do Brasil a partir desta quinta-feira