Coluna / Bloco de Notas
Coluna / Bloco de Notas
OPINIÃO
Por Paulo Borges

A letra da treta
Municípios brasileiros pedem socorro pela falta de recebimento de repasses da União. Até aliados do atual governo estão nessa situação e cobrando do Lula o apoio que lhe deram na campanha eleitoral fazendo o “L”. Os prefeitos do Nordeste estão trocando o “L”, de Lula pelo “D” de decepção.
O presidente liberou recursos para as emendas parlamentares para convencer deputados a votarem em suas demandas no Congresso Nacional. Aos municípios deu um ninja.
Perfex
Uma pesquisa mostrou que Vitória é a terceira cidade mais limpa do Brasil, segundo o Instituto Veritá, que realiza análises em todos os estados avaliando saúde, transporte, segurança, dentre outros.
Vitória só ficou atrás de Curitiba e Boa Vista, empatada com Brasília. Essa posição da capital nesse ranking é consequência do trabalho realizado pela Central de Serviços da Prefeitura, que realiza uma série de atividades fazendo com que os moradores de Vitória tenham uma cidade limpa, com garantia de bem-estar.
Ficção?
No próximo ano teremos as eleições municipais. Sempre existiu a esperança que alguma coisa boa poderia acontecer. Na atualidade, diante de tudo que estamos assistindo na política e na vida brasileira, se existe algo que ninguém acredita é mudança – de verdade – e para melhor. Perdeu-se tudo, a desfaçatez é escancarada, os sem vergonhas e canalhas fazem questão de mostrar a cara sem qualquer receio de punição.
A cantilena de que o voto vai fazer a diferença, já se perdeu. É discurso velho que hoje não se acredita mais. Temos a impressão que a urna tem vontade própria ou é amestrada. Daí a necessidade do voto impresso para facilitar caso precise auditá-lo.
Em queda livre
O avião em queda, o CFIT (Controlled Flight Into Terrain), o piloto empurra o manche para a frente e a aeronave de nome Brasil embica rumo ao solo. É o “voo controlado para dentro do terreno”, como dizem os aviadores, que é quando os pilotos perdem toda consciência situacional e colidem com o solo sem que a aeronave não tenha problema algum.
No caso do Brasil, o avião ainda é novo, mas o piloto é velho, sem noção, bebe em hora de trabalho e não lê as instruções para decolar e pousar em segurança e, pior, aprendeu a voar por correspondência. Sua tripulação também é ruim, joga cartas, quando deveria estar acompanhando o voo. Os passageiros não podem descer, por que não há paraquedas, pois foram confiscados pelos homens da “lei”. Sem opção, o jeito é rezar para que – naquele dia -, o piloto não tenha bebido, ouvido a sua aerodama que, nem sempre está a bordo daquela aeronave, pois está nas lojas comprando cama, bolsas e gravata de marca caríssima para seu amado. Vamos cair, se não aparecer alguém para abrir a porta da cabine e retirá-lo dos comandos
Brasil Investindo no Turismo
O turista mais famoso do Brasil está mais uma vez em viagem para o exterior. Agora o roteiro é Cuba e depois Nova York, talvez para, na 5ª Avenida, a acompanhante comprar roupas, bolsas e outros babilaques de marcas caríssimas. A fatura vai chegar salgada para os contribuintes pagadores de impostos do Brasil. Depois viram outras faturas que “fraturam” a economia brasileira.
Audiência Pública
Foi muito positiva a iniciativa do deputado estadual, Fabrício Gandini, em promover uma audiência pública para se discutir, questionar e buscar soluções para a segurança no bairro de Jardim Camburi. Temos que admitir que a Polícia Militar, a Polícia Civil e a Guarda Municipal têm se empenhado e apresentado bons resultados para que os moradores do bairro se sintam mais seguros.
Vale destacar também o empenho da Associação Comunitária de Jardim Camburi (Acjac), do vereador Maurício Leite, de lideranças naturais da comunidade e de todos aqueles que, de uma forma ou de outra, colaboram para que todos tenhamos qualidade de vida e orgulho de viver no melhor bairro da capital capixaba.
Posse de nova vereadora
Tomou posse no último sábado (16), na Câmara Municipal de São Mateus, Isamara Crespo, conhecida como Isamara da Farmácia. Ela ocupa a vaga de Delermano Suim, que teve seu mandato cassado por irregularidades causadas pelo seu partido, o Patriota, nas eleições de 2020. Ela foi eleita pelo PSL, que hoje é o União Brasil. Sua posição é de alinhamento com a oposição.
Cena hilária
É o fim da picada a cena que viralizou para o mundo do Lula “surrupiando” as caríssimas canetas sobra a mesa e depois, discretamente, passando para a Janja colocá-la em sua bolsa de grife. Essa dupla é impagável!
Lula na ONU
Quando o presidente fala em desigualdade, escamoteia que no Brasil milhares de famílias não têm saneamento básico. Sobre direitos humanos passou à margem de citar as ditaduras da Venezuela, Nicarágua e China. Todos seus líderes, amigos dele. E, mesmo assim, enfatizou que a democracia voltou ao Brasil, certamente a sua bizarra “democracia relativa”, lembrando que no seu governo os adversários políticos são perseguidos, diferentemente do governo anterior, que mesmo criticado, enxovalhado, não censurou nenhum veículo de comunicação.
Humor cor de rosa
Chega a ser algo merecedor de um estudo sociológico das trevas, a declaração da Janja, ao falar do desejo de “resignificar” o papel da primeira dama. É hilário porque luxar, gastar e se deslumbra, pedir ao marido para catar as canetas sobre uma mesa e com o que oferece o capitalismo, não deve ser muito digno de uma mulher que deseja fazer algo que dignifica a posição de mulher de presidente. Com certeza ela pensa que ser mulher do presidente é cargo ou lhe dar algum direito de “cagar” regra para o povo brasileiro.
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Pode isso, Arnaldo?!
Não. Não pode.
Pelo menos não deveria. Mas…
Em pleno Sete de Setembro, dia ímpar no calendário da República, um presidente e sua dama desfilando de carro acenando para ninguém. Uma cena patética que vai ficar para os anais humorísticos e hilários da História deste País. “Nunca antes na História…blá,blá,blá,blá…”, alguém já disse isso.
Isso pode, Arnaldo?!
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Pode. Isso pode.
Cobrar de nossas autoridades os serviços que pagamos com os nossos impostos. Lembrando que o cidadão não deve nenhum favor ao político, até porque eles, quando defendem e atendem demandas dos cidadãos, não tiram nenhum dinheiro do seu bolso. Alguns gostam de aparecer na foto como se tivessem fazendo favor e merecendo, só por isso, o seu reconhecimento com o voto. Obrigação não é favor.
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Você sabia?!
Que esse “passeio” do Lula e Janja a Cuba e aos Estados Unidos levou uma comitiva de 300 pessoas? Já foram gastos 4 milhões só com hospedagem. Por enquanto…
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Destaque / Mequinho – O Enxadrista
O maior enxadrista brasileiro, Grande Mestres Internacional e considerado o terceiro melhor do mundo pela Federação Internacional de Xadrez (Fide), em 1978.
Pois bem, ele esteve em Vitória semana passada e em um evento promovido pela Federação capixaba de Xadrez Escolar, nas dependências do Shopping Unique Mall, disputou uma simultânea contra dezenas de enxadristas.
Antes proferiu palestra, quando teve a oportunidade de falar da sua carreira, da grave doença que o acometeu e da cura que diz ter sido feita por Deus.
EM RESUMO
- Às eleições municipais estão em curso. Apesar de estar para acontecer no próximo ano, os embates já são visíveis no plenário da Câmara de Vitória. Os três vereadores de oposição batem e os da situação rebatem.
- A Procuradoria Geral da República e nem o Senado, não vão questionar os valores gastos nessas viagens do presidente?
- Rola uma conversa em bocas de Matildes de Brasília, que enquanto o presidente Lula estiver em recuperação pós-operatória do quadril, a Janja vai representa-lo em eventos oficiais. Não tem legitimidade por não ter recebido nenhum voto para tais missões, mas tem o voto do companheiro-presidente. No Brasil atual é o que vale.
OPINIÃO
Produtividade travada: fatores históricos que explicam o atraso do Brasil
A baixa produtividade do trabalhador brasileiro tem origem no modelo extrativista da economia que vem do colonialismo e, em muitos aspectos, permanece em vigor, mesmo tendo à frente governos liberais ou progressistas
Por Arthur Gebara Júnior*
A produtividade do trabalhador brasileiro é considerada baixa quando comparada à de países desenvolvidos e de algumas nações em desenvolvimento. O Brasil ocupa a 94ª posição no ranking global de produtividade da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ficando atrás até mesmo de vizinhos latino-americanos com graves dificuldades estruturais.
Na América Latina, por exemplo, o Brasil perde para o Uruguai, o Chile, a Argentina e Cuba – país que lida há décadas com um embargo econômico e fortes limitações sob um governo centralizado. No ranking global de produtividade por hora trabalhada, que avalia 184 países, o Brasil registra uma geração média de riqueza de US$ 21,2 por hora. No contexto regional, o Uruguai lidera com US$ 38, seguido por Chile (US$ 34,4), Argentina (US$ 33,8) e Cuba (US$ 22,6).
O indicador é calculado pela OIT ao dividir o Produto Interno Bruto (PIB) em dólares pelo total de horas trabalhadas da população ativa. Os líderes mundiais em produtividade são a Irlanda (US$ 164,7), Luxemburgo (US$ 159), Noruega (US$ 125,6) e Cingapura (US$ 100,4). Em relação aos Estados Unidos, onde o trabalhador gera US$ 81 por hora, o rendimento brasileiro representa apenas cerca de 26% da riqueza produzida por um americano.
A pesquisa da OIT (com dados do primeiro trimestre de 2026) também aborda a jornada semanal. O brasileiro trabalha, em média, 38,9 horas por semana, índice inferior ao de 97 países, incluindo nações como a China (46,1 horas), Índia (45,7 horas) e o México (42,2 horas). A possível aprovação da jornada 6×1, em andamento no Congresso Nacional, por exemplo, deve aumentar o custo para o empregador e para o consumidor, sem alterar a produtividade.
Mas, afinal, o que trava a produtividade? Por que o país permanece estagnado nesse patamar há décadas? Trata-se de uma questão complexa, na qual fatores históricos e estruturais exercem um papel decisivo.
Para ajudar a entender a baixa performance do trabalhador brasileiro, é possível recorrer ao chamado “mito da preguiça tropical”: ideias racistas e deterministas do século XIX, herdadas do período colonial, tentavam culpar o clima ou a etnia pelo atraso econômico. No entanto, a história econômica desmente esses mitos ao demonstrar a alta intensidade de esforço físico imposta aos trabalhadores sob regimes de exploração e escravidão.
Instituições determinantes
Daron Acemoglu é professor de economia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e James A. Robinson, professor de ciência política da Universidade de Chicago. Os dois receberam o Prêmio Nobel de Economia pelo conjunto de suas pesquisas acadêmicas fundamentais sobre como as instituições sociais e políticas afetam a prosperidade dos países, que servem de base para a tese apresentada na obra “Por que as Nações Fracassam”. Este livro destaca como as justificativas geográficas e culturais para decretar a riqueza ou a pobreza de um país não convencem. Os dois especialistas afirmam que o desenho de suas instituições é determinante.
Para uma análise mais precisa, eles classificaram os países em duas categorias. Os de economias inclusivas, que promovem a prosperidade ao garantir direitos de propriedade, incentivar a inovação e distribuir o poder político, com um resultado histórico que gera crescimento sustentável de longo prazo. Direitos amplos, garantia da propriedade privada com segurança jurídica e regulação clara também contribuem para a construção de um ambiente favorável aos investimentos, o que não tem ligação com fatores geográficos e culturais. A educação, a qualificação e o preparo do trabalhador afetam diretamente a sua produtividade.
Já as nações enquadradas como extrativistas concentram a riqueza nas mãos de poucas elites e barram o desenvolvimento. Embora a questão das instituições seja parte das regras do jogo, ela é também determinante para o desenvolvimento de um país. O modelo que os economistas classificam como extrativista não estimula o trabalhador, o que afeta de maneira decisiva a sua produtividade. Ele não tem incentivo para se educar ou investir na sua qualificação técnica, o que o impede de enxergar oportunidades, se preocupar em inovar ou empreender. Além disso, não existe a perspectiva e a garantia de que será recompensado e se apropriará dos resultados do seu esforço, já que o investimento produtivo é muito baixo, com falta de capital físico, o que compromete a produtividade.
O livro compara o sucesso de países como os Estados Unidos com a economia de nações da América Latina, África e Ásia, explicando como essas características institucionais e políticas são cruciais para o êxito ou o fracasso. No caso da América Latina, o modelo colonial de dominação e exploração gerou instituições extrativistas que concentram renda e travam a produtividade moderna.

E o Brasil?
O país ainda sofre com as sequelas desse modelo. O latifúndio colonial limitou o acesso à propriedade para a maioria da população, enquanto a escravidão prolongada atrasou a criação de um mercado consumidor livre e qualificado.
Marcel Solimeo, economista-chefe do Instituto de Economia Gastão Vidigal da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), alerta que a educação e, especialmente, a qualificação dos trabalhadores ainda não são efetivas. “Existem cursos de qualificação profissional em várias entidades empresariais, escolas e institutos de formação técnica, mas o problema vem da educação básica, ainda muito deficiente e que continua produzindo um grande número de analfabetos funcionais”, diz.
O economista afirma ainda que “a falta de cultura geral e o pouco interesse de alguns setores do empresariado pela educação e pelo investimento na qualificação do trabalhador agravam o problema.”
Determinismo histórico
Historicamente, a estrutura econômica brasileira priorizou a extração de recursos de baixo valor agregado para exportação. Esses fatores afetam diretamente a produtividade do trabalhador, que recebe menos e tem menor acesso à infraestrutura e à tecnologia de ponta.
Países dominados por dinâmicas extrativistas entram em ciclos de estagnação, pobreza e disputas pelo controle do Estado. Nesse contexto, fica claro que atribuir a baixa produtividade à cultura do povo desvia o foco dos problemas reais e das falhas dos sistemas econômicos, ignorando as profundas diferenças entre modelos inclusivos e exploradores.
Para Ulisses Ruiz de Gamboa, economista do Instituto de Economia Gastão Vidigal da ACSP e professor de História Econômica do Insper, trata-se de um problema crônico: “Ao longo de toda a sua história, o Brasil sofreu com essas instituições extrativistas que, infelizmente, se mantêm vivas, independentemente da linha ideológica dos sucessivos governos. Nem a ascensão de governos declaradamente progressistas foi capaz de promover mudanças“.
O professor acrescenta que, além do problema da baixa qualificação do trabalhador, o Estado muitas vezes protege interesses corporativos específicos em vez de garantir a livre concorrência, criando um ambiente de negócios que penaliza o empreendedorismo em massa, dificulta ganhos de eficiência e desincentiva os ganhos de produtividade do trabalhador.”
O mapa da baixa produtividade
A colonização estabeleceu bases estruturais que moldaram o destino econômico e social de continentes inteiros. A África teve fronteiras desenhadas arbitrariamente pelas potências europeias na Conferência de Berlim, o que fragmentou etnias, alimentou conflitos civis duradouros e estruturou economias baseadas na exportação de commodities primitivas.
A Ásia sofreu com a exploração comercial agressiva e a imposição de tratados desiguais, sendo que a desestruturação de impérios locais abriu caminho para instabilidades políticas prolongadas no século XX.
Na América Latina, o foco na extração de recursos e na monocultura para exportação deixou um legado de extrema desigualdade social, concentração de terras e dependência externa.
A Divergência Coreana
Em “Por que as Nações Fracassam”, os autores mostram o contraste entre as duas Coreias: a do Norte (comunista) e a do Sul (capitalista). O capítulo ilustra como as instituições e os modelos econômicos superam o determinismo geográfico.
A Coreia do Sul adotou o capitalismo de Estado, investiu massivamente em educação de base e promoveu indústrias voltadas à exportação – os chamados chaebols (conglomerados empresariais familiares) -, transformando-se em uma potência tecnológica global.
Por outro lado, a Coreia do Norte seguiu o modelo de economia planejada e fechada do sistema comunista (Juche), priorizando o setor militar e sofrendo com o isolamento internacional, a estagnação econômica e as crises de abastecimento.
A retomada de Singapura e da China
A ascensão do Sudeste Asiático e da China redefiniu o equilíbrio de poder econômico mundial por meio do pragmatismo estratégico. Singapura transformou-se de uma ilha portuária vulnerável e sem recursos naturais em um centro financeiro global, com um sucesso baseado em forte controle estatal, combate rigoroso à corrupção, abertura ao capital estrangeiro e foco absoluto em logística e educação.
A China recuperou-se de um século de submissão colonial, conflitos e graves convulsões internas. Sob o governo comunista a partir de 1949, passou por grandes dificuldades econômicas decorrentes das tentativas de Mao Tsetung – como o plano “O Grande Salto Adiante”. Foi com as reformas de abertura econômica iniciadas em 1978 que conseguiu combinar o controle político do Partido Comunista com zonas econômicas especiais de livre mercado, tornando-se uma potência militar e industrial e a segunda maior economia do mundo.
Defasagem
No Brasil, a imensa defasagem no ensino básico e técnico, que reduz a capacidade de inovação e a eficiência nas funções, representa um grande desafio. A infraestrutura insuficiente e pouco eficiente, associada ao chamado “Custo Brasil”, constitui outro fator determinante: logísticas precárias e transportes deficientes geram perdas diárias de tempo e recursos. A baixa incorporação de equipamentos modernos nas empresas também deprime o rendimento por hora trabalhada, ao passo que falhas na gestão de processos produtivos e a baixa valorização do capital humano prejudicam o desempenho geral.
Reformas
As reformas estruturais voltadas à produtividade no Brasil estão no radar dos especialistas. É cada vez mais urgente iniciar mudanças profundas capazes de retirar o país da armadilha da baixa produtividade e conduzi-lo a um modelo econômico inclusivo, o que exige a remoção de privilégios corporativistas e a valorização do potencial da força de trabalho. A produtividade do trabalhador brasileiro segue estagnada desde 1950, acumulando avanço de apenas 0,4% em 2025 e desaceleração contínua em 2026. Esse cenário reflete o peso do ecossistema estrutural e da burocracia, distanciando o país da média global de produtividade no trabalho.
Radiografia da Estagnação Produtiva
A eficiência do trabalho no Brasil patina em meio a desajustes setoriais e à reversão de ganhos pontuais do passado. Dados do Observatório da Produtividade Regis Bonelli, gerido pelo FGV-IBRE, mostram que o salto temporário de produtividade registrado em 2020, devido à pandemia, foi totalmente revertido, retornando à trajetória de queda iniciada em 2017.
Após alta de 2,3% em 2023, impulsionada pela agropecuária, o indicador avançou apenas 0,1% em 2024 e fechou 2025 com alta modesta de 0,4%. O setor de serviços, que concentra a maior parte da mão de obra, mantém ganhos de produtividade próximos a zero, na casa de 0,2% ao ano.
Para a Virada Estrutural
A reversão desse quadro depende de reformas profundas, divididas em quatro frentes prioritárias:
– Consolidação e Simplificação Tributária: Fim do Custo Brasil, redução da burocracia fiscal e estímulo direto ao investimento produtivo em inovação, superando o planejamento tributário defensivo.
– Reforma Educacional e Técnica: Alinhamento curricular voltado para ciências, engenharia e ensino técnico, além de requalificação contínua de adultos frente à automação.
– Modernização Administrativa: Corte de privilégios e supersalários no funcionalismo, atrelando a máquina pública à meritocracia e à entrega de serviços eficientes.
– Abertura Comercial e Infraestrutura: Redução de barreiras tarifárias para elevar a competitividade externa e ampliação de concessões em portos, ferrovias e saneamento por meio de segurança jurídica.
Em um momento em que as atenções se voltam para as eleições de outubro, existe a expectativa de que surja um projeto inovador para a próxima gestão. Nesse sentido, refletir sobre a baixa produtividade do trabalhador brasileiro é fundamental para confrontar os resquícios de um passado extrativista que continua a limitar o desenvolvimento nacional.
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- Artigo publicado no Diário do Comércio – Conteúdo
- Foto destaque: Reprodução / Redes Sociais
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