Coluna / Opinião
Bloco de Notas – Edição de Maio
OPINIÃO

Por Paulo Roberto Borges
Eleição Comunitária
Os moradores do maior e mais populoso bairro de Vitória foram às urnas, no domingo (25/5), para eleger a nova diretoria da Associação Comunitária de Jardim Camburi (Acjac). Associações são muito importantes na capital capixaba e a de Jardim Camburi mais ainda pelo simples fato de ali ter o maior colégio eleitoral da cidade, daí o interesse de políticos e agregados de ocuparem a entidade que tem muita representatividade naquele bairro.
O vereador Maurício Leite (PRD) demonstrou muito prestígio e reconhecimento da comunidade e, por isso, teve participação fundamental na eleição da chapa 2, cujo presidente é o seu filho Tercelino, que é bombeiro militar. A Chapa 2 teve como vice, Alexandre Testinha, e foi eleita com 1.184 votos.
Nesse contexto, o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos) pode contabilizar, para o seu grupo político, como vencedor. Por outro lado, o grande derrotado foi o grupo político do deputado estadual, Fabrício Gandini (PSD), que contou com apoio de personalidades de peso do governo Casagrande (PSB).
Vale destacar que foi uma eleição democrática, com relevante participação dos moradores. A eleição foi assunto de destaque em todos os veículos de comunicação e na Câmara de Vitória, o que demonstra a importância desse evento para o cenário da política da cidade e, de certa maneira, para o Estado.
Ausentes
As sessões ordinárias da Câmara Municipal de São Mateus acontecem todas as segundas-feiras. A da segunda, dia 26, foi transferida para o dia seguinte, terça-feira (27/5). O motivo é inusitado. Os vereadores foram para a capital com o prefeito para um encontro com representantes da Ecovias-101, com a finalidade de “pressionar” aquela empresa na questão da duplicação do trecho norte da rodovia e a segurança de condutores de veículos, além da manutenção da ponte sobre o Rio Cricaré, que o deputado Gandini disse que estaria necessitando de manutenção. Apenas dois não foram, mas não se apresentaram para a sessão que acabou não acontecendo. O Parlamento fechou às portas.
O mérito pode ser importante, mas não deveria ser motivo de todos os vereadores deixarem à Câmara sem sessão, frustrando todos aqueles que se deslocaram para a sede do Legislativo mateense no dia oficial da sessão.
O prefeito, o presidente da Câmara, representantes de alguns setores seriam o suficiente para essa agenda em Vitória.
Para algumas pessoas ouvidas pela reportagem, o perigo não é só a ponte cair ou a duplicação não acontecer de momento. É se essas viagens em massa se tornarem rotina, o cidadão mateense achar que a ausência ou presenças dos “nobres” edis não fazem diferença no contexto da política municipal e em suas vidas. Fica o alerta.
Guriri submerso
O problema é recorrente, mas qualquer chuva deixa o balneário de Guriri, em São Mateus, debaixo d’água. Os moradores sofrem com essa situação e com as promessas feitas de se buscar uma solução que nunca vem.
A atual gestão municipal tem tomado algumas iniciativas, mas a solução definitiva foi anunciada pelo Governo do Estado com a futura construção da macrodrenagem. Até lá, a Prefeitura Municipal vai fazendo o que pode e o alagamento vai continuar como sempre acontece.
Atuante
O prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (sem partido) tem se movimentado intensamente para buscar maior visibilidade não só na Grande Vitória como fora dela. Para os entendidos e desentendidos da política ele está procurando se fortalecer politicamente, para ser visto pelo governador como, talvez, a solução da sucessão ao governo estadual. Por enquanto o pré-candidato oficial do governador Renato Casagrande (PSB) é o seu vice, Ricardo Ferraço (MDB).
PH em ação
O homem chegou chegando de volta à política capixaba. Paulo Hartung, agora nas fileiras do PSD, em uma entrevista já causou reboliço no cenário político. Pode estar “cavando” a possibilidade de sair candidato ao Senado. Gostando ou não, PH tem prestígio e voto junto aos capixabas.
Miscelânea
O deputado estadual Capitão Assunção (PL), da direita extrema, foi cooptado para o apoiar à Chapa 4, povoada pela esquerda e centro-esquerda, na eleição comunitária para a Acjac. Até um padre, supostamente, teria pedido voto para a chapa em missa dominical no bairro de Jardim Camburi. Não deu muito certo. O impossível só Deus consegue realizar. Perderam.
Sacrilégios e bobagens
O presidente Lula segue a saga de colecionar heresias e bobagens. No Nordeste, perante a população mais simples e fragilizada, disse que Deus deixou a região secar e o povo sofrer para que quando voltasse a ser presidente, iria levar água àquela gente cansada ouvir promessas e imbecilidades. O presidente expôs a maldade humana.
Só que foi ele, o seu governo, quem fechou as torneiras abertas pelo seu antecessor que voltou a provocar a falta de água para as comunidades. Agora foi lá para abrir as torneiras e “reinaugurar” o que não fez em seus mandatos em 20 anos de PT. É muito cinismo!
Ele, o Lula, avisou para a população nordestina não votar em tranqueira para governar o País. Com essa fala, alertou a todos para não votar mais nele…
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PODE ISSO, ARNALDO?!

Não, não pode.
Ou não deveria, todos os vereadores de um município irem para uma reunião em Vitória, justamente em dia oficial de sessão ordinária da Câmara. Vale enfatizar que a tal reunião de nada resolveu e o dia poderia ser outro que não o da sessão.
É hilário, mas aconteceu em São Mateus.
Em tempo: Dos 11 “nobres” edis, dois ficaram, porém, em casa. A Casa dita do povo, ficou fechada. Vai entender!
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Resumão
Aprovado – O prefeito de São Mateus, Marcus Batista (Podemos), começou a fazer a diferença. O que outros municípios já fazem, São Mateus passou a fazer: dar aos alunos da sua rede municipal de ensino o Kit Escolar. Pais e alunos comemoram. /// Aprovado II – Outra ação elogiável do prefeito Marcus Batista foi a nomeação da Edna Rossoni como secretária de Educação. Competência, conhecimento do ofício e determinada ao trabalho em prol da educação de qualidade. /// Reprovado – O PCdoB de São Mateus. Seu presidente subiu à tribuna Livre da Câmara Municipal para propor a criação de uma secretaria municipal para defender interesses e políticas públicas para os quilombolas e criar a secretaria de Promoção da Igualdade Racial. Deve estar seguindo a cartilha Lulista, a criação de 40 ministério que pouco servem para a nação e, no caso específico, não serve a São Mateus. Quilombolas como todos os moradores têm que ter serviço básicos de qualidade, saúde, educação, saneamento básico, emprego e renda. Para isso não há necessidade de se criar mais um órgão burocrático. /// Possibilidade – O deputado federal, Nikolas Ferreira (PL-MG), disse que se investigassem o Lula como investigam o Bolsonaro, possivelmente achariam até o dedo perdido do presidente Lula. /// Porradeiro – Os vereadores de Vitória têm surrado a Cesan. Estão dando voz as inúmeras reclamações dos usuários dessa empresa. /// Pronto, falou – O vereador Vilmar do Seac (PSD), de São Mateus, disse da tribuna da Câmara, em sessão do dia 27, que a “mala” que costumava passar na Câmara, na atual gestão não vai funcionar. /// Detectou – O Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo (TC-ES) apontou erros nas contas da Câmara Municipal de Santa Teresa na gestão passada. Vereadores devem ter que devolver pouco mais de R$ 50 mil, por terem recebido pagamentos que não teriam respaldo na legislação. O TCES reconhece que não houve má fé, apenas orientação equivocada. /// Assumiu – O ex-presidente da Câmara Municipal de São Mateus, advogado Paulo Fundão, foi nomeado diretor da Ciretran daquele município. /// Piada presidencial – A “turma golpista” disse que Deus criou o INSS para o Lula voltar à cena do crime, como já dizia o seu vice, Geraldo Alckmin (PSB). /// À propósito – “Pau que bate em Francisco, não bate em Frei Chico”.
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Para Reflexão
“A corrupção política é apenas uma consequência das escolhas do povo”.
Autor: Laércio Monteiro
OPINIÃO
Produtividade travada: fatores históricos que explicam o atraso do Brasil
A baixa produtividade do trabalhador brasileiro tem origem no modelo extrativista da economia que vem do colonialismo e, em muitos aspectos, permanece em vigor, mesmo tendo à frente governos liberais ou progressistas
Por Arthur Gebara Júnior*
A produtividade do trabalhador brasileiro é considerada baixa quando comparada à de países desenvolvidos e de algumas nações em desenvolvimento. O Brasil ocupa a 94ª posição no ranking global de produtividade da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ficando atrás até mesmo de vizinhos latino-americanos com graves dificuldades estruturais.
Na América Latina, por exemplo, o Brasil perde para o Uruguai, o Chile, a Argentina e Cuba – país que lida há décadas com um embargo econômico e fortes limitações sob um governo centralizado. No ranking global de produtividade por hora trabalhada, que avalia 184 países, o Brasil registra uma geração média de riqueza de US$ 21,2 por hora. No contexto regional, o Uruguai lidera com US$ 38, seguido por Chile (US$ 34,4), Argentina (US$ 33,8) e Cuba (US$ 22,6).
O indicador é calculado pela OIT ao dividir o Produto Interno Bruto (PIB) em dólares pelo total de horas trabalhadas da população ativa. Os líderes mundiais em produtividade são a Irlanda (US$ 164,7), Luxemburgo (US$ 159), Noruega (US$ 125,6) e Cingapura (US$ 100,4). Em relação aos Estados Unidos, onde o trabalhador gera US$ 81 por hora, o rendimento brasileiro representa apenas cerca de 26% da riqueza produzida por um americano.
A pesquisa da OIT (com dados do primeiro trimestre de 2026) também aborda a jornada semanal. O brasileiro trabalha, em média, 38,9 horas por semana, índice inferior ao de 97 países, incluindo nações como a China (46,1 horas), Índia (45,7 horas) e o México (42,2 horas). A possível aprovação da jornada 6×1, em andamento no Congresso Nacional, por exemplo, deve aumentar o custo para o empregador e para o consumidor, sem alterar a produtividade.
Mas, afinal, o que trava a produtividade? Por que o país permanece estagnado nesse patamar há décadas? Trata-se de uma questão complexa, na qual fatores históricos e estruturais exercem um papel decisivo.
Para ajudar a entender a baixa performance do trabalhador brasileiro, é possível recorrer ao chamado “mito da preguiça tropical”: ideias racistas e deterministas do século XIX, herdadas do período colonial, tentavam culpar o clima ou a etnia pelo atraso econômico. No entanto, a história econômica desmente esses mitos ao demonstrar a alta intensidade de esforço físico imposta aos trabalhadores sob regimes de exploração e escravidão.
Instituições determinantes
Daron Acemoglu é professor de economia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e James A. Robinson, professor de ciência política da Universidade de Chicago. Os dois receberam o Prêmio Nobel de Economia pelo conjunto de suas pesquisas acadêmicas fundamentais sobre como as instituições sociais e políticas afetam a prosperidade dos países, que servem de base para a tese apresentada na obra “Por que as Nações Fracassam”. Este livro destaca como as justificativas geográficas e culturais para decretar a riqueza ou a pobreza de um país não convencem. Os dois especialistas afirmam que o desenho de suas instituições é determinante.
Para uma análise mais precisa, eles classificaram os países em duas categorias. Os de economias inclusivas, que promovem a prosperidade ao garantir direitos de propriedade, incentivar a inovação e distribuir o poder político, com um resultado histórico que gera crescimento sustentável de longo prazo. Direitos amplos, garantia da propriedade privada com segurança jurídica e regulação clara também contribuem para a construção de um ambiente favorável aos investimentos, o que não tem ligação com fatores geográficos e culturais. A educação, a qualificação e o preparo do trabalhador afetam diretamente a sua produtividade.
Já as nações enquadradas como extrativistas concentram a riqueza nas mãos de poucas elites e barram o desenvolvimento. Embora a questão das instituições seja parte das regras do jogo, ela é também determinante para o desenvolvimento de um país. O modelo que os economistas classificam como extrativista não estimula o trabalhador, o que afeta de maneira decisiva a sua produtividade. Ele não tem incentivo para se educar ou investir na sua qualificação técnica, o que o impede de enxergar oportunidades, se preocupar em inovar ou empreender. Além disso, não existe a perspectiva e a garantia de que será recompensado e se apropriará dos resultados do seu esforço, já que o investimento produtivo é muito baixo, com falta de capital físico, o que compromete a produtividade.
O livro compara o sucesso de países como os Estados Unidos com a economia de nações da América Latina, África e Ásia, explicando como essas características institucionais e políticas são cruciais para o êxito ou o fracasso. No caso da América Latina, o modelo colonial de dominação e exploração gerou instituições extrativistas que concentram renda e travam a produtividade moderna.

E o Brasil?
O país ainda sofre com as sequelas desse modelo. O latifúndio colonial limitou o acesso à propriedade para a maioria da população, enquanto a escravidão prolongada atrasou a criação de um mercado consumidor livre e qualificado.
Marcel Solimeo, economista-chefe do Instituto de Economia Gastão Vidigal da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), alerta que a educação e, especialmente, a qualificação dos trabalhadores ainda não são efetivas. “Existem cursos de qualificação profissional em várias entidades empresariais, escolas e institutos de formação técnica, mas o problema vem da educação básica, ainda muito deficiente e que continua produzindo um grande número de analfabetos funcionais”, diz.
O economista afirma ainda que “a falta de cultura geral e o pouco interesse de alguns setores do empresariado pela educação e pelo investimento na qualificação do trabalhador agravam o problema.”
Determinismo histórico
Historicamente, a estrutura econômica brasileira priorizou a extração de recursos de baixo valor agregado para exportação. Esses fatores afetam diretamente a produtividade do trabalhador, que recebe menos e tem menor acesso à infraestrutura e à tecnologia de ponta.
Países dominados por dinâmicas extrativistas entram em ciclos de estagnação, pobreza e disputas pelo controle do Estado. Nesse contexto, fica claro que atribuir a baixa produtividade à cultura do povo desvia o foco dos problemas reais e das falhas dos sistemas econômicos, ignorando as profundas diferenças entre modelos inclusivos e exploradores.
Para Ulisses Ruiz de Gamboa, economista do Instituto de Economia Gastão Vidigal da ACSP e professor de História Econômica do Insper, trata-se de um problema crônico: “Ao longo de toda a sua história, o Brasil sofreu com essas instituições extrativistas que, infelizmente, se mantêm vivas, independentemente da linha ideológica dos sucessivos governos. Nem a ascensão de governos declaradamente progressistas foi capaz de promover mudanças“.
O professor acrescenta que, além do problema da baixa qualificação do trabalhador, o Estado muitas vezes protege interesses corporativos específicos em vez de garantir a livre concorrência, criando um ambiente de negócios que penaliza o empreendedorismo em massa, dificulta ganhos de eficiência e desincentiva os ganhos de produtividade do trabalhador.”
O mapa da baixa produtividade
A colonização estabeleceu bases estruturais que moldaram o destino econômico e social de continentes inteiros. A África teve fronteiras desenhadas arbitrariamente pelas potências europeias na Conferência de Berlim, o que fragmentou etnias, alimentou conflitos civis duradouros e estruturou economias baseadas na exportação de commodities primitivas.
A Ásia sofreu com a exploração comercial agressiva e a imposição de tratados desiguais, sendo que a desestruturação de impérios locais abriu caminho para instabilidades políticas prolongadas no século XX.
Na América Latina, o foco na extração de recursos e na monocultura para exportação deixou um legado de extrema desigualdade social, concentração de terras e dependência externa.
A Divergência Coreana
Em “Por que as Nações Fracassam”, os autores mostram o contraste entre as duas Coreias: a do Norte (comunista) e a do Sul (capitalista). O capítulo ilustra como as instituições e os modelos econômicos superam o determinismo geográfico.
A Coreia do Sul adotou o capitalismo de Estado, investiu massivamente em educação de base e promoveu indústrias voltadas à exportação – os chamados chaebols (conglomerados empresariais familiares) -, transformando-se em uma potência tecnológica global.
Por outro lado, a Coreia do Norte seguiu o modelo de economia planejada e fechada do sistema comunista (Juche), priorizando o setor militar e sofrendo com o isolamento internacional, a estagnação econômica e as crises de abastecimento.
A retomada de Singapura e da China
A ascensão do Sudeste Asiático e da China redefiniu o equilíbrio de poder econômico mundial por meio do pragmatismo estratégico. Singapura transformou-se de uma ilha portuária vulnerável e sem recursos naturais em um centro financeiro global, com um sucesso baseado em forte controle estatal, combate rigoroso à corrupção, abertura ao capital estrangeiro e foco absoluto em logística e educação.
A China recuperou-se de um século de submissão colonial, conflitos e graves convulsões internas. Sob o governo comunista a partir de 1949, passou por grandes dificuldades econômicas decorrentes das tentativas de Mao Tsetung – como o plano “O Grande Salto Adiante”. Foi com as reformas de abertura econômica iniciadas em 1978 que conseguiu combinar o controle político do Partido Comunista com zonas econômicas especiais de livre mercado, tornando-se uma potência militar e industrial e a segunda maior economia do mundo.
Defasagem
No Brasil, a imensa defasagem no ensino básico e técnico, que reduz a capacidade de inovação e a eficiência nas funções, representa um grande desafio. A infraestrutura insuficiente e pouco eficiente, associada ao chamado “Custo Brasil”, constitui outro fator determinante: logísticas precárias e transportes deficientes geram perdas diárias de tempo e recursos. A baixa incorporação de equipamentos modernos nas empresas também deprime o rendimento por hora trabalhada, ao passo que falhas na gestão de processos produtivos e a baixa valorização do capital humano prejudicam o desempenho geral.
Reformas
As reformas estruturais voltadas à produtividade no Brasil estão no radar dos especialistas. É cada vez mais urgente iniciar mudanças profundas capazes de retirar o país da armadilha da baixa produtividade e conduzi-lo a um modelo econômico inclusivo, o que exige a remoção de privilégios corporativistas e a valorização do potencial da força de trabalho. A produtividade do trabalhador brasileiro segue estagnada desde 1950, acumulando avanço de apenas 0,4% em 2025 e desaceleração contínua em 2026. Esse cenário reflete o peso do ecossistema estrutural e da burocracia, distanciando o país da média global de produtividade no trabalho.
Radiografia da Estagnação Produtiva
A eficiência do trabalho no Brasil patina em meio a desajustes setoriais e à reversão de ganhos pontuais do passado. Dados do Observatório da Produtividade Regis Bonelli, gerido pelo FGV-IBRE, mostram que o salto temporário de produtividade registrado em 2020, devido à pandemia, foi totalmente revertido, retornando à trajetória de queda iniciada em 2017.
Após alta de 2,3% em 2023, impulsionada pela agropecuária, o indicador avançou apenas 0,1% em 2024 e fechou 2025 com alta modesta de 0,4%. O setor de serviços, que concentra a maior parte da mão de obra, mantém ganhos de produtividade próximos a zero, na casa de 0,2% ao ano.
Para a Virada Estrutural
A reversão desse quadro depende de reformas profundas, divididas em quatro frentes prioritárias:
– Consolidação e Simplificação Tributária: Fim do Custo Brasil, redução da burocracia fiscal e estímulo direto ao investimento produtivo em inovação, superando o planejamento tributário defensivo.
– Reforma Educacional e Técnica: Alinhamento curricular voltado para ciências, engenharia e ensino técnico, além de requalificação contínua de adultos frente à automação.
– Modernização Administrativa: Corte de privilégios e supersalários no funcionalismo, atrelando a máquina pública à meritocracia e à entrega de serviços eficientes.
– Abertura Comercial e Infraestrutura: Redução de barreiras tarifárias para elevar a competitividade externa e ampliação de concessões em portos, ferrovias e saneamento por meio de segurança jurídica.
Em um momento em que as atenções se voltam para as eleições de outubro, existe a expectativa de que surja um projeto inovador para a próxima gestão. Nesse sentido, refletir sobre a baixa produtividade do trabalhador brasileiro é fundamental para confrontar os resquícios de um passado extrativista que continua a limitar o desenvolvimento nacional.
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- Artigo publicado no Diário do Comércio – Conteúdo
- Foto destaque: Reprodução / Redes Sociais
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