CPMI do INSS
Governo perde e quebra de sigilo de Lulinha é mantida
Política Nacional
Decisão de Alcolumbre confirma resultado da tumultuada sessão da comissão, em que houve até briga. Filho mais velho do presidente é suspeito de receber mesada do empresário Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS
Por Alícia Bernandes, Wal Lima e Fábio Grecchi* – Brasília – DF
O presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União-AP), manteve a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Na semana passada, em uma sessão tumultuada, a CPMI do INSS aprovou o acesso aos dados do filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, suspeito de receber uma mesada de R$ 300 mil do empresário Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS, segundo diálogo mantido com a empresária Roberta Luchsinger.
A decisão de Alcolumbre foi tomada depois da análise de recurso apresentado por 14 deputados e senadores governistas, no qual solicitava a suspensão imediata dos efeitos da votação, sob a alegação de falhas na condução do processo pelo presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG) — que, segundo os parlamentares da base do Palácio do Planalto, teria feito uma contagem incorreta dos votos.
Alcolumbre argumentou que os 14 votos dos governistas contra a quebra de sigilo não seriam suficientes para vencer a deliberação, já que a sessão da CPMI contava com 31 parlamentares — ou seja, a maioria seria de 16 nomes. “Neste caso concreto, sustentado pelos autores, 14 parlamentares teriam se manifestado contrariamente aos requerimentos postos em votação. Porém, ainda assim, esse número de votos contrários não seria suficiente para a configuração da maioria. Ainda que se considere que o presidente da CPMI se equivocou na contagem daqueles que se levantaram contra os requerimentos, o número de votantes contrários demonstrado pelos autores não seria suficiente para ganhar a deliberação”, frisou.
Segundo o presidente do Senado, o comando da Casa só deve agir em casos “excepcionais”. Alcolumbre salientou que a votação de quebra de sigilo de Lulinha não configurou anormalidade e que as votações de comissões devem ser respeitadas.
“As decisões tomadas por CPIs devem ser respeitadas por todos, sempre que tenham sido adotadas de forma regular e com respeito à regra da colegialidade. Diante da relevância constitucional dos trabalhos das CPIs, apenas em situações excepcionais, flagrantes de respeito às normas condicionais, legais ou regimentais, é que esta presidência deve intervir”, observou.
Decisão técnica
O presidente da CPMI e o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), acompanharam atentamente a leitura do parecer de Alcolumbre. Proferida a decisão, foi a vez de Viana desabafar, afirmando que agiu de forma “estritamente técnica” e dentro do regimento do Congresso. Segundo o senador, foram contabilizadas as manifestações formais dos membros titulares no momento adequado da votação.
“Sei das pressões políticas, mas ali não está o lado político, não está nenhum tipo de posicionamento pessoal desta presidência da CPMI”, afirmou. As quebras de sigilo de Lulinha foram aprovadas em 26 de fevereiro, a partir de pedidos apresentados pelo relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL). A votação ocorreu de maneira simbólica, sem registro nominal, o que levou ao questionamento dos governistas.
Para o deputado Luiz Lima (Novo-RJ), que levou um soco do deputado Rogério Correia (PT-MG) na confusão que se formou assim que foi proclamado o resultado favorável à quebra dos sigilos de Lulinha, só cabia a Alcolumbre “ser um árbitro, não pode ser um torcedor, não pode ter lado. E a CPMI é mista, que envolve a Câmara e o Senado. Eu estava lá”.
Randolfe, que acompanhou atentamente a leitura do parecer de Alcolumbre, garantiu que a base governista respeitará a decisão da presidência do Senado. Ele observou que a controvérsia não dizia respeito ao conteúdo das quebras de sigilo, mas, sim, ao rito empregado na votação. Na avaliação do líder do governo, a manifestação de Alcolumbre contribui para “uniformizar” o critério que deverá orientar as próximas votações.
“Quando vossa excelência, na posição de magistrado do Congresso Nacional, se pronuncia, Roma locuta, causa finita est (expressão em latim que quer dizer “Roma falou, o caso está encerrado”). A gente luta para vencer, mas aceita quando perde”, disse.
Ainda segundo Randolfe, não há intenção da base de criar obstáculos às apurações. Ele defendeu que a CPMI analise requerimentos “de todos os lados” e ressaltou que a deliberação da Presidência precisa ser aceita “como em qualquer democracia”.
Apesar da vitória da oposição com a deliberação de Alcolumbre, o pedido de prorrogação da CPMI feito pelos adversários do Palácio do Planalto ainda não tem resposta. Viana conversou com o presidente do Senado sobre ampliar o prazo de funcionamento da comissão em mais 60 dias, uma vez que, pelo cronograma atual, os trabalhos do colegiado terminam no próximo dia 26.
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- Correio Braziliense – Conteúdo
- Foto Destaque: Crédito – Carlos Moura / Agência Senado
Política Nacional
Deputado capixaba é o autor do projeto que cria regras para bicicletas elétricas que exige cadastro e capacete
Proposta também define idade mínima para condução desses veículos
Brasília (DF)
O Projeto de Lei 4920/25 estabelece normas gerais para a circulação de bicicletas elétricas e motorizadas em todo o país. O texto define idade mínima para condutores, torna obrigatório o uso de capacete e cria um cadastro nacional para esses veículos. A proposta está em análise na Câmara dos Deputados.
O objetivo da medida, de autoria do deputado Dr. Victor Linhalis (Pode-ES), é padronizar as regras de trânsito e aumentar a segurança, diante do crescimento do uso desses equipamentos nas cidades.
O deputado argumenta que o aumento de acidentes com bicicletas elétricas tem gerado graves consequências para a saúde pública, citando o crescimento de traumatismos cranianos.
“O crescimento exponencial do uso de bicicletas elétricas e motorizadas, embora represente um avanço bem-vindo na mobilidade urbana sustentável, trouxe consigo um aumento expressivo no número de acidentes”, afirmou Linhalis. Ele destaca ainda que a exigência do capacete é “medida indispensável para a proteção da vida”.
Idade mínima
Pelo texto, a condução de bicicletas elétricas e motorizadas só será permitida para maiores de 15 anos. O uso de capacete certificado pelo Inmetro, com viseira ou óculos de proteção, será obrigatório tanto para quem pilota quanto para o passageiro.
As bicicletas deverão ter equipamentos obrigatórios, como campainha, iluminação dianteira (branca) e traseira (vermelha) e refletores laterais. O projeto proíbe expressamente o uso de celular ou fones de ouvido durante a condução.
Limites de velocidade
A proposta define limites específicos de velocidade para garantir a segurança de pedestres e ciclistas:
- 6 km/h em áreas de circulação de pedestres e calçadas (permitido apenas onde não houver ciclovia);
- 25 km/h em ciclovias e ciclofaixas;
- 32 km/h em outras vias urbanas (mediante autorização).
Combate à adulteração
O projeto proíbe a modificação da potência ou da velocidade máxima original das bicicletas. Quem for flagrado com veículo adulterado sofrerá multa e apreensão da bicicleta. Oficinas e lojas que realizarem esse serviço poderão ser interditadas e pagar multa em dobro.
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O texto cria o Cadastro Nacional de Bicicletas Elétricas (CNBE), que será gratuito e vinculado ao CPF ou CNPJ do proprietário. As bicicletas deverão ter um QR Code para facilitar a fiscalização e a identificação em casos de roubo ou furto.
Empresas de entrega
As empresas de aplicativos de entrega que utilizem esses veículos deverão treinar seus entregadores sobre segurança viária e exigir o cumprimento da lei. O descumprimento pode levar à suspensão das atividades da empresa.
Próximos passos
A proposta, que tramita em caráter conclusivo, será analisada pelas comissões de Indústria, Comércio e Serviços; de Viação e Transportes; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
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- Fonte: Agência Câmara de Notícias
- Foto Destaque: Crédito – Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados
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