Terras Indígenas
Lula, irritado, rebate críticas sobre Marco Temporal: “Não tem subserviência para o poder”
POLÍTICA & GOVERNO
O presidente participou nesta quinta-feira (12) de cerimônia de retorno de manto tupinambá ao Brasil e foi criticado por indígenas por não ter barrado o Marco Temporal
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou de cerimônia do manto tupinambá, na noite desta quinta-feira (12/9), no Rio de Janeiro (RJ). Na ocasião, o presidente rebateu crítica de uma indígena que o acusou de ceder a alianças e não barrar o Marco Temporal. Disse ser democrata para ouvir as críticas, mas destilou irritação e partiu para o revide.
“Aqui não tem subserviência para ficar no poder, eu não preciso disso. O que tem é a inteligência política para saber que eu tenho um partido com 70 deputados de 503 e 9 senadores de 81. Para eu aprovar as coisas, sou obrigado a conversar com quem não gosta de mim”, rebateu Lula.
A liderança indígena Yakuy Tupinambá criticou severamente o governo pela aprovação do Marco Temporal no Congresso Nacional, no ano passado.
“Temos hoje o pior Congresso da história da República. Um judiciário egocêntrico e parcial e um governo, senhor presidente, que nós entendemos o porquê, enfraquecido, acorrentado às alianças e conchavos para se manter no poder”, reclamou Yakuy.
A tese do Marco Temporal foi aprovada no Congresso Nacional no final do ano passado. O texto prevê que são terras indígenas apenas as que já eram em 1988, ano em que foi promulgada a Constituição. Semanas antes, a teoria tinha sido derrubada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente Lula chegou a vetar partes do texto aprovado no Congresso, mas, ao voltar ao Legislativo, os vetos foram derrubados pelos parlamentares. Como resposta, o movimento indígena protocolou um pedido para que o STF considere ilegal a decisão do Congresso Nacional. O processo ainda corre na Suprema Corte.
“Um presidente da República não pode só fazer discurso, um presidente da República tem que cumprir a Constituição, a regra do jogo, tem que respeitar as decisões do Congresso Nacional, da Justiça e, ao mesmo tempo, nós temos que lutar”, relembrou o presidente. “Vocês não esperaram quase 400 anos para trazer o manto (tupinambá) de volta?! Significa que nada é impossível e a gente pode conquistar mais”, acrescentou.
Demarcação de terras
Amenizando a situação, Lula prometeu tentar atender a algumas das reivindicações trazidas pelos tupinambás. Entre elas, de que o manto retorne à sua terra natal, em Ilhéus, na Bahia, e que o território da etnia seja demarcado.
“Na semana que vem vou conversar com o [ministro da Justiça e Segurança Pública] Lewandoski. Quando o Marco Temporal voltou pro STF nos criou um problema para fazer a desintrusão que a gente queria fazer e eu vou dizer que a gente pode fazer o possível e impossível para quem sabe atender à grandiosidade do manto sagrado e fazer a desintrusão das terras tupinambás”, afirmou o presidente.
De acordo com a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), o retorno do manto tupinambá representa “um bom presságio na luta pela demarcação de território”. Há mais de 15 anos foram delimitados os 47 mil hectares das terras tupinambás em Olivença (BA). Em Belmonte (BA), o território da mesma etnia está delimitado desde 2013. Segundo a entidade indígena, os processos de portarias declaratórias estão prontos para serem assinados e aguardam apenas a assinatura do ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski.
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* Da Redação / Com informações do Correio Braziliense – Mayara Souto
* Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil
POLÍTICA & GOVERNO
Produtores que não fizeram atualização cadastral de rebanho estão sujeitos a multa
Por Francine Castro* | Vitória (ES)
A poucos dias do fim da campanha de atualização cadastral de rebanho, coordenada pelo Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf), cerca de 55% dos produtores do Espírito Santo ainda não realizaram o procedimento, que é obrigatório. O prazo termina na próxima semana, no dia 30 de junho.
A campanha envolve bovinos, bubalinos, caprinos, ovinos, equinos, asininos, muares, suínos e aves de subsistência, além de animais aquáticos e abelhas. O procedimento pode ser feito pela internet, via login e senha do produtor; por e-mail, direcionado à gerência local onde a propriedade está localizada; ou diretamente nos escritórios do Idaf, pelo produtor rural ou seu representante legal.
O secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli, alerta que a atualização dos dados de rebanho é fundamental para fortalecer o sistema de vigilância local. “Estamos na reta final e os bons percentuais do Espírito Santo dependem do comparecimento dos produtores nessa ação. Além de manter o Estado livre de enfermidades, esse controle permite a realização de ações preventivas em cumprimento aos compromissos sanitários e possibilita a ampliação dos mercados para os produtos capixabas”, pontuou Bergoli.
O diretor-geral do Idaf, Ronaldo Salomão Lubiana, alerta os produtores rurais para esse compromisso. “A atualização é um processo simples, mas fundamental para mantermos o reconhecimento internacional do status de livre de febre aftosa sem vacinação. Esse é um dos acordos estabelecidos para garantir que as ações de vigilância sejam cumpridas, por isso, precisamos do apoio de todos os criadores de animais envolvidos na campanha para, assim, fortalecermos a pecuária do Estado”, destacou Lubiana.
Inadimplência
De acordo com o gerente de Defesa Sanitária e Inspeção Animal do Idaf, Raoni Cezana Cipriano, os criadores de bovinos ou bubalinos que não realizarem a atualização cadastral de rebanho no período da campanha estarão sujeitos a multa. Além disso, a partir de 1º de julho, só será permitida a emissão da Guia de Trânsito Animal (GTA), para quaisquer espécies, caso todas as explorações pecuárias das propriedades rurais de origem e destino tenham realizado o procedimento.
O gerente esclarece ainda que, mesmo que não tenha tido nenhuma alteração nas criações (nascimento, morte, novas aquisições) desde a última atualização, é obrigatório fazer a atualização cadastral durante a campanha (nos meses de maio e junho), anualmente. “Se o produtor atualizou o seu cadastro recentemente, porém fora do período da campanha, também é necessário fazer a atualização cadastral durante a campanha”, orientou Cipriano.
Serviço:
Campanha de atualização cadastral 2026
Período: 1º de maio a 30 de junho
Como fazer: preferencialmente on-line (https://siapec3.idaf.es.gov.br/siapec3/login.wsp) ou nas gerências locais do Idaf (https://idaf.es.gov.br/relacao-de-municipios-e-e-mails)
Mais informações: https://idaf.es.gov.br/atualizacao-cadastral-de-rebanho
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*Fonte: Idaf / Assessoria de Comunicação – Conteúdo
*Foto destaque: Reprodução / Internet
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