Política Nacional
Governadores dificultam a votação da reforma tributária
POLÍTICA & GOVERNO
Expectativa de Lira é que PEC seja levada ao plenário até sexta-feira, mas há uma falta de consenso sobre o texto elaborado pelo relator. Conselho Federativo, divisão do FDR e prazo de transição para o novo IBS estão no centro do desentendimento
Brasília – DF
A insatisfação de governadores com o texto da reforma tributária é o principal entrave para a votação da proposta de emenda à Constituição na Câmara dos Deputados. Nove chefes de poderes executivos estaduais estão em Brasília para articular mudanças e tentar adiar a apreciação da PEC, prevista para acontecer até sexta-feira. Entre as negociações, estão a definição de regras para o Conselho Federativo, a divisão do Fundo de Desenvolvimento Regional (FDR) e um novo prazo de transição para o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).
Único dos 27 governadores a se colocar terminantemente contra a proposta, Ronaldo Caiado (União Brasil-GO) esteve ontem na Câmara para tentar convencer deputados federais a rejeitarem a PEC. Ele acredita que as unidades da Federação estão prestes a perder autonomia com a junção de impostos no novo regime tributário. Defendeu, ainda, a manutenção da arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).
“Não estou preocupado com o meu mandato, estou preocupado com estados e prefeitos que vão perder, sim, capacidade de legislar sobre a suas próprias vidas. Essa é a verdade e peço a vocês que reflitam. Vocês, amanhã, serão governadores dos seus estados. Não façam isso”, exortou.
Segundo Caiado, a simplificação dos impostos por um Impostos sobre Valor Agregado (IVA) não é a solução e criticou a parcela de contribuição da União no tributo. O governador também disse não concordar com a justificativa de que o sistema tributário atual pune os mais pobres, criticando a alternativa proposta na reforma. “Falar em cashback como sendo modernidade é o que existe de mais retrógrado e ultrapassado do mundo. Cesta básica deveria ser simplesmente tarifa zero. Não caminhem para um processo que vai levar o pacto federativo a ser totalmente inviabilizado”, afirmou.
Em reunião de parlamentares do Consórcio de Integração Sul e Sudeste (Cosud) e do Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul (Codesul) — da qual participou o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes —, governadores apresentaram ao relator da proposta na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), três contrapropostas para o texto. Nenhuma sinalização foi feita pelo deputado, que deve hoje ter mais um dia intenso de agendas com representantes estaduais.
Estiveram presentes os governadores Cláudio Castro (PL-RJ); Eduardo Leite (PSDB-RS); Eduardo Riedel (PSDB-MS); Jorginho Mello (PL-SC); Ratinho Júnior (PSD-pr); Renato Casagrande (PSB-ES); Romeu Zema (Novo-MG); e Tarcísio Freitas (Republicanos-SP).
Peso paulista
Nos bastidores, a avaliação é de que Tarcísio tenta usar a força de São Paulo para ganhar protagonismo nas negociações da reforma. Ele foi recebido pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), no início da noite. “Há concordância quanto a proposta, o que falta é ajuste. O que queremos é governança no Conselho Federativo e maior controle dos estados. Entre os mecanismos de votação se cogita o mínimo de 50% de quórum nas regiões para evitar que maioria se forme em detrimento de outras regiões”, afirmou.
Segundo o governador Eduardo Leite, os estados estão dispostos a negociar concessões. “Às vezes tem que definir um prazo para poder forçar, como está acontecendo aqui. Talvez se não consiga votar nesta semana, mas o importante é que todos estão se esforçando para estar aqui dando atenção para algo que é transformador para o Brasil”, avaliou.
* Correio Brasiliense – Conteúdo
* Foto: Rogério Santana – Governo do Rio de Janeiro
POLÍTICA & GOVERNO
Prefeitura de Vitória lança programa histórico para revitalizar o Centro e destravar mais de R$ 6 bi
Por José Carlos Schaeffer* | Vitória (ES)
A Prefeitura de Vitória publicou no Diário Oficial do Município desta quarta-feira (16), o decreto nº 27.034 que institui o Programa de Reabilitação da Área Central (ReAC). A iniciativa estabelece um marco regulatório inédito com o objetivo de reposicionar o Centro como o principal motor de desenvolvimento econômico, urbano, habitacional e cultural da capital. Com foco agressivo na desburocratização e na atração de novos moradores e empresas, o programa projeta atrair até 27,5 mil novos residentes e mobilizar mais de R$ 6 bilhões em investimentos privados na região.
O ReAC atuará sobre a Zona Especial de Interesse Urbanístico 1 (ZEIU 1), área que engloba o Centro Histórico, guiado pelo conceito de “readensamento inteligente”. Na prática, a gestão municipal passará a utilizar as obras e os investimentos públicos estruturantes já previstos para a região como âncoras para dar segurança e atrair a iniciativa privada em larga escala.
O que muda na prática?
O decreto ataca gargalos históricos que afastavam investidores da região central, criando um ambiente de negócios ágil e seguro. Para que a população e o mercado compreendam o impacto imediato, as principais mudanças incluem:
– Alvará Automático e Fim da Burocracia: Projetos de novas edificações em lotes vazios, requalificação, retrofit e Habitação de Interesse Social (HIS) no Centro passam a ter licenciamento simplificado. Os empreendimentos da região passarão para o Grau de Risco 3, e a emissão do Alvará de Execução de Obras será eletrônica e automática no ato do protocolo, baseada na responsabilidade técnica do profissional, mediante apresentação de documentação simplificada (Planta de Situação e Quadro de Áreas).
– Apoio Financeiro para Reformas (TPC): Para viabilizar financeiramente a recuperação do patrimônio, a Prefeitura aprimorou a Transferência do Potencial Construtivo (TPC). O proprietário que investir na preservação de um imóvel histórico no Centro terá a excepcionalidade de converter 100% do potencial de construção do seu lote (fórmula PT = PC) em um certificado (CPC). Esse crédito funciona como uma “moeda de troca” de alto valor, podendo ser vendido a terceiros para uso em outras áreas, financiando a própria obra de restauro.
– Foco na Habitação de Interesse Social (HIS): O programa garante que a atração de investimentos privados caminhe lado a lado com a inclusão. Obras voltadas para a Habitação Social no Centro estão inseridas diretamente na engrenagem de benefícios e facilidades de licenciamento do ReAC, visando a construção de um bairro multiclassista e o combate à expulsão dos moradores de baixa renda.
– Tolerância Zero com o Abandono: O decreto aciona a atuação prioritária do município contra imóveis que não cumprem sua função social. Imóveis privados em situação de abandono (com degradação e ausência de posse) poderão ser arrecadados provisoriamente pelo Município. O decreto garante ao proprietário o prazo de três anos, após a arrecadação, para manifestar interesse na conservação antes da transferência definitiva do bem ao patrimônio público. O programa também prevê a aplicação prioritária do PEUC e do IPTU Progressivo no Tempo.
– Proteção da Paisagem Histórica (PVBT): Para garantir que o adensamento não sufoque a história da cidade, o decreto regulamenta os Perímetros de Proteção de Vizinhança de Bem Tombado (PVBT). Através de estudos técnicos, eles estabelecem regras inteligentes para blindar a visibilidade dos monumentos históricos e, ao mesmo tempo, flexibilizar novos índices urbanísticos e gabaritos de forma segura no miolo das quadras.
– Gestão Urbana Preditiva: Para garantir que a engrenagem funcione, o decreto institui o Gabinete de Inteligência e Transformação Territorial. A nova unidade estratégica da SEDEC coordenará o licenciamento, fará o monitoramento baseado em dados e garantirá a integração institucional entre poder público e iniciativa privada para o sucesso contínuo do programa.
A expectativa da Sedec, com as novas regras, é viabilizar entre 8 mil e 11 mil novas moradias na Área Central, com fortíssimo incentivo para a Habitação de Interesse Social (HIS). O objetivo é aproximar moradia, trabalho, serviços e lazer, permitindo que famílias de diferentes faixas de renda possam morar em uma das regiões mais bem estruturadas de Vitória.
Um novo ciclo para a cidade
Nas últimas décadas, o coração de Vitória vivenciou um esvaziamento profundo, caindo de 30% para cerca de 10% do total de habitantes da capital. O resultado foi a proliferação de prédios vazios e a subutilização de uma infraestrutura urbana de ponta.
O secretário de Desenvolvimento da Cidade e Habitação (Sedec), Túllio Ponzi, reforça a capacidade de transformação do novo marco legal. “O ReAC representa uma mudança de paradigma. É uma arquitetura institucional sofisticada que confere intencionalidade ao investimento público. Na prática, a integração dos instrumentos regulamentados faz com que cada real investido pelo Município no Centro atue como catalisador do desenvolvimento, atraindo investimentos privados, ampliando a produção de moradia para todas as faixas de renda, permitindo que mais pessoas possam viver em uma das áreas mais bem localizadas e estruturadas da cidade, valorizando o patrimônio, gerando oportunidades e melhorando a qualidade de vida da população”, afirma o secretário.
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- Prefeitura de Vitória / Comunicação – Conteúdo
- Foto destaque: Crédito – Jansen Lube / PMV
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