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Opinião / Coluna

Coluna / Bloco de Notas – 2ª edição de fevereiro

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OPINIÃO

Por Paulo Roberto Borges

Logística Parlamentar

As eleições de 2026 estão ocupando as principais pautas dos nossos políticos. O deputado federal, Gilson Daniel (Podemos), por exemplo, vem consolidando a sua presença na região litoral norte capixaba. O que é natural, até porque o seu partido elegeu os prefeitos de Linhares e São Mateus.

Mas, não é só ele que por lá andou. O seu colega de bancada e de partido, Dr. Vitor Linhaiis, também esteve nos principais municípios da região.

Nesse tabuleiro eleitoral, o Podemos vem se revelando o partido que mais se fortaleceu nesses últimos tempos.

Sem protocolo e sem diplomacia

O deputado estadual Engenheiro José Esmeraldo (PDT) é conhecido pelos vários mandatos que tem e pela atuação sem papas na língua, principalmente quando vislumbra um adversário que o incomoda.

Na solenidade de inauguração do viaduto Dona Rosa, em Cariacica (sua terra natal), ele não disse o nome, quando falou que tem deputado federal que diz que ajuda o município, mas não ajuda em nada. Deu as coordenadas, mas ao que parece, nem precisava. Muitos dos presentes ao evento, identificaram como se o míssil tenha sido lançado contra o deputado federal do PT, Helder Salomão.

Não disse, mas disse…

Ainda por ocasião da inauguração do viaduto em Cariacica, o governador Renato Casagrande (PSB) falou em seu discurso que é importante ter à frente de uma administração alguém que dê continuidade as ações propositivas de governo. Os observadores atentos à fala do governador logo decifraram que estava “pedindo” apoio para o seu pré-candidato à sucessão, o vice Ricardo Ferraço (MDB). Aliás, ele não estava presente, mas não foi esquecido pelos aliados que estavam no palanque oficial.

Climão na Câmara de Vereadores

Aconteceu na sessão ordinária do Legislativo de Santa Leopoldina, do dia 19. O vereador Rosimar Lahas (PDT), da base do prefeito Fernando Rocha (PDT) foi à tribuna e soltou o verbo sem dó e piedade tecendo críticas ao governo estadual, sobre o abandono de uma obra e que agora recebeu a visita do secretário de Agricultura prometendo retomá-la e, principalmente concluí-la. O vereador também fez críticas ao governo municipal pela morosidade em implementar algumas ações.

Mas, também deixou claro, sabe-se lá porque, que assessora sua não vai servir cafezinho, pois não é função dela. Enfatizou que não vai deixar de criticar o que está errado e elogiar o que está certo.

Acontece que o presidente da Câmara, Darley Espíndula (PP), não gostou e, por isso, ao fazer seu discurso elogiando tudo ao contrário que disse seu colega, não lhe deu aparte e o mandou calar a boca.

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Não se sabe se é atentado ao decoro, desrespeito ao colega vereador ou atitude autoritária. Fato é que o presidente mandou que o vereador Lahas calasse a boca. E ele se calou.

São Mateus

Talvez o Espírito Santo ainda desconheça o que aconteceu no município de São Mateus nos últimos oito anos. A gestão do ex-prefeito Daniel Santana (sem noção e sem vergonha do que fez), simplesmente destruiu o município, mas investiu recursos astronômicos da municipalidade em festas no balneário de Guriri (que é um bairro). Na Saúde, Educação, mobilidade urbana etc e etc e tal, ficaram à mingua. Pasmem, sob a omissão de muitos, de lideranças políticas e poderes constituídos.

Agora, com o atual prefeito Marcus Batista (Podemos), se junta os cacos que sobraram para, com a população ordeira, que trabalha e produz riquezas, possam, todos, reconstruir a cidade e o município de modo geral. Uma tarefa árdua, que exige muita dedicação, determinação, coragem para fazer o que tem que ser feito.

Mas, o prefeito vem sofrendo ataques com fake news, ao que parece, da milícia digital que operava contra adversários da administração anterior.

Em tempo: o ex-prefeito Daniel Santana, vulgo Da Açaí, foi preso pela Polícia Federal e solto pela Justiça de Brasília… E, se não der ruim, pode ser candidato a deputado estadual com chances de se eleger. Pode isso, Arnaldo?!

Tenta, mas…

O presidente da Câmara de Vitória, Anderson Goggi (PP) tem travado uma luta contra seus pares que não observam o Regimento daquela Casa de Leis, com relação ao tempo de fala na tribuna. Volta e meia é obrigado a lembrar e chamar a atenção para que todos respeitem o Regimento.

Apesar dos pesares, tem adotado uma postura democrática e de “alguma” compreensão com os que extrapolam na observação dos preceitos regimentais. Nada, no entanto, que cause a terceira guerra mundial. Ou golpe, como constrói narrativas da esquerda.

Goggi se revela um bom condutor do Legislativo de Vitória. Aliás, no que pese as diferenças ideológicas, Vitória tem bons vereadores.

Os curiosos parlamentares

Os vereadores Vilmar do Seac (PSD) e Branco da Penal (PL) apresentaram requerimento na sessão da Câmara, querendo informações da Prefeitura de São Mateus sobre áreas públicas da municipalidade, doadas pela gestão do prefeito anterior. Querem inclusive a relação de para quem foram doadas. Nesse angú tem peixe… Supostamente Podre.

Turbilhão

O Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de São Mateus, sofre há anos um processo de sucateamento. Nesse período, até que uma ou outra diretoria tentou fazer algo digno, mas o “normal” era mesmo expor as deficiências da autarquia municipal à população, para justificar o interesse de alguns em privatizá-las. Hoje tenta se fazer algo para melhorar a situação, mas o fantasma da sua privatização tem aparecido e amedrontado os munícipes mateenses. Curioso é que o SAAE de Linhares e Aracruz funcionam a contento. Lá não aparece nenhuma assombração e nem camarilhas mal-intencionadas.

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Elogio

A Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro Jardim Camburi, em Vitória, se destaca no atendimento, presteza e dedicação de seus funcionários. Tudo isso é fruto da dedicação de todos e da competência da sua diretora, Vivian Kecy. Difícil é não reconhecer o trabalho dela e da sua equipe.

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PODE ISSO, ARNALDO?!

Não, não pode.

Aplaudir discurso de presidente que se omite com relação a ditadura da Venezuela, apoia o grupo terrorista Hamas, bajula o Irã, defende ditadores da América Latina e, aplaude o filme (muito bom por sinal) “Ainda Estamos Aqui”, que condena a ditadura no Brasil. Deve ser a tal democracia relativa do atual governante do Brasil varonil!

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Resumão

Carnaval – Para quem gosta de brincar o carnaval raiz, o de Santa Leopoldina é uma boa opção. /// Guriri – O carnaval de Guriri, em São Mateus aboliu os trios elétricos e instalou um megapalco com uma megaestrutura. A bandalheira vai diminuir. /// Novo rumo – Uma empresa que tinha possibilidade de se instalar no norte do Estado, bateu asa e foi para Santa Catarina. /// Dúvida – Muito se critica a atuação da Eco-101, mas se a rodovia tivesse dependendo de ações do governo realizar as obras necessárias, sairiam do papel? Teriam alguma lisura, corrupção? /// Turbilhão – O Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de São Mateus, sofre há anos um processo de sucateamento. Nesse período, até que uma ou outra diretoria tentou fazer algo digno, mas o “normal” era mesmo expor as deficiências da autarquia municipal à população, para justificar o interesse de alguns em privatizá-las. Hoje tenta se fazer algo para melhorar a situação, mas o fantasma da sua privatização tem aparecido e amedrontado os munícipes mateenses. Curioso é que o SAAE de Linhares e Aracruz funcionam a contento. /// Arrogância – Vários torcedores do Flamengo acreditam que vão ganhar tudo neste ano. No Rio, tremem quando enfrentam o Fluminense.

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Para Reflexão

“É pau, é pedra, é o fim do caminho…”

É o que se ouve Brasil a fora diante do que estamos vivendo no País”

 

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OPINIÃO

Produtividade travada: fatores históricos que explicam o atraso do Brasil

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A baixa produtividade do trabalhador brasileiro tem origem no modelo extrativista da economia que vem do colonialismo e, em muitos aspectos, permanece em vigor, mesmo tendo à frente governos liberais ou progressistas

Por Arthur Gebara Júnior*

A produtividade do trabalhador brasileiro é considerada baixa quando comparada à de países desenvolvidos e de algumas nações em desenvolvimento. O Brasil ocupa a 94ª posição no ranking global de produtividade da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ficando atrás até mesmo de vizinhos latino-americanos com graves dificuldades estruturais.

Na América Latina, por exemplo, o Brasil perde para o Uruguai, o Chile, a Argentina e Cuba – país que lida há décadas com um embargo econômico e fortes limitações sob um governo centralizado. No ranking global de produtividade por hora trabalhada, que avalia 184 países, o Brasil registra uma geração média de riqueza de US$ 21,2 por hora. No contexto regional, o Uruguai lidera com US$ 38, seguido por Chile (US$ 34,4), Argentina (US$ 33,8) e Cuba (US$ 22,6).

O indicador é calculado pela OIT ao dividir o Produto Interno Bruto (PIB) em dólares pelo total de horas trabalhadas da população ativa. Os líderes mundiais em produtividade são a Irlanda (US$ 164,7), Luxemburgo (US$ 159), Noruega (US$ 125,6) e Cingapura (US$ 100,4). Em relação aos Estados Unidos, onde o trabalhador gera US$ 81 por hora, o rendimento brasileiro representa apenas cerca de 26% da riqueza produzida por um americano.

A pesquisa da OIT (com dados do primeiro trimestre de 2026) também aborda a jornada semanal. O brasileiro trabalha, em média, 38,9 horas por semana, índice inferior ao de 97 países, incluindo nações como a China (46,1 horas), Índia (45,7 horas) e o México (42,2 horas). A possível aprovação da jornada 6×1, em andamento no Congresso Nacional, por exemplo, deve aumentar o custo para o empregador e para o consumidor, sem alterar a produtividade.

Mas, afinal, o que trava a produtividade? Por que o país permanece estagnado nesse patamar há décadas? Trata-se de uma questão complexa, na qual fatores históricos e estruturais exercem um papel decisivo.

Para ajudar a entender a baixa performance do trabalhador brasileiro, é possível recorrer ao chamado “mito da preguiça tropical”: ideias racistas e deterministas do século XIX, herdadas do período colonial, tentavam culpar o clima ou a etnia pelo atraso econômico. No entanto, a história econômica desmente esses mitos ao demonstrar a alta intensidade de esforço físico imposta aos trabalhadores sob regimes de exploração e escravidão.

Instituições determinantes

Daron Acemoglu é professor de economia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e James A. Robinson, professor de ciência política da Universidade de Chicago. Os dois receberam o Prêmio Nobel de Economia pelo conjunto de suas pesquisas acadêmicas fundamentais sobre como as instituições sociais e políticas afetam a prosperidade dos países, que servem de base para a tese apresentada na obra “Por que as Nações Fracassam”. Este livro destaca como as justificativas geográficas e culturais para decretar a riqueza ou a pobreza de um país não convencem. Os dois especialistas afirmam que o desenho de suas instituições é determinante.

Para uma análise mais precisa, eles classificaram os países em duas categorias. Os de economias inclusivas, que promovem a prosperidade ao garantir direitos de propriedade, incentivar a inovação e distribuir o poder político, com um resultado histórico que gera crescimento sustentável de longo prazo. Direitos amplos, garantia da propriedade privada com segurança jurídica e regulação clara também contribuem para a construção de um ambiente favorável aos investimentos, o que não tem ligação com fatores geográficos e culturais. A educação, a qualificação e o preparo do trabalhador afetam diretamente a sua produtividade.

Já as nações enquadradas como extrativistas concentram a riqueza nas mãos de poucas elites e barram o desenvolvimento. Embora a questão das instituições seja parte das regras do jogo, ela é também determinante para o desenvolvimento de um país. O modelo que os economistas classificam como extrativista não estimula o trabalhador, o que afeta de maneira decisiva a sua produtividade. Ele não tem incentivo para se educar ou investir na sua qualificação técnica, o que o impede de enxergar oportunidades, se preocupar em inovar ou empreender. Além disso, não existe a perspectiva e a garantia de que será recompensado e se apropriará dos resultados do seu esforço, já que o investimento produtivo é muito baixo, com falta de capital físico, o que compromete a produtividade.

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O livro compara o sucesso de países como os Estados Unidos com a economia de nações da América Latina, África e Ásia, explicando como essas características institucionais e políticas são cruciais para o êxito ou o fracasso. No caso da América Latina, o modelo colonial de dominação e exploração gerou instituições extrativistas que concentram renda e travam a produtividade moderna.

Produtividade travada: fatores históricos que explicam o atraso do Brasil

E o Brasil?

O país ainda sofre com as sequelas desse modelo. O latifúndio colonial limitou o acesso à propriedade para a maioria da população, enquanto a escravidão prolongada atrasou a criação de um mercado consumidor livre e qualificado.

Marcel Solimeo, economista-chefe do Instituto de Economia Gastão Vidigal da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), alerta que a educação e, especialmente, a qualificação dos trabalhadores ainda não são efetivas. “Existem cursos de qualificação profissional em várias entidades empresariais, escolas e institutos de formação técnica, mas o problema vem da educação básica, ainda muito deficiente e que continua produzindo um grande número de analfabetos funcionais”, diz.

O economista afirma ainda que “a falta de cultura geral e o pouco interesse de alguns setores do empresariado pela educação e pelo investimento na qualificação do trabalhador agravam o problema.”

Determinismo histórico

Historicamente, a estrutura econômica brasileira priorizou a extração de recursos de baixo valor agregado para exportação. Esses fatores afetam diretamente a produtividade do trabalhador, que recebe menos e tem menor acesso à infraestrutura e à tecnologia de ponta.

Países dominados por dinâmicas extrativistas entram em ciclos de estagnação, pobreza e disputas pelo controle do Estado. Nesse contexto, fica claro que atribuir a baixa produtividade à cultura do povo desvia o foco dos problemas reais e das falhas dos sistemas econômicos, ignorando as profundas diferenças entre modelos inclusivos e exploradores.

Para Ulisses Ruiz de Gamboa, economista do Instituto de Economia Gastão Vidigal da ACSP e professor de História Econômica do Insper, trata-se de um problema crônico: “Ao longo de toda a sua história, o Brasil sofreu com essas instituições extrativistas que, infelizmente, se mantêm vivas, independentemente da linha ideológica dos sucessivos governos. Nem a ascensão de governos declaradamente progressistas foi capaz de promover mudanças“.

O professor acrescenta que, além do problema da baixa qualificação do trabalhador, o Estado muitas vezes protege interesses corporativos específicos em vez de garantir a livre concorrência, criando um ambiente de negócios que penaliza o empreendedorismo em massa, dificulta ganhos de eficiência e desincentiva os ganhos de produtividade do trabalhador.”

O mapa da baixa produtividade

A colonização estabeleceu bases estruturais que moldaram o destino econômico e social de continentes inteiros. A África teve fronteiras desenhadas arbitrariamente pelas potências europeias na Conferência de Berlim, o que fragmentou etnias, alimentou conflitos civis duradouros e estruturou economias baseadas na exportação de commodities primitivas.

A Ásia sofreu com a exploração comercial agressiva e a imposição de tratados desiguais, sendo que a desestruturação de impérios locais abriu caminho para instabilidades políticas prolongadas no século XX.

Na América Latina, o foco na extração de recursos e na monocultura para exportação deixou um legado de extrema desigualdade social, concentração de terras e dependência externa.

A Divergência Coreana

Em “Por que as Nações Fracassam”, os autores mostram o contraste entre as duas Coreias: a do Norte (comunista) e a do Sul (capitalista). O capítulo ilustra como as instituições e os modelos econômicos superam o determinismo geográfico.

A Coreia do Sul adotou o capitalismo de Estado, investiu massivamente em educação de base e promoveu indústrias voltadas à exportação – os chamados chaebols (conglomerados empresariais familiares) -, transformando-se em uma potência tecnológica global.

Por outro lado, a Coreia do Norte seguiu o modelo de economia planejada e fechada do sistema comunista (Juche), priorizando o setor militar e sofrendo com o isolamento internacional, a estagnação econômica e as crises de abastecimento.

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A retomada de Singapura e da China

A ascensão do Sudeste Asiático e da China redefiniu o equilíbrio de poder econômico mundial por meio do pragmatismo estratégico. Singapura transformou-se de uma ilha portuária vulnerável e sem recursos naturais em um centro financeiro global, com um sucesso baseado em forte controle estatal, combate rigoroso à corrupção, abertura ao capital estrangeiro e foco absoluto em logística e educação.

A China recuperou-se de um século de submissão colonial, conflitos e graves convulsões internas. Sob o governo comunista a partir de 1949, passou por grandes dificuldades econômicas decorrentes das tentativas de Mao Tsetung – como o plano “O Grande Salto Adiante”. Foi com as reformas de abertura econômica iniciadas em 1978 que conseguiu combinar o controle político do Partido Comunista com zonas econômicas especiais de livre mercado, tornando-se uma potência militar e industrial e a segunda maior economia do mundo.

Defasagem

No Brasil, a imensa defasagem no ensino básico e técnico, que reduz a capacidade de inovação e a eficiência nas funções, representa um grande desafio. A infraestrutura insuficiente e pouco eficiente, associada ao chamado “Custo Brasil”, constitui outro fator determinante: logísticas precárias e transportes deficientes geram perdas diárias de tempo e recursos. A baixa incorporação de equipamentos modernos nas empresas também deprime o rendimento por hora trabalhada, ao passo que falhas na gestão de processos produtivos e a baixa valorização do capital humano prejudicam o desempenho geral.

Reformas

As reformas estruturais voltadas à produtividade no Brasil estão no radar dos especialistas. É cada vez mais urgente iniciar mudanças profundas capazes de retirar o país da armadilha da baixa produtividade e conduzi-lo a um modelo econômico inclusivo, o que exige a remoção de privilégios corporativistas e a valorização do potencial da força de trabalho. A produtividade do trabalhador brasileiro segue estagnada desde 1950, acumulando avanço de apenas 0,4% em 2025 e desaceleração contínua em 2026. Esse cenário reflete o peso do ecossistema estrutural e da burocracia, distanciando o país da média global de produtividade no trabalho.

Radiografia da Estagnação Produtiva

A eficiência do trabalho no Brasil patina em meio a desajustes setoriais e à reversão de ganhos pontuais do passado. Dados do Observatório da Produtividade Regis Bonelli, gerido pelo FGV-IBRE, mostram que o salto temporário de produtividade registrado em 2020, devido à pandemia, foi totalmente revertido, retornando à trajetória de queda iniciada em 2017.

Após alta de 2,3% em 2023, impulsionada pela agropecuária, o indicador avançou apenas 0,1% em 2024 e fechou 2025 com alta modesta de 0,4%. O setor de serviços, que concentra a maior parte da mão de obra, mantém ganhos de produtividade próximos a zero, na casa de 0,2% ao ano.

Para a Virada Estrutural

A reversão desse quadro depende de reformas profundas, divididas em quatro frentes prioritárias:

– Consolidação e Simplificação Tributária: Fim do Custo Brasil, redução da burocracia fiscal e estímulo direto ao investimento produtivo em inovação, superando o planejamento tributário defensivo.

– Reforma Educacional e Técnica: Alinhamento curricular voltado para ciências, engenharia e ensino técnico, além de requalificação contínua de adultos frente à automação.

– Modernização Administrativa: Corte de privilégios e supersalários no funcionalismo, atrelando a máquina pública à meritocracia e à entrega de serviços eficientes.

– Abertura Comercial e Infraestrutura: Redução de barreiras tarifárias para elevar a competitividade externa e ampliação de concessões em portos, ferrovias e saneamento por meio de segurança jurídica.

Em um momento em que as atenções se voltam para as eleições de outubro, existe a expectativa de que surja um projeto inovador para a próxima gestão. Nesse sentido, refletir sobre a baixa produtividade do trabalhador brasileiro é fundamental para confrontar os resquícios de um passado extrativista que continua a limitar o desenvolvimento nacional.

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  • Artigo publicado no Diário do Comércio – Conteúdo
  • Foto destaque: Reprodução / Redes Sociais
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