Coluna / Bloco de Notas
Coluna / Bloco de Notas – 1ª Edição de Junho
OPINIÃO

Por Paulo Borges
Ampliação da UBS de Jardim Camburi
O bairro cresceu, a população aumentou e a Unidade Básica de Saúde de Jardim Camburi ficou do mesmo tamanho. A necessidade da ampliação se faz urgente e isso é assunto que pelo tempo virou café requentado. Mas, desta vez a obra deve sair, pois tem projeto, dinheiro e vontade política.
Durante o governo municipal anterior tinha projeto, dinheiro e má vontade. Teve promessa, principalmente em ano eleitoral. Foram oito anos e nada aconteceu.
Recentemente teve uma audiência pública promovida pelo vereador André Moreira (Psol) para discutir com a comunidade do bairro a saúde. Os pessimistas já apelidaram a ampliação de puxadinho. Na verdade, é injusto o epíteto, até porque o tamanho da obra – se tiver um apelido – seria puxadão.
Fato é que o atual prefeito (Pazolini) vai fazer alguma coisa para dar início a uma solução que por muito tempo ficou sem solução.
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Solução lunática
Durante a audiência pública para discutir a saúde do Jardim Camburi, uma solução chamou a atenção dos presentes. Não veio de Marte, mas de um morador que sugeriu uma ação radical para solucionar o problema da ampliação da Unidade Básica de Saúde do bairro. Derrubá-la e construir outra no mesmo lugar, porém, ocupando parte da rua ao lado e indo em direção a quadra esportiva da Praça Mário Elias da Silva, afinal, para o morador, Jardim Camburi tem muitas quadras e ainda tem a praia.
Durante o tempo de construção da nova unidade como ficaria o atendimento das pessoas que precisassem de uma consulta? A resposta foi um ensurdecedor silêncio. Dizem as Línguas de Matiiiiildes que a resposta não veio por problema na comunicação com Marte.
Cuco! Cuco!

Tem gente acertando seu relógio pelo pouso e decolagem de um avião cargueiro que decola todos os dias, às 23:20 e pousa no dia seguinte às cinco horas. O sinal é o ensurdecedor barulho de suas turbinas. Essas aeronaves de transporte de encomendas são autorizadas a voarem somente de madrugada, pois usam aeronaves Boeing 727, antigos que quando construídas não tinham a tecnologia de redução do ruído de suas potentes turbinas.
Aquecimento para o jogo
Os pré-candidatos que almejam disputar as eleições municipais do próximo ano já estão se acotovelando para ocuparem seu espaço. Quem já tem mandato não dá trela, mas os mortais querem também um lugar no paraíso.

Bairros da capital capixaba como Jardim Camburi, que dizem ser o mais populoso do Estado do Espírito Santo, a disputa já está se tornando evidente. Uns têm serviço para mostrar, outros dizem ter e ainda tem os que aproveitam o caminhão passando e pulam na carroceria.
Essas eleições prometem!
Brasil!

Inicialmente, o nome dado pelos indígenas que aqui habitavam era Pindorama; depois do descobrimento foi chamado de Ilha de Vera Cruz (1500), Terra Nova (1501), Terra dos Papagaios (1501), Terra de Vera Cruz (1503), Terra de Santa Cruz (1503), Terra Santa Cruz do Brasil (1505), Terra do Brasil (1505), e, atualmente, de Terra da Esculhambação.
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Pode Isso, Arnaldo?!

Caos institucionalizado

Em São Mateus, município no Norte do Estado, tem um prefeito de nome Daniel Santana (sem partido e sem vergonha) que foi pego pela Polícia Federal com a boca na botija saqueando o município. Todas as provas foram coletas e apresentadas à “justiça”. Ele foi afastado e preso por pouco tempo e retornou ao cargo como se nada tivesse acontecido. Está no seu segundo mandato, continua destruindo o que resta da cidade e ainda conta com a omissão de autoridades e entidades de lá e de cá. O Brasil é um país que até “o passado é incerto”…
Mas, o certo para a população mateense é que o pior da política local está no comando de um dos mais importantes municípios do Estado e que um dia, a cidade de São Mateus foi uma das 10 mais importantes do País. São quase 500 anos de História.
Ocupação na Praça

Não é só o MST que ocupa área. Tem também o MSR (Movimento dos Sobre Rodas) que ocupam locais públicos de maneira irregular no entorno de praças durante todo o tempo, mesmo fora do período autorizado para funcionarem. São os treylers que estacionam e lá ficam impedindo de moradores e outras pessoas que precisam estacionar seus veículos e as vagas, que ficam “eternamente” ocupadas. A Praça Mário Elias da Silva, em Jardim Camburi, é exemplo disso. Os olhos da fiscalização estão vedados. Moradores enxergam, os fiscais não.
Calote, o caloteiro, o irresponsável e quem vai pagar.
Maduro e Lula, de maquininha nas mãos tentam achar o tamanho da dívida da Venezuela com o Brasil, quando a carteira dos brasileiros foi estuprada… O débito já está em R$ 1,27 bilhão.
A origem desse valor está em projetos de infraestrutura realizados via BNDES. Quem paga essa conta? O contribuinte com seus impostos, uma vez que os fundos que garantem a dívida estão vazios.
Cara-de-pau
O presidente Lula indicou o seu amigo e advogado dele e de toda a sua família para ocupar a vaga deixada pelo outro aliado (Lewandovsk) no STF. Trata-se do Zanin. Em breve haverá outra e o Benedito (Missão dada missão cumprida está na fila). A sabatina no Senado é apenas uma formalidade, um chá das cinco.
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Resumo
• Vitória terá 21 cadeias a serem disputadas na próxima eleição. Hoje são 15. O salário para a próxima legislatura foi aumentado, mas o prefeito vetou. Cutucou o vespeiro e o salseiro se instalou. Não existe ilegalidade no reajuste. Pode-se discutir o percentual, mas o prefeito passou a régua. Acredita-se que o veto será derrubado em plenário pelos vereadores. Acredita-se pelos contras e pelos que foram a favor…
• O Coronel Ramalho, nosso eficiente secretário de Estado da Segurança Pública está num mato sem cachorro. Não sabe se sai candidato a prefeito de Vitória ou de Vila Velha. No cenário político e de aliado do governador, é tipo: se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.
• Deputados federais reclamam de postura da gestão de Lula e prometem dificultar relação caso o presidente não melhore o diálogo. O Brasil segue na corda bamba. O governo toca e o povo “dança”!
• Pelo número de habitantes que têm, o bairro Jardim Camburi precisa da construção de, pelo menos, mais duas unidades básicas de saúde. O problema é área para que possa a ser pensada nessa possibilidade.
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Você Sabia?
Que a origem das feiras-livres ainda é meio nebulosa nas grandes cidades? Alguns especialistas da História afirmam que em 500 a.C. já se realizava essa atividade no Oriente Médio e outros, porém, não menos estudiosos, dizem que essas atividades surgiram na Idade Média relacionadas às festividades religiosas.

É certo que, durante séculos, a religião andou de braços dados com o comércio, uma vez que a palavra “feria” (latim) significa “dia santo” ou “feriado”. As pessoas se reuniam em lugares públicos a fim de venderem seus produtos artesanais e, a partir desse incremento, o poder público interveio a fim de disciplinar, fiscalizar e – claro – cobrar impostos.
No Brasil, durante o período colonial, com a comercialização dos produtos externos que eram trazidos pelos navios, bem como de produtos internos, começaram a surgir essas exposições de produtos em locais ao ar livre. Além de vender, eram locais de socialização.
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Galeria / Destaques
Fotos:
01 – Vinicius Júnior / Craque do Real Madrid
02 – Marcelo Santos / Presidente da Assembleia legislativa
03 – Carla Marques / Escritora – Professora
04 – Cano / “Ex-goleador” do Flu, não faz gol faz tempo

Foto o1
Foto 02

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OPINIÃO
Produtividade travada: fatores históricos que explicam o atraso do Brasil
A baixa produtividade do trabalhador brasileiro tem origem no modelo extrativista da economia que vem do colonialismo e, em muitos aspectos, permanece em vigor, mesmo tendo à frente governos liberais ou progressistas
Por Arthur Gebara Júnior*
A produtividade do trabalhador brasileiro é considerada baixa quando comparada à de países desenvolvidos e de algumas nações em desenvolvimento. O Brasil ocupa a 94ª posição no ranking global de produtividade da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ficando atrás até mesmo de vizinhos latino-americanos com graves dificuldades estruturais.
Na América Latina, por exemplo, o Brasil perde para o Uruguai, o Chile, a Argentina e Cuba – país que lida há décadas com um embargo econômico e fortes limitações sob um governo centralizado. No ranking global de produtividade por hora trabalhada, que avalia 184 países, o Brasil registra uma geração média de riqueza de US$ 21,2 por hora. No contexto regional, o Uruguai lidera com US$ 38, seguido por Chile (US$ 34,4), Argentina (US$ 33,8) e Cuba (US$ 22,6).
O indicador é calculado pela OIT ao dividir o Produto Interno Bruto (PIB) em dólares pelo total de horas trabalhadas da população ativa. Os líderes mundiais em produtividade são a Irlanda (US$ 164,7), Luxemburgo (US$ 159), Noruega (US$ 125,6) e Cingapura (US$ 100,4). Em relação aos Estados Unidos, onde o trabalhador gera US$ 81 por hora, o rendimento brasileiro representa apenas cerca de 26% da riqueza produzida por um americano.
A pesquisa da OIT (com dados do primeiro trimestre de 2026) também aborda a jornada semanal. O brasileiro trabalha, em média, 38,9 horas por semana, índice inferior ao de 97 países, incluindo nações como a China (46,1 horas), Índia (45,7 horas) e o México (42,2 horas). A possível aprovação da jornada 6×1, em andamento no Congresso Nacional, por exemplo, deve aumentar o custo para o empregador e para o consumidor, sem alterar a produtividade.
Mas, afinal, o que trava a produtividade? Por que o país permanece estagnado nesse patamar há décadas? Trata-se de uma questão complexa, na qual fatores históricos e estruturais exercem um papel decisivo.
Para ajudar a entender a baixa performance do trabalhador brasileiro, é possível recorrer ao chamado “mito da preguiça tropical”: ideias racistas e deterministas do século XIX, herdadas do período colonial, tentavam culpar o clima ou a etnia pelo atraso econômico. No entanto, a história econômica desmente esses mitos ao demonstrar a alta intensidade de esforço físico imposta aos trabalhadores sob regimes de exploração e escravidão.
Instituições determinantes
Daron Acemoglu é professor de economia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e James A. Robinson, professor de ciência política da Universidade de Chicago. Os dois receberam o Prêmio Nobel de Economia pelo conjunto de suas pesquisas acadêmicas fundamentais sobre como as instituições sociais e políticas afetam a prosperidade dos países, que servem de base para a tese apresentada na obra “Por que as Nações Fracassam”. Este livro destaca como as justificativas geográficas e culturais para decretar a riqueza ou a pobreza de um país não convencem. Os dois especialistas afirmam que o desenho de suas instituições é determinante.
Para uma análise mais precisa, eles classificaram os países em duas categorias. Os de economias inclusivas, que promovem a prosperidade ao garantir direitos de propriedade, incentivar a inovação e distribuir o poder político, com um resultado histórico que gera crescimento sustentável de longo prazo. Direitos amplos, garantia da propriedade privada com segurança jurídica e regulação clara também contribuem para a construção de um ambiente favorável aos investimentos, o que não tem ligação com fatores geográficos e culturais. A educação, a qualificação e o preparo do trabalhador afetam diretamente a sua produtividade.
Já as nações enquadradas como extrativistas concentram a riqueza nas mãos de poucas elites e barram o desenvolvimento. Embora a questão das instituições seja parte das regras do jogo, ela é também determinante para o desenvolvimento de um país. O modelo que os economistas classificam como extrativista não estimula o trabalhador, o que afeta de maneira decisiva a sua produtividade. Ele não tem incentivo para se educar ou investir na sua qualificação técnica, o que o impede de enxergar oportunidades, se preocupar em inovar ou empreender. Além disso, não existe a perspectiva e a garantia de que será recompensado e se apropriará dos resultados do seu esforço, já que o investimento produtivo é muito baixo, com falta de capital físico, o que compromete a produtividade.
O livro compara o sucesso de países como os Estados Unidos com a economia de nações da América Latina, África e Ásia, explicando como essas características institucionais e políticas são cruciais para o êxito ou o fracasso. No caso da América Latina, o modelo colonial de dominação e exploração gerou instituições extrativistas que concentram renda e travam a produtividade moderna.

E o Brasil?
O país ainda sofre com as sequelas desse modelo. O latifúndio colonial limitou o acesso à propriedade para a maioria da população, enquanto a escravidão prolongada atrasou a criação de um mercado consumidor livre e qualificado.
Marcel Solimeo, economista-chefe do Instituto de Economia Gastão Vidigal da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), alerta que a educação e, especialmente, a qualificação dos trabalhadores ainda não são efetivas. “Existem cursos de qualificação profissional em várias entidades empresariais, escolas e institutos de formação técnica, mas o problema vem da educação básica, ainda muito deficiente e que continua produzindo um grande número de analfabetos funcionais”, diz.
O economista afirma ainda que “a falta de cultura geral e o pouco interesse de alguns setores do empresariado pela educação e pelo investimento na qualificação do trabalhador agravam o problema.”
Determinismo histórico
Historicamente, a estrutura econômica brasileira priorizou a extração de recursos de baixo valor agregado para exportação. Esses fatores afetam diretamente a produtividade do trabalhador, que recebe menos e tem menor acesso à infraestrutura e à tecnologia de ponta.
Países dominados por dinâmicas extrativistas entram em ciclos de estagnação, pobreza e disputas pelo controle do Estado. Nesse contexto, fica claro que atribuir a baixa produtividade à cultura do povo desvia o foco dos problemas reais e das falhas dos sistemas econômicos, ignorando as profundas diferenças entre modelos inclusivos e exploradores.
Para Ulisses Ruiz de Gamboa, economista do Instituto de Economia Gastão Vidigal da ACSP e professor de História Econômica do Insper, trata-se de um problema crônico: “Ao longo de toda a sua história, o Brasil sofreu com essas instituições extrativistas que, infelizmente, se mantêm vivas, independentemente da linha ideológica dos sucessivos governos. Nem a ascensão de governos declaradamente progressistas foi capaz de promover mudanças“.
O professor acrescenta que, além do problema da baixa qualificação do trabalhador, o Estado muitas vezes protege interesses corporativos específicos em vez de garantir a livre concorrência, criando um ambiente de negócios que penaliza o empreendedorismo em massa, dificulta ganhos de eficiência e desincentiva os ganhos de produtividade do trabalhador.”
O mapa da baixa produtividade
A colonização estabeleceu bases estruturais que moldaram o destino econômico e social de continentes inteiros. A África teve fronteiras desenhadas arbitrariamente pelas potências europeias na Conferência de Berlim, o que fragmentou etnias, alimentou conflitos civis duradouros e estruturou economias baseadas na exportação de commodities primitivas.
A Ásia sofreu com a exploração comercial agressiva e a imposição de tratados desiguais, sendo que a desestruturação de impérios locais abriu caminho para instabilidades políticas prolongadas no século XX.
Na América Latina, o foco na extração de recursos e na monocultura para exportação deixou um legado de extrema desigualdade social, concentração de terras e dependência externa.
A Divergência Coreana
Em “Por que as Nações Fracassam”, os autores mostram o contraste entre as duas Coreias: a do Norte (comunista) e a do Sul (capitalista). O capítulo ilustra como as instituições e os modelos econômicos superam o determinismo geográfico.
A Coreia do Sul adotou o capitalismo de Estado, investiu massivamente em educação de base e promoveu indústrias voltadas à exportação – os chamados chaebols (conglomerados empresariais familiares) -, transformando-se em uma potência tecnológica global.
Por outro lado, a Coreia do Norte seguiu o modelo de economia planejada e fechada do sistema comunista (Juche), priorizando o setor militar e sofrendo com o isolamento internacional, a estagnação econômica e as crises de abastecimento.
A retomada de Singapura e da China
A ascensão do Sudeste Asiático e da China redefiniu o equilíbrio de poder econômico mundial por meio do pragmatismo estratégico. Singapura transformou-se de uma ilha portuária vulnerável e sem recursos naturais em um centro financeiro global, com um sucesso baseado em forte controle estatal, combate rigoroso à corrupção, abertura ao capital estrangeiro e foco absoluto em logística e educação.
A China recuperou-se de um século de submissão colonial, conflitos e graves convulsões internas. Sob o governo comunista a partir de 1949, passou por grandes dificuldades econômicas decorrentes das tentativas de Mao Tsetung – como o plano “O Grande Salto Adiante”. Foi com as reformas de abertura econômica iniciadas em 1978 que conseguiu combinar o controle político do Partido Comunista com zonas econômicas especiais de livre mercado, tornando-se uma potência militar e industrial e a segunda maior economia do mundo.
Defasagem
No Brasil, a imensa defasagem no ensino básico e técnico, que reduz a capacidade de inovação e a eficiência nas funções, representa um grande desafio. A infraestrutura insuficiente e pouco eficiente, associada ao chamado “Custo Brasil”, constitui outro fator determinante: logísticas precárias e transportes deficientes geram perdas diárias de tempo e recursos. A baixa incorporação de equipamentos modernos nas empresas também deprime o rendimento por hora trabalhada, ao passo que falhas na gestão de processos produtivos e a baixa valorização do capital humano prejudicam o desempenho geral.
Reformas
As reformas estruturais voltadas à produtividade no Brasil estão no radar dos especialistas. É cada vez mais urgente iniciar mudanças profundas capazes de retirar o país da armadilha da baixa produtividade e conduzi-lo a um modelo econômico inclusivo, o que exige a remoção de privilégios corporativistas e a valorização do potencial da força de trabalho. A produtividade do trabalhador brasileiro segue estagnada desde 1950, acumulando avanço de apenas 0,4% em 2025 e desaceleração contínua em 2026. Esse cenário reflete o peso do ecossistema estrutural e da burocracia, distanciando o país da média global de produtividade no trabalho.
Radiografia da Estagnação Produtiva
A eficiência do trabalho no Brasil patina em meio a desajustes setoriais e à reversão de ganhos pontuais do passado. Dados do Observatório da Produtividade Regis Bonelli, gerido pelo FGV-IBRE, mostram que o salto temporário de produtividade registrado em 2020, devido à pandemia, foi totalmente revertido, retornando à trajetória de queda iniciada em 2017.
Após alta de 2,3% em 2023, impulsionada pela agropecuária, o indicador avançou apenas 0,1% em 2024 e fechou 2025 com alta modesta de 0,4%. O setor de serviços, que concentra a maior parte da mão de obra, mantém ganhos de produtividade próximos a zero, na casa de 0,2% ao ano.
Para a Virada Estrutural
A reversão desse quadro depende de reformas profundas, divididas em quatro frentes prioritárias:
– Consolidação e Simplificação Tributária: Fim do Custo Brasil, redução da burocracia fiscal e estímulo direto ao investimento produtivo em inovação, superando o planejamento tributário defensivo.
– Reforma Educacional e Técnica: Alinhamento curricular voltado para ciências, engenharia e ensino técnico, além de requalificação contínua de adultos frente à automação.
– Modernização Administrativa: Corte de privilégios e supersalários no funcionalismo, atrelando a máquina pública à meritocracia e à entrega de serviços eficientes.
– Abertura Comercial e Infraestrutura: Redução de barreiras tarifárias para elevar a competitividade externa e ampliação de concessões em portos, ferrovias e saneamento por meio de segurança jurídica.
Em um momento em que as atenções se voltam para as eleições de outubro, existe a expectativa de que surja um projeto inovador para a próxima gestão. Nesse sentido, refletir sobre a baixa produtividade do trabalhador brasileiro é fundamental para confrontar os resquícios de um passado extrativista que continua a limitar o desenvolvimento nacional.
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- Artigo publicado no Diário do Comércio – Conteúdo
- Foto destaque: Reprodução / Redes Sociais
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