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Opinião / Coluna

Bloco de Notas – 2ª edição de junho

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OPINIÃO

Por Paulo Borges

Um País que está sumindo…

O Brasil já não é mais o mesmo. O que vem ocorrendo tem levado o País para um estado de sobressaltos em vários segmentos da vida nacional. Até a liberdade de expressão, garantida na Constituição, está ofuscada pelas ações nem sempre democráticas dos poderes da República. Aliás, que República? Desde o Golpe contra a Monarquia, em 1889, não conseguimos consolidar no Brasil a República. A aristocracia, as castas privilegiadas continuam – desde então – sendo donas do País e do Poder. Abaixo, todos os cidadãos comuns contribuem pagando pesados impostos para manter todos esses privilégios que “eles” têm e não conseguimos tê-los.

Dizem que o Brasil foi feito para dar errado. Dando errado para a população dá certo para os donos do poder, até para os emergentes alçados a ele, mesmo não tendo méritos para isso. E nem votos…

O Brasil, não é o Brasil que todos queremos “ainda” construir.

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Mixaria constitucional

O recente aumento dos salários dos vereadores é legítimo. Assim aconteceu em Vitória como em praticamente todas as câmaras municipais. O que a sociedade produtiva questiona é o percentual desses aumentos. Na capital capixaba chegou aos estratosféricos 97%. Um exagero que levou a dobrar o salário dos “nobres” edis vindouros. É verdade, esse aumento vai cair na conta daqueles que forem eleitos ou reeleitos para a próxima legislatura.

De qualquer maneira, os pagadores de impostos estão uma arara com seus “representantes”, aqui, ali, acolá.

Mas…

A Câmara Municipal de Vitória é uma das mais eficientes e produtivas do País. No Espírito santo, com certeza. Não tem mordomia e seus quadros funcionais não têm os privilégios que existem em outras. O salário é baixo para o exercício do mandato. Tudo bem que política não é profissão, mas tem trabalho e é justo ser remunerado por ele.

Vale destacar que o vereador é a base da estrutura política, a ele que o cidadão recorre na hora da necessidade. Está perto, está a mão. Os que moram nos bairros mais carentes vivem essa realidade. No interior então…

Deputados estaduais

Alguma coisa mudou na atual composição da Assembleia Legislativa do Espírito Santo. Hoje existe uma oposição articulada e vai longe o tempo em que os parlamentares eram tidos como offices boys de luxo do Executivo estadual. Trinta cordeiros (ou vaquinha de presépio), o que não é a realidade atual.

No interior acontecem coisas que a capital desconhece

A Câmara de Vereadores de São Mateus é uma das mais antigas do Brasil. Já foi palco de embates históricos, principalmente na época da Independência do Brasil, quando ela se reuniu para avaliar e decidir se apoiava o Grito do Ipiranga. Tanto que o Dia da Independência para a Câmara Municipal de São Mateus – “oficialmente” – é 22 de janeiro. Evidentemente que isso, hoje, é apenas um fato histórico que demonstra a importância da cidade no contexto histórico-político-econômico que São Mateus foi protagonista na História brasileira. Era uma das 10 principais cidades do Brasil, Era.

Hoje a cidade está devastada pelo prefeito atual, que foi preso por corrupção e solto para retornar ao local do crime. Lá está há sete anos e foi “milagrosamente” reeleito. Nesses anos não tem uma obra, uma ação impactante que favoreça a população. Faltam recursos para os serviços básicos, mas sobram para as monumentais festas que promove no balneário de Guriri. Daniel Santana (sem partido e sem vergonha) já está organizando a próxima que vai acontecer em setembro.

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Recentemente ele e a Câmara estiveram num confronto. Ele queria autorização legislativa para celebrar um empréstimo de R$ 100 milhões junto ao Banco do Brasil. Acabou sendo aprovado, pois a sua bancada na Câmara é majoritária. Ele alegava que sem o empréstimo não seria possível fazer as ações que a população necessitava. Esse argumento não se sustenta, até porque nesses anos à frente do Executivo, só teve superávit orçamentário. A arrecadação superou os R$ 2 bilhões. Para onde foi esse dinheiro? A Polícia Federal descobriu; a “justiça” ainda está na cola dele. Para muitos, toda essa “mixaria”, o gato comeu! Esse gato tem nome…

Em tempo: o Banco do Brasil não liberou o empréstimo de R$ 100 milhões.

Tocando Pianinho

Os políticos da oposição estão sendo obrigados a uma autocensura para não melindrarem os poderes e alguns poderosos. Com espada sobre a cabeça, senadores e deputados federais de oposição têm dificuldades no exercício dos seus mandatos. A fila para a guilhotina é grande e só tem conservadores e independentes. Da situação, todos estão safos.

A democracia brasileira é surreal. A real é esboço de ditadura que aos poucos vai tomando corpo.

Conjecturas?

Andou rolando um papo que o deputado federal Da Vitória (PP) vislumbra em 2026 uma candidatura ao Palácio Anchieta. Evair de Melo, deputado como ele, do PP como ele, também tem essa pretensão. O primeiro quer que o partido permaneça aliado do governo Casagrande e o segundo sugeri o rompimento. Cada um tem lá suas razões e o PP, até onde se sabe, prefere ficar aonde está.

Com relação às futuras candidaturas, Da Vitória pode almejar disputar o Governo e Evair o Senado. Mas, o governador (PSB), pode sair para uma candidatura ao Senado e Ricardo Ferraço pode ser o seu sucessor. As eleições para esses cargos acontecem em 2026, mas os políticos plantam antes para colher depois. Dependendo das artimanhas que podem advir dessas articulações a safra pode ser próspera ou secar todas essas ações. São Conjecturas que poderão se tornar realidade? Tenhamos paciência para ver o que acontece.

Acjac é exemplo de associação de moradores

Para quem é morador de Jardim Camburi, reconhece o trabalho da sua associação comunitária. São muitas demandas levadas às autoridades em busca de soluções. Hoje existem muitos projetos elaborados, efetivados e que mostram o empenho dos seus membros e o compromisso com o bairro, seus moradores e na colaboração das soluções das demandas.

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Pode Isso, Arnaldo?!

Não. Não pode.

Os trailers permanecerem durante todo o dia estacionados na Praça Mário Elias da Silva, em Jardim Camburi. Os moradores e pessoas que necessitam usar o estacionamento naquela praça, têm as vagas reduzidas. Os bólidos ficam ali desobedecendo um acordo feito e assinado com a Prefeitura. Acabou o expediente, que se inicia às 17 horas, devem desocupar a área.

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Isso pode, Arnaldo?!

Sim. Isso pode.

Elogiar o atendimento dos funcionários do Supermercado ExtraBom aos seus clientes. Esse é um diferencial que faz a diferença.

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Você sabia?

Que a expressão popular: quem fala demais dá bom dia a cavalo significa que uma pessoa que fala muito, que não escuta os outros, que passa do limite na hora de falar, vai acabar sendo não correspondido, pois é uma conversa de mão única e assim em analogia, se dá bom dia a cavalo, pois o cavalo não a responderia.

Um pouco de cultura inútil para que você perca seu tempo lendo isso… rsrsrsr

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Resumo

  • Às eleições municipais ainda estão distantes, mas o ônibus já está circulando lotado de pré-candidatos.
  • O vereador Maurício Leite (Cidadania) foi um dos que votaram pelo aumento do salário para a próxima legislatura. Se for reeleito, vai colocar a mão nessa grana. É atuante, tem representado bem o bairro de Jardim Camburi, segundo muitos, o mais populoso do Espírito Santo. Em população pode ser, mas em área territorial, perde para Interlagos, de Linhares.
  • E por falar em Jardim Camburi, parece que está tudo calmo. Os jacarés estão sumidos, mas os pré-candidatos à vereança estão circulando…
  • Diante do que está acontecendo no Brasil, Título de Eleitor pode se tornar documento figurativo…
  • Marcos Du Val (Podemos) foi do céu ao inferno.
  • O anexo a ser construído na Unidade Básica de Saúde (UBS) Raul Oliveira Neves, em Jardim Camburi, já recebeu o nome pejorativo de puxadinho. Não será, mas a oposição ao prefeito Pazolini (Republicanos) resolveu colar o nome, nessa obra que ninguém fez e agora parece que vai ser feita.

Galeria

Lançamento do novo single de Roberto Freitas

 

O cantor gospel, Roberto Freitas lançou o seu novo single Filho Flor de Laranjeira, que, segundo ele, foi inspirada na passagem do filho pródigo. O lançamento aconteceu dia 18 deste mês de junho.

Roberto é um dos talentos capixabas, que leva mensagens – através da sua música – de fé, de esperança e de adoração ao Senhor.

Em tempo: é morador ilustre de Jardim Camburi, bairro da capital capixaba.

 

Acjac em nova sede                                                                                                                A Associação Comunitária de Jardim Camburi está em nova sede. Fica no Shopping Norte-Sul, ao lado do Ciretran.

Iberê Arruda, Arlete Pereira, Nerildo Loyola, Paulo Borges e Bruno Malias

                                     

 

 

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OPINIÃO

Produtividade travada: fatores históricos que explicam o atraso do Brasil

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A baixa produtividade do trabalhador brasileiro tem origem no modelo extrativista da economia que vem do colonialismo e, em muitos aspectos, permanece em vigor, mesmo tendo à frente governos liberais ou progressistas

Por Arthur Gebara Júnior*

A produtividade do trabalhador brasileiro é considerada baixa quando comparada à de países desenvolvidos e de algumas nações em desenvolvimento. O Brasil ocupa a 94ª posição no ranking global de produtividade da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ficando atrás até mesmo de vizinhos latino-americanos com graves dificuldades estruturais.

Na América Latina, por exemplo, o Brasil perde para o Uruguai, o Chile, a Argentina e Cuba – país que lida há décadas com um embargo econômico e fortes limitações sob um governo centralizado. No ranking global de produtividade por hora trabalhada, que avalia 184 países, o Brasil registra uma geração média de riqueza de US$ 21,2 por hora. No contexto regional, o Uruguai lidera com US$ 38, seguido por Chile (US$ 34,4), Argentina (US$ 33,8) e Cuba (US$ 22,6).

O indicador é calculado pela OIT ao dividir o Produto Interno Bruto (PIB) em dólares pelo total de horas trabalhadas da população ativa. Os líderes mundiais em produtividade são a Irlanda (US$ 164,7), Luxemburgo (US$ 159), Noruega (US$ 125,6) e Cingapura (US$ 100,4). Em relação aos Estados Unidos, onde o trabalhador gera US$ 81 por hora, o rendimento brasileiro representa apenas cerca de 26% da riqueza produzida por um americano.

A pesquisa da OIT (com dados do primeiro trimestre de 2026) também aborda a jornada semanal. O brasileiro trabalha, em média, 38,9 horas por semana, índice inferior ao de 97 países, incluindo nações como a China (46,1 horas), Índia (45,7 horas) e o México (42,2 horas). A possível aprovação da jornada 6×1, em andamento no Congresso Nacional, por exemplo, deve aumentar o custo para o empregador e para o consumidor, sem alterar a produtividade.

Mas, afinal, o que trava a produtividade? Por que o país permanece estagnado nesse patamar há décadas? Trata-se de uma questão complexa, na qual fatores históricos e estruturais exercem um papel decisivo.

Para ajudar a entender a baixa performance do trabalhador brasileiro, é possível recorrer ao chamado “mito da preguiça tropical”: ideias racistas e deterministas do século XIX, herdadas do período colonial, tentavam culpar o clima ou a etnia pelo atraso econômico. No entanto, a história econômica desmente esses mitos ao demonstrar a alta intensidade de esforço físico imposta aos trabalhadores sob regimes de exploração e escravidão.

Instituições determinantes

Daron Acemoglu é professor de economia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e James A. Robinson, professor de ciência política da Universidade de Chicago. Os dois receberam o Prêmio Nobel de Economia pelo conjunto de suas pesquisas acadêmicas fundamentais sobre como as instituições sociais e políticas afetam a prosperidade dos países, que servem de base para a tese apresentada na obra “Por que as Nações Fracassam”. Este livro destaca como as justificativas geográficas e culturais para decretar a riqueza ou a pobreza de um país não convencem. Os dois especialistas afirmam que o desenho de suas instituições é determinante.

Para uma análise mais precisa, eles classificaram os países em duas categorias. Os de economias inclusivas, que promovem a prosperidade ao garantir direitos de propriedade, incentivar a inovação e distribuir o poder político, com um resultado histórico que gera crescimento sustentável de longo prazo. Direitos amplos, garantia da propriedade privada com segurança jurídica e regulação clara também contribuem para a construção de um ambiente favorável aos investimentos, o que não tem ligação com fatores geográficos e culturais. A educação, a qualificação e o preparo do trabalhador afetam diretamente a sua produtividade.

Já as nações enquadradas como extrativistas concentram a riqueza nas mãos de poucas elites e barram o desenvolvimento. Embora a questão das instituições seja parte das regras do jogo, ela é também determinante para o desenvolvimento de um país. O modelo que os economistas classificam como extrativista não estimula o trabalhador, o que afeta de maneira decisiva a sua produtividade. Ele não tem incentivo para se educar ou investir na sua qualificação técnica, o que o impede de enxergar oportunidades, se preocupar em inovar ou empreender. Além disso, não existe a perspectiva e a garantia de que será recompensado e se apropriará dos resultados do seu esforço, já que o investimento produtivo é muito baixo, com falta de capital físico, o que compromete a produtividade.

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O livro compara o sucesso de países como os Estados Unidos com a economia de nações da América Latina, África e Ásia, explicando como essas características institucionais e políticas são cruciais para o êxito ou o fracasso. No caso da América Latina, o modelo colonial de dominação e exploração gerou instituições extrativistas que concentram renda e travam a produtividade moderna.

Produtividade travada: fatores históricos que explicam o atraso do Brasil

E o Brasil?

O país ainda sofre com as sequelas desse modelo. O latifúndio colonial limitou o acesso à propriedade para a maioria da população, enquanto a escravidão prolongada atrasou a criação de um mercado consumidor livre e qualificado.

Marcel Solimeo, economista-chefe do Instituto de Economia Gastão Vidigal da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), alerta que a educação e, especialmente, a qualificação dos trabalhadores ainda não são efetivas. “Existem cursos de qualificação profissional em várias entidades empresariais, escolas e institutos de formação técnica, mas o problema vem da educação básica, ainda muito deficiente e que continua produzindo um grande número de analfabetos funcionais”, diz.

O economista afirma ainda que “a falta de cultura geral e o pouco interesse de alguns setores do empresariado pela educação e pelo investimento na qualificação do trabalhador agravam o problema.”

Determinismo histórico

Historicamente, a estrutura econômica brasileira priorizou a extração de recursos de baixo valor agregado para exportação. Esses fatores afetam diretamente a produtividade do trabalhador, que recebe menos e tem menor acesso à infraestrutura e à tecnologia de ponta.

Países dominados por dinâmicas extrativistas entram em ciclos de estagnação, pobreza e disputas pelo controle do Estado. Nesse contexto, fica claro que atribuir a baixa produtividade à cultura do povo desvia o foco dos problemas reais e das falhas dos sistemas econômicos, ignorando as profundas diferenças entre modelos inclusivos e exploradores.

Para Ulisses Ruiz de Gamboa, economista do Instituto de Economia Gastão Vidigal da ACSP e professor de História Econômica do Insper, trata-se de um problema crônico: “Ao longo de toda a sua história, o Brasil sofreu com essas instituições extrativistas que, infelizmente, se mantêm vivas, independentemente da linha ideológica dos sucessivos governos. Nem a ascensão de governos declaradamente progressistas foi capaz de promover mudanças“.

O professor acrescenta que, além do problema da baixa qualificação do trabalhador, o Estado muitas vezes protege interesses corporativos específicos em vez de garantir a livre concorrência, criando um ambiente de negócios que penaliza o empreendedorismo em massa, dificulta ganhos de eficiência e desincentiva os ganhos de produtividade do trabalhador.”

O mapa da baixa produtividade

A colonização estabeleceu bases estruturais que moldaram o destino econômico e social de continentes inteiros. A África teve fronteiras desenhadas arbitrariamente pelas potências europeias na Conferência de Berlim, o que fragmentou etnias, alimentou conflitos civis duradouros e estruturou economias baseadas na exportação de commodities primitivas.

A Ásia sofreu com a exploração comercial agressiva e a imposição de tratados desiguais, sendo que a desestruturação de impérios locais abriu caminho para instabilidades políticas prolongadas no século XX.

Na América Latina, o foco na extração de recursos e na monocultura para exportação deixou um legado de extrema desigualdade social, concentração de terras e dependência externa.

A Divergência Coreana

Em “Por que as Nações Fracassam”, os autores mostram o contraste entre as duas Coreias: a do Norte (comunista) e a do Sul (capitalista). O capítulo ilustra como as instituições e os modelos econômicos superam o determinismo geográfico.

A Coreia do Sul adotou o capitalismo de Estado, investiu massivamente em educação de base e promoveu indústrias voltadas à exportação – os chamados chaebols (conglomerados empresariais familiares) -, transformando-se em uma potência tecnológica global.

Por outro lado, a Coreia do Norte seguiu o modelo de economia planejada e fechada do sistema comunista (Juche), priorizando o setor militar e sofrendo com o isolamento internacional, a estagnação econômica e as crises de abastecimento.

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A retomada de Singapura e da China

A ascensão do Sudeste Asiático e da China redefiniu o equilíbrio de poder econômico mundial por meio do pragmatismo estratégico. Singapura transformou-se de uma ilha portuária vulnerável e sem recursos naturais em um centro financeiro global, com um sucesso baseado em forte controle estatal, combate rigoroso à corrupção, abertura ao capital estrangeiro e foco absoluto em logística e educação.

A China recuperou-se de um século de submissão colonial, conflitos e graves convulsões internas. Sob o governo comunista a partir de 1949, passou por grandes dificuldades econômicas decorrentes das tentativas de Mao Tsetung – como o plano “O Grande Salto Adiante”. Foi com as reformas de abertura econômica iniciadas em 1978 que conseguiu combinar o controle político do Partido Comunista com zonas econômicas especiais de livre mercado, tornando-se uma potência militar e industrial e a segunda maior economia do mundo.

Defasagem

No Brasil, a imensa defasagem no ensino básico e técnico, que reduz a capacidade de inovação e a eficiência nas funções, representa um grande desafio. A infraestrutura insuficiente e pouco eficiente, associada ao chamado “Custo Brasil”, constitui outro fator determinante: logísticas precárias e transportes deficientes geram perdas diárias de tempo e recursos. A baixa incorporação de equipamentos modernos nas empresas também deprime o rendimento por hora trabalhada, ao passo que falhas na gestão de processos produtivos e a baixa valorização do capital humano prejudicam o desempenho geral.

Reformas

As reformas estruturais voltadas à produtividade no Brasil estão no radar dos especialistas. É cada vez mais urgente iniciar mudanças profundas capazes de retirar o país da armadilha da baixa produtividade e conduzi-lo a um modelo econômico inclusivo, o que exige a remoção de privilégios corporativistas e a valorização do potencial da força de trabalho. A produtividade do trabalhador brasileiro segue estagnada desde 1950, acumulando avanço de apenas 0,4% em 2025 e desaceleração contínua em 2026. Esse cenário reflete o peso do ecossistema estrutural e da burocracia, distanciando o país da média global de produtividade no trabalho.

Radiografia da Estagnação Produtiva

A eficiência do trabalho no Brasil patina em meio a desajustes setoriais e à reversão de ganhos pontuais do passado. Dados do Observatório da Produtividade Regis Bonelli, gerido pelo FGV-IBRE, mostram que o salto temporário de produtividade registrado em 2020, devido à pandemia, foi totalmente revertido, retornando à trajetória de queda iniciada em 2017.

Após alta de 2,3% em 2023, impulsionada pela agropecuária, o indicador avançou apenas 0,1% em 2024 e fechou 2025 com alta modesta de 0,4%. O setor de serviços, que concentra a maior parte da mão de obra, mantém ganhos de produtividade próximos a zero, na casa de 0,2% ao ano.

Para a Virada Estrutural

A reversão desse quadro depende de reformas profundas, divididas em quatro frentes prioritárias:

– Consolidação e Simplificação Tributária: Fim do Custo Brasil, redução da burocracia fiscal e estímulo direto ao investimento produtivo em inovação, superando o planejamento tributário defensivo.

– Reforma Educacional e Técnica: Alinhamento curricular voltado para ciências, engenharia e ensino técnico, além de requalificação contínua de adultos frente à automação.

– Modernização Administrativa: Corte de privilégios e supersalários no funcionalismo, atrelando a máquina pública à meritocracia e à entrega de serviços eficientes.

– Abertura Comercial e Infraestrutura: Redução de barreiras tarifárias para elevar a competitividade externa e ampliação de concessões em portos, ferrovias e saneamento por meio de segurança jurídica.

Em um momento em que as atenções se voltam para as eleições de outubro, existe a expectativa de que surja um projeto inovador para a próxima gestão. Nesse sentido, refletir sobre a baixa produtividade do trabalhador brasileiro é fundamental para confrontar os resquícios de um passado extrativista que continua a limitar o desenvolvimento nacional.

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  • Artigo publicado no Diário do Comércio – Conteúdo
  • Foto destaque: Reprodução / Redes Sociais
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