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Coluna / Bloco de Notas

Bloco de Notas – 1ª edição de setembro

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OPINIÃO

Por Paulo Borges

Corrida ao emprego ou à representatividade?

O período eleitoral brasileiro, além das amarras da lei, é a oportunidade para que muitos disputem um emprego. Uns para segurar o que já tem e outros para ocupar a vaga que surge. Quase todos representando a si próprio.

Quando falo isso, me baseio na falta de representatividade do eleito. Nem sempre por culpa do eleito, mas pelo que impõe um sistema eleitoral fajuto que admite uma dezena de partidos que nada significa, exceto para seus donos terem poder de barganha e conquistarem um lugar ao sol e dele se aproveitarem.

A reforma política tão necessária e decantada por todos não vem porque esse desejo é só conversa fiada. Ninguém larga o filé; o osso fica para nós, população.

Vale ressaltar que, apesar de tudo esse labirinto, existem bons políticos e conheço vários. Infelizmente a cacicada manda e desmanda e mama.

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Original e o genérico

Nessa disputa à prefeitura tem muito candidato original, mas o que tem de genérico é uma grandeza. Tem aqui, em Vitória, pelo interior do nosso Estado e, com muita lábia e conversinha de travestido de gente boa, acabam – os genéricos – se elegendo. E pior, por mais que aumente a dose, não vão curar as doenças dos municípios e de seus cidadãos.

Inadimplente

A dívida bruta do governo do presidente Lula (PT), está batendo os R$ 8,8 trilhões. O Orçamento da União gira em torno de R$ 5,5 trilhões e metade disso é para pagar dívidas e juros. Já incluso as despesas da Janja com vestuário, bolsas de grife, perfumaria, penduricalhos e passeios pelo mundo.

Para saldar tanta gastança a saída é aumentar e criar novos impostos para nós, que trabalhamos, produzimos, pagarmos.

Eleições

Em Vitória, com o crescimento do Luiz Paulo (PSDB), haverá (sic), segundo turno. O prefeito Pazolini (Republicanos) liderada todas as pesquisas de opinião.

Em Santa Leopoldina, Fernando Rocha (PDT), Romero Endringer (Podemos) e Genivaldo Potratz (PL) disputam a prefeitura. Mas a disputa fica mesmo entre Fernando e Romero (reeleição). Acredito que Fernando Rocha está tendo mais visibilidade com o uso das redes sociais.

Em Santa Teresa, acredita-se que o atual prefeito Kleber Medici (PSDB) se reelege. Os outros dois, Bruno Araújo (PL) e Claumir Zamprogno (PSB) disputam, mas não levam.

Em Linhares, Bruno Marianelli (Republicanos) tenta a reeleição, mas as pesquisas apontam o deputado estadual Lucas Scaramussa (Podemos) já liderando o pleito. Quanto ao candidato do PL, Maurinho Rossoni, parece não ter muita chance de alcançar os líderes. O PT, que no início tinha o Zé Carlos (ex-prefeito), depois o Galego e agora Zé Carlos novamente e nesse momento sabe-se lá quem, não tem nenhuma possibilidade de se eleger. O município de Linhares a direita é forte, mas o seu maior representante ainda carece de maior visibilidade. Não é só isso. Bruno, cria de Guerino Zanon, e Lucas (que foi também no início da vida pública), se destacam mais junto ao eleitorado conservador do município que mais cresce no Espírito Santo.

Em Pedro Canário, o prefeito mais bem avaliado, Bruno Araújo (Republicanos), faz o sucessor com os pés nas costas. Kleilson Rezende (PSB), nascido em Paracambi (RJ) tem 44 anos, é produtor agropecuário com superior completo e tem mais de 70% do eleitorado canarense. Ele é o vice do atual prefeito e tem à prefeitura logo ali. Deve se eleger sob as graças de Bruno Araújo que tem a aprovação dos seus dois mandatos em benefício do seu município.

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Em São Mateus, o radialista e ex-deputado Carlinhos Lyrio (Republicanos) lidera todas as pesquisas que se conhece, após a inelegibilidade do ex-prefeito Amadeu Boroto (MDB). Marcos da Cozivip (Podemos) disputa a sua primeira eleição e segue no segundo lugar. Os outros três candidatos (Nilis-PL; Zenilza-PT e Henrique Follador-PDT), são coadjuvantes.

Em Conceição da Barra Mateusinho do Povão (Podemos), Toninho de Deus (União), Erivan Tavares (PSB), Edmundo Norberto (PT), Geralda Professora (Psol), Manoel Pé de Boi ((Republicanos), Tarquínio de Medeiros (PL) e Noel Bikes (PRTB). Disputam o pleito eleitoral. Mateusinho, que vem para a reeleição, teve indeferida pelo TER a sua eleição, mas recorreu e se diz ainda candidato. Ao que parece Mateusinho, Erivan e Toninho de Deus são os mais fortes candidatos. Manoel Pé de Boi foi prefeito e agora vem para a disputa, mas os entendidos de eleição barrense, dizem que não é mais o mesmo que um dia foi chefe do Executivo de Conceição da Barra. Em seis de outubro saberemos.

Em Marechal Floriano, a disputa é entre cinco candidatos a prefeito do município. Os nomes são: Diony Stein (Podemos), Felipe Del Pupo (MDB), Lidiney Gobbi (PP), Maylson Littig (PDT) e Reginaldo Penha (PT). Quem ganha? Em seis de outubro dou a resposta.

Em Rio Bananal, disputam as eleições Bruno Pella (Podemos), Edimilson Eliziário (MDB), Jonacir Patrocínio (PL) e Judaci Bolsoni (PSB).  Lamento, mas não faço ideia de quem vence essa peleja.

O Espírito santo tem quase três milhões de eleitores. Tem voto para todo mundo, basta garimpá-los.

Atendimento de qualidade

A Saúde em Vitória tem seus problemas, mas é considerada muito boa. A Unidade Básica de Saúde de jardim Camburi é exemplo de bom atendimento, bons profissionais e boa gestão. A diretora Vivian Kecy e seus comandados são bem avaliados e têm o reconhecimento de quem procura e necessita dos serviços médicos daquela unidade.

Gatinha

O deputado estadual José Esmeraldo (PDT) acusou o prefeito de Santa Maria de Jetibá, Hilário Roepke Gatinha (PSB), de irresponsável pelo fato de ter adquirido uma enorme quantidade de Paviese e não fez nenhum metro de calçamento.

Deputado José Esmeraldo

O material está abandonado, num claro desperdício do dinheiro público. Como não há zelo da municipalidade e Gatinha não mia, as pessoas estão pegando os blocos de paviese e levando para calçarem suas propriedades.

O engenheiro e deputado José Esmeraldo, costuma visitar vários municípios e por onde passa abre bem os olhos para vê e saber o que de bom e de ruim acontece. Aonde tem sacanagem ele passa o rodo, sem dó e piedade.

O parlamentar disse não entender como a população de Santa Maria de Jetibá pode votar nesse tipo de político.

 

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Pode Isso, Arnaldo?!

Não. Não pode.

Continuarmos acreditando que vivemos numa democracia plena, enquanto adversários são censurados, veículos de viés conservador perseguidos e um governo que não tem propósito para fazer o Brasil avançar.

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Resumão

Prestígio – O governador Renato Casagrande (PSB) tem aprovação da sua gestão, em praticamente todo o Estado do Espírito Santo. É o reconhecimento a um governo que tem feito muitas entregas. /// Reconhecimento – Os vereadores de Santa Teresa têm demonstrado que podem apresentar relevantes serviços prestados aos munícipes. É uma Câmara muito atuante, propositiva, sem baixaria, um exemplo para muitas do nosso Estado. Acredito que seja uma questão de cultura. /// Vitória – A Câmara Municipal de Vitória também está nesse rol de boa gestão e de vereadores atuantes. Leandro Piquet (PP) se destaca como um verdadeiro presidente democrático. Em tempo: não vem para a reeleição. /// São Mateus – O atual prefeito do município, o devastador Daniel Santana (sem partido e sem noção) tem como grande realização nesses quase oito anos de governo, a destruição da cidade de São Mateus. É o que tem para apresentar. E ainda tem no Legislativo seis, de onze vereadores, que avalizam o seu caótico e corrupto governo. /// Os caras – Lula, um presidente inoperante; Alexandre de Moraes, um ministro operante demais… /// Escolhas – O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) fez um bom governo em vários segmentos devido as boas escolhas que fez para os ministérios. Os melhores exemplos: Teresa Cristina (Agricultura) e Tarcísio de Freitas (Infraestrutura). Por outro lado, o atual governo do PT só fez escolhas “pouco republicanas”. A última foi a deputada Macaé Evaristo, em substituição ao Silvio Almeida, nos Direitos Humanos (dos manos). Responde a 13 processos. /// “Terrorista” – O Pablo Marçal (PRTB) virou o terror da direita e da esquerda. Por isso, pode virar prefeito de São Paulo. /// Plim-Plim – Mais uma putaria na tela. A Globo lançou a novela “Mania de Você”. Mania de estar veiculando valores que são dispensáveis e que não edificam em nada. Só deseduca. /// Outra mania – O brasileiro precisa acabar com essa mentalidade de achar que o estado tem que defendê-lo. /// Desistência – O vereador de Santa Leopoldina, Jefferson Rodrigues (PSB), conhecido por Jefinho, teve a sua candidatura à reeleição indeferida. Nem quis entrar com recursos junto ao TRE e até mesmo no STF, para tentar reverter essa situação. É um parlamentar atuante e tem novos projetos a serem colocados em prática. Um é assumir uma secretaria municipal; outra um cargo no governo do Estado e o terceiro preparar uma futura “suposta” candidatura a deputado estadual em 2026. A quarta não disse, mas tem o sonho de vir a ser prefeito, em2028, de Santa Leopoldina. /// Me engana que eu gosto – Toda pesquisa em que o candidato contrata e paga, o coloca, se ele pedir, na liderança da disputa eleitoral. Os dados verdadeiros ele guarda para ele, mas os falsos ele, supostamente, divulga. /// Não pode – Jornalista que defende a censura é canalha. /// Volta – Na segunda quinzena deste mês de setembro voltaremos com a nossa 2ª edição desta coluna. Fui!.

 

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OPINIÃO

Produtividade travada: fatores históricos que explicam o atraso do Brasil

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A baixa produtividade do trabalhador brasileiro tem origem no modelo extrativista da economia que vem do colonialismo e, em muitos aspectos, permanece em vigor, mesmo tendo à frente governos liberais ou progressistas

Por Arthur Gebara Júnior*

A produtividade do trabalhador brasileiro é considerada baixa quando comparada à de países desenvolvidos e de algumas nações em desenvolvimento. O Brasil ocupa a 94ª posição no ranking global de produtividade da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ficando atrás até mesmo de vizinhos latino-americanos com graves dificuldades estruturais.

Na América Latina, por exemplo, o Brasil perde para o Uruguai, o Chile, a Argentina e Cuba – país que lida há décadas com um embargo econômico e fortes limitações sob um governo centralizado. No ranking global de produtividade por hora trabalhada, que avalia 184 países, o Brasil registra uma geração média de riqueza de US$ 21,2 por hora. No contexto regional, o Uruguai lidera com US$ 38, seguido por Chile (US$ 34,4), Argentina (US$ 33,8) e Cuba (US$ 22,6).

O indicador é calculado pela OIT ao dividir o Produto Interno Bruto (PIB) em dólares pelo total de horas trabalhadas da população ativa. Os líderes mundiais em produtividade são a Irlanda (US$ 164,7), Luxemburgo (US$ 159), Noruega (US$ 125,6) e Cingapura (US$ 100,4). Em relação aos Estados Unidos, onde o trabalhador gera US$ 81 por hora, o rendimento brasileiro representa apenas cerca de 26% da riqueza produzida por um americano.

A pesquisa da OIT (com dados do primeiro trimestre de 2026) também aborda a jornada semanal. O brasileiro trabalha, em média, 38,9 horas por semana, índice inferior ao de 97 países, incluindo nações como a China (46,1 horas), Índia (45,7 horas) e o México (42,2 horas). A possível aprovação da jornada 6×1, em andamento no Congresso Nacional, por exemplo, deve aumentar o custo para o empregador e para o consumidor, sem alterar a produtividade.

Mas, afinal, o que trava a produtividade? Por que o país permanece estagnado nesse patamar há décadas? Trata-se de uma questão complexa, na qual fatores históricos e estruturais exercem um papel decisivo.

Para ajudar a entender a baixa performance do trabalhador brasileiro, é possível recorrer ao chamado “mito da preguiça tropical”: ideias racistas e deterministas do século XIX, herdadas do período colonial, tentavam culpar o clima ou a etnia pelo atraso econômico. No entanto, a história econômica desmente esses mitos ao demonstrar a alta intensidade de esforço físico imposta aos trabalhadores sob regimes de exploração e escravidão.

Instituições determinantes

Daron Acemoglu é professor de economia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e James A. Robinson, professor de ciência política da Universidade de Chicago. Os dois receberam o Prêmio Nobel de Economia pelo conjunto de suas pesquisas acadêmicas fundamentais sobre como as instituições sociais e políticas afetam a prosperidade dos países, que servem de base para a tese apresentada na obra “Por que as Nações Fracassam”. Este livro destaca como as justificativas geográficas e culturais para decretar a riqueza ou a pobreza de um país não convencem. Os dois especialistas afirmam que o desenho de suas instituições é determinante.

Para uma análise mais precisa, eles classificaram os países em duas categorias. Os de economias inclusivas, que promovem a prosperidade ao garantir direitos de propriedade, incentivar a inovação e distribuir o poder político, com um resultado histórico que gera crescimento sustentável de longo prazo. Direitos amplos, garantia da propriedade privada com segurança jurídica e regulação clara também contribuem para a construção de um ambiente favorável aos investimentos, o que não tem ligação com fatores geográficos e culturais. A educação, a qualificação e o preparo do trabalhador afetam diretamente a sua produtividade.

Já as nações enquadradas como extrativistas concentram a riqueza nas mãos de poucas elites e barram o desenvolvimento. Embora a questão das instituições seja parte das regras do jogo, ela é também determinante para o desenvolvimento de um país. O modelo que os economistas classificam como extrativista não estimula o trabalhador, o que afeta de maneira decisiva a sua produtividade. Ele não tem incentivo para se educar ou investir na sua qualificação técnica, o que o impede de enxergar oportunidades, se preocupar em inovar ou empreender. Além disso, não existe a perspectiva e a garantia de que será recompensado e se apropriará dos resultados do seu esforço, já que o investimento produtivo é muito baixo, com falta de capital físico, o que compromete a produtividade.

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O livro compara o sucesso de países como os Estados Unidos com a economia de nações da América Latina, África e Ásia, explicando como essas características institucionais e políticas são cruciais para o êxito ou o fracasso. No caso da América Latina, o modelo colonial de dominação e exploração gerou instituições extrativistas que concentram renda e travam a produtividade moderna.

Produtividade travada: fatores históricos que explicam o atraso do Brasil

E o Brasil?

O país ainda sofre com as sequelas desse modelo. O latifúndio colonial limitou o acesso à propriedade para a maioria da população, enquanto a escravidão prolongada atrasou a criação de um mercado consumidor livre e qualificado.

Marcel Solimeo, economista-chefe do Instituto de Economia Gastão Vidigal da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), alerta que a educação e, especialmente, a qualificação dos trabalhadores ainda não são efetivas. “Existem cursos de qualificação profissional em várias entidades empresariais, escolas e institutos de formação técnica, mas o problema vem da educação básica, ainda muito deficiente e que continua produzindo um grande número de analfabetos funcionais”, diz.

O economista afirma ainda que “a falta de cultura geral e o pouco interesse de alguns setores do empresariado pela educação e pelo investimento na qualificação do trabalhador agravam o problema.”

Determinismo histórico

Historicamente, a estrutura econômica brasileira priorizou a extração de recursos de baixo valor agregado para exportação. Esses fatores afetam diretamente a produtividade do trabalhador, que recebe menos e tem menor acesso à infraestrutura e à tecnologia de ponta.

Países dominados por dinâmicas extrativistas entram em ciclos de estagnação, pobreza e disputas pelo controle do Estado. Nesse contexto, fica claro que atribuir a baixa produtividade à cultura do povo desvia o foco dos problemas reais e das falhas dos sistemas econômicos, ignorando as profundas diferenças entre modelos inclusivos e exploradores.

Para Ulisses Ruiz de Gamboa, economista do Instituto de Economia Gastão Vidigal da ACSP e professor de História Econômica do Insper, trata-se de um problema crônico: “Ao longo de toda a sua história, o Brasil sofreu com essas instituições extrativistas que, infelizmente, se mantêm vivas, independentemente da linha ideológica dos sucessivos governos. Nem a ascensão de governos declaradamente progressistas foi capaz de promover mudanças“.

O professor acrescenta que, além do problema da baixa qualificação do trabalhador, o Estado muitas vezes protege interesses corporativos específicos em vez de garantir a livre concorrência, criando um ambiente de negócios que penaliza o empreendedorismo em massa, dificulta ganhos de eficiência e desincentiva os ganhos de produtividade do trabalhador.”

O mapa da baixa produtividade

A colonização estabeleceu bases estruturais que moldaram o destino econômico e social de continentes inteiros. A África teve fronteiras desenhadas arbitrariamente pelas potências europeias na Conferência de Berlim, o que fragmentou etnias, alimentou conflitos civis duradouros e estruturou economias baseadas na exportação de commodities primitivas.

A Ásia sofreu com a exploração comercial agressiva e a imposição de tratados desiguais, sendo que a desestruturação de impérios locais abriu caminho para instabilidades políticas prolongadas no século XX.

Na América Latina, o foco na extração de recursos e na monocultura para exportação deixou um legado de extrema desigualdade social, concentração de terras e dependência externa.

A Divergência Coreana

Em “Por que as Nações Fracassam”, os autores mostram o contraste entre as duas Coreias: a do Norte (comunista) e a do Sul (capitalista). O capítulo ilustra como as instituições e os modelos econômicos superam o determinismo geográfico.

A Coreia do Sul adotou o capitalismo de Estado, investiu massivamente em educação de base e promoveu indústrias voltadas à exportação – os chamados chaebols (conglomerados empresariais familiares) -, transformando-se em uma potência tecnológica global.

Por outro lado, a Coreia do Norte seguiu o modelo de economia planejada e fechada do sistema comunista (Juche), priorizando o setor militar e sofrendo com o isolamento internacional, a estagnação econômica e as crises de abastecimento.

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A retomada de Singapura e da China

A ascensão do Sudeste Asiático e da China redefiniu o equilíbrio de poder econômico mundial por meio do pragmatismo estratégico. Singapura transformou-se de uma ilha portuária vulnerável e sem recursos naturais em um centro financeiro global, com um sucesso baseado em forte controle estatal, combate rigoroso à corrupção, abertura ao capital estrangeiro e foco absoluto em logística e educação.

A China recuperou-se de um século de submissão colonial, conflitos e graves convulsões internas. Sob o governo comunista a partir de 1949, passou por grandes dificuldades econômicas decorrentes das tentativas de Mao Tsetung – como o plano “O Grande Salto Adiante”. Foi com as reformas de abertura econômica iniciadas em 1978 que conseguiu combinar o controle político do Partido Comunista com zonas econômicas especiais de livre mercado, tornando-se uma potência militar e industrial e a segunda maior economia do mundo.

Defasagem

No Brasil, a imensa defasagem no ensino básico e técnico, que reduz a capacidade de inovação e a eficiência nas funções, representa um grande desafio. A infraestrutura insuficiente e pouco eficiente, associada ao chamado “Custo Brasil”, constitui outro fator determinante: logísticas precárias e transportes deficientes geram perdas diárias de tempo e recursos. A baixa incorporação de equipamentos modernos nas empresas também deprime o rendimento por hora trabalhada, ao passo que falhas na gestão de processos produtivos e a baixa valorização do capital humano prejudicam o desempenho geral.

Reformas

As reformas estruturais voltadas à produtividade no Brasil estão no radar dos especialistas. É cada vez mais urgente iniciar mudanças profundas capazes de retirar o país da armadilha da baixa produtividade e conduzi-lo a um modelo econômico inclusivo, o que exige a remoção de privilégios corporativistas e a valorização do potencial da força de trabalho. A produtividade do trabalhador brasileiro segue estagnada desde 1950, acumulando avanço de apenas 0,4% em 2025 e desaceleração contínua em 2026. Esse cenário reflete o peso do ecossistema estrutural e da burocracia, distanciando o país da média global de produtividade no trabalho.

Radiografia da Estagnação Produtiva

A eficiência do trabalho no Brasil patina em meio a desajustes setoriais e à reversão de ganhos pontuais do passado. Dados do Observatório da Produtividade Regis Bonelli, gerido pelo FGV-IBRE, mostram que o salto temporário de produtividade registrado em 2020, devido à pandemia, foi totalmente revertido, retornando à trajetória de queda iniciada em 2017.

Após alta de 2,3% em 2023, impulsionada pela agropecuária, o indicador avançou apenas 0,1% em 2024 e fechou 2025 com alta modesta de 0,4%. O setor de serviços, que concentra a maior parte da mão de obra, mantém ganhos de produtividade próximos a zero, na casa de 0,2% ao ano.

Para a Virada Estrutural

A reversão desse quadro depende de reformas profundas, divididas em quatro frentes prioritárias:

– Consolidação e Simplificação Tributária: Fim do Custo Brasil, redução da burocracia fiscal e estímulo direto ao investimento produtivo em inovação, superando o planejamento tributário defensivo.

– Reforma Educacional e Técnica: Alinhamento curricular voltado para ciências, engenharia e ensino técnico, além de requalificação contínua de adultos frente à automação.

– Modernização Administrativa: Corte de privilégios e supersalários no funcionalismo, atrelando a máquina pública à meritocracia e à entrega de serviços eficientes.

– Abertura Comercial e Infraestrutura: Redução de barreiras tarifárias para elevar a competitividade externa e ampliação de concessões em portos, ferrovias e saneamento por meio de segurança jurídica.

Em um momento em que as atenções se voltam para as eleições de outubro, existe a expectativa de que surja um projeto inovador para a próxima gestão. Nesse sentido, refletir sobre a baixa produtividade do trabalhador brasileiro é fundamental para confrontar os resquícios de um passado extrativista que continua a limitar o desenvolvimento nacional.

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  • Artigo publicado no Diário do Comércio – Conteúdo
  • Foto destaque: Reprodução / Redes Sociais
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