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Trump não tem planos de fazer as pazes com Musk

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INTERNACIONAL

Presidente dos EUA e bilionário que chegou a ser o “primeiro-companheiro” dele durante campanha presidencial trocaram farpas públicas na quinta-feira (5/6)

presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não pretende falar com seu ex-aliado Elon Musk nesta sexta-feira (6), em uma tentativa de fazer as pazes após a discussão pública. 

As desavenças entre o presidente da maior potência do mundo e o homem mais rico do planeta podem ter sérias consequências políticas e econômicas para os Estados Unidos. 

“O presidente não planeja falar com Musk hoje”, disse um funcionário da Casa Branca à AFP, pedindo anonimato. 

Outro funcionário explicou que Trump considera inclusive se desfazer do Tesla vermelho que comprou em março para apoiar o dono da marca quando a bolsa de valores da empresa despencou e vários veículos foram vandalizados. Por enquanto, está estacionado no terreno da Casa Branca, mas é um sinal revelador da deterioração da relação.

“Louco”

É difícil saber qual dos dois tem mais a perder. 

Trump permaneceu em silêncio por vários dias, apesar dos ataques incessantes de Elon Musk ao seu megaprojeto de lei orçamentária, mas na quinta-feira explodiu diante das câmeras do mundo todo. 

O presidente dos EUA insistiu que foi ele quem derrubou o mandato do empresário na semana passada e tachou como “louco” o homem que antes chamava de “gênio”. Voltou a insultá-lo nesta sexta-feira, ao dizer que “perdeu a cabeça”. 

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“A maneira mais fácil de economizar dinheiro em nosso orçamento, bilhões e bilhões de dólares, é encerrar os subsídios e contratos governamentais de Elon”, ameaçou Trump em sua plataforma Truth Social na quinta-feira. 

Elon Musk, por sua vez, acusou o homem cuja campanha ele financiou com cerca de 300 milhões de dólares (1,7 bilhão de reais) de “ingratidão” e publicou uma mensagem em sua plataforma de rede social X pedindo sua destituição.

Também afirmou, sem provas, que o nome do presidente consta no processo de Jeffrey Epstein, um financista americano acusado de crimes sexuais que cometeu suicídio na prisão em 2019. 

Segundo Musk, Donald Trump teria perdido a eleição sem sua ajuda. O chefe da SpaceX ameaçou “desmantelar (sua) nave espacial Dragon”, o que seria um duro golpe para as operações da Nasa. 

Mas mudou de ideia logo depois. “Bem, não vamos desmantelar a Dragon”, escreveu.

– Wall Street –

Enquanto isso, as ações da Tesla despencaram em Wall Street, uma queda que abalou a fortuna ainda colossal de seu chefe. Nesta sexta-feira, estavam recuperando terreno. 

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Elon Musk, especialmente por meio da SpaceX, administra enormes contratos com o governo federal, o que o torna vulnerável, mas também o fortalece por meio das responsabilidades que lhe foram confiadas. 

Politicamente, Donald Trump desfruta de um apoio quase inabalável entre suas bases, em comparação com a influência limitada de seu ex-aliado impopular. 

O magnata republicano já demonstrou estar disposto a usar todas as ferramentas à sua disposição contra seus oponentes, incluindo o Departamento da Justiça. 

“A grande mídia espalha muitas mentiras sobre o presidente Trump. Uma das mais flagrantes é que ele é impulsivo ou temperamental”, escreveu o vice-presidente JD Vance no X nesta sexta-feira em sua defesa. 

No entanto, o Partido Republicano sente a perda do maior doador da história política americana, a pouco mais de um ano das eleições de meio de mandato.

Embora Elon Musk tenha mencionado publicamente a ideia de lançar um novo partido, as ambições pessoais do sul-africano são limitadas pela Constituição: cidadãos naturalizados são proibidos de concorrer à presidência dos Estados Unidos.

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* Informações da Association France Press (AFP)

* Foto/Destaque: Musk e Trump / Crédito: BBC

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Hamas aceita acordo para seu desarmamento e retirada de Israel de Gaza

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O desarmamento do grupo islamista, que controla a Faixa de Gaza desde 2007, era um dos principais obstáculos para encerrar a guerra com Israel

Por Agência AFP

O movimento islamista Hamas afirmou nesta sexta-feira (31) que aceitou um acordo para acabar com a guerra em Gaza, que inclui dispositivos relacionados ao seu desarmamento e à retirada gradual do Exército de Israel do território palestino.

Israel ainda não reagiu oficialmente ao acordo, anunciado na noite de quinta-feira (30) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que o definiu em sua rede Truth Social como “um acordo HISTÓRICO” e “um passo monumental rumo a uma PAZ e SEGURANÇA duradouras”.

O desarmamento do grupo islamista, que controla a Faixa de Gaza desde 2007, era um dos principais obstáculos para encerrar a guerra com Israel após o cessar-fogo assinado em outubro.

Uma fonte política israelense disse à AFP que o acordo proposto não soluciona “de forma satisfatória” as demandas do país por uma desmilitarização completa de Gaza.

Também indicou que a questão não foi abordada durante a reunião desta semana na Casa Branca entre o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente americano.

Segundo Trump, o desarmamento é uma fase crucial para avançar em direção à instalação de um novo governo palestino no território.

Fontes do Hamas confirmam acordo 

Duas fontes do alto escalão do Hamas, que falaram sob a condição de anonimato, confirmaram à AFP um acordo com o Estado hebreu para o desarmamento do grupo e a retirada do Exército israelense de Gaza.

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As fontes afirmaram que esperam que os mediadores e o Conselho da Paz garantam que os israelenses cumpram o que foi estabelecido e supervisionem o processo de desarmamento do grupo.

O Hamas está fazendo “concessões pelo bem do nosso povo na Faixa de Gaza, para salvá-lo da morte e do deslocamento”, declarou Ghazi Hamad, um dos negociadores do movimento.

“Israel não vai interferir na questão do desarmamento”, disse Hamad. Segundo ele, a tarefa será responsabilidade do Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG).

Segundo uma fonte diplomática que acompanha as negociações, as armas serão entregues a este órgão de tecnocratas palestinos, que deverá administrar, durante o período de transição, a vida cotidiana em Gaza.

Negociações aconteciam há semanas no Egito para implementar a segunda fase do acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hamas, que tem como objetivo pôr fim de forma definitiva à guerra.

O conflito começou com o ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023, que deixou um balanço de 1.221 mortos, segundo números oficiais israelenses, e 251 pessoas sequestradas. 

A retaliação israelense contra Gaza deixou mais de 73.000 mortos, segundo os  dados do Ministério da Saúde do governo liderado pelo Hamas.

Apesar da trégua, a violência continua na Faixa. Na quinta-feira, bombardeios israelenses mataram ao menos quatro pessoas, incluindo duas crianças, segundo autoridades de saúde da região.

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 “Implementação” 

O Conselho da Paz confirmou em uma publicação no X que o Hamas havia “aceitado um mapa do caminho detalhado para implementar as próximas fases do cessar-fogo em Gaza”.

“Agora, nossa atenção está voltada para a implementação”, escreveu a organização, acrescentando que o NCAG “começará em breve uma transição gradual rumo à plena autoridade”.

Trump, em uma publicação anterior, afirmou que, uma vez que o Hamas estiver desarmado, “as forças israelenses vão se retirar e a Força Internacional de Estabilização trabalhará com uma nova força policial palestina para assumir a responsabilidade sobre Gaza”.

A Força Internacional de Estabilização é uma estrutura em processo de criação que reunirá tropas de vários países sob a direção do Conselho da Paz.

Uma fonte diplomática afirmou à AFP que o desarmamento será supervisionado de forma coordenada entre esta força e o governo interino do NCAG. Este órgão, no entanto, trabalha atualmente no Egito porque Israel não permite que seus membros tenham acesso a Gaza, segundo a imprensa egípcia e palestina.

Israel controla mais de 60% desse território e exigia o desarmamento completo do Hamas e dos demais grupos palestinos antes de qualquer avanço no plano.

O Hamas anunciou no início de julho a dissolução do comitê que administrava os assuntos civis da Faixa de Gaza desde 2007 e declarou querer transferir estas responsabilidades ao NCAG.

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  • Foto destaque: Crédito – Eyad Baba / AFP
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