Juraj Cintula, de 71 anos, um ultranacionalista e simpatizante do presidente russo, Vladimir Putin. Ele disparou cinco vezes contra o premiê, que foi levado às pressas para um hospital e submetido a uma cirurgia de mais de sete horas.
Fico, de 59 anos, saía de uma reunião de gabinete em Handlova, a cerca de 190 quilômetros da capital Bratislava. Ele cumprimentava um pequeno grupo de pessoas, em plena luz do dia, quando foi surpreendido pelo atirador.
Segundo o vice-premiê Tomas Taraba, pelo menos uma bala atingiu seu abdômen e outra, o braço. Ele afirmou que o premiê esteve em situação crítica, mas que resistiu à operação. “Ele não corre mais risco de vida”, disse o vice-premiê.

Reações

O atentado chocou o país. “É o momento mais triste dos 31 anos de história da Eslováquia. Um ataque ao premiê é um ataque à democracia”, afirmou o ministro da Defesa, Robert Kalinak. “A violência é inaceitável. O discurso de ódio leva a atos de ódio. Por favor, vamos parar com isso”, disse a presidente do país, Zuzana Caputova.

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Vários líderes também condenaram o atentado. O presidente dos EUA, Joe Biden, disse que estava “alarmado” com o ato de violência. Viktor Orbán, premiê da Hungria, um aliado de Fico, se disse “chocado”. Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, condenou o ataque, que o russo Vladimir Putin chamou de “crime monstruoso”.

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As razões do ataque, porém, são mais obscuras. Uma pista está na trajetória do premiê, um veterano com 30 anos de carreira, que começou militando na esquerda, mas abraçou a direita nos últimos anos, com um discurso anti-imigração, contra a UE, em favor da Rússia e contra os direitos LGBT+.

Com porte legal de armas, ele também é autor de três coleções de poesia e membro da Associação de Escritores Eslovacos. Ele publicou três coletâneas de poemas e dois romances: em uma delas, atacou diretamente os ciganos, afirmando que eles “abusam do sistema de proteção social”, e que “jamais viu tantos ciganos sem olhos na Europa como agora”.