Política Internacional
Ataque dos EUA e de Israel mata o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã
INTERNACIONAL
Morte do líder foi confirmada, após horas de negativas, pela mídia estatal iraniana
Por Igor Gielow*
O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, foi morto neste sábado (28) no inédito ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel contra a teocracia instalada em 1979, cujo futuro está em suspenso.
Altas autoridades do país e de suas Forças Armadas também morreram. Os bombardeios continuaram na madrugada deste domingo (1º), como Donald Trump havia dito que iriam.
A morte do líder foi confirmada, após horas de negativas, pela mídia estatal iraniana. Com isso, Khamenei se torna o primeiro chefe de Estado no poder assassinado em uma operação comandada por Washington na história. Também foram mortos na ação uma das duas filhas do líder, que tinha outros 4 filhos, além de um neto, um genro e uma nora.
“Khamenei, uma das pessoas mais más da história, está morto”, disse Trump na rede Truth Social. Ele disse que ouviu relatos de que elementos da Guarda Revolucionária, a principal força militar do país, querem parar a retaliação contra os EUA e seus aliados no golfo Pérsico, e voltou a oferecer imunidade em caso de rendição.
Mais cedo, o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, havia dito publicamente que “há muitos sinais” de que o líder “não está mais entre nós” —o que levou agências de notícia estatais iranianas a dizer que o aiatolá estava “firme e em comando” do campo de batalha, o que só durou até o meio da madrugada deste domingo (1º), noite de sábado no Brasil.
Netanyahu citou que o complexo em que Khamenei morava foi destruído por sua aviação em Teerã. O estrago já era verificável por meio de uma foto de satélite divulgada mais cedo pelo New York Times, mas a mídia estatal iraniana afirmava que o líder e o presidente estavam vivos.
O vice de Pezeshkian, Mohammad Reza Aref, já informou o governo que pode assumir a Presidência caso o titular não reapareça, segundo a agência local Isna.
Netanyahu também afirmou que “diversos comandantes da Guarda Revolucionária e cientistas nucleares” foram alvejados na ação com 200 aviões contra 500 alvos, que levou a uma retaliação também inédita contra aliados americanos no golfo Pérsico, além de ataques a Israel.
Relatos não confirmados indicam a morte do ministro da Defesa, Amir Nasirzadeh, do chefe da Guarda, Mohammad Pakpour, do conselheiro de Defesa Ali Ahamkhani e do chefe do Estado-Maior do país, Mohammad Bagheri, além de diversos outros comandantes.
Segundo o Crescente Vermelho no Irã, 201 pessoas foram mortas nos ataques e 747 ficaram feridas. Não houve baixas americanas, segundo o Pentágono, e ao menos um civil morreu em Abu Dhabi, e outro, em Israel.
A ação militar ocorreu mesmo após o anúncio de mais uma rodada de negociações entre americanos e iranianos acerca do programa nuclear de Teerã, que Trump disse querer ver desmantelado completamente. No ano passado, o americano chegou a atacar instalações atômicas do rival, encerrando uma guerra de 12 dias entre Irã e Israel.
Trump e Netanyahu pediram que o povo iraniano vá às ruas para tomar o poder. “Acabem o serviço”, disse o premiê israelense.
O iraniano liderava seu país desde 1989, quando morreu o fundador da República Islâmica, aiatolá Ruhollah Khomeini.
Outros líderes hostis a Washington morreram após ações ocidentais na história recente, mas nunca diretamente. O ditador iraquiano Saddam Hussein, por exemplo, foi capturado por americanos em 2003, após a invasão de seu país, mas acabou enforcado após julgamento em uma corte local três anos depois.
Já o ditador líbio Muammar Gaddafi, que sobrevivera a um bombardeio americano em 1986, foi morto por rivais numa sarjeta em 2011 após ser destituído na esteira de uma ação ocidental autorizada pela ONU com participação dos EUA.
Sob Trump, se havia regra limitando ações diretas, ele a ignorou. O americano havia capturado no dia 3 de janeiro o ditador Nicolás Maduro e sua mulher num ataque à Venezuela, de resto uma aliada do Irã, da Rússia e da China.
O que acontece agora é incerto e depende do escopo e da duração da operação americana, que pode visar a destruição da cadeia de comando da Guarda Revolucionária, o principal ente militar da teocracia.
Do ponto de vista sucessório, na ausência do líder é prevista a criação de uma junta formada pelo presidente do país, o chefe do Judiciário e um membro do Conselho dos Guardiões, órgão com seis clérigos e seis juristas.
O grupo governa até a reunião dos 88 membros da Assembleia de Peritos, clérigos eleitos, mas que precisam do aval do Conselho, que definirá o nome do sucessor de Khamenei. Com a suspeita morte em acidente aéreo do presidente radical Ebrahim Raisi, em 2024, o favorito era um dos filhos de Khamenei, Mojtaba, 56.
Nada disso é provável com o país sob ataque. A chance de a Guarda tomar as rédeas, se sobreviver de forma organizada, não é desprezível também, tornando o autocrático Estado religioso numa ditadura militar sob linhas semelhantes.
Outra opção é uma guerra civil, dado que não está nos planos e na capacidade mobilizada de Trump a hipótese de uma ação terrestre para empoderar algum grupo no comando.
Este era um temor de ativistas, que buscaram eleger a figura do filho do xá deposto pelos aiatolás, Reza Pahlavi, como nome consensual, o que parecia ilusório dado o distanciamento do príncipe homônimo, radicado nos EUA.
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- Agência FolhaPress – Conteúdo
- Folha Destaque: Crédito – Hasan Sarbakhshian / Associated Press
INTERNACIONAL
Tesouro de 3 mil anos é roubado de museu na Espanha em apenas quatro minutos
Coleção incluía 29 braceletes, 11 tigelas e três garrafas além de outras peças; crime foi descrito como “super rápido e super profissional”
O Tesouro de Villena, uma coleção de peças de ouro da Idade do Bronze considerada uma das mais valiosas da Europa, foi quase totalmente roubado, nesta quinta-feira (27), de um museu na cidade de Villena, no sudeste da Espanha, informou a Prefeitura.
“O alarme do Museu de Villena disparou por volta das 5h20 da manhã”, e às 5h24 os ladrões já haviam deixado o prédio, disse um porta-voz da Prefeitura de Villena à AFP, confirmando o roubo “super rápido e super profissional”.
Os ladrões estavam em vários veículos e aparentemente entraram no museu “por uma janela”, explicou o subdelegado do governo espanhol em Alicante, Manuel Pineda.
“Eles levaram grande parte do tesouro, deixando apenas algumas peças”, confirmou o prefeito de Villena, Fulgencio Cerdán, a repórteres.

“Estamos absolutamente devastados, estou até tremendo. Para nós, de Villena, isso é de partir o coração; faz parte da nossa herança, da nossa riqueza”, disse Fulgencio Cerdán, prefeito de Villena
O Tesouro de Villena, exposto no pequeno museu desta cidade na província de Alicante, na região de Valência, é uma coleção de cerca de 50 peças, principalmente de ouro, mas também de prata e ferro, que datam de cerca do ano 1000 a.C.
A coleção inclui 29 braceletes, 11 tigelas, três garrafas e outras peças diversas. O valor histórico das peças é incalculável, mas só o ouro vale aproximadamente 1,7 milhão de euros (R$ 10,2 milhões), segundo o prefeito.
Em comunicado o museu informou que:
“Segundo pesquisas especializadas, é a mais importante coleção de utensílios de mesa de ouro da Idade do Bronze, junto com os tesouros dos túmulos reais de Micenas, na Grécia”.
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- Matéria do jornal Estadão – Conteúdo
- Foto destaque: Reprodução / Museu de Villena
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