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Internacional / Tensão

Por que EUA esperaram dias até retaliar ataques de drones às suas tropas no Oriente Médio?

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INTERNACIONAL

Por Bernd Debusmann JR. – Kayla Epstein

Washington e Nova York

Americanos atacaram a Força Quds do Corpo da Guarda Revolucionária Iraniana (IRGC) e milícias afiliadas no Iraque e na Síria, em sete locais no total, na sexta-feira. Para especialistas, Washington calibra abordagem para evitar escalada de conflito regional

Quase uma semana após um ataque de drone na Jordânia ter matado três soldados dos Estados Unidos, Washington lançou nesta sexta-feira (2/2) os primeiros ataques de retaliação contra milícias apoiadas pelo Irã.

Os EUA atacaram a Força Quds do Corpo da Guarda Revolucionária Iraniana (IRGC) e milícias afiliadas no Iraque e na Síria, em sete locais no total. Os bombardeiros atingiram 85 alvos individuais, segundo autoridades de defesa americanas.

Ataques eram esperados há vários dias – e o governo do presidente dos EUA, Joe Biden, começou a enfrentar questionamentos e críticas dos adversários do Partido Republicano sobre o momento e a contundência da resposta do país.

Especialistas em política externa, no entanto, apontam que a abordagem permitiu ao Irã retirar pessoal, evitando potencialmente um conflito mais amplo entre EUA e Irã na região.

“Isso permitiria degradar a capacidade dessas milícias apoiadas pelo Irã para atacar as forças dos EUA, mas sem escalar”, disse à BBC Mick Mulroy, antigo vice-secretário adjunto da Defesa dos EUA para o Médio Oriente. “Embora provavelmente não seja um impedimento para ataques futuros.”

O benefício final, disse ele, seria “evitar uma guerra direta” entre EUA e Irã.

Autoridades dos EUA culparam um grupo de milícias apoiado pelo Irã, a Resistência Islâmica no Iraque, pelo ataque na Jordânia. Acredita-se que a organização – um grupo guarda-chuva de múltiplas milícias – tenha sido armada, financiada e treinada pelo Irã.

O Irã negou qualquer envolvimento no ataque com drones, que também feriu 41 soldados norte-americanos.

Biden afirmou: “Que todos aqueles que possam tentar nos prejudicar saibam disto: se vocês prejudicarem um americano, nós responderemos.”

Autoridades de defesa e segurança disseram que o clima dificultou uma retaliação mais rápida – e que a sexta-feira apresentou as melhores condições para o lançamento de ataques.

Embora a Casa Branca e o Pentágono também tenham afirmado repetidamente que evitavam “telegrafar” operações nos dias que antecederam os ataques, os especialistas acreditam que eles fizeram exatamente isso – com intenção final de evitar uma guerra mais ampla com o Irã.

Hussein Ibish, do Instituto dos Estados do Golfo Árabe de Washington, disse que o atraso parecia ser a sinalização dos EUA do que eles “não vão fazer, que é atacar dentro do Irã”.

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Mulroy disse à BBC que é possível que os EUA tenham permitido que o pessoal da Guarda Revolucionária Iraniana “deixasse as instalações que serão atacadas”.

Os especialistas observaram que os EUA devem caminhar numa linha tênue entre dissuadir um país como o Irã e não desencadear um conflito maior.

“Telegrafar” os ataques poderiam permitir aos EUA adotar uma calibragem na operação, aplicando uma estratégia que “não é muito dura, nem muito suave”, disse Bradley Bowman, diretor sênior do Centro de Poder Militar e Político da Fundação para a Defesa das Democracias, baseada em Washington DC (EUA).

Essa abordagem “.“infligiria dor aos nossos adversários para que parassem de atacar as nossas forças, mas não tanto que sentissem necessidade de uma escalada massiva, evitando assim uma guerra regional”.

O porta-voz do Conselho de Segurança Nacional dos EUA, John Kirby, disse na sexta-feira que Washington não “telegrafará operações futuras”, mas confirmou que “haverá ações de resposta adicionais tomadas nos próximos dias”.

Críticas dos republicanos

Parlamentares republicanos, no entanto, foram rápidos em condenar a abordagem de Biden, considerando-a muito branda com o Irã.

O presidente da Câmara, Mike Johnson, o republicano mais poderoso no Congresso, disse após os ataques que “a preocupação pública e a sinalização excessiva prejudicam a nossa capacidade de pôr um fim decisivo à enxurrada de ataques sofridos nos últimos meses”.

Em uma postagem no X (antigo Twitter), o senador Tom Cotton, do Arkansas, chamou a resposta de Biden de “anêmica” e afirmou que “isso apenas encorajou ainda mais os aiatolás”.

“Somente novos ataques, mais devastadores, contra as forças iranianas assustarão os aiatolás”, escreveu ele.

O senador Markwayne Mullin citou ações mais agressivas dos ex-presidentes republicanos Ronald Reagan e Donald Trump como um contraste ao plano de ataque de Biden.

“A dissuasão não consiste em meias medidas atrasadas”, escreveu ele no X. “A dissuasão é tirar a cabeça da cobra”.

Ibish, do Instituto dos Estados do Golfo Árabe de Washington, observou, no entanto, que a administração Biden pode estar tentando evitar as armadilhas políticas internas que surgiriam se os EUA fossem arrastados para um conflito mais sério.

“Se atacassem o Irã, os porta-estandartes republicanos como Donald Trump denunciariam Biden por ser um fomentador da guerra”, disse ele. “É uma armadilha política. Todo mundo entende isso, então não vão cair nessa armadilha.”

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De acordo com um comunicado do Comando Central dos Estados Unidos, as forças americanas utilizaram várias aeronaves, incluindo bombardeiros de longo alcance B-1, atingindo um total de 85 alvos em sete locais – quatro na Síria e três no Iraque – ao longo de 30 minutos. Mais de 125 munições de precisão foram utilizadas, conforme a nota.

O general americano Douglas Sims afirmou que os bombardeiros B-1 “realizaram uma única rota direta dos EUA” e conseguiram “reabastecer enquanto estavam no ar”.

Acrescentou ter “bastante confiança” de que os ataques provocaram danos “bastante significativos” nos alvos e que uma avaliação mais detalhada poderia ser possível a partir deste sábado.

As instalações atingidas incluíram operações de comando e controle, além de unidades da cadeia de abastecimento de munições de “grupos milicianos e seus patrocinadores da IRGC (Guarda Revolucionária Iraniana), que facilitaram ataques contra as forças dos EUA e da coalizão”, acrescentou o Pentágono.

Também foram alvos centros logísticos e unidades de armazenamento de drones.

Segundo relatos da agência de notícias AFP, o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, um grupo de monitoramento com base no Reino Unido e uma rede de fontes em território sírio, afirmou que pelo menos 13 combatentes pró-Irã foram mortos no leste da Síria.

Não houve ataques em solo iraniano. Um navio de guerra do Irã no Mar Vermelho, suspeito de estar envolvido nos ataques houthis a embarcações comerciais, também não foi alvo.

Após a operação, um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores em Teerã “condenou veementemente” os ataques dos Estados Unidos como violações da “soberania e integridade territorial”

Já o governo da Síria citou mortos no leste do país e afirmou que a “ocupação” dos territórios sírios pelos Estados Unidos “não pode continuar”.

O governo do Iraque, que também abriga tropas americanas em seu território, afirmou que pelo menos 16 pessoas, incluindo civis, foram mortas nos ataques e que outras 25 pessoas ficaram feridas. Bagdá também acusa os Estados Unidos de colocarem o Iraque e a região “à beira do abismo”.

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* Informações BBC News / Fotos: Divulgação

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Apresentadora egípcia Sarah Khalifa é condenada à morte; entenda o motivo

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Sarah Khalifa nega as acusações e pretende recorrer; autoridades dizem ter apreendido mais de 750 quilos de drogas e matérias-primas

Sarah Khalifaapresentadora egípicia de 39 anos, e outras 11 pessoas foram condenadas a morte por enforcamento por um tribunal do Cairo, no Egito, por envolvimento na fabricação e no tráfico de drogas sintéticas. A decisão foi divulgada neste sábado, 5, pela imprensa estatal egípcia.

Conhecida pelo programa de televisão Missão Impossível, sobre segurança e criminalidade, Khalifa foi condenada por formação de uma organização criminosa especializada na aquisição de materiais usados na fabricação de drogas para posterior comercialização. Ela também foi acusada de posse e porte de armas de fogo e munições sem licença.

Segundo o jornal estatal Al-Ahram, as autoridades apreenderam mais de 750 quilos de drogas e matérias-primas utilizadas na produção de entorpecentes.

Dois apartamentos que funcionariam como laboratórios também foram encontrados, além de armas e munições sem licença.

De acordo com o Akhbar el-Yom, os materiais usados na fabricação das drogas eram importados do exterior.

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A sentença foi emitida após o tribunal consultar o Grande Mufti do Egito, autoridade responsável por emitir pareceres religiosos em casos de pena de morte. A consulta é exigida pela legislação egípcia antes da confirmação de sentenças capitais.

Khalifa nega as acusações e pode recorrer da decisão. Segundo a imprensa local, seu advogado já anunciou que pretende apresentar uma apelação.

Durante um depoimento ao tribunal, em setembro de 2025, a apresentadora afirmou que nunca havia visto drogas antes de ser fotografada com entorpecentes dentro das instalações das autoridades de combate ao narcotráfico.

A acusação teria se baseado em 20 depoimentos de testemunhas e em provas eletrônicas, incluindo conversas gravadas e vídeos.

Além das condenações relacionadas ao tráfico de drogas, Khalifa e outros envolvidos receberam cinco anos de prisão em um processo separado, que trata do sequestro e da agressão de um jovem.

O tribunal absolveu sete dos acusados e condenou outros nove à prisão perpétua, segundo a BBC.

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  • Matéria do Estadão – Conteúdo
  • Foto destaque: Reprodução / Redes Sociais
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