Campeãs do Mundo
Espanha neutraliza Inglaterra para vencer a Copa, em meio a crises internas
Esportes / Futebol
Campeãs inéditas passaram por ano conturbado e divergências com o treinador Jorge Vilda

O título da Espanha na final da Copa do Mundo da Austrália e Nova Zelândia foi a surpresa final em uma competição marcada por resultados inesperados desde o início. Na decisão, as espanholas não deixaram espaço para as inglesas, que chegaram como favoritas após o título da Euro Feminina no ano passado, e dominaram a partida durante os quase 100 minutos de jogo. Com gol da capitã Olga Carmona, a vitória por 1 a 0 sacramentou uma trajetória marcada por turbulências.
Análise da trajetória
As vitórias por 3 a 0 sobre a Costa Rica e 5 a 0 em cima da Zâmbia, ainda na fase de grupos, evidenciaram o potencial das espanholas, que ainda esbarravam em chances desperdiçadas e oportunidades de placares ainda mais elásticos. No duelo contra o Japão, a derrota por 4 a 0 demonstrou que ter a posse de bola não seria suficiente para seguir avançando, a e Espanha precisou fazer ajustes nas fases seguintes.

No meio de campo, o trabalho de Teresa Abelleira, Mariona Caldentey e Aitana Bonmatí, eleita a melhor jogadora da Copa, foi fundamental para chegar à trajetória histórica que terminou com as redes balançando 18 vezes. O gol que garantiu a vaga da Espanha na final saiu, já aos 44 do segundo tempo, em um belo chute de fora da área de Olga Carmona, autora do gol do título, em cobrança de escanteio ensaiada de Abelleira. Bonmatí sai do Mundial com cinco participações em gols — marcou três vezes e deu duas assistências.
Caldentey abriu o placar na vitória contra a Holanda, nas quartas de final, depois da goleada por 5 a 1 sobre a Suíça nas oitavas.
Foi no duelo das quartas que a estrela de Salma Paralluelo começou a brilhar. A jovem de 19 anos, que há apenas um ano se dedica integralmente ao futebol abdicando da carreira no atletismo, saiu do banco para decidir a partida e marcar um belo gol que levou a Espanha para a classificação para a semifinal. E lá ela brilhou novamente, abrindo o placar na vitória por 2 a 1 sobre a Suécia e ganhando a vaga na titularidade, começando a partida na decisão.
A presença de Paralluelo na área, aliada às jogadas construídas coletivamente por um meio de campo sólido, foi a receita da Espanha para neutralizar completamente a Inglaterra na decisão. As campeãs terminaram a partida com 47% de posse de bola contra 37% da Inglaterra (16% em disputa), mas em diversos momentos da partida o número foi ainda maior. Se não fosse o brilhante jogo de Mary Earps, que além de defender o pênalti cobrado por Jenni Hermoso, ainda salvou as Leoas mais duas vezes em chances de Caldentey e Redondo, o placar seria ainda maior.
Durante toda a partida, a Espanha não deixou a Inglaterra tomar gosto pelo jogo, com intensidade desde o início e marcação alta, o que prejudicou a evolução das jogadas das inglesas. Em erro de saída de Lucy Bronze na intermediária, as campeãs recuperaram a bola e não perderam tempo para encaixar a ofensiva. Abelleira inverteu a bola da direita para a esquerda, encontrando Caldentey, que adiantou para Carmona avançar e marcar o gol do título. Na comemoração, ela homenageou Merchi, a mãe de uma amiga que faleceu poucos dias antes do torneio.
A pressão era tanta que, nos 13 minutos de acréscimo da partida, a Espanha ainda tentava chegar ao segundo gol, enquanto a Inglaterra não viu oportunidades para empatar a partida. A melhor chance foi ainda no primeiro tempo, com bola na trave de Hemp, e Lauren James ainda teve uma boa oportunidade, defendida por Catalina Coll. Mas as inglesas não chegaram nem perto do resultado, e a Espanha sagrou-se a campeã improvável, ainda mais com os atritos internos que rondavam os vestiários.
As 3’das 15′
Com Bonmatí e Caldentey com peças-chave da conquista da Espanha no título da Copa do Mundo, o resultado seria impensável há menos de um ano. Em setembro de 2022, 15 jogadoras da seleção enviaram um e-mail coletivo à Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) pedindo dispensa das futuras convocações. Elas alegavam que as questões internas, atribuídas a divergências com o treinador Jorge Vilda, estavam “afetando a saúde mental”, e por isso pediram para não serem mais consideradas para a equipe.

Mas a RFEF bancou a decisão de manter Vilda no cargo, e, ao longo dos meses, algumas jogadoras pediram para serem reintegradas à seleção. A última delas foi Aitana, que junto com as companheiras de Barcelona, Putellas, Caldentey e Battle, representaram as últimas “das 15” que voltaram para a equipe. Mas grandes nomes como Sandra Paños, Mapi León e Patri Guijarro — autora de dois gols do Barcelona no título da Champions League sobre o Wolfsburg — ficaram de fora da conquista.
O mal-estar entre treinador e jogadoras apareceu em diversos momentos da competição. Conforme a Espanha avançava, as atletas celebravam a trajetória entre si, e a festa não ultrapassava as quatro linhas. Na hora de erguer o troféu após o título, Vilda levantou a taça sozinho, enquanto as espanholas mais uma vez se fechavam na comemoração. Em mais uma cena constrangedora, o presidente da federação, Luis Rubiale, organizou um “montinho” para ser erguido pelas jogadoras, e em seguida foi a vez de Vilda. Foi Rubiale quem apoiou Vilda quando sua permanência no comando da equipe era incerta.
Durante a campanha, os poucos comentários feitos pela delegação indicavam que, embora o clima não estivesse bom, todos estavam dispostos a deixar as divergências de lado na busca pelo título. No final, o resultado foi positivo, e a expectativa é de que Vilda continue no cargo — ele tem contrato até 2025 —, mas quem serão as próximas comandadas por ele ainda são incertas. Após a partida, o treinador falou sobre a emoção da conquista, e afirmou estar “orgulhoso” da equipe.
“É difícil descrever. Uma imensa alegria, muito orgulhoso dessa equipe. Muito feliz por toda a torcida que está nos vendo. Demonstramos como a gente pode jogar, que a gente pode sofrer, mas agora nós somos campeões do mundo”.


Mary Earps (foto acima), goleira da Inglaterra. eleita a melhor da Copa /// Aitana Bonmati eleita a melhor jogadora da Copa
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* Informações do Extra – Conteúdo – Laís Malek
* Fotos: Franck Fife / William West – AFP / Saeed Khan – AFP
Esportes / Futebol
Espanha bate a Argentina na prorrogação e vence a Copa do Mundo pela segunda vez
Por André Costa*
Depois de 16 anos, a Espanha pode libertar o grito de “é campeão” da garganta novamente! Neste domingo, a Fúria levou a melhor sobre a Argentina na grande final da Copa do Mundo de 2026, por 1 a 0, e faturou o título mundial pela segunda vez em sua história. O gol da vitória espanhola foi marcado por Ferrán Torres, já no segundo tempo da prorrogação do jogo disputado no MetLife Stadium, em Nova Jersey, nos Estados Unidos.
A decisão foi marcada por um amplo domínio espanhol. A Fúria martelou a Argentina durante toda a partida e aproveitou a expulsão de Enzo Fernández no fim do tempo regulamentar para enfim colocar a bola no fundo das redes. Foram 19 chutes até a finalização de Ferrán Torres que furou o gol de Dibu Martínez.
Roteiro repetido
O roteiro do bicampeonato mundial da Espanha faz jus ao primeiro título do país, conquistado em 2010. Naquele ano, o gol da vitória espanhola na final contra a Holanda, por 1 a 0, também foi marcado na prorrogação. O herói daquela vez também foi um jogador do Barcelona: Andrés Iniesta.
Adeus discreto de Messi
Já a provável despedida de Lionel Messi da Copa do Mundo teve sabor amargo. Preso na marcação espanhola, o astro teve atuação discreta na final e acabou amargando o vice, além de não conseguir superar Kylian Mbappé como o maior artilheiro da história da competição. O craque parou nos 21 gols, contra 22 do francês.
Com a derrota, a Argentina perdeu a chance de conquistar o seu quarto título mundial. Além disso, os sul-americanos, que ergueram a taça em 1978, 1986 e 2022, não conseguiram igualar Itália (1934 e 1938) e Brasil (1958 e 1962) como os únicos bicampeões consecutivos do torneio.
Como foi o jogo?
O início da grande final foi eletrizante. Logo aos quatro minutos, Lamine Yamal tabelou com Dani Olmo na entrada da área e chutou rasteiro com a perna esquerda. A bola desviou em Lisandro Martínez, mas Dibu Martínez reagiu rapidamente e fez boa defesa.
A Argentina respondeu no minuto seguinte. Julián Álvarez roubou a bola no meio de campo e lançou para Messi nas costas da marcação da Espanha. Porém, o goleiro Unai Simón se antecipou e saiu do gol para fazer o corte.
Depois, o jogo ficou morno. Com o controle da posse de bola, os espanhóis só voltaram a chegar ao ataque aos 37 minutos. Após boa jogada coletiva, Oyarzabal recebeu na entrada da área e bateu rasteiro, mas parou em Dibu Martínez. Já aos 42, foi a vez de Cucurella arriscar de longe e levar perigo.
Os argentinos, por sua vez, produziram muito pouco. Os atuais campeões demonstraram dificuldade de escapar da pressão espanhola e terminaram a primeira etapa sem nenhuma finalização a gol.
Segundo tempo
A Espanha continuou tomando a iniciativa após o intervalo. Com menos de um minuto no segundo tempo, Baena costurou pelo lado esquerdo, ajeitou para o meio e bateu colocado, mas Dibu Martínez agarrou. O goleiro da Argentina precisou trabalhar novamente aos 18, em chute de Dani Olmo de fora da área, e aos 21, em cabeceio de Ferrán Torres.
A Fúria incomodou mais uma vez aos 31 minutos. Pedri carregou a bola por dentro após boa troca de passes e mandou em cima de Dibu Martínez. Na sequência, Cubarsí soltou uma pancada de fora da área e parou em mais uma defesa do goleiro argentino. Pressão total da Espanha!
A partida ficou ainda mais complicada para a Argentina após a expulsão de Enzo Fernández. Aos 47 minutos, o jogador cometeu falta dura em Cubarsí, recebeu o segundo cartão amarelo e deixou a equipe com um a menos. A Espanha teve a chance de garantir a vitória aos 52, em cobrança de falta de Lamine Yamal, mas Dibu Martínez espalmou e levou o duelo para a prorrogação.
Prorrogação
O cenário foi o mesmo no primeiro tempo da prorrogação. Com somente dois minutos, Pedri cruzou na medida para Nico Williams, que desviou de cabeça e parou em uma defesaça de Dibu Martínez. A Espanha chegou a abrir o placar com Nico Williams, aos cinco minutos, mas o tento foi anulado por uma falta de Merino em Otamendi.
Nas cordas, a Argentina tinha enorme dificuldade para ultrapassar a linha do meio-campo. Enquanto isso, os espanhóis desperdiçaram mais uma oportunidade aos 12 minutos. Nico Williams dominou pelo lado esquerdo e cruzou para Merino, que cabeceou para o chão e viu a bola raspar a trave.
Segundo tempo
Como diz o ditado, água mole em pedra dura, tanto bate até que fura. E o gol da Espanha enfim saiu no primeiro minuto do segundo tempo da prorrogação. Pedro Porro conduziu pelo lado direito e cruzou na segunda trave, para Nico Williams, que ajeitou de cabeça para o meio da área. Ferrán Torres chegou fuzilando com a perna esquerda e colocou os espanhóis em vantagem.
A Fúria chegou a ampliar o marcador aos sete minutos, mais uma vez por meio de Ferrán Torres. No entanto, o gol acabou sendo invalidado por impedimento.
A Argentina não se entregou e quase empatou aos 14 minutos. Messi tocou para Simeone, que avançou pelo lado direito e cruzou rasteiro. Tagliafico chegou para empurrar para o fundo das redes, mas a zaga espanhola afastou na hora H. Logo na sequência, Messi cobrou escanteio e viu a bola sobrar com Simeone, que mandou por cima do gol de Unai Simón.
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*Gazeta Esportiva – Conteúdo
*Foto destaque: Crédito – Odd Anderson / AFP
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