Evento na Capital
Vitória sedia o V Encontro Capixaba de Arqueologia no MUCANE
Conhecendo a História
Por Pedro Vargas* – Vitória / ES
Na próxima quarta (20) e quinta-feira (21) Vitória será palco de um dos mais importantes encontros voltados à preservação e valorização do patrimônio cultural capixaba: o V Encontro Capixaba de Arqueologia (V ENCA). O evento será realizado no Museu Capixaba do Negro “Verônica da Pas” (Mucane), no Centro Histórico, e também será transmitido ao vivo pelo canal Conexão IPAE, no YouTube, ampliando o acesso a toda a população.

Com uma programação intensa entre 14 e 19 horas, o V ENCA reunirá pesquisadores, arqueólogos, historiadores, gestores culturais, professores e a sociedade em geral para debater os patrimônios culturais de Vitória, com destaque para o acervo arqueológico e histórico da capital.
O encontro é gratuito e as inscrições já estão abertas pelo site: www.even3.com.br/venca-595831.
Reflexão e memória coletiva
A edição de 2025 terá como foco a paisagem urbana de Vitória, seus sítios arqueológicos e processos de tombamento, ressaltando a importância da pesquisa científica para o fortalecimento da identidade e da memória capixaba.
O evento é organizado pelo Instituto de Pesquisa Arqueológica e Etnográfica Adam Orssich (IPAE), com recursos do edital da Política Nacional Aldir Blanc, organizado pela Secretaria Municipal de Cultura (Semc), e conta com uma equipe multidisciplinar composta por arqueólogos, historiadores e pesquisadores renomados.
“O V ENCA é uma oportunidade única de valorizarmos a arqueologia capixaba e promovermos o diálogo entre pesquisadores e a sociedade. Esta edição é também um reconhecimento da importância de Vitória como centro histórico e arqueológico no cenário capixaba e nacional”, declarou a coordenadora do evento e diretora-presidente do IPAE, Dionne Miranda Azevedo Erler.

Entre os nomes confirmados para as mesas e conferências estão:
Dra. Gladys Mary S. Sales (IPHAN-SP);
Profa. Dra. Ximena Villagrán (MAE/USP);
Profa. Dra. Viviane Pimentel (FAESA);
Profa. Dra. Patrícia Merlo (UFES);
Prof. Dr. Luiz Cláudio Ribeiro (UFES/IPAE);
Além de pesquisadores do IPAE, UFES, UnB, UFRB, IPHAN e CERES.

Participação e acessibilidade
Serão oferecidas 100 vagas para participação presencial. A transmissão online garantirá que o público remoto também acompanhe toda a programação, ampliando o alcance do debate. O evento contará ainda com tradução em Libras.
Com classificação indicativa livre, o V ENCA é destinado a pesquisadores, estudantes, profissionais da área, gestores culturais e ao público em geral interessado em história e cultura.
Serviço:
V Encontro Capixaba de Arqueologia (V ENCA).
Quando: 20 e 21 de agosto das 14 às 19 horas.
Onde: Museu Capixaba do Negro “Verônica da Pas” (Mucane) – Avenida República, 121 – Centro Histórico de Vitória.
Inscrições gratuitas: www.even3.com.br/venca-595831
Transmissão ao vivo: Canal Conexão IPAE no YouTube.
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* Prefeitura de Vitória / Comunicação – Conteúdo
* Foto/Destaque: Banner do Evento / PMV
Conhecendo a História
Tiradentes: quem foi e por que é herói nacional
Essa figura da Inconfidência Mineira só ganhou importância quase 100 anos após sua morte
Por Penelope Nogueira*
Nesta terça-feira (21), o Brasil celebra o feriado de Tiradentes. A data, mais do que um simples dia de descanso, marca a memória de uma das figuras mais simbólicas da história nacional. Mas afinal, quem foi Tiradentes e por que ele ocupa um lugar tão central no imaginário brasileiro?
De homem comum a personagem histórico
Joaquim José da Silva Xavier, conhecido como Tiradentes, nasceu em 1746, na então Capitania de Minas Gerais, região que vivia o auge, e também o início do declínio, da exploração do ouro no Brasil colonial.
De origem modesta e órfão ainda jovem, exerceu diversas atividades ao longo da vida: foi tropeiro, minerador, dentista prático e militar. O apelido “Tiradentes” veio justamente de sua atuação como uma espécie de dentista informal, prática comum na época.
Sua experiência circulando entre Minas Gerais e o Rio de Janeiro o colocou em contato direto com a realidade da colônia, marcada por altos impostos cobrados pela Coroa Portuguesa, como o “quinto”, e medidas impopulares como a “derrama”, que previa a cobrança forçada de tributos atrasados.
A Inconfidência Mineira e o ideal de independência
No final do século XVIII, esse cenário de insatisfação levou à articulação da chamada Inconfidência Mineira, um movimento organizado principalmente por membros da elite local, inspirados por ideias iluministas e por experiências como a independência dos Estados Unidos.

Inconfidência Mineira | Reprodução
O objetivo era romper com Portugal e instaurar uma república independente em Minas Gerais. Tiradentes teve um papel de destaque dentro do grupo: ao contrário de outros inconfidentes mais ligados à elite intelectual, ele atuava como divulgador das ideias revolucionárias, circulando entre diferentes camadas da sociedade.
Apesar do planejamento, o movimento foi denunciado antes de se concretizar. A delação partiu de Joaquim Silvério dos Reis, que buscava perdão de dívidas junto à Coroa Portuguesa.
Julgamento, execução e o exemplo da punição
Preso em 1789, Tiradentes foi julgado junto a outros envolvidos em um processo que durou cerca de três anos. Durante os interrogatórios, assumiu grande parte da responsabilidade pelo movimento.
Em 1792, a sentença foi definida: enquanto outros conspiradores tiveram suas penas comutadas, Tiradentes foi o único condenado à morte. A execução ocorreu em 21 de abril, no Rio de Janeiro.
O castigo foi exemplar e extremamente violento. Após ser enforcado, seu corpo foi esquartejado e exposto em diferentes pontos do caminho entre Rio e Minas Gerais. A intenção da Coroa era clara: intimidar qualquer nova tentativa de rebelião.
O esquecimento e a construção do herói
Curiosamente, após sua morte, Tiradentes não foi imediatamente reconhecido como herói. Durante o período do Império, sua imagem permaneceu marginalizada.
Foi apenas com a Proclamação da República, em 1889, que sua figura ganhou destaque. O novo regime precisava de símbolos nacionais que ajudassem a construir uma identidade republicana, e Tiradentes se encaixava perfeitamente nesse papel.
O positivismo teve papel central nessa reinterpretação. Intelectuais e políticos ligados a essa corrente construíram a imagem de Tiradentes que conhecemos hoje: a de um mártir brasileiro, altruísta e devoto à pátria, quase como Jesus Cristo.
Sua história foi resgatada e reinterpretada: de condenado pela Coroa, passou a ser visto como mártir da liberdade. Em 1890, o dia 21 de abril foi oficializado como feriado nacional.
A imagem que o Brasil aprendeu a reconhecer

Sem registros visuais precisos de sua aparência, Tiradentes foi representado ao longo do tempo de maneira idealizada. A imagem mais difundida, com barba longa e traços semelhantes aos de Jesus Cristo, foi construída já no período republicano.
Essa representação ajudou a reforçar a ideia de sacrifício e redenção, aproximando sua figura de símbolos religiosos familiares à população brasileira.
Artistas como Pedro Américo também contribuíram para consolidar essa imagem, especialmente com obras que retratam o martírio de forma dramática e simbólica.
Por que Tiradentes é importante até hoje

Tiradentes se tornou um símbolo. Sua trajetória reflete a luta contra o domínio colonial e o processo de construção da identidade nacional brasileira.
A importância de Tiradentes vai além de sua participação na Inconfidência Mineira, reflete muito mais no período político que interpreta e conta a história. Ele representa como a história pode transformar personagens reais em símbolos nacionais, adaptando suas narrativas às necessidades de cada época.
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