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Projeto Polêmico

Câmara aprova, prefeito sanciona e moradores se mobilizam contra a venda de terreno

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CIDADES

Vitória / ES

O Projeto de Lei (PL) 188/2024, que autoriza a venda de um terreno da Mata da Praia, no Parque da Pedra da Cebola, foi aprovado na Câmara de Vereadores e já sancionado pelo prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos), desagradou grande parte dos moradores que, através da sua Associação de Moradores, estão se mobilizando para discutir ações contra a venda do imóvel.

O imóvel é um dos três que será entregue à iniciativa privada através de leilão, conforme o projeto de autoria do Executivo. Ele havia sido incorporado ao Parque da Pedra da Cebola na gestão do prefeito Luciano Rezende (Cidadania).

De acordo com Silvia Gomes de Morais, presidente da Associação de Moradores da Mata da Praia, a proposta não foi discutida com a comunidade, que, segundo ela, “só ficaram sabendo quando já estava sendo para ser votado pela Câmara de Vereadores”. Silvia Moraes enfatiza que o terreno estava abandonado, com acúmulo de lixo e em função dessa situação, foi solicitado, à época, ao então prefeito Luciano Rezende que incorporasse ao Parque da Pedra da Cebola. Uma vez incorporado, os profissionais que cuidavam do Parque passaram a cuidar também do terreno.

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O terreno é contíguo ao parque no acesso pela Avenida Demerval Lyrio, que leva ao portão de entrada para a única área de estacionamento do local. A associação chegou a encaminhar ofício para a gestão municipal solicitando o veto do PL, mas sem sucesso. “A alienação do terreno com a possibilidade de edificação de prédio no local causará o aumento do tráfego na referida Rua Vicente Oliveira, o que impactaria, em muito, o já complicado acesso às vagas de estacionamento do Parque Pedra da Cebola”, diz o documento.

O texto aponta que “a comunidade está indignada e inconformada com a possibilidade de alienação daquele terreno, tendo em vista não ter sido consultada e ter ciência de que tal imóvel poderia ser utilizado para amenizar o fluxo de carro na rua, com a alteração da entrada do parque para local mais próximo à Avenida Demerval Lyrio, trazendo mais tranquilidade e sossego para os que ali residem”.

A proposta foi aprovada em votação em regime de urgência, e prevê que os imóveis municipais possam ser entregues à iniciativa privada, “por meio de procedimento licitatório na modalidade leilão”. Na Enseada está o maior terreno, com 1.115,61 m², na rua Alfeu Alves Pereira, próximo ao Shopping Vitória. No Horto, o menor, de 240 m², na rua Antônio Aleixo Neto. O da Mata da Praia tem 619,50 m².

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O único vereador que votou contrário foi André Moreira (Psol). Karla Coser (PT) não compareceu à sessão porque estava em representação em Brasília, e Leandro Piquet (PP) não votou por presidir a Casa de Leis. Aloísio Varejão (PSB), Anderson Goggi (PP), André Brandino (Pode), Chico Hosken (Pode), Dalto Neves (SDD), Davi Esmael (Republicanos), Duda Brasil (PRD), Leonardo Monjardim (Novo), Luiz Emanuel (Republicanos), Luiz Paulo Amorim (PV), Maurício Leite (PRD) e Vinícius Simões (PSB) foram favoráveis.

André Moreira apresentou duas emendas ao projeto, a 46/2024, que prevê a realização da audiência pública, e a 47/2024, no qual consta que os imóveis devem ser destinados “a assentamentos de população de baixa renda e a instalação de equipamentos de uso coletivo, na forma do art. 166 da Lei Orgânica do Município de Vitória e art. 238, V, da Constituição do Estado do Espírito Santo”. Ambas foram rejeitadas.


  • Da Redação / Com informações Século Diário
  • Foto/Destaque: Reprodução / Redes Sociais
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CIDADES

Viana, feita de histórias: moradores revivem memórias e contam como a cidade cresceu junto com eles

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Viana (ES)*

Há quem tenha chegado a Viana em busca de uma oportunidade. Há quem tenha nascido aqui e nunca tenha cogitado partir. Alguns construíram família, outros educaram gerações de estudantes, abriram um comércio, criaram projetos sociais ou transformaram um talento em profissão. Histórias diferentes, mas que se encontram no orgulho de ver a cidade crescer sem perder a essência acolhedora que sempre marcou a vida dos moradores.

Viana: 164 anos de história e cultura - PREFEITURA MUNICIPAL DE VIANA - ES

Viana: 164 anos de história e cultura / Foto: Prefeitura Municipal de Viana

Nesta quinta-feira (23), Viana celebra 164 anos de emancipação política. Ao longo desse tempo, o município deixou para trás as ruas de terra, os poucos serviços e as estruturas improvisadas para se consolidar como a cidade que mais cresce no Espírito Santo. Mas essa evolução pode ser contada muito melhor por quem a viveu de perto.

Entre essas lembranças está a da professora aposentada Maria Aparecida dos Santos Lopes, a conhecida Tia Cida. Há mais de três décadas em Marcílio de Noronha, ela viu um bairro simples se transformar no principal polo comercial do município. Quando chegou, no início da década 90, encontrou um lugar tranquilo, com poucas casas, pouco comércio e apenas uma linha de ônibus, que frequentemente quebrava. As crianças brincavam de pique nas ruas, entravam na casa dos vizinhos como se fossem extensão da própria família e as tardes terminavam nas calçadas, reunindo moradores para conversar enquanto cada um levava um prato de comida para compartilhar.

Mas nem todas as lembranças são boas. Durante 25 anos, ela morou ao lado do antigo “pinicão” de Marcílio de Noronha. “Era constrangedor convidar alguém para visitar a gente por causa do mau cheiro”, lembra. Hoje, onde antes havia um dos maiores problemas do bairro, existe a maior praça de Viana, espaço de convivência que simboliza uma transformação que ela acompanhou de perto.

Foi também em Viana que ela descobriu sua vocação como educadora. A mesma professora que começou a dar aulas em estruturas improvisadas também viu a educação municipal crescer. Durante trinta anos, passou por diversas escolas, atuando como professora, coordenadora e diretora. Formou alunos, depois ensinou seus filhos e construiu vínculos que permanecem até hoje.

Enquanto guarda na memória as antigas aulas realizadas em barracões improvisados, Tia Cida observa uma rede municipal completamente diferente daquela que encontrou no início da carreira. Hoje, Viana atende quase 15 mil estudantes em unidades modernas e climatizadas, como o novissímo CMEI Simião Cândido Pereira, em Marcílio de Noronha II. Outro destaque é a implantação do primeiro Observatório Municipal de Saúde Ocular do Brasil com triagem ativa nas escolas.  

A valorização da educação também passa pelos profissionais. O município passou a oferecer o maior salário-base do magistério no Espírito Santo, reconhecimento que se soma aos investimentos em infraestrutura, formação continuada e qualidade do ensino. Os resultados aparecem dentro e fora das salas de aula. Viana conquistou o posto de melhor educação dos anos iniciais entre os municípios da Grande Vitória, recebeu o Selo Ouro de Alfabetização e se tornou referência para outras redes municipais do Estado. Outro lugar que desperta boas recordações é o antigo Campo Careca. Ali aconteciam campeonatos de futebol, circos, parques de diversão e até apresentações do humorista Tiririca. Atualmente, o espaço deu lugar ao Centro Multiuso É pra Já e a uma praça moderna, equipada com quadra esportiva, playground e um dos principais pontos gastronômicos e comerciais de Marcílio de Noronha, reunindo dezenas de empreendedores que oferecem desde brinquedos infláveis até comidas típicas de diferentes regiões do mundo, como kebab, choripán, pastel e churrasquinho.

Para Tia Cida, a maior mudança, no entanto, foi perceber que o bairro passou a oferecer praticamente tudo o que os moradores precisam. “Hoje não precisamos mais sair daqui para comprar as coisas. Marcílio cresceu, se desenvolveu e continua sendo um lugar muito bom para viver”.

Mesmo diante de tantas transformações, Tia Cida acredita que a cidade preservou aquilo que mais a conquistou quando chegou. “É como uma menina que foi crescendo, amadurecendo, mas sem perder esse jeito acolhedor. Foi aqui que conheci meu esposo, criei minhas filhas e pretendo ver meus netos crescerem. Eu sou muito feliz em Viana”.

Em Canaã, as lembranças de Charles de Souza também começam pelas brincadeiras de infância. Morador do bairro há cinquenta anos, ele nasceu e cresceu quando praticamente não havia infraestrutura na comunidade. Sem praças, o espaço para brincar era o famoso Morro do CCF, onde descia de carrinho de rolimã até voltar para casa com os joelhos ralados. “Nós jogávamos bola na rua mesmo. Era tudo muito simples”.

Ele recorda de um tempo em que não existiam água encanada nem iluminação pública. A água precisava ser buscada em baldes e, durante o período de chuvas, o barro dificultava até a chegada dos professores às escolas. “As professoras passavam pelo morro e precisavam lavar os pés nas casas antes de entrar para dar aula”.

Décadas depois, a paisagem mudou completamente. As crianças passaram a contar com espaços seguros de convivência, como o Parque Linear de Canaã, um dos principais cartões-postais da cidade. Os antigos barrancos deram espaço a um dos principais tapetes viários do Estado, consolidando Viana como capital estadual da logística, atraindo grandes centros de distribuição e empresas nacionais e internacionais, resultado de uma infraestrutura que transformou a realidade do município.

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Hoje, Viana abriga centros de distribuição de empresas como Amazon, Shopee, RaiaDrogasil e Hypera Pharma, além de diversos empreendimentos que movimentam a economia e geram milhares de empregos, reforçando sua posição estratégica no Espírito Santo.

Na Sede, o comerciante Adalberto Grijó, conhecido por todos como Beto, também coleciona histórias de uma Viana muito diferente da atual. Ele lembra do tempo em que as compras eram feitas a granel, em sacos de papel, quando não havia geladeira e a carne era conservada na banha. Na frente de uma das casas existia um chafariz que reunia moradores para buscar água e, muitas vezes, para se refrescar escondido.

As ruas eram quase todas de terra e as brincadeiras também eram outras. Pipa, bolinha de gude, carrinho de rolimã e longas conversas entre vizinhos ajudaram a construir amizades que permanecem até hoje. “Quando falo de Viana, lembro da segurança, da tranquilidade e das pessoas que conheço desde pequeno. É isso que faz a gente criar raízes”.

Hoje, aquela cidade de ruas simples deu lugar a um município totalmente estruturado. Por meio do programa Minha Rua Melhor, Viana alcançou 100% de cobertura de pavimentação e macrodrenagem, transformando a mobilidade urbana e proporcionando mais qualidade de vida aos moradores.

Se há alguém que conhece o valor de criar raízes em Viana, essa pessoa é Penha Guasti. Professora aposentada da rede municipal e artesã, ela escolheu o bairro Jucu para construir a família, fazer amigos e deixar sua contribuição para a educação de centenas de alunos. “Foi aqui que fiz parceiros para a vida toda”.

As lembranças passam pelas aulas de Educação Física realizadas no antigo campo de futebol do bairro, único espaço de lazer da época, e pelo orgulho de viver às margens do Rio Jucu, responsável por abastecer boa parte da Grande Vitória. “Além do rio, temos também as ruínas de Nossa Senhora de Belém, que são muito visitadas. É um lugar que faz parte da nossa história”.

Assim como guarda a memória da cidade, o Rio Jucu também passou a revelar um novo potencial para Viana. Além de sua importância hídrica para a região metropolitana, o rio se consolidou como um dos principais cenários do turismo de experiência no município. Este ano, recebeu a primeira descida organizada de caiaque, em um percurso entre Pedra da Mulata e Jucuruaba que atravessa quilômetros de Mata Atlântica preservada e proporciona aos participantes o contato com a fauna e a flora da região. Para quem busca ainda mais aventura, o tradicional pontilhão sobre o Rio Jucu também se tornou ponto de encontro para praticantes de bungee jump, reforçando a vocação da cidade para o turismo de experiência.

Depois de se aposentar, Penha encontrou no artesanato uma nova forma de preservar a cultura local. Em 2012, passou a se dedicar integralmente à produção artesanal, ensinando técnicas e incentivando outras mulheres a transformarem a criatividade em fonte de renda. Nos últimos anos, esse trabalho ganhou ainda mais incentivo com a entrega da Casa do Artesão, em Viana Sede, que passou a oferecer um ambiente mais estruturado para produção, exposição e comercialização das peças produzidas pelas artesãs do município.

Quem também escolheu transformar vidas em Viana foi Edson Silva, o Nena. Conhecido na Sede pelo projeto social Ame a Vida, ele iniciou o trabalho em 2011 com um objetivo que ia muito além do esporte. “A pretensão nunca foi formar jogador. A pretensão sempre foi formar cidadão.”

Ao longo dos anos, viu crianças crescerem, construírem suas famílias e ingressarem no mercado de trabalho. “Hoje encontro meninos que começaram comigo em 2011 já casados, trabalhando, seguindo suas vidas. Isso é muito gratificante.”

Para Nena, acompanhar o desenvolvimento da cidade é motivo de orgulho. “Viana passou por momentos difíceis, mas hoje é uma cidade modernizada. Temos campos modernos, quadras modernas, praças modernas. Temos natureza, trilhas, esporte… É uma cidade que oferece tudo”.

Esse crescimento também colocou Viana no calendário de importantes eventos esportivos do Espírito Santo. O Estádio Municipal de Arlindo Villaschi recebe partidas do Capixabão, enquanto, também, passou a sediar competições de futebol americano. Nas comemorações pelos 164 anos, a cidade também recebeu uma etapa do Campeonato de Balonismo, que coloriu o céu de Araçatiba e integrou a programação oficial de aniversário do município.]

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Há quase cinquenta anos em Vila Bethânia, o casal Antônio da Luz e Lenice da Luz viu o bairro nascer praticamente junto com a família. Moradores desde 1976, eles chegaram quando a comunidade ainda era formada por poucas casas, ruas de terra e muitos terrenos vazios. “Nossa casa foi uma das primeiras daqui”, recorda Antônio.

Ao longo dos anos, eles viram novas famílias chegarem, o bairro crescer e a vizinhança construir uma relação de confiança. “Todo mundo procurava cuidar da casa do outro. As famílias sempre estavam unidas”.

Lenice chegou grávida da primeira filha. Foi em Vila Bethânia que criou os três filhos, viu nascer netos, bisnetos e construiu uma história de mais de quatro décadas como vendedora. “Hoje tenho 69 anos e continuo trabalhando. Nunca pensei em sair daqui. Outros lugares não me enchem os olhos”.

Ela observa que a cidade mudou sem perder a tranquilidade. “No começo era difícil. Não tinha ônibus, quase não tinha estrutura. Hoje temos escola, PA, UPA, Farmácia Popular… Marcílio de Noronha virou praticamente uma cidade. É um centro comercial muito movimentado. A gente vê Viana crescendo e continua se sentindo seguro para viver aqui”.

 

Essa percepção dos moradores acompanha uma transformação construída ao longo dos últimos anos. Na segurança pública, Viana fortaleceu a atuação da Guarda Municipal que, ao completar seis anos de criação em 2026, passou a contar com o maior salário-base da categoria em todo o Espírito Santo, valorizando os profissionais responsáveis por servir e proteger a população. O município também ampliou a integração das forças de segurança com a implantação do 17º Batalhão da Polícia Militar, além da criação de três companhias independentes, reforçando o policiamento em diferentes regiões da cidade.

Na saúde, a evolução também faz parte da rotina dos moradores. Reformas estruturantes nas unidades existentes, construção de novas Unidades Básicas de Saúde e a implantação da Policlínica de Marcílio de Noronha ampliaram significativamente o acesso da população a consultas e atendimentos especializados.

Entre os avanços está a oferta das teleconsultas, modalidade de atendimento em que o paciente conversa com médicos especialistas por meio de videoconferência. A tecnologia permite que moradores recebam atendimento remoto com segurança, reduzindo filas, diminuindo o tempo de espera e evitando deslocamentos para outros municípios, tornando o acesso à saúde mais rápido e eficiente.

Esse fortalecimento da rede também passa pela valorização dos profissionais. O maior concurso público da história de Viana reforçou diferentes áreas da administração municipal e garantiu a contratação de novos agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias, ampliando o atendimento nos bairros e aproximando ainda mais os serviços da população. 

Ao olhar para trás, as lembranças dos moradores passam pelas ruas de terra, pelos carrinhos de rolimã, pelas conversas nas calçadas, pelos campos de futebol improvisados e pelas salas de aula montadas em barracões. Ao olhar para o presente, eles enxergam uma cidade que se tornou referência em educação, infraestrutura, saúde, segurança, desenvolvimento econômico, esporte, turismo e qualidade de vida.

Mas, para quem ajudou a construir essa trajetória, o maior patrimônio de Viana continua sendo o mesmo. São as pessoas. Ao completar 164 anos, Viana segue escrevendo novos capítulos de sua história. Uma história construída principalmente, pelas pessoas que escolheram permanecer, criar seus filhos e transformar o município em um lugar onde passado e futuro caminham lado a lado.

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  • Fonte: Prefeitura de Viana / Comunicação – Conteúdo
  • Foto destaque: Divulgação / PMV
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