Espião Russo
EUA reagem à decisão do Brasil de permitir retorno de espião à Rússia
BRASIL
Departamento de Estado americano diz está “profundamente preocupado”; o russo Sergey está preso no Brasil desde 2022
Por Giovanna Rodrigues* | Brasília (DF)
O governo do presidente Donald Trump reagiu à decisão do Brasil de permitir que Sergey Vladimirovich Cherkasov, apontado pelos Estados Unidos como espião russo, deixe o país e retorne à Rússia. Em nota enviada à BBC nesta quarta-feira (8/7), um porta-voz do Departamento de Estado americano afirmou que os EUA estão “profundamente preocupados” com a medida e que ela enfraquece o compromisso conjunto de combater interferências estrangeiras.
O governo americano também pediu que o Brasil considere o precedente que será criado pela decisão e trabalhe em conjunto com Washington para responsabilizar pessoas que , segundo os EUA, ameaçam nossa segurança coletiva”.
A decisão brasileira foi publicada na segunda-feira (6/7) no Diário Oficial da União. O governo determinou a expulsão de Cherkasov do país e abriu caminho para seu envio à Rússia. Essa medida, porém, só poderá ser cumprida após o fim da pena à qual ele foi condenado no Brasil ou caso haja uma liberação antecipada pelo Judiciário. Ainda não há previsão de quando a decisão será executada.
Sergey Cherkasov está preso desde 2022 em uma penitenciária federal de Brasília . Ele cumpre pena de cinco anos de prisão por falsidade ideológica. Ele é apontado pela Polícia Federal e pelo FBI como um agente de inteligência russo que usava uma identidade falsa brasileira para atuar no exterior. Ele viveu 12 anos como brasileiro.
No entanto, os investigadores não encontraram evidências de que Cherkasov atuou como espião contra o Brasil. Seu alvo seriam os Estados Unidos e países europeus. Ele ainda nega ser um espião a serviço do governo russo.
Desde que Cherkasov foi preso, americanos e russos entraram em uma disputa diplomática pelo seu destino. Ambos os países apresentaram pedidos de extradição ao governo brasileiro, mas com versões opostas sobre a identidade e atuação do acusado.
Entenda a disputa
A disputa envolvendo Cherkasov começou oficialmente em agosto de 2022, quando a Rússia solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) sua extradição. Moscou alegava que ele era procurado no país por tráfico de drogas.
A versão foi contestada pelos Estados Unidos e por autoridades brasileiras, que afirmavam que a acusação poderia ser uma tentativa russa de repatriar um suposto espião.
Em março de 2023 o Departamento de Justiça dos Estados Unidos apresentou uma acusação criminal contra Cherkasov afirmando que ele era um agente de serviço de inteligência militar russo, o GRU .
Segundo os EUA, Cherkasov teria usado a identidade falsa de Victor Muller Ferreira para atuar em território americano e se infiltrar em instituições acadêmicas e políticas. Washington afirmou que ele faria parte do grupo conhecido como “ilegais”, formado por agentes russos de inteligência enviados ao exterior com identidades falsas.
No mesmo mês, o ministro do STF Luiz Edson Fachin, relator do caso, autorizou a extradição de Cherkasov para a Rússia. Entrega essa, porém, que não poderia ocorrer imediatamente, pois estava condicionada à conclusão das investigações brasileiras sobre a atuação do suposto agente em território nacional.
Em abril do mesmo ano, os EUA também apresentaram um pedido de extradição, acusando Cherkasov de atuar como agente estramgeiro em solo americano. Em julho de 2023, o Ministério da Justiça brasileiro negou o pedido, argumentando que já havia um pedido da Rússia homologado pelo STF.
Apesar disso, a entrega de Cherkasov permaneceu suspensa devido às investigações e pendências judiciais no Brasil, até o fim do ano passado, quando a Justiça Federal e o Ministério Público Federal (MPF) informaram que o acusado já não teria nenhum impedimento.
A decisão, então, dependia da Presidência da República, já que as entregas em casos de extradição precisam ser deliberadas pela chefia do Poder Executivo ou pelo órgão indicado por ela. Neste caso, o processo de Cherkasov está sendo conduzido pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.
O espião
Em abril de 2022, Sergey Cherkasov foi detido em Amsterdã, na Holanda, quando tentava entrar no país e foi mandado de volta ao Brasil. Ele se apresentava como o brasileiro Victor Muller Ferreira e havia sido aprovado em um programa de estágio no Tribunal Penal Internacional, em Haia.
As investigações conduzidas por holandeses, brasileiros e americanos apontam que Cherkasov era um agente do GRU, serviço de inteligência das Forças Armadas russa. Devolvido ao Brasil, Cherkasov foi preso, processado e condenado a 15 anos de prisão no Brasil por uso de documento falso.
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- Correio Braziliense – Conteúdo / Com informações da BBC.
- Foto destaque: Sergey Cherkasov / Crédito: Reprodução
BRASIL
Novo terremoto é registrado na costa do Rio dias após sequência de abalos
Um tremor de magnitude 3.0 foi registrado na costa do Rio de Janeiro, próximo a Maricá, dias após uma sequência de abalos no litoral de Saquarema
Por Quintino Freire* | Rio de Janeiro (RJ)
Um novo tremor foi registrado na tarde deste sábado (4) no litoral do Rio de Janeiro, a cerca de 60 quilômetros de Maricá, na Região Metropolitana. O sismo teve magnitude 3.0 e foi detectado por estações da Rede Sismográfica Brasileira.
O registro ocorre poucos dias após outra sequência de tremores na costa fluminense. Entre 26 e 30 de junho, nove abalos foram identificados na região de Saquarema, sendo o mais forte de magnitude 2.5.
Antes disso, nos dias 21 e 22 de maio, a área próxima a Maricá também teve uma sequência de abalos. Na ocasião, o maior evento chegou à magnitude 3.3.
Margem sudeste tem atividade sísmica conhecida
Apesar de chamarem atenção, os registros fazem parte de um comportamento geológico já conhecido e monitorado há décadas. A margem sudeste brasileira é uma das áreas de maior atividade sísmica do país, embora os eventos sejam, em geral, de baixa magnitude.
Segundo o sismólogo Gilberto Leite, do Observatório Nacional, tremores como os registrados nos últimos dias estão dentro do padrão esperado para a região. Gilberto Leite afirmou: “A ocorrência de sismos na margem sudeste do Brasil já é bem conhecida. Essa região da plataforma continental é considerada uma das zonas sísmicas do país, por isso eventos entre magnitudes 2 e 3 são esperados e não representam algo incomum”.
José Alexandre, do Centro de Sismologia da USP, explica que pelo menos 12 terremotos já foram confirmados na costa fluminense desde 1970, sem contar os eventos registrados neste ano.
Segundo José Alexandre: “Os tremores acontecem na região de transição entre a plataforma continental e o talude continental. As suspeitas são de que estejam relacionados a escorregamentos de rochas inconsólidas ou a falhas mais profundas que fazem parte do embasamento”.
Especialistas descartam risco para a população
Mesmo com a sequência de registros, especialistas afirmam que não há motivo para preocupação. Os tremores recentes tiveram baixa magnitude e ocorreram longe da costa, em área marítima.
O geógrafo marinho Eduardo Bulhões, da Universidade Federal Fluminense (UFF), afirma que os eventos não oferecem risco civil. Segundo ele: “A população do litoral fluminense pode ficar bem tranquila. Esses registros têm relevância praticamente nula para o risco civil e não oferecem perigo. Também não existe risco de tsunami associado a esses eventos”.
A avaliação é a mesma do Centro de Sismologia da USP. José Alexandre disse: “Os sismos no litoral do Rio estão muito distantes da costa, portanto as chances de causarem algum dano à população são praticamente nulas”.
Gilberto Leite também reforça que a maior parte desses tremores sequer é sentida pela população. Segundo o sismólogo: “Não há motivo para preocupação. Eles estão dentro da faixa esperada para a região e raramente são sentidos. O que podemos fazer é monitorar continuamente essa atividade”.
A Rede Sismográfica Brasileira instalou recentemente sismógrafos no fundo do mar para ampliar o estudo da atividade sísmica na margem sudeste. Os equipamentos devem ser recolhidos entre setembro e outubro, quando os pesquisadores esperam avançar na compreensão sobre a origem desses tremores e sobre a dinâmica da costa fluminense.
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- Diário do Rio – Conteúdo
- Foto destaque: Reprodução / DR
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