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Contaminação Hídrica

Fiocruz encontra cocaína em rios do Rio de Janeiro

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BRASIL

Pesquisa também encontrou benzoilecgonina e apontou efeitos tóxicos em organismos aquáticos

Por Mateus Aguiar* | Rio de janeiro (RJ)

Uma pesquisa coordenada pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) identificou a presença de cocaína e de benzoilecgonina, principal metabólito da droga, em cinco rios da capital e da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Foram analisados os rios Irajá e Carioca, os canais do Cunha e do Mangue e o Rio Meriti, em Duque de Caxias. Todos deságuam na Baía de Guanabara.

Os resultados chamaram atenção pelos altos níveis de contaminação, superiores aos encontrados em estudos semelhantes realizados em países como Bélgica, Espanha e Estados Unidos. Entre julho de 2022 e junho de 2023, os pesquisadores fizeram coletas mensais de água. Das 60 amostras analisadas, apenas uma não apresentou cocaína, enquanto todas tiveram presença de benzoilecgonina.

Em quase todas as amostras, a concentração de benzoilecgonina foi maior do que a de cocaína, padrão compatível com contaminação por esgoto que carrega dejetos de usuários da droga. Em apenas uma coleta o cenário foi diferente, com quantidade de cocaína quatro vezes maior que a do metabólito, o que pode indicar descarte direto da substância no ambiente.

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A maior contaminação ocorreu na estação chuvosa, entre outubro e março, com pico em janeiro. Segundo os autores, esse comportamento acompanha o que já foi observado em pesquisas nacionais e internacionais, que relacionam o aumento de drogas ilícitas no ambiente a períodos de férias e festas.

Para avaliar os efeitos das substâncias, os cientistas realizaram ensaios com embriões de zebrafish, peixe usado com frequência em estudos de ecotoxicologia. A exposição às concentrações encontradas nos rios provocou aumento de mortalidade, deformações e alterações cardiovasculares e neurológicas.

O metabólito apresentou efeito ainda mais nocivo que a própria cocaína. Em laboratório, danos foram observados mesmo com 13% da concentração de benzoilecgonina detectada no ambiente, o que reforça a preocupação com os impactos sobre os ecossistemas aquáticos em áreas urbanizadas.

Próximas etapas da pesquisa

Diante dos resultados, os autores destacam a importância de incluir a cocaína e seu metabólito em programas de monitoramento e em avaliações de risco ecológico. A recomendação busca ampliar a proteção dos ecossistemas aquáticos em regiões densamente ocupadas e sujeitas à pressão de esgoto e descarte de contaminantes.

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A investigação avançou para uma segunda fase, agora com análise de 13 rios do Rio de Janeiro. As novas coletas foram realizadas entre dezembro de 2023 e novembro de 2024, e as análises seguem em andamento, com previsão de conclusão no primeiro semestre de 2027.

                              A NOTÌCIA É QUE IMPORTA

Quem participou do estudo

Além do IOC/Fiocruz, a pesquisa contou com parceria da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz), do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS/Fiocruz), da UERJ, da UFRJ e da Unirio. O trabalho teve financiamento da Faperj e foi publicado na revista científica internacional Aquatic Toxicology.

O estudo integrou a tese de doutorado de Gabriel de Farias Araujo, desenvolvida no Programa de Pós-graduação em Saúde Pública e Meio Ambiente, da Ensp/Fiocruz, sob orientação de Enrico Saggioro, pesquisador do Laboratório de Avaliação e Promoção da Saúde Ambiental do IOC.

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  • Diário do Rio – Conteúdo
  • Foto Destaque: Divulgação / OC- Fiocruz
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BRASIL

PEC 6×1: Alcolumbre pauta discussões em Plenário para próxima semana

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Para matéria ser votada, são necessárias cinco sessões de discussão em Plenário

Por Luíza Altoé* | Brasília (DF)

O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), pautou para a próxima semana as três primeiras sessões de discussão da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que põe fim à escala de trabalho 6×1. As sessões ocorrerão na próxima terça (6), quarta (7) e quinta-feira (8/10). 

Vale relembrar que, uma PEC precisa passar por cinco sessões de discussão no Plenário do Senado antes da votação em primeiro turno, e por três sessões de discussão antes da votação em segundo turno.

O presidente e candidato à reeleição pelo PT, Luiz Inácio Lula da Silva, ressaltou nesta quarta-feira (30/9) a mobilização de seu governo pela aprovação da proposta ainda este ano, após o primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro.

No início de setembro, a matéria foi aprovada na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado Federal e seguiu para o Plenário da Casa. O líder do governo no Congresso Nacional, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), admitiu à imprensa que houve uma preocupação com a quantidade de votos. 

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Para a aprovação da matéria, eram necessários 49 votos favoráveis em dois turnos. “Nós consultamos o presidente Davi (Alcolumbre, presidente do Senado). Ele fez a seguinte pergunta: ‘vocês têm certeza do número de votos?’ Nós checamos, fizemos a verificação necessária. Não tínhamos”, explicou o líder.

A matéria teve andamento no Senado Federal após uma melhora na relação entre o presidente Lula e Alcolumbre. Após uma série de reuniões, a pauta prioritária do governo foi destravada no Senado. Além de 6×1, o plenário do Senado ainda aprovou projetos como o que institui o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata) e o que estabelece a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE). 

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  • Correio Braziliense – Conteúdo
  • Foto Destaque: Crédito – Gazeta do Povo
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