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STF em Ação

Fachin promete fim do inquérito das fake news em meio à crise no STF

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BRASIL

Presidente do STF assegura que Corte dará resposta “firme e rigorosa” para conter a crise aberta pelo confronto entre os ministros Moraes e Mendonça. Uma delas é sepultar uma investigação que tem sete anos e serve de “guarda-chuva” para várias apurações

Por Armando Holanda e Renato Souza* | Brasília (DF)

O ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal, garantiu, ontem, que a Corte dará uma resposta “firme, proporcional e rigorosa” para a crise institucional deflagrada pelo confronto entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes. Entre as medidas que pretende levar adiante para restaurar a normalidade no STF está o fim do Inquérito das Fake News, uma vez que, segundo po magistrado, os acontecimentos recentes demonstram o “acerto e a urgência” de concluir a investigação. Fachin salientou que “não haverá precipitação, mas tampouco omissão” do STF.

“Faremos o que é certo, no tempo e pela forma que a ordem jurídica exige. Instituições precisam ser preservadas, sobretudo nos momentos de maior tensão”, destacou.

Segundo o presidente do STF, “nenhuma autoridade está acima da Constituição Federal. Nenhum Poder está acima da lei e nenhum interesse circunstancial pode se sobrepor à integridade do Estado Democrático de Direito. A gravidade dos fatos não autoriza atalhos. Ao contrário, quanto maior o desafio, maior deve ser compromisso com a legalidade, o devido processo e as garantias constitucionais”.

Aberto de ofício em 2019, quando o ministro Dias Toffoli era presidente da Corte, o Inquérito das Fake News tem Moraes como relator. A investigação há tempos recebe duras críticas porque, conforme avaliação do mundo jurídico, tornou-se um “guarda-chuva” que abriga várias apurações, abertas sempre em que se acirram ataques ao STF. O ministro aposentado Luís Roberto Barroso anunciou, quando esteve à frente da Corte, disse que ia encerrá-lo, mas não o fez. O próprio Fachin afirmou, em março, que o inquérito estava chegando ao fim.

O presidente do STF ainda ressaltou que a crise que envolve Moraes e Mendonça demonstra o “acerto e a urgência” de mais uma das metas da sua gestão: a adoção de um código de ética, cuja relatoria foi entregue à ministra Cármen Lúcia. A avaliação entre integrantes dos Três Poderes é a de que a Corte precisa não apenas responder aos fatos envolvendo Moraes, mas estabelecer mecanismos capazes de preservar a credibilidade diante dos questionamentos sobre a atuação de seus integrantes.

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Gonet investigado

Já o Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) abriu, ontem, procedimento para apurar citações ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, em conversas interceptadas pela Polícia Federal (PF) no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O conselheiro Francisco Sanseverino será o relator e a diligência foi aberta após petição impetrada pelo Partido Novo.

Gonet será ouvido para explicar as citações relacionadas a ele. No fim, o processo vai ao plenário do Conselho para a decisão sobre o caso, que, na hipótese extrema, pode levar ao afastamento do atual PGR do cargo.

As mensagens em que Gonet aparece estão em um relatório produzido pela PF e enviado ao ministro Mendonça.

Reforma do Judiciário 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, ontem, que pretende fazer, no próximo ano, uma discussão profunda sobre a necessidade de uma reforma no Judiciário. “Tenho certeza de que faremos para o próximo ano uma discussão profunda sobre a reforma do Judiciário para que o povo possa continuar acreditando na Justiça”, disse, em cerimônia no Palácio do Planalto, ao lado de Fachin. Lula, porém, voltou a cobrar transparência na apuração dos episódios que colocaram o Supremo sob pressão.

Sem citar Moraes e Mendonça, Lula frisou que “ninguém, em nome da democracia, pode usar o cargo que tem em benefício pessoal”. No evento em que sancionou a criação de fundos para a Justiça Federal, fez uma enfática defesa das instituições. E criticou movimentos que tentam desgastar a imagem do Judiciário. Disse, ainda, que tem uma preocupação quase que “sobrenatural” para que a sociedade não perca a esperança e a fé nas instituições.

“Todo mundo tem que estar subordinado aos mesmos trâmites da legislação. Afinal de contas, ela vale para todos. E disse ao meu amigo Fachin: a Suprema Corte e a Procuradoria-Geral da República estão com muita expectativa da sociedade brasileira. Porque quando os filhos estão em desordem, é quem manda na casa quem resolve”, frisou Lula.

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“Têm algumas pessoas que tentam enfraquecer, desmoralizar (a Justiça), quando, no fundo, qualquer país de democracia forte tem instituições que garantem o funcionamento dela com muita competência”, salientou, em mais uma crítica velada, dessa vez aos bolsonaristas, que fazem campanha aberta pelo impeachment de Moraes (leia na página 3) e, frequentemente, atacam o STF.

Para o presidente, a pacificação que está nas “costas” de Fachin e de Gonet — também presente ao evento —, que têm a responsabilidade “de passar o mínimo de tranquilidade sem tentar esconder absolutamente nada”.

“Meu caro: está nas suas costas, e nas costas do Paulo Gonet, a responsabilidade de passar o mínimo de tranquilidade, sem tentar esconder absolutamente nada”, completou.

“Época perigosa”

Lula também avaliou que o Brasil vive uma “época perigosa” e afirmou que “denuncismo, vazamentos e fake news não contribuem com democracia”. Recentemente, parte da investigação na Polícia Federal contra o filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva — o Lulinha — foi vazada para a imprensa. Mendonça, relator da investigação sobre Lulinha no âmbito das fraudes no INSS, mandou a PF investigar a origem do vazamento dos dados. A determinação atendeu a um pedido da defesa do filho do presidente.

A cobrança de Lula vem um dia depois de defender a “integridade das investigações” relacionadas ao Master. Na quarta-feira, Mendonça trouxe a público um relatório da Polícia Federal que aponta diálogos de Moraes com Vorcaro e outros personagens da órbita do ex-banqueiro. Na quinta-feira, Moraes reagiu abrindo num inquérito contra Mendonça no inquérito das fake news, em que o acusa o também ministro do STF nos casos do Master e do INSS de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.

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  • Matéria do Correio Braziliense – Conteúdo
  • Foto destaque: Reprodução / Redes Sociais
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Delegados da PF pedem que Gonet se declare impedido para apurar relatório

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A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) quer que Gonet se retire de investigações com citações ao Procurador Geral da República

Por Manuela de Moura e Luana Patriolino* | Brasília (F)

A ADPF pediu neste sábado (5) que o procurador geral da República, Paulo Gonet, se declare impedido de atuar na apuração sobre a elaboração de um relatório da Polícia Federal (PF) relacionado à Operação Compliance Zero.

A ADPF argumenta que Gonet deveria se declarar impedido porque seu nome aparece no próprio relatório que está sendo analisado pela PGR. A entidade cita o artigo 258 do Código de Processo Penal, que estende aos integrantes do Ministério Público as regras de impedimento e suspeição aplicadas aos juízes.

“Independentemente de qualquer juízo sobre intenções, que a ADPF não formula, o efeito objetivo da medida é intimidatório sobre os investigadores”, afirmou a associação.

A entidade também questionou o fato de a apuração ter como alvo os policiais responsáveis pela elaboração do documento, e não a decisão judicial que determinou sua produção.

Para a ADPF, responsabilizar os executores por cumprir uma ordem judicial transfere aos investigadores uma controvérsia que, na avaliação da associação, deve ser discutida no próprio STF.

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“Se a Procuradoria-Geral da República entende que a decisão determinante do relatório é irregular ou que deveria ter sido previamente comunicada, a via própria é o processo perante o Supremo Tribunal Federal”, afirmou a associação.

Relatório da Policia Federal

– A controvérsia envolve um relatório produzido pela PF a pedido do ministro André Mendonça, do STF

– O documento reuniu informações sobre mensagens e contatos do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, com autoridades, entre elas o ministro Alexandre de Moares e o próprio Paulo Gonet.

– Após retirar o sigilo do relatório, Mendonça determinou que os elementos apresentados fossem analisados e solicitou manifestação da PGR.

– Na sequência, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, passou a conduzir os procedimentos relacionados ao caso e pediu esclarecimentos à Procuradoria sobre a elaboração do documento.

– A PGR informou a Fachin que abriu o Procedimento de Controle Externo da Atividade Policial para apurar se houve eventual ordem ou interferência externa que pudesse ter comprometido o conteúdo do relatório.

– Segundo a Procuradoria, o Ministério Público não foi comunicado sobre a determinação para a produção do material.

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– A PGR sustenta que a ausência de comunicação impediu o exercício do controle externo da atividade policial durante a elaboração do documento.

– Além do impedimento de Gonet, a associação pediu o arquivamento do procedimento instaurado pela PGR, sob o argumento de que o instrumento seria inadequado para questionar uma decisão do STF.

A entidade também defendeu que os fatos revelados pela Operação Compliance Zero sejam investigados “em toda a sua extensão”, sem seletividade em relação às autoridades envolvidas.

A ADPF afirmou ainda que prestará assistência aos delegados e servidores eventualmente alcançados por procedimentos instaurados nas circunstâncias questionadas.

“Assegurar que ninguém seja responsabilizado por cumprir ordem judicial não é defesa corporativa: é defesa da capacidade do Estado brasileiro de investigar sem receio de retaliação”, declarou a entidade.

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  • Matéria do Metrópoles – Conteúdo
  • Foto destaque: Crédito – Breno Esaki / Metrópolis

 

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