Política Nacional
Os partidos com mais chances de serem extintos por baixo desempenho neste ano
Política Nacional
Por Gabriel Sestrem*
As eleições de 2026 podem sacramentar o processo de “enxugamento” de partidos que registram baixo desempenho nas votações nacionais, que ocorrem a cada quatro anos no Brasil. A chamada “cláusula de barreira”, ou cláusula de desempenho – mecanismo criado em 2017 pela minirreforma eleitoral – estipula um desempenho mínimo nas urnas para que os partidos tenham acesso a recursos do fundo partidário e tempo de propaganda em rádio e TV.
Sem isso, a sobrevivência política das siglas fica quase inviável. Desde 2018, a regra levou à extinção, seja por fusão ou incorporação, de sete partidos: PPL, PRP, PHS, Pros, PSC, Patriota e PTB.
Em 2026, ao menos nove partidos estão em situação delicada e precisarão de um salto significativo de desempenho na comparação com as eleições de 2022 para atingir a cláusula de barreira. O desafio não é simples: as metas de desempenho aumentam progressivamente até 2030, e neste ano os partidos precisarão eleger ao menos 13 deputados federais ou ter 2,5% dos votos válidos para Câmara.
Para se proteger contra a “inanição” por falta recursos públicos e tempo de rádio e TV, a lei permite que partidos formem federações, que são uma aliança entre dois ou mais partidos que passam a atuar como se fossem uma única legenda por um período mínimo de quatro anos. Outra opção é a fusão entre partidos, para somar o número de deputados federais e alcançar a meta de desempenho.
Para Leandro Gabiatti, especialista em ciência política e diretor da Dominium Consultoria, a fusão partidária é a opção mais drástica, enquanto a federação tende a ser uma medida mais sutil, já que os partidos mantêm suas estruturas e autonomia, com alinhamento em questões específicas.
“As federações estão servindo para que grandes siglas aumentem seu poder na Câmara, como é o caso da união entre o União e o PP, mas também são uma alternativa para que siglas menores consigam superar a cláusula de desempenho em 2026”, explica Gabiatti. “Sem essas duas opções, legendas pequenas tendem ao desaparecimento, pois se tornarão inviáveis financeiramente”, prossegue.
Cláusula de barreira: quais partidos estão mais vulneráveis nas eleições de 2026
A seguir, os partidos mais suscetíveis à cláusula de barreira nas eleições deste ano, bem como sua orientação política e o número de deputados e senadores de cada um.
Novo
Direita (5 deputados federais e 1 senador)
Apesar do desempenho negativo nas eleições de 2022, quando viu seu tamanho na Câmara reduzir de oito para apenas três deputados, o partido Novo passou por mudanças estruturais nos últimos anos, que levaram a legenda a ter bons resultados nas eleições municipais de 2024.
O partido também conseguiu atrair nomes fortes, como os do ex-procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol e do ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles. À Gazeta do Povo, o presidente do partido, Eduardo Ribeiro, diz que estima a eleição de cerca de 25 deputados federais, além de quatro senadores, o que colocaria o Novo em situação confortável em relação à cláusula de barreira.
“O partido Novo chega nas eleições de 2026 muito mais forte do que estava em 2018 e 2022. Isso é uma certeza absoluta”, avalia.
Solidariedade
Centro-esquerda (5 deputados federais, nenhum senador)
Vindo de um resultado fraco nas últimas eleições nacionais, quando elegeu apenas cinco deputados, o Solidariedade articulou, ainda em 2025, a criação de uma federação partidária com o Partido da Renovação Democrática (PRD). Sem nenhum nome popular para as eleições deste ano, a legenda terá um grande desafio para superar a cláusula de barreira.
PRD
Centro (5 deputados federais e nenhum senador)
Mesmo unidos em uma federação, PRD e Solidariedade estão em situação delicada, já que os dois partidos somam apenas 10 deputados federais, número inferior aos 13 necessários.
A própria existência do PRD é resultado da cláusula de barreira, já que o partido foi criado a partir da fusão entre os extintos Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e Patriota. As antigas legendas não atingiram o desempenho mínimo em 2022 e, ao se fundirem, somaram seus votos para ter direito ao fundo partidário.
PSDB
Centro-esquerda (14 deputados federais e 3 senadores)
Antiga superpotência, que disputou a hegemonia do poder com o Partido dos Trabalhadores (PT) entre a década de 90 até 2014, o PSDB enfrenta uma crise sem precedentes e está na zona de risco da cláusula de barreira, lutando para não se tornar um partido “nanico”.
Os tucanos estão encerrando uma federação com o Cidadania iniciada em 2022 e agora buscam um novo partido para federar, já que uma tentativa recente de união com o Podemos acabou fracassando.
Cidadania
Centro-esquerda (5 deputados federais e nenhum senador)
O Cidadania está no final do período de federação com o PSDB e o clima é de divórcio. O partido aprovou, em junho de 2025, deliberação para não renovar a união com os tucanos e busca agora se federar ao PSB em 2026 para se manter como um partido viável. Sem a federação, há um desafio enorme para alcançar a meta mínima em 2026.
Avante
Centro (8 deputados federais e nenhum senador)
O Avante ficou no limite da cláusula de barreira em 2022 e está com o alerta ligado para este ano, uma vez que não há expectativas de grandes “puxadores de votos”. Mesmo assim, o presidente do partido, Luis Tibé, descartou a possibilidade de federação durante um evento do Avante na Bahia, em outubro de 2025.
Um dos nomes fortes do partido, o deputado federal André Janones (MG), acabou bastante desgastado após confessar a prática de rachadinha no início do ano passado.
Podemos
Centro (16 deputados federais e 4 senadores)
Após desistir da fusão com o PSDB, o Podemos decidiu ir sozinho às eleições de 2026. Com 16 deputados, o partido já estará acima do número mínimo caso consiga reeleger todos, mas ainda busca outros nomes para garantir o desempenho necessário. A legenda reúne alguns nomes fortes do Congresso, como os senadores Oriovisto Guimarães (PR) e Soraya Thronicke (MS).
PDT
Esquerda (16 deputados federais e 3 senadores)
Outro partido historicamente forte, o Partido Democrático Trabalhista (PDT) passa por um momento delicado e perdeu bastante protagonismo nos últimos anos. Recentemente também perdeu os irmãos Cid e Ciro Gomes, que migraram para PSB e PSDB respectivamente.
Em 2022, o PDT elegeu 17 deputados, mas com o risco vindo do aumento da cláusula de barreira em 2026, tenta articular a criação de uma federação com o PSB.
Partido Missão
Direita (nenhum deputado federal e nenhum senador)
Partido recém-criado, que estreará nas eleições de 2026, o Missão foi criado por membros do Movimento Brasil Livre (MBL) e é uma das legendas com maior risco de não bater a cláusula de desempenho. Isso porque o partido ainda é pouco conhecido nacionalmente e rejeita aderir a federações.
Apesar disso, o partido Missão conta com nomes conhecidos e em forte ascensão na política nacional, como o deputado federal Kim Kataguiri (atualmente no União, mas com migração anunciada para o Missão), e especialmente em São Paulo, com nomes como o deputado estadual Guto Zacarias e a vereadora Amanda Vettorazzo.
E os demais partidos pequenos?
Há outros partidos pequenos que, por comporem federações que devem se manter nos próximos anos, têm maiores chances de continuar viáveis e dentro das cláusulas de barreira. São eles o PCdoB e o PV (integrantes da Federação Brasil da Esperança, com o PT) e a Rede Sustentabilidade, federada ao PSOL.
Há, ainda, aquelas legendas que vivem em uma espécie de “sobrevivência simbólica”, isto é, não atingiram a cláusula em 2018 e 2022 e já não possuem os recursos que os demais ainda lutam para manter.
Em comum entre esses está uma expectativa irrisória de alcançar a meta de desempenho. Alguns exemplos de partidos nessa situação estão Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), Democracia Cristã (DC), Partido da Causa Operária (PCO) e Agir. Nenhum deles possui deputados federais.
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- Gazeta do Povo – Conteúdo
- Foto Destaque: Infografia Gazeta do Povo
Política Nacional
Messias é rejeitado para o STF
Primeira rejeição em 132 anos marca indicações ao STF; Lula já nomeou Zanin e Dino para a Suprema Corte, desta vez fracassou na sua indicação
A indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF) foi rejeitada pelo plenário do Senado, por 34 a 42 votos, marcando a primeira vez em 132 anos que um nomeado para a Corte é barrado. Apesar de ter sido aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Messias não alcançou os votos necessários na votação final, em um revés histórico para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 
A última rejeição havia ocorrido em 1894. Messias havia sido indicado para a vaga que será aberta com a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso. Com o resultado negativo, o foco se volta para os outros dois ministros efetivamente nomeados por Lula em seu atual mandato: Cristiano Zanin e Flávio Dino.
As indicações bem-sucedidas de Lula
Cristiano Zanin, o primeiro nomeado
Antes da tentativa frustrada com Messias, o primeiro nomeado por Lula em seu terceiro mandato foi Cristiano Zanin. Ele atuou como advogado pessoal do presidente nos processos da Lava Jato, obtendo as vitórias judiciais que anularam as condenações e restauraram os direitos políticos do petista. Zanin assumiu a vaga deixada por Ricardo Lewandowski, que se aposentou em abril de 2023.
Flávio Dino, da política para a Corte
O segundo indicado a tomar posse foi Flávio Dino, então ministro da Justiça e Segurança Pública. Com uma longa carreira política como governador do Maranhão, deputado federal e senador, Dino preencheu a vaga aberta pela aposentadoria da ministra Rosa Weber. Sua nomeação levou para o STF uma figura com forte articulação política e experiência no Executivo e Legislativo.
Pesa sobre Flávio Dinho a acusação pela oposição, de ter supostamente dado sumiço às câmeras que tinham gravado a movimentação das tropas estacionadas no pátio do Ministério da Justiça sem intervir para impedir as ações que vandalizaram as sedes dos três poderes.
O perfil do indicado rejeitado
Jorge Messias, o nome barrado pelo Senado, é procurador da Fazenda Nacional de carreira e ganhou notoriedade em 2016. Na época, uma conversa sua com a então presidente Dilma Rousseff foi divulgada, na qual ela se referia a ele como “Bessias”, apelido que o acompanha nos bastidores do poder. Considerado um nome técnico e leal ao presidente, Messias ocupava a chefia da Advocacia-Geral da União (AGU) desde o início do governo. Protagonizou ações que influenciaram – de certa forma – na sua rejeição. “Seria mais um aliado do governo Lula e não um ministro imparcial, gerando desconfiança”, disse uma liderança política.
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- Da Redação | Com informações da mídia nacional
- Foto Destaque: crédito – Ed Alves /CB/ D.A Press
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