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Guerra Tarifária

Em vez de negociação, Lula autoriza o Itamaraty a retaliar tarifaço dos Estados Unidos

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Economia

Fechando os espaços para qualquer negociação com os Estados Unidos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), autorizou o Ministério das Relações Exteriores a retaliar o tarifaço do Trump. A Câmara de Comércio Exterior (Camex) fará análise sobre a aplicação de punições; o governo americano deve ser notificado pelo Itamaraty nesta sexta-feira (29). A autorização foi confirmada por uma fonte do Ministério das Relações Exteriores do Brasil (Itamaraty)

O Itamaraty, em coordenação com outros ministérios do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), encaminhou à Câmara de Comércio Exterior (Camex) o pedido de análise, que vai durar até 30 dias (não está claro se úteis ou corridos).

A Camex vai analisar se as tarifas americanas se enquadram como algo “sancionável” segundo a Lei da Reciprocidade Econômica brasileira.

Em caso positivo, será formado um grupo de trabalho na Camex para analisar quais represálias o Brasil pode aplicar contra os EUA — por exemplo, afetando o comércio de bens e serviços e/ou questões de propriedade intelectual.

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O decreto especifica critérios e possíveis punições para decisões unilaterais de outros países que afetem negativamente a competitividade brasileira no comércio exterior.

Umas das respostas previstas na lei brasileira é a própria imposição de tarifas; outra possibilidade é o Brasil deixar de cumprir termos de acordos comerciais firmados com o país “agressor”.

O decreto também autoriza o governo a adotar retaliações de forma provisória.

Os EUA poderão se manifestar formalmente durante o procedimento brasileiro, além de continuarem tendo a possibilidade de diálogo através de canais diplomáticos.

Lei da Reciprocidade foi aprovada em abril e regulamentada por um decreto de Lula em julho.

O decreto assinado por Lula foi umas das primeiras respostas brasileiras às tarifas impostas pelo governo de Donald Trump — que, ao anunciar a taxação, apresentou como justificativa uma suposta “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está inelegível, é réu em uma ação penal a ser julgada em breve e está em prisão domiciliar.

Após o anúncio das tarifas, o governo Trump anunciou, também em julho, a abertura de uma investigação comercial contra o Brasil, mirando em vários assuntos, do Pix ao desmatamento.

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Em meados de agosto, o governo brasileiro apresentou sua resposta à investigação comercial, afirmando que as acusações dos EUA são “improcedentes” e que o Brasil age “em plena conformidade com as melhores práticas internacionais e com as obrigações do País na OMC [a Organização Mundial do Comércio]”.

Além disso, defendeu o Pix, já que os EUA haviam afirmado que o Brasil estaria se valendo de supostas práticas desleais ao favorecer “serviços de pagamento eletrônico desenvolvidos pelo governo”.

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* Da Redação / Com informação do Correio Braziliense

* Foto/Destaque: Reprodução / PR

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Economia

Escala 5×2 ameaça pequenos negócios no interior do ES

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Pesquisa aponta risco de aumento de custos, dificuldade para manter atendimento e falta de mão de obra qualificada

Aumento de custos operacionais, dificuldade para reorganizar equipes e escassez de mão de obra qualificada, especialmente em negócios ligados ao comércio, serviços e turismo estão listados como os principais impactos da possível adoção da escala de trabalho 5×2 em municípios capixabas. Um estudo realizado com 30 empresários e gestores de Marataízes e cidades vizinhas, apontou a situação.

O levantamento, realizado em abril deste ano, foi conduzido pelo Administrador Allan Junio da Silva Vieira, representante institucional do Conselho Regional de Administração do Espírito Santo (CRA-ES) na Região Litoral Sul. Segundo ele, “a escala 5×2 não pode ser analisada apenas como uma questão trabalhista. Ela acaba expondo gargalos históricos de gestão, tecnologia e qualificação profissional que já existiam nas empresas do interior”, afirma.

Conhecida como a “Pérola Capixaba” e também como a capital estadual do abacaxi, Marataízes é um dos principais polos turísticos e agrícolas do litoral sul do Espírito Santo. Com economia fortemente baseada em atividades presenciais e atendimento direto ao público, o município representa um retrato dos desafios enfrentados por pequenas e médias empresas diante das mudanças nas relações de trabalho.

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Segundo Allan Vieira, o debate sobre a escala 5×2 vai além da redução da jornada semanal. O levantamento identificou diferenças significativas entre empresas mais modernas e negócios ainda dependentes de operações manuais. Enquanto organizações com maior uso de tecnologia enxergam oportunidades de ganho de produtividade e modernização, empresas tradicionais demonstram preocupação com a manutenção dos turnos de atendimento e a sustentabilidade financeira das operações.

De acordo com o estudo, muitos empresários estimam aumento operacional próximo de 20% em setores com atendimento direto ao público caso não haja investimento em automação e reorganização de processos internos. “O principal medo não é apenas a folha salarial. Muitos gestores relatam preocupação em conseguir manter o atendimento funcionando em cidades onde ainda existe forte dependência do trabalho operacional e pouca oferta de mão de obra qualificada”, explica Allan Vieira.

A pesquisa também aponta diferenças de percepção entre os perfis empresariais analisados. Enquanto empresas maiores concentram preocupações em competitividade e produtividade, pequenos empreendedores demonstram receio imediato relacionado à sobrevivência financeira e à capacidade de adaptação.

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Para o Administrador Allan Vieira, o cenário reforça a necessidade de modernização da gestão no interior capixaba. “Tecnologia e gestão deixaram de ser diferenciais e passaram a ser fatores de sobrevivência. Empresas que já utilizam automação e ferramentas digitais conseguem absorver melhor mudanças na jornada de trabalho”, destaca.

Apesar dos desafios, o estudo também identifica oportunidades. Entre elas, a possibilidade de atração de profissionais de grandes centros urbanos em busca de qualidade de vida e a melhoria do ambiente organizacional nas empresas que conseguirem investir em inovação e produtividade. “A escala 5×2 pode se transformar em uma vantagem competitiva para o interior do Espírito Santo, mas isso depende diretamente da capacidade das empresas de modernizar processos e investir em produtividade”, conclui o representante institucional do CRA-ES.

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  • Matéria reproduzida do JN – Conteúdo
  • Foto destaque: Reprodução / Redes Sociais
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