Opinião / Coluna
Coluna / Bloco de Notas – 1ª edição de junho
OPINIÃO

Por Paulo Borges
Livres, leves e soltos
Depois do Lula e de tantos outros envolvidos em corrupção, o STF livrou o “guru” petista, José Dirceu. Na mesmo toada, o Marcelo Odebrecht também saiu pela porta da frente. Lula virou presidente; Dirceu vai se candidatar a deputado federal e Marcelo virou inocente.
Enquanto isso, os que nada fizeram que justificasse até 17 anos de prisão estão encarcerados por terem participado das manifestações de 8 de janeiro. Quem facilitou e depredou nem intimados e presos foram. Em tempo: cadê o G Dias?
Saúde doente, mas…
O setor da saúde no Brasil é sabidamente precário, apesar dos vultosos valores despejados pelos governos. Um dos motivos seria a má gestão e também a corrupção.
Em São Mateus é caso de polícia. Falta tudo, até salário para os médicos que não estão recebendo em dia. O que não falta é recurso, mas a população tem visto toda essa grana ir pelo ralo da corrupção.
Em Santa Teresa, durante as sessões da Câmara Municipal, alguns vereadores estão soltando os cachorros diante dos supostos descasos por parte da municipalidade. Reclamam do atendimento em distritos e localidades do interior do município. O Hospital do Município, apesar de ser reconhecido pelo razoável atendimento, vem sofrendo muitas críticas. Mas, vale ressaltar que as demandas cresceram e o atendimento se estende a outras cidades da região.
Mas, em Vitória, o prefeito Pazolini (Republicanos) vem fazendo a diferença. O setor de saúde vem recebendo toda a atenção da sua administração e muito se avançou. Grande parte da população tem constatado a eficiência do seu governo. As pesquisas retratam tudo isso e Pazolini pontua na preferência da maioria da população para continuar à frente da Prefeitura de Vitória.
A Ponte
O DER já está se movimentando para tornar realidade o sonho dos moradores de Santa Leopoldina e região. O primeiro pilar simbolizado pelo contrato para as pesquisas, levantamentos e estudos para a elaboração do Estudo Técnico Preliminar (Etapa 1) e do Anteprojeto de Engenharia (Etapa 2) já está feito. Essas etapas são essenciais para a construção da ponte sobre o Rio Santa Maria e seus acessos em Santa Leopoldina.
Desde que o novo diretor-presidente do Departamento Estadual de Edificações e Rodovias (DER-ES) assumiu as entregas estão sendo feitas. Todo esse empenho tem nome e sobrenome: José Eustáquio de Freitas.
Capinando seu espaço
O deputado Thiago Hoffman (PSB) desistiu da sua pré-candidatura a prefeito de Vitória. Quem o convenceu a essa desistência foi o governador Renato Casagrande (PSB). Mas isso não ficou barato. Acredita-se que a compensação foi fazer do parlamentar seu representante nos eventos em todo o Estado. Se o governador não comparece, lá está Hoffman o representando. É a pré-campanha para deputado federal em 2026.
Somado a isso, tem o Freitas no DER-ES. O PSB tem nesses dois, possíveis passageiros para Brasília. As passagens estão reservadas para 1º de fevereiro de 2027.
Por enquanto não se tem notícia de ciumeira dos outros parceiros do Anchieta que têm o mesmo desejo.
Assombração
Não é novidade que o bairro Jardim Camburi é o mais populoso e tem o maior colégio eleitoral da capital. É natural que haja engarrafamento de pré-candidatos circulando pelo bairro. Evandro Figueiredo tem aproveitado todo o espaço que percebe vazio e defende em vídeo e presencialmente seu peixe eleitoral. Tem sido uma espécie de fantasma que vem assombrando seus concorrentes. Os contabilistas eleitorais ainda não conseguiram finalizar as contas de que todo esse movimento possa significar voto.
Arroz queimado
O presidente Luís Inácio Lula da Silva se disse nervoso ao “descobrir” o preço do pacote de cinco quilos do arroz. Se ele em vez de visitar as pirâmides do Egito fosse a um supermercado certamente saberia a carestia, não só do arroz, mas de vários produtos da mesa do consumidor brasileiro.
Essa carestia teve início desde o começo desse governo, até porque governo petista é uma máquina de gastar dinheiro e fabricar inflação.
Ainda o arroz
O governo vai importar arroz que vem da Ásia, diferente do que o Brasil consome. É barato, porém, inferior. Tem mais um detalhe importante, que é o uso de produtos defensivos que são proibidos no Brasil.
Lula ignora a produção nacional e torra R$ 7,2 bilhões importando o arroz. Talvez fosse melhor importar dos países do Mercosul.
Podemos e sua Oficina Cidades
O Podemos realizou no sábado (25), em Vitória, a Oficina Cidades – Jornada para a Vitória. Foi um evento que reuniu todos os pré-candidatos a prefeito e vereador do Espírito Santo. O objetivo foi de preparar e capacitar seus pré-candidatos que estarão participando das eleições de outubro deste ano. Por lá passaram os pré-candidatos a prefeito de São Mateus, Marcos Batista (Cozivip); a Capitã Estéfane, que é pré-candidata a prefeita de Vitória e o prefeito de Santa Leopoldina e que vem para a reeleição, Romero Endringer.
Evidente que o presidente do Podemos no Espírito Santo, deputado federal Gilson Daniel e o deputado federal Vitor Linhales estavam no evento. O deputado estadual Allan Ferreira também esteve presente.
Turbulência
O programa Voa Brasil não decolou. E fica difícil disso acontecer, porque nem o governo Lula ainda decolou. Continua sem projeto, sem programa e sem verdade. Também sem noção.
Privilégios absurdos
O senador do Amapá, Randolfe Rodrigues (sem partido), tem 71 assessores num universo que cada parlamentar do Senado pode ter até 83. Um dessas nomeações, com salário de R$ 17.843,44, é da ex-deputada e atual influencer Luciana Gurgel. Ela nunca apareceu no gabinete em Brasília e nem seus colegas funcionários sabem quem é. A justificativa do senador Randolfe é que ela fica em seu escritório em Macapá.
Advocacia em alta
Os profissionais da advocacia da Região Serrana do Espírito Santo, terão a oportunidade de adquirir novos conhecimentos e ficarem atualizados com as palestras que estão confirmadas para acontecer na Conferência da Advocacia das Três Santas.
A promoção do evento é da Seccional da OAB-ES, em parceria com a 14ª Subseção de Ibiraçu, que vai ser realizada dia 19 de junho (quarta-feira), no auditório da Câmara Municipal de Santa Maria de Jetibá, com início às 19 horas.
================================================================================================
PODE ISSO, ARNALDO?!

Não. Não pode.
Um deputado federal e senador serem eleitos pela população, ganharem R$ 44 mil e agregado a isso inúmeros privilégios, trabalharem somente três dias por semana e não nos representar como deveriam. Nos palanques prometem tudo aquilo que desejamos, mas ao assumirem o mandato justificam sua indolência e dificuldade de efetivar e defender o que prometeu e não o fez.
Urge uma reforma política. Do jeito que está não há representatividade. O voto distrital seria o início do povo se tornar representado e “vigiar e cobrar” do seu eleito.
========
Resumão
Não adiantou – Felipe Martins, um dos assessores do governo anterior, continua preso, mesmo provando sua inocência. Mais um preso político. Aliás, somente em ditaduras existem presos políticos. /// Ação – O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, que ainda não disse ao que veio, é defensor da medida que já soltou mais de meio milhão de presos. /// Perseguição ou impressão? – O vereador Paulo Vitor (PSD) tem sido o principal opositor do prefeito de Santa Teresa, Kleber Médici (PSDB), durante as sessões ordinárias da Câmara. Dizem até que qualquer solicitação sua não é atendida, mesmo diante da necessidade da comunidade. /// Sucesso –. Jeferson Rodrigues (PSB), um dos mais atuantes vereadores de Santa Leopoldina, foi um dos que se empenharam para o sucesso da Expo Gengibre que aconteceu recentemente. O evento foi muito elogiado pela sua organização e acabou servindo de passarela para os pré-candidatos a prefeito e vereadores. /// Descrédito – Jogaram água no chope do deputado estadual João Coser (PT) que contava com o apoio do presidente Lula em sua campanha para a Prefeitura de Vitória. Em recente pesquisa, o apoio de Lula tem peso negativo entre os moradores da capital. /// Fazendo beicinho – O radialista Carlinhos Lyrio (Republicanos) não gostou da publicação de que teria acontecido um encontro dele com o empresário Amadeu Boroto (MDB). Ambos são pré-candidatos a prefeito de São Mateus e ambos desmentiram o tal encontro. /// Consolidando – O narcotráfico está tomando espaço em vários países da América Latina. O Brasil faz parte desse roteiro e nós vivendo em nossas bolhas achando que isso é ficção. /// Aquecimento – O PSB quer lançar o ex-deputado Freitas como pré-candidato a prefeito de São Mateus. Ele é componente do grupo que tem Amadeu Boroto como pré-candidato, mas o Freitas, apesar de ter condições de ser titular, é uma espécie de reserva caso Boroto não consiga participar do pleito devido a pendências jurídicas. /// Fato – O MST é um movimento político-ideológico. /// Curto e grosso – Diante das acusações infundadas de estar monitorando a atuação de alguns dos seus pares, o presidente da Câmara de Santa Teresa, vereador Bruno Araújo (PL) mirou e atirou nos caluniadores. Disse que fiscaliza a Prefeitura e não colega vereador. /// Hipocrisia – Lula, em momento algum, se empenhou para negociar a libertação de um cidadão brasileiro sequestrado pelo grupo terrorista Hamas. Agora que ele foi encontrado morto, Lula lamentou em nota na plataforma X, a morte de Michel Nisinbaum. Nessa nota o presidente sem povo não chama o Hamas de terrorista. /// Cine terror – O Brasil virou filme ruim. Filme em que bandido vence o mocinho. /// É o cara! – Javier Milei, presidente da Argentina, prometeu e vem cumprindo suas promessas de campanha. Tem a coragem e o compromisso que muitos não têm e não tiveram. No Brasil frouxos e covardes correm do pau! ///
Para Reflexão
“Fake News é tudo aquilo que “eles” não querem que você fale”.
Dito em algum momento pelo jornalista Guilherme Fiúza.
OPINIÃO
Produtividade travada: fatores históricos que explicam o atraso do Brasil
A baixa produtividade do trabalhador brasileiro tem origem no modelo extrativista da economia que vem do colonialismo e, em muitos aspectos, permanece em vigor, mesmo tendo à frente governos liberais ou progressistas
Por Arthur Gebara Júnior*
A produtividade do trabalhador brasileiro é considerada baixa quando comparada à de países desenvolvidos e de algumas nações em desenvolvimento. O Brasil ocupa a 94ª posição no ranking global de produtividade da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ficando atrás até mesmo de vizinhos latino-americanos com graves dificuldades estruturais.
Na América Latina, por exemplo, o Brasil perde para o Uruguai, o Chile, a Argentina e Cuba – país que lida há décadas com um embargo econômico e fortes limitações sob um governo centralizado. No ranking global de produtividade por hora trabalhada, que avalia 184 países, o Brasil registra uma geração média de riqueza de US$ 21,2 por hora. No contexto regional, o Uruguai lidera com US$ 38, seguido por Chile (US$ 34,4), Argentina (US$ 33,8) e Cuba (US$ 22,6).
O indicador é calculado pela OIT ao dividir o Produto Interno Bruto (PIB) em dólares pelo total de horas trabalhadas da população ativa. Os líderes mundiais em produtividade são a Irlanda (US$ 164,7), Luxemburgo (US$ 159), Noruega (US$ 125,6) e Cingapura (US$ 100,4). Em relação aos Estados Unidos, onde o trabalhador gera US$ 81 por hora, o rendimento brasileiro representa apenas cerca de 26% da riqueza produzida por um americano.
A pesquisa da OIT (com dados do primeiro trimestre de 2026) também aborda a jornada semanal. O brasileiro trabalha, em média, 38,9 horas por semana, índice inferior ao de 97 países, incluindo nações como a China (46,1 horas), Índia (45,7 horas) e o México (42,2 horas). A possível aprovação da jornada 6×1, em andamento no Congresso Nacional, por exemplo, deve aumentar o custo para o empregador e para o consumidor, sem alterar a produtividade.
Mas, afinal, o que trava a produtividade? Por que o país permanece estagnado nesse patamar há décadas? Trata-se de uma questão complexa, na qual fatores históricos e estruturais exercem um papel decisivo.
Para ajudar a entender a baixa performance do trabalhador brasileiro, é possível recorrer ao chamado “mito da preguiça tropical”: ideias racistas e deterministas do século XIX, herdadas do período colonial, tentavam culpar o clima ou a etnia pelo atraso econômico. No entanto, a história econômica desmente esses mitos ao demonstrar a alta intensidade de esforço físico imposta aos trabalhadores sob regimes de exploração e escravidão.
Instituições determinantes
Daron Acemoglu é professor de economia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e James A. Robinson, professor de ciência política da Universidade de Chicago. Os dois receberam o Prêmio Nobel de Economia pelo conjunto de suas pesquisas acadêmicas fundamentais sobre como as instituições sociais e políticas afetam a prosperidade dos países, que servem de base para a tese apresentada na obra “Por que as Nações Fracassam”. Este livro destaca como as justificativas geográficas e culturais para decretar a riqueza ou a pobreza de um país não convencem. Os dois especialistas afirmam que o desenho de suas instituições é determinante.
Para uma análise mais precisa, eles classificaram os países em duas categorias. Os de economias inclusivas, que promovem a prosperidade ao garantir direitos de propriedade, incentivar a inovação e distribuir o poder político, com um resultado histórico que gera crescimento sustentável de longo prazo. Direitos amplos, garantia da propriedade privada com segurança jurídica e regulação clara também contribuem para a construção de um ambiente favorável aos investimentos, o que não tem ligação com fatores geográficos e culturais. A educação, a qualificação e o preparo do trabalhador afetam diretamente a sua produtividade.
Já as nações enquadradas como extrativistas concentram a riqueza nas mãos de poucas elites e barram o desenvolvimento. Embora a questão das instituições seja parte das regras do jogo, ela é também determinante para o desenvolvimento de um país. O modelo que os economistas classificam como extrativista não estimula o trabalhador, o que afeta de maneira decisiva a sua produtividade. Ele não tem incentivo para se educar ou investir na sua qualificação técnica, o que o impede de enxergar oportunidades, se preocupar em inovar ou empreender. Além disso, não existe a perspectiva e a garantia de que será recompensado e se apropriará dos resultados do seu esforço, já que o investimento produtivo é muito baixo, com falta de capital físico, o que compromete a produtividade.
O livro compara o sucesso de países como os Estados Unidos com a economia de nações da América Latina, África e Ásia, explicando como essas características institucionais e políticas são cruciais para o êxito ou o fracasso. No caso da América Latina, o modelo colonial de dominação e exploração gerou instituições extrativistas que concentram renda e travam a produtividade moderna.

E o Brasil?
O país ainda sofre com as sequelas desse modelo. O latifúndio colonial limitou o acesso à propriedade para a maioria da população, enquanto a escravidão prolongada atrasou a criação de um mercado consumidor livre e qualificado.
Marcel Solimeo, economista-chefe do Instituto de Economia Gastão Vidigal da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), alerta que a educação e, especialmente, a qualificação dos trabalhadores ainda não são efetivas. “Existem cursos de qualificação profissional em várias entidades empresariais, escolas e institutos de formação técnica, mas o problema vem da educação básica, ainda muito deficiente e que continua produzindo um grande número de analfabetos funcionais”, diz.
O economista afirma ainda que “a falta de cultura geral e o pouco interesse de alguns setores do empresariado pela educação e pelo investimento na qualificação do trabalhador agravam o problema.”
Determinismo histórico
Historicamente, a estrutura econômica brasileira priorizou a extração de recursos de baixo valor agregado para exportação. Esses fatores afetam diretamente a produtividade do trabalhador, que recebe menos e tem menor acesso à infraestrutura e à tecnologia de ponta.
Países dominados por dinâmicas extrativistas entram em ciclos de estagnação, pobreza e disputas pelo controle do Estado. Nesse contexto, fica claro que atribuir a baixa produtividade à cultura do povo desvia o foco dos problemas reais e das falhas dos sistemas econômicos, ignorando as profundas diferenças entre modelos inclusivos e exploradores.
Para Ulisses Ruiz de Gamboa, economista do Instituto de Economia Gastão Vidigal da ACSP e professor de História Econômica do Insper, trata-se de um problema crônico: “Ao longo de toda a sua história, o Brasil sofreu com essas instituições extrativistas que, infelizmente, se mantêm vivas, independentemente da linha ideológica dos sucessivos governos. Nem a ascensão de governos declaradamente progressistas foi capaz de promover mudanças“.
O professor acrescenta que, além do problema da baixa qualificação do trabalhador, o Estado muitas vezes protege interesses corporativos específicos em vez de garantir a livre concorrência, criando um ambiente de negócios que penaliza o empreendedorismo em massa, dificulta ganhos de eficiência e desincentiva os ganhos de produtividade do trabalhador.”
O mapa da baixa produtividade
A colonização estabeleceu bases estruturais que moldaram o destino econômico e social de continentes inteiros. A África teve fronteiras desenhadas arbitrariamente pelas potências europeias na Conferência de Berlim, o que fragmentou etnias, alimentou conflitos civis duradouros e estruturou economias baseadas na exportação de commodities primitivas.
A Ásia sofreu com a exploração comercial agressiva e a imposição de tratados desiguais, sendo que a desestruturação de impérios locais abriu caminho para instabilidades políticas prolongadas no século XX.
Na América Latina, o foco na extração de recursos e na monocultura para exportação deixou um legado de extrema desigualdade social, concentração de terras e dependência externa.
A Divergência Coreana
Em “Por que as Nações Fracassam”, os autores mostram o contraste entre as duas Coreias: a do Norte (comunista) e a do Sul (capitalista). O capítulo ilustra como as instituições e os modelos econômicos superam o determinismo geográfico.
A Coreia do Sul adotou o capitalismo de Estado, investiu massivamente em educação de base e promoveu indústrias voltadas à exportação – os chamados chaebols (conglomerados empresariais familiares) -, transformando-se em uma potência tecnológica global.
Por outro lado, a Coreia do Norte seguiu o modelo de economia planejada e fechada do sistema comunista (Juche), priorizando o setor militar e sofrendo com o isolamento internacional, a estagnação econômica e as crises de abastecimento.
A retomada de Singapura e da China
A ascensão do Sudeste Asiático e da China redefiniu o equilíbrio de poder econômico mundial por meio do pragmatismo estratégico. Singapura transformou-se de uma ilha portuária vulnerável e sem recursos naturais em um centro financeiro global, com um sucesso baseado em forte controle estatal, combate rigoroso à corrupção, abertura ao capital estrangeiro e foco absoluto em logística e educação.
A China recuperou-se de um século de submissão colonial, conflitos e graves convulsões internas. Sob o governo comunista a partir de 1949, passou por grandes dificuldades econômicas decorrentes das tentativas de Mao Tsetung – como o plano “O Grande Salto Adiante”. Foi com as reformas de abertura econômica iniciadas em 1978 que conseguiu combinar o controle político do Partido Comunista com zonas econômicas especiais de livre mercado, tornando-se uma potência militar e industrial e a segunda maior economia do mundo.
Defasagem
No Brasil, a imensa defasagem no ensino básico e técnico, que reduz a capacidade de inovação e a eficiência nas funções, representa um grande desafio. A infraestrutura insuficiente e pouco eficiente, associada ao chamado “Custo Brasil”, constitui outro fator determinante: logísticas precárias e transportes deficientes geram perdas diárias de tempo e recursos. A baixa incorporação de equipamentos modernos nas empresas também deprime o rendimento por hora trabalhada, ao passo que falhas na gestão de processos produtivos e a baixa valorização do capital humano prejudicam o desempenho geral.
Reformas
As reformas estruturais voltadas à produtividade no Brasil estão no radar dos especialistas. É cada vez mais urgente iniciar mudanças profundas capazes de retirar o país da armadilha da baixa produtividade e conduzi-lo a um modelo econômico inclusivo, o que exige a remoção de privilégios corporativistas e a valorização do potencial da força de trabalho. A produtividade do trabalhador brasileiro segue estagnada desde 1950, acumulando avanço de apenas 0,4% em 2025 e desaceleração contínua em 2026. Esse cenário reflete o peso do ecossistema estrutural e da burocracia, distanciando o país da média global de produtividade no trabalho.
Radiografia da Estagnação Produtiva
A eficiência do trabalho no Brasil patina em meio a desajustes setoriais e à reversão de ganhos pontuais do passado. Dados do Observatório da Produtividade Regis Bonelli, gerido pelo FGV-IBRE, mostram que o salto temporário de produtividade registrado em 2020, devido à pandemia, foi totalmente revertido, retornando à trajetória de queda iniciada em 2017.
Após alta de 2,3% em 2023, impulsionada pela agropecuária, o indicador avançou apenas 0,1% em 2024 e fechou 2025 com alta modesta de 0,4%. O setor de serviços, que concentra a maior parte da mão de obra, mantém ganhos de produtividade próximos a zero, na casa de 0,2% ao ano.
Para a Virada Estrutural
A reversão desse quadro depende de reformas profundas, divididas em quatro frentes prioritárias:
– Consolidação e Simplificação Tributária: Fim do Custo Brasil, redução da burocracia fiscal e estímulo direto ao investimento produtivo em inovação, superando o planejamento tributário defensivo.
– Reforma Educacional e Técnica: Alinhamento curricular voltado para ciências, engenharia e ensino técnico, além de requalificação contínua de adultos frente à automação.
– Modernização Administrativa: Corte de privilégios e supersalários no funcionalismo, atrelando a máquina pública à meritocracia e à entrega de serviços eficientes.
– Abertura Comercial e Infraestrutura: Redução de barreiras tarifárias para elevar a competitividade externa e ampliação de concessões em portos, ferrovias e saneamento por meio de segurança jurídica.
Em um momento em que as atenções se voltam para as eleições de outubro, existe a expectativa de que surja um projeto inovador para a próxima gestão. Nesse sentido, refletir sobre a baixa produtividade do trabalhador brasileiro é fundamental para confrontar os resquícios de um passado extrativista que continua a limitar o desenvolvimento nacional.
———————————————————————-
- Artigo publicado no Diário do Comércio – Conteúdo
- Foto destaque: Reprodução / Redes Sociais
-
OPINIÃO3 dias atrásProdutividade travada: fatores históricos que explicam o atraso do Brasil
-
Política Nacional6 dias atrásCCJ aprova relatório da PEC pelo fim da escala 6×1
-
Brasil / Economia6 dias atrásEuropa veta entrada de carne do Brasil a partir desta quinta-feira
-
EVENTOS6 dias atrásConcurso de Qualidade do Café Conilon é destaque em Jaguaré
-
Política Nacional6 dias atrásGilmar procura Lula para cobrar apoio do governo à cúpula da PF em embate entre Moraes e Mendonça
-
GERAL6 dias atrásEstátua gigante da Havan terá escolta para chegar à nova loja em Vila Velha
-
BRASIL5 dias atrásFachin tira relatório contra Mendonça do inquérito das fake news, relatado por Moraes
-
OPINIÃO4 dias atrásEntrelinhas da Política | Setembro – 1ª. edição
