Deu Azar, por enquanto
Sem consenso, Senado adia votação de projeto que libera jogos de azar
Política Nacional
Proposta enfrenta forte resistência de parlamentares e segue sem data para nova análise; texto prevê regulamentação de jogos de azar em todo o país
Por Alícia Bernardes* – Brasília/DF
A votação do projeto que legaliza cassinos, bingos, jogo do bicho e apostas em corridas de cavalos no Brasil foi adiada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). A proposta estava prevista como um dos itens da pauta do Plenário na sessão de ontem, mas a baixa presença de senadores e a forte divisão interna levaram à retirada do texto, sem definição de nova data para análise.
“O quórum está muito baixo: 56 senadores e esta Presidência não pode ser questionada a todo instante sobre a deliberação de matérias. Diante da divergência grande e da ausência de senadores, quero informar que vou retirar de ofício da pauta”, declarou Alcolumbre. O Projeto de Lei 2.234/2022, relatado pelo senador Irajá (PSD-TO), já foi aprovado pela Câmara dos Deputados e na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado em junho de 2024.
O texto propõe a liberação de jogos de cassino, bingo, videobingo, jogo do bicho, apostas online e turfe (corridas de cavalos), com regras para exploração e fiscalização. Se aprovado, o projeto acabará com a proibição da exploração de jogos de azar no país, em vigor desde 1946. Ele também revoga trechos da Lei de Contravenções Penais que tratam do tema. Caberá ao Ministério da Fazenda definir os processos de licenciamento, autorização e fiscalização, além da possibilidade de criação de uma agência reguladora para o setor.
De acordo com a proposta, apenas empresas com sede no Brasil poderão explorar as atividades, mediante autorização prévia e comprovação de requisitos como capital social mínimo de R$ 10 milhões e origem lícita dos recursos. Os estabelecimentos deverão operar em locais previamente autorizados e atender a critérios como padrão de hotelaria, número de quartos e capacidade de eventos, no caso dos cassinos.
A proposta, no entanto, enfrenta forte oposição no Senado. Parlamentares de diferentes partidos demonstraram preocupação com os impactos sociais da liberação. Em entrevista ao Correio, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), fundadora do movimento Brasil Sem Azar, classificou o projeto como um risco. “É uma fantasia achar que isso vai resolver algum problema. Vai aumentar os nossos. Vai ter lavagem de dinheiro, corrupção, problema de segurança e saúde. O pouco emprego gerado não compensa”, disse. Ela também questionou a capacidade do Estado brasileiro de fiscalizar o setor.
O senador Jaime Bagattoli (PL-RO) também se posicionou contra. “Isso vicia, destrói famílias e atinge especialmente os mais pobres. Vai tirar comida da mesa de quem já tem pouco. Como aconteceu com as bets, essa legalização só vai piorar a situação da população mais vulnerável”, afirmou. Para ele, os jogos de azar são uma ameaça direta ao bem-estar social e devem continuar proibidos.
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) seguiu a mesma linha e criticou o impacto das apostas sobre a população de baixa renda. “Essas apostas são muito nocivas, principalmente para pessoas de baixa renda que acreditam que vão resolver seus problemas financeiros. Isso é a porta da desesperança”, declarou. O senador também afirmou que o país tem outras prioridades, como educação e saúde, e que a legalização abriria margem para o aumento de vícios e criminalidade. “É uma desordem que não deve ser incentivada.”
A senadora Damares chegou a comparar o impacto de cassinos com o turismo nos Estados Unidos. “A Disney arrecada mais que Las Vegas, com dinheiro limpo. O que entra nos cassinos gera problemas depois”, apontou. Ela argumenta que os supostos ganhos econômicos não compensam os danos sociais e estruturais que podem acompanhar a liberação.
Apesar da aprovação anterior na CCJ e da articulação favorável em algumas bancadas, o adiamento da votação expôs o grau de polarização dentro do Senado em torno da proposta. A resistência explícita da ala conservadora e a ausência de parte dos parlamentares inviabilizaram a tentativa de avanço do projeto nesta terça-feira. Com isso, o futuro da legalização dos jogos de azar no Brasil permanece incerto.
___________________________________________________________
* Correio Braziliense – Conteúdo (Estagiária sob supervisão de Edla lula)
*Foto/Destaque: crédito Jefferson Rudy / Agência Senado
Política Nacional
Gilmar Mendes mantém suspensa eleição da Câmara de Vitória
Eleição estava marcada para agosto, mas ministro seguiu liminar do STF de que só pode ser realizada a partir de outubro; julgamento segue
Por Enzo Bicalho Assis* | Vitória (ES)
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes decidiu por manter suspensa a eleição para a presidência da Câmara Municipal de Vitória para o biênio 2027-2028, que estava marcada para ocorrer entre os dias 1º e 15 de agosto.
Em março, o ministro já tinha decidido pela suspensão, por entender que um artigo do Regimento Interno é inconstitucional. O processo foi iniciado no STF após um pedido da própria Câmara para que a eleição ocorresse somente a partir de outubro.
Gilmar Mendes decidiu com base em entendimentos firmados pela Suprema Corte, que determinaram que a eleição da Mesa Diretora das Casas Legislativas deve ocorrer a partir do mês de outubro do ano anterior ao início do respectivo mandato.

O período estipulado pelo STF tem relação com o período de campanha eleitoral, que iria coincidir com a eleição da Câmara.
Depois da primeira decisão do ministro, um grupo de quatro vereadores recorreu e o processo evoluiu para análise da 2ª Turma. O julgamento virtual foi iniciado na última sexta-feira (05) e seguirá até o dia 15. Restam os votos de Dias Toffoli, Luiz Fux, Nunes Marques e André Mendonça.
A Câmara de Vereadores de Vitória disse por meio de nota que o voto do relator reforça a posição da Casa.
A CMV considera que o voto do relator reforça a consistência da posição jurídica adotada por esta Casa quanto à eleição da Mesa Diretora e confirma que a atuação do Legislativo Municipal está pautada pela legalidade, pela transparência e pelo respeito às decisões judiciais.
Câmara de Vitória, em nota
A reportagem entrou em contato com o grupo de quatro vereadores: Dalto Neves (SDD), Karla Coser (PT), Pedro Trés (PSB), Camillo Neves (PP). Pedro Trés não quis se manifestar e Dalto Neves preferiu aguardar o julgamento terminar.
A reportagem procurou Karla Coser, mas ela ainda não deu retorno sobe o seu posicionamento.
O gabinete de Camillo Neves também foi procurado, mas não houve retorno.
————————————————————————-
- Folha Vitória – Conteúdo
- Foto destaque: Crédito – Antônio Augusto / STF
-
Esportes / Futebol6 dias atrásCopa Vitória das Comunidades 2026 tem abertura oficial e reforça o futebol amador na capital
-
Justiça6 dias atrásMinistério Público investiga contratação milionária de laboratório de robótica em Pedro Canário
-
Evento na Escola6 dias atrásEscola Municipal de Linhares entra no clima da Copa e recebe o ex-jogador da Seleção Brasileira, Alex Silva
-
Acidente / Trânsito5 dias atrásMotorista morre em acidente envolvendo três veículos em Linhares
-
SAÚDE6 dias atrásAnvisa suspende lote de medicamentos para hipertensão e câncer de mama
-
EVENTOS5 dias atrásMaior Moqueca do Mundo movimenta Conceição da Barra com cinco dias de festa, cultura e gastronomia
-
Futebol | Copa do Mundo7 dias atrásSeleção realiza primeiro treino após chegar aos Estados Unidos
-
BRASIL6 dias atrásMPRJ aponta que esquema do Comando Vermelho movimentou mais de R$ 116 milhões