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Derrota da Esquerda

Macron dissolve Assembleia Nacional na França após vitória da direita

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Política Internacional

O presidente francês fez o anúncio após derrota retumbante de seu partido nas eleições para a UE. O partido de Le Pen obteve o dobro dos votos da candidata de Macron

Paris – França

O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou a dissolução da Assembleia Nacional, após a vitória retumbante da extrema-direita do país nas eleições europeias, neste domingo (9). A lista do Reunião Nacional, do cabeça de chapa e presidente do partido, Jordan Bardella, obteve cerca de 31,4% dos votos, enquanto o partido de Macron obteve 14,6%.

Neste domingo (9), cerca de 49,5 milhões de franceses foram às urnas para escolher 81 eurodeputados que representarão o país no parlamento da União Europeia pelos próximos cinco anos. A França faz parte do conjunto de potências do continente que viram a extrema-direita avançar com bastante vigor.

Emmanuel Macron durante evento de líderes da União Europeia em 15 de dezembro de 2023 — Foto: Johanna Geron/REUTERS

“São tempos para esclarecimentos”, disse Macron, em discurso transmitido no palácio do Eliseu. O francês classificou a extrema-direita como “nacionalistas e demagogos” e alertou sobre os perigos decorrentes de sua ascensão, não apenas “para nossa nação, mas para toda a Europa.”

“Hoje, os desafios a frente, sejam os perigos externos, as alterações climáticas e suas consequências, ou a ameaça à nossa própria coesão, estes desafios exigem clareza em nosso debate”, disse.

“A extrema-direita é ao mesmo tempo o empobrecimento dos franceses e o desmantelamento do nosso país. Então, no final do dia, eu não poderia fingir que nada aconteceu”, declarou Macron.

“É por isso que depois de ter realizado as consultas previstas no artigo 12 da nossa Constituição, eu decidi te devolver a escolha do nosso futuro parlamentar através da votação. Portanto, eu dissolvo nesta noite a Assembleia Nacional. Vou assinar em alguns momentos o decreto de convocação e eleições legislativas cujo 1º turno será realizado em 30 de junho e o 2º turno em 7 de julho”, anunciou o presidente.

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A decisão de Macron gerou uma série de reações políticas dentro da França. A líder do Reunião Nacional, Marine Le Pen, disse que a extrema-direita está pronta para assumir o poder, enquanto o líder da esquerda, Jean-Luc Mélenchon, convocou uma frente ampla contra os neofascistas. 

Marine Le Pen, o rosto 'simpático' da extrema-direita na França -  Internacional - Estado de Minas

 

“Estamos prontos para exercer o poder se os franceses confiarem em nós nas próximas eleições legislativas”, assegurou Marine Le Pen (foto), cujo partido lançaria Jordan Bardella como candidato a primeiro-ministro.

Bardella, de 28 anos, obteve uma vitória elástica sobre a candidata governista Valérie Hayer, que somou 14,6% dos votos deste domingo. O resultado do RN, um dos melhores de sua história, confirma também os esforços de Le Pen, para alçar ao poder o antigo Frente Nacional (Front National), que herdou em 2018 de seu pai, Jean-Marie Le Pen, conhecido por seus comentários racistas e antissemitas.

A grande vitória de Bardella antecipou os planos do RN que através do seu vice-presidente do partido, Sébastien Chenu, anunciou, nesta segunda (10), que o eurodeputado será o candidato do seu partido ao cargo de primeiro-ministro na França.

“Jordan Bardella foi eleito deputado europeu, portanto já tem a unção popular” e “é o nosso candidato para ir para Matignon”, nome da residência oficial do primeiro-ministro, declarou à imprensa.

Do outro lado do espectro político, o líder do Partido França Insubmissa, Jean-Luc Mélenchon, deu razão a decisão de Macron em dissolver o legislativo e afirmou que o presidente não possui mais legitimidade para governar.

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“Quando somos rebeldes, não tememos o povo. Pelo o contrário”, disse o líder França Insubmissa, na noite de domingo. “Ele já não tem legitimidade para continuar a sua política. Já não tem legitimidade para continuar o sistema de maus-tratos sociais generalizados em que está envolvido”, declarou.

Seu correligionário, François Ruffin, deputado da França Insubmissa na Assembleia Nacional dissolvida por Macron, apelou às forças de esquerda para “apoiarem uma barreira comum” que seria chamada de “Frente Popular”. “Somos capazes de uma onda, podemos vencer”, garante. Manon Aubry, chefe da lista La France Insoumise para as eleições europeias, declarou que “o Presidente da República tomou nota esta noite da sua derrota contundente”.   

Dos 81 assentos, o partido Reunião Nacional (Rassemblement National, em francês) ficou com 30 lugares, de acordo com estimativas realizadas pela consultoria Verian. Já a lista apoiada pelo partido de Macron, o Renascimento (Renaissance, em francês), contabilizou 13 cadeiras em Bruxelas, mesmo número alcançado pelo partido Socialista que obteve 13,8% dos votos, segundo as projeções.

Os resultados preliminares indicam que a bancada francesa será distribuída da seguinte forma:

  • Reunião Nacional: 30 lugares (31,4%)
  • Renascimento: 13 lugares (14,6%)
  • Socialistas: 13 lugares (13,8%)
  • Insubmissos: 9 lugares (9,9%)
  • Republicanos: 6 lugares (7,3%)
  • Ecologistas: 5 lugares (5,5%)
  • Reconquista: 5 lugares (5,5%)

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* Informações de agências de notícias internacionais

* Fotos: Reuters 

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Política Internacional

Trump diz que romperá com Espanha após país se negar a ceder bases militares

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Presidente norte-americano havia requisitado base militar do país europeu para atacar Irã

Por Gabriel Botelho*

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou, nesta terça-feira (3/3), que romperá ligações comerciais com a Espanha. A quebra da relação se deu após o país europeu ter se negado a ceder bases norte-americanas no país para que os EUA pudessem atacar o Irã.

“E agora a Espanha disse que não podemos usar as bases deles, e tudo bem, não precisamos. Poderíamos usar a base deles se quiséssemos, poderíamos simplesmente voar para lá e usá-la. Ninguém vai nos dizer para não usar. Mas não precisamos. Eles foram hostis e por isso eu disse a ele que não queremos”, contou o presidente. 

Ainda durante a declaração, Trump mencionou o fato de a Espanha ter sido o único país da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) a se negar a subir a taxa de importação no país para 5%. “Eu não acho que eles gostariam de concordar em subir para nada. Eles queriam manter em 2% e eles não pagam os 2%. Então, vamos cortar todo o comércio com a Espanha. Não queremos nada com a Espanha”, acrescentou Trump. 

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O ministro dos Negócios Estrangeiros da Espanha, José Manuel Albares, confirmou, nessa segunda-feira (2/3), ter negado o uso das bases aos Estados Unidos. Em entrevista à rádio pública espanhola RTVE, disse que a soberania espanhola prevaleceria no controle das bases de Rota e Morón de la Frontera, no sul do território do país. 

“Não vamos emprestar as nossas bases para nada que não esteja no Tratado ou que não se enquadre na Carta das Nações Unidas. São bases de uso conjunto, mas de soberania espanhola e, portanto, a Espanha tem a última palavra sobre o uso dessas bases”, reforçou. Ele ainda contou que os EUA não haviam informado os espanhóis sobre o ataque com antecedência. 

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  • Correio Braziliense – Conteúdo
  • Foto Destaque: Reprodução / Redes Sociais
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