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Política Municipal

Tentativa de aprovar empréstimo de 100 milhões naufragou mais uma vez

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POLÍTICA & GOVERNO

São Mateus / ES

 Por Paulo Borges

Foi mais uma sessão tensa a desta terça-feira (7), na Câmara Municipal de São Mateus, quando a expectativa do prefeito e seus aliados era ver o projeto de lei autorizando a Prefeitura contrair o empréstimo aprovado. Mais uma vez a turma saiu de cabeça baixa, humilhada, até porque a maioria da população mateense rejeita esse empréstimo.

O início da sessão demonstrou que a bancada governista não estava para brincadeira e o vereador Cristiano Balanga (Pros) viu seu requerimento, que solicitava o uso da tribuna livre para o coronel bombeiro e secretário de Defesa Social, Carlos Wagner Borges falar do projeto, ser rejeitado pelo presidente da Mesa Diretora, Paulo Fundão (PP).  Na justificativa, o presidente disse que o coronel não conhecia o projeto, nem a cidade, era de Vitória e havia sido candidato num claro contra censo no uso da tribuna, até porque quem deveria ali estar era o secretário de Planejamento. Foi, como disse o produtor rural Aciole Medina, “uma porrada de arrumação na casa e mostrar quem pauta e quem decide dentro de suas atribuições constitucionais”.

O vereador Kásio Mendes (PSDB), vice-presidente, tomou as dores do colega de bancada, mas ambos foram enquadrados pelo presidente daquela Casa de Leis, que mostrou autoridade, cortou o som do microfone dos dois e, caso o vereador Cristiano Balanga continuasse querendo tumultuar a sessão, chamaria a polícia e o colocaria para fora do plenário. O líder do prefeito, Kássio Mendes queria se retirar, mas desistiu, provocando risos nas pessoas que assistiam a sessão.

“Não conhece nada de legislativo, é pau mandado do prefeito, que é chefe dele e de outros”, disse o comerciário Rafael Machado, que assistia a sessão.

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Quando o Projeto de Lei, que autorizava a Prefeitura celebrar o empréstimo de R$ 100 milhões com o Banco do Brasil, foi para a fase de discussão, Lailson da Aroeira (SD), fez uso da tribuna fazendo pesadas críticas ao Executivo declarando ser contra a aprovação do projeto. O mesmo aconteceu com o vereador Carlinho Simião (Podemos), que pediu a cada um dos vereadores que votassem pela rejeição. Essa atitude revoltou a petista Ciety Cerqueira e também deixou a vereadora Preta do Nascimento possesa, discutindo alto, sacudindo duas folhas de papel e se retirando do plenário por alguns momentos para se acalmar. A atitude de ambas mereceu sonora vaia da platéia.

O vereador Cristiano Balanga usou a tribuna para falar da necessidade de aprovação do projeto para que os recursos fossem empregados em benfeitorias nos bairros Nova Era e Seac. Um discurso, segundo alguns, que não se sustentou, pois o atual prefeito teve sete anos para investir naqueles bairros e nada foi feito. O mesmo discurso foi feito pelo líder do prefeito, vereador Kássio Mendes, apresentando números e percentuais de valores investidos pelo prefeito Daniel Santana (sem Partido), o que não convenceu a ninguém, tendo em vista que credibilidade não é o forte dessa administração e seus aliados perante a sociedade produtiva e ordeira de São Mateus.

Gilton Gomes também fez uso da tribuna e citou a sua atuação como relator da Comissão Processante, que na ocasião chegou a conclusão que o prefeito deveria ser cassado. Disse que sofreu pressão e oferecimento de propina para mudar o rumo da decisão da sua relatoria, mas rejeitou todas essas tentativas.

Mas o discurso mais esperado foi o do presidente Paulo Fundão que, de maneira contundente e emotiva pedia a rejeição do projeto. Aproveitou a oportunidade para falar do abandono a que foi relegada a cidade de São Mateus, “cidade onde nasci e que amo”, exaltou.

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O final da sessão parecia se encaminhar para a sua aprovação, apesar da população rejeitar o empréstimo e os vereadores que o defendia. Acontece, porém, que o vereador Delermano Suim (Patriotas) questionou que o projeto não havia passado pelas comissões e não tinha parecer. O presidente Paulo Fundão, baseado nos artigos e alíneas do Regimento Interno, deu razão ao vereador, deferindo sua solicitação e encerrando a sessão.

“Esses vereadores submissos ao prefeito nos envergonham, votam contra a população”, disse o representante comercial Murilo Assis de Mattos, elogiando o vereador Delermano que, “de maneira digna reconheceu que havia algo errado e que não poderia ser votado um projeto daquele jeito”.

Para a maioria das pessoas que estiveram na sessão e foram ouvidas pela reportagem, o prefeito e certos vereadores não podem votar para satisfazer “um prefeito corrupto e contra a vontade do povo”, foi o que mais se ouviu.

A próxima sessão será dia 14 e a esperança do prefeito e seus aliados é que tenham mais sorte, o que está em desacordo com o que pensa a maioria da população do município, que “não aceita que o empréstimo a seja dado para um prefeito que nunca fez nada para a cidade e seu povo, nos fazendo passar vergonha diante de tanta incompetência, que aliás sobra competência para praticar o ilícito”, sentenciou um dos presentes à sessão. “Seus vereadores também não têm credibilidade e moral perante a sociedade, até porque acoitam os desmandos do prefeito Daniel”, completou.

  • Fotos: Divulgação 

 

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POLÍTICA & GOVERNO

Prefeitura de Vitória lança programa histórico para revitalizar o Centro e destravar mais de R$ 6 bi

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Por José Carlos Schaeffer* | Vitória (ES)

A Prefeitura de Vitória publicou no Diário Oficial do Município desta quarta-feira (16), o decreto nº 27.034 que institui o Programa de Reabilitação da Área Central (ReAC). A iniciativa estabelece um marco regulatório inédito com o objetivo de reposicionar o Centro como o principal motor de desenvolvimento econômico, urbano, habitacional e cultural da capital. Com foco agressivo na desburocratização e na atração de novos moradores e empresas, o programa projeta atrair até 27,5 mil novos residentes e mobilizar mais de R$ 6 bilhões em investimentos privados na região. 

O ReAC atuará sobre a Zona Especial de Interesse Urbanístico 1 (ZEIU 1), área que engloba o Centro Histórico, guiado pelo conceito de “readensamento inteligente”. Na prática, a gestão municipal passará a utilizar as obras e os investimentos públicos estruturantes já previstos para a região como âncoras para dar segurança e atrair a iniciativa privada em larga escala.

O que muda na prática?

O decreto ataca gargalos históricos que afastavam investidores da região central, criando um ambiente de negócios ágil e seguro. Para que a população e o mercado compreendam o impacto imediato, as principais mudanças incluem:

– Alvará Automático e Fim da Burocracia: Projetos de novas edificações em lotes vazios, requalificação, retrofit e Habitação de Interesse Social (HIS) no Centro passam a ter licenciamento simplificado. Os empreendimentos da região passarão para o Grau de Risco 3, e a emissão do Alvará de Execução de Obras será eletrônica e automática no ato do protocolo, baseada na responsabilidade técnica do profissional, mediante apresentação de documentação simplificada (Planta de Situação e Quadro de Áreas).

– Apoio Financeiro para Reformas (TPC): Para viabilizar financeiramente a recuperação do patrimônio, a Prefeitura aprimorou a Transferência do Potencial Construtivo (TPC). O proprietário que investir na preservação de um imóvel histórico no Centro terá a excepcionalidade de converter 100% do potencial de construção do seu lote (fórmula PT = PC) em um certificado (CPC). Esse crédito funciona como uma “moeda de troca” de alto valor, podendo ser vendido a terceiros para uso em outras áreas, financiando a própria obra de restauro.

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– Foco na Habitação de Interesse Social (HIS): O programa garante que a atração de investimentos privados caminhe lado a lado com a inclusão. Obras voltadas para a Habitação Social no Centro estão inseridas diretamente na engrenagem de benefícios e facilidades de licenciamento do ReAC, visando a construção de um bairro multiclassista e o combate à expulsão dos moradores de baixa renda.

– Tolerância Zero com o Abandono: O decreto aciona a atuação prioritária do município contra imóveis que não cumprem sua função social. Imóveis privados em situação de abandono (com degradação e ausência de posse) poderão ser arrecadados provisoriamente pelo Município. O decreto garante ao proprietário o prazo de três anos, após a arrecadação, para manifestar interesse na conservação antes da transferência definitiva do bem ao patrimônio público. O programa também prevê a aplicação prioritária do PEUC e do IPTU Progressivo no Tempo.

– Proteção da Paisagem Histórica (PVBT): Para garantir que o adensamento não sufoque a história da cidade, o decreto regulamenta os Perímetros de Proteção de Vizinhança de Bem Tombado (PVBT). Através de estudos técnicos, eles estabelecem regras inteligentes para blindar a visibilidade dos monumentos históricos e, ao mesmo tempo, flexibilizar novos índices urbanísticos e gabaritos de forma segura no miolo das quadras.

– Gestão Urbana Preditiva: Para garantir que a engrenagem funcione, o decreto institui o Gabinete de Inteligência e Transformação Territorial. A nova unidade estratégica da SEDEC coordenará o licenciamento, fará o monitoramento baseado em dados e garantirá a integração institucional entre poder público e iniciativa privada para o sucesso contínuo do programa.

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A expectativa da Sedec, com as novas regras, é viabilizar entre 8 mil e 11 mil novas moradias na Área Central, com fortíssimo incentivo para a Habitação de Interesse Social (HIS). O objetivo é aproximar moradia, trabalho, serviços e lazer, permitindo que famílias de diferentes faixas de renda possam morar em uma das regiões mais bem estruturadas de Vitória.

Um novo ciclo para a cidade

Nas últimas décadas, o coração de Vitória vivenciou um esvaziamento profundo, caindo de 30% para cerca de 10% do total de habitantes da capital. O resultado foi a proliferação de prédios vazios e a subutilização de uma infraestrutura urbana de ponta.

O secretário de Desenvolvimento da Cidade e Habitação (Sedec), Túllio Ponzi, reforça a capacidade de transformação do novo marco legal. “O ReAC representa uma mudança de paradigma. É uma arquitetura institucional sofisticada que confere intencionalidade ao investimento público. Na prática, a integração dos instrumentos regulamentados faz com que cada real investido pelo Município no Centro atue como catalisador do desenvolvimento, atraindo investimentos privados, ampliando a produção de moradia para todas as faixas de renda, permitindo que mais pessoas possam viver em uma das áreas mais bem localizadas e estruturadas da cidade, valorizando o patrimônio, gerando oportunidades e melhorando a qualidade de vida da população”, afirma o secretário.

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  • Prefeitura de Vitória / Comunicação – Conteúdo
  • Foto destaque: Crédito – Jansen Lube / PMV
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