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Opinião / Coluna

Bloco de Notas – 2ª edição de abril

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OPINIÃO

Por Paulo Roberto Borges

Assombrações

O prefeito de São Leopoldina, Fernando Rocha (PDT), ao assumir o seu mandato em janeiro, achou que tudo seria “mais ou menos” tranquilo, sem grandes sobressaltos, exceto aqueles problemas que estão expostos como a questão previdenciária que atormenta vários colegas de outros municípios.

Acontece, porém, num dia chuvoso e de pouca luminosidade, se assustou, ao abrir um armário da Prefeitura, e descobrir três esqueletos que ali foram deixados pela gestão anterior. Conseguiu identificar a carcaça de um e já está procurando resolver a herança fúnebre deixada escondida naquele armário municipal.

Agora, ainda restam outros e, para amenizar o ambiente, não dispensa o incenso e nem mesmo um manual de afastar visagem.

Engarrafamento Político

Alguns prefeitos têm recebido a visita de parlamentares e dirigentes de órgãos públicos levando esperança e promessas de ajuda ao seu município. Todos têm a intenção de serem pré-candidatos ao pleito de 2026.

Os prefeitos têm à sua frente um cenário de vários pretendentes, mas sabe que promessas não realizam obras e espera que a esperança não seja a última que morre, até porque, alguns municípios estão com suas finanças mortinhas e não podem ficar na dependência dessas investidas e futurologia.

IPVA e o IPTU

Recentemente li um artigo do Roberto Motta sobre impostos como IPVA e IPTU. Achei interessante e relevante para a reflexão do cidadão, que é espoliado pelo Estado brasileiro de manhã, de tarde e à noite. Até em seu momento do sono sagrado, após um longo dia de labuta para manter e sustentar uma casta que manda, porém, nada produz.

O Motta, em seu artigo cita que há gente que ainda pensa que seu dinheiro do IPVA vai para melhorias das estradas. Ledo engano, vai para o caixa do estado e os governos fazem dele o que bem quiser.

O mesmo acontece com o IPTU.

É a mesma coisa com o IPTU. O imposto não foi criado para financiar “serviços prestados pelo Estado”. E surgiu assim, conta Motta:

“Um bando de guerreiros chegou em uma fazenda. O chefe deles colocou a espada no pescoço do fazendeiro e anunciou: “a partir de hoje metade do que você colher é meu”

Com o passar do tempo os guerreiros viraram o “Estado” e o pagador dos impostos virou “contribuinte”.

A lógica continua a mesma. E completa: “O que justifica o imposto é simplesmente a capacidade que o Estado tem de cobrar e de te punir – tomar sua propriedade e até te prender – se você não pagar.

O dinheiro do seu IPTU ou IPVA pode virar uma ponte desnecessária e superfaturada, uma viagem ao exterior, uma banheira de hidromassagem ou um jantar com lagosta.

 Entender a realidade é o primeiro passo para mudá-la”.

Beleza e Simplicidade

A Prefeitura de Santa Leopoldina e seus parceiros da iniciativa privada, bem como entidades da sociedade civil, promoveram uma bela festa pela comemoração dos 138 anos de Emancipação Política do município. O papel do prefeito Fernando Rocha (PDT) com seu dinamismo, conhecedor das necessidades e tradições da cidade e da população, foi fundamental para integrar todos em um só objetivo. Credibilidade é a palavra-chave.

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Viação Covid

A Viação São Gabriel, empresa de transporte urbano que monopoliza esse serviço na cidade de São Mateus, alegou ano passado, durante a CPI que investigava o contrato que tem com a Prefeitura, que tem a receber da municipalidade R$ 16 milhões. Isso foi durante a pandemia, o que levou a empresa a prestar um serviço deficiente aos seus usuários.

Se isso for verdade, consequentemente até hoje a pandemia continua presente em São Mateus.

Planeta Água

Para os moradores de Guriri, bairro conhecido como balneário de São Mateus, a sua parceira de sempre continua ao seu lado. São inseparáveis! Trata-se das enchentes constantes. As obras de macrodrenagem devem sair ainda neste século, pelo menos é o que desconfiam alguns moradores mais “apressadinhos”.

Hibernando

As tais lideranças da política de alguns municípios nunca se pronunciam diante de situações que acham contrárias aquilo que pensam e defendem. Ou são frouxas ou são omissas mesmo, esperando o período eleitoral para se pronunciarem e virem como salvadoras da pátria. Amigo urso também hiberna.

Lançamento de livro

O renomado escritor capixaba, Maciel de Aguiar, lançou mais uma de suas obras. Desta vez foi o livro O Velho Lobo do Mar. Este é o 144º de sua vasta produção literária.

O lançamento aconteceu dia 24, no Centro Cultural Triplex Vermelho, na Praça Costa Pereira, no centro de Vitória. Maciel fará lançamento do seu livro em outras cidades capixabas, no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e, sua edição em Espanhol, pretende lança-la em Cuba. Já tem edição em Inglês.

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PODE ISSO, ARNALDO?!

Não, não pode.

Um roubo bilionário no INSS, em que o governo foi alertado pela AGU a sete meses e, quando a bomba estoura e vaza para a plateia, é tomada providencia por esse mesmo governo, dizendo que foi um ato imediato, Sete meses depois?!

O irmão do Lula, Frei Chico, é suspeito de fazer parte da quadrilha. Foi afastado apenas o presidente do INSS e não se demite o ministro Carlos Lupi?

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Resumão

Uma verdade – Para quem costuma viajar por algumas cidades do Espírito Santo, logo identifica o que tem de melhor nelas: sua população. Santa Leopoldina e Santa Teresa são alguns dos exemplos. /// Nessa toada – Seguindo essa linha, vale destacar a cordialidade e presteza dos funcionários das prefeituras e câmaras. /// Fechado – O espaço do autoatendimento da agência da Caixa Econômica Federal de Jardim Camburi, fica fechado aos sábados. Como nem todos sabem dessa norma da CEF, entram e saem sem dinheiro na carteira. A saída é uma casa lotérica ali perto, no Unique Mall. /// Novo visual – O plenário e a assistência da Câmara Municipal de Santa Leopoldina, ganhou um novo visual depois que assumiu a sua presidência o vereador Darley Espíndula (PP). Ele e a equipe daquela Casa de Leis, merecem todos os elogios da coluna. Vale lembrar que o nível dos debates melhorou, pois muitos dos parlamentares fazem uso da tribuna e participam dos debates. /// Eternidade – Para quem depende de ônibus para se deslocar em dias de feriados na cidade de Vitória passa raiva. A linha 121, de Jardim Camburi ao bairro Mário Cypreste faz muita gente chegar atrasada em compromissos. Nem todos ficam atoa em dias de feriados. Existem trabalhadores que não tendo todos os dias dinheiro disponível na carteira para pegar um taxi ou uber, necessitam fazer uso do transporte coletivo urbano. Alô alô, vereadores do bairro! /// Mas… – Os ônibus que circulam exclusivamente na capital são limpos, novos e tem ar-condicionado. Nem tudo é crítica e nem tudo está perdido. /// Disputa comunitária – As eleições da Associação Comunitária de Jardim Camburi (Acjac) devem acontecer dia 25 de maio. Já estão enfileiradas várias chapas. /// Tem méritos – A vereadora de Vitória, Karla Coser (PT), tem algumas posições que enraivecem a oposição. Mas, uma coisa é fato: é uma parlamentar atuante e dignifica o seu mandato. /// Reclamação – Para quem pensa que às reclamações dos moradores da região serrana contra o DER-ES cessaram, não é verdade. Existem muitas queixas relacionadas as demandas não atendidas. /// Segurança – O tema é recorrente e o Conseg de Jardim Camburi, com a 12ª Cia Independente da Polícia Militar, realizou um encontro para debater e buscar soluções para esse problema no bairro. O evento foi realizado nas dependências da Estácio, dia 24. – /// Normal – Mais um escândalo de roubo que foi potencializado no governo do petista Luiz Inácio Lula da Silva. Afanaram mais de R$ 6 bilhões do INSS. O Alckmin disse que a turma voltou ao local do crime. Pior é que ele também lá está. /// Grana – A repactuação do acidente da barragem de Mariana da Prefeitura de São Mateus com a Samarco vai deixar nos cofres do município a “mixaria” de R$ 197.826.936,20, pelos próximos 20 anos.

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Para Reflexão

“Quebra-se uma mentira com uma verdade dita”

Autor desconhecido

 

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OPINIÃO

Produtividade travada: fatores históricos que explicam o atraso do Brasil

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A baixa produtividade do trabalhador brasileiro tem origem no modelo extrativista da economia que vem do colonialismo e, em muitos aspectos, permanece em vigor, mesmo tendo à frente governos liberais ou progressistas

Por Arthur Gebara Júnior*

A produtividade do trabalhador brasileiro é considerada baixa quando comparada à de países desenvolvidos e de algumas nações em desenvolvimento. O Brasil ocupa a 94ª posição no ranking global de produtividade da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ficando atrás até mesmo de vizinhos latino-americanos com graves dificuldades estruturais.

Na América Latina, por exemplo, o Brasil perde para o Uruguai, o Chile, a Argentina e Cuba – país que lida há décadas com um embargo econômico e fortes limitações sob um governo centralizado. No ranking global de produtividade por hora trabalhada, que avalia 184 países, o Brasil registra uma geração média de riqueza de US$ 21,2 por hora. No contexto regional, o Uruguai lidera com US$ 38, seguido por Chile (US$ 34,4), Argentina (US$ 33,8) e Cuba (US$ 22,6).

O indicador é calculado pela OIT ao dividir o Produto Interno Bruto (PIB) em dólares pelo total de horas trabalhadas da população ativa. Os líderes mundiais em produtividade são a Irlanda (US$ 164,7), Luxemburgo (US$ 159), Noruega (US$ 125,6) e Cingapura (US$ 100,4). Em relação aos Estados Unidos, onde o trabalhador gera US$ 81 por hora, o rendimento brasileiro representa apenas cerca de 26% da riqueza produzida por um americano.

A pesquisa da OIT (com dados do primeiro trimestre de 2026) também aborda a jornada semanal. O brasileiro trabalha, em média, 38,9 horas por semana, índice inferior ao de 97 países, incluindo nações como a China (46,1 horas), Índia (45,7 horas) e o México (42,2 horas). A possível aprovação da jornada 6×1, em andamento no Congresso Nacional, por exemplo, deve aumentar o custo para o empregador e para o consumidor, sem alterar a produtividade.

Mas, afinal, o que trava a produtividade? Por que o país permanece estagnado nesse patamar há décadas? Trata-se de uma questão complexa, na qual fatores históricos e estruturais exercem um papel decisivo.

Para ajudar a entender a baixa performance do trabalhador brasileiro, é possível recorrer ao chamado “mito da preguiça tropical”: ideias racistas e deterministas do século XIX, herdadas do período colonial, tentavam culpar o clima ou a etnia pelo atraso econômico. No entanto, a história econômica desmente esses mitos ao demonstrar a alta intensidade de esforço físico imposta aos trabalhadores sob regimes de exploração e escravidão.

Instituições determinantes

Daron Acemoglu é professor de economia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e James A. Robinson, professor de ciência política da Universidade de Chicago. Os dois receberam o Prêmio Nobel de Economia pelo conjunto de suas pesquisas acadêmicas fundamentais sobre como as instituições sociais e políticas afetam a prosperidade dos países, que servem de base para a tese apresentada na obra “Por que as Nações Fracassam”. Este livro destaca como as justificativas geográficas e culturais para decretar a riqueza ou a pobreza de um país não convencem. Os dois especialistas afirmam que o desenho de suas instituições é determinante.

Para uma análise mais precisa, eles classificaram os países em duas categorias. Os de economias inclusivas, que promovem a prosperidade ao garantir direitos de propriedade, incentivar a inovação e distribuir o poder político, com um resultado histórico que gera crescimento sustentável de longo prazo. Direitos amplos, garantia da propriedade privada com segurança jurídica e regulação clara também contribuem para a construção de um ambiente favorável aos investimentos, o que não tem ligação com fatores geográficos e culturais. A educação, a qualificação e o preparo do trabalhador afetam diretamente a sua produtividade.

Já as nações enquadradas como extrativistas concentram a riqueza nas mãos de poucas elites e barram o desenvolvimento. Embora a questão das instituições seja parte das regras do jogo, ela é também determinante para o desenvolvimento de um país. O modelo que os economistas classificam como extrativista não estimula o trabalhador, o que afeta de maneira decisiva a sua produtividade. Ele não tem incentivo para se educar ou investir na sua qualificação técnica, o que o impede de enxergar oportunidades, se preocupar em inovar ou empreender. Além disso, não existe a perspectiva e a garantia de que será recompensado e se apropriará dos resultados do seu esforço, já que o investimento produtivo é muito baixo, com falta de capital físico, o que compromete a produtividade.

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O livro compara o sucesso de países como os Estados Unidos com a economia de nações da América Latina, África e Ásia, explicando como essas características institucionais e políticas são cruciais para o êxito ou o fracasso. No caso da América Latina, o modelo colonial de dominação e exploração gerou instituições extrativistas que concentram renda e travam a produtividade moderna.

Produtividade travada: fatores históricos que explicam o atraso do Brasil

E o Brasil?

O país ainda sofre com as sequelas desse modelo. O latifúndio colonial limitou o acesso à propriedade para a maioria da população, enquanto a escravidão prolongada atrasou a criação de um mercado consumidor livre e qualificado.

Marcel Solimeo, economista-chefe do Instituto de Economia Gastão Vidigal da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), alerta que a educação e, especialmente, a qualificação dos trabalhadores ainda não são efetivas. “Existem cursos de qualificação profissional em várias entidades empresariais, escolas e institutos de formação técnica, mas o problema vem da educação básica, ainda muito deficiente e que continua produzindo um grande número de analfabetos funcionais”, diz.

O economista afirma ainda que “a falta de cultura geral e o pouco interesse de alguns setores do empresariado pela educação e pelo investimento na qualificação do trabalhador agravam o problema.”

Determinismo histórico

Historicamente, a estrutura econômica brasileira priorizou a extração de recursos de baixo valor agregado para exportação. Esses fatores afetam diretamente a produtividade do trabalhador, que recebe menos e tem menor acesso à infraestrutura e à tecnologia de ponta.

Países dominados por dinâmicas extrativistas entram em ciclos de estagnação, pobreza e disputas pelo controle do Estado. Nesse contexto, fica claro que atribuir a baixa produtividade à cultura do povo desvia o foco dos problemas reais e das falhas dos sistemas econômicos, ignorando as profundas diferenças entre modelos inclusivos e exploradores.

Para Ulisses Ruiz de Gamboa, economista do Instituto de Economia Gastão Vidigal da ACSP e professor de História Econômica do Insper, trata-se de um problema crônico: “Ao longo de toda a sua história, o Brasil sofreu com essas instituições extrativistas que, infelizmente, se mantêm vivas, independentemente da linha ideológica dos sucessivos governos. Nem a ascensão de governos declaradamente progressistas foi capaz de promover mudanças“.

O professor acrescenta que, além do problema da baixa qualificação do trabalhador, o Estado muitas vezes protege interesses corporativos específicos em vez de garantir a livre concorrência, criando um ambiente de negócios que penaliza o empreendedorismo em massa, dificulta ganhos de eficiência e desincentiva os ganhos de produtividade do trabalhador.”

O mapa da baixa produtividade

A colonização estabeleceu bases estruturais que moldaram o destino econômico e social de continentes inteiros. A África teve fronteiras desenhadas arbitrariamente pelas potências europeias na Conferência de Berlim, o que fragmentou etnias, alimentou conflitos civis duradouros e estruturou economias baseadas na exportação de commodities primitivas.

A Ásia sofreu com a exploração comercial agressiva e a imposição de tratados desiguais, sendo que a desestruturação de impérios locais abriu caminho para instabilidades políticas prolongadas no século XX.

Na América Latina, o foco na extração de recursos e na monocultura para exportação deixou um legado de extrema desigualdade social, concentração de terras e dependência externa.

A Divergência Coreana

Em “Por que as Nações Fracassam”, os autores mostram o contraste entre as duas Coreias: a do Norte (comunista) e a do Sul (capitalista). O capítulo ilustra como as instituições e os modelos econômicos superam o determinismo geográfico.

A Coreia do Sul adotou o capitalismo de Estado, investiu massivamente em educação de base e promoveu indústrias voltadas à exportação – os chamados chaebols (conglomerados empresariais familiares) -, transformando-se em uma potência tecnológica global.

Por outro lado, a Coreia do Norte seguiu o modelo de economia planejada e fechada do sistema comunista (Juche), priorizando o setor militar e sofrendo com o isolamento internacional, a estagnação econômica e as crises de abastecimento.

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A retomada de Singapura e da China

A ascensão do Sudeste Asiático e da China redefiniu o equilíbrio de poder econômico mundial por meio do pragmatismo estratégico. Singapura transformou-se de uma ilha portuária vulnerável e sem recursos naturais em um centro financeiro global, com um sucesso baseado em forte controle estatal, combate rigoroso à corrupção, abertura ao capital estrangeiro e foco absoluto em logística e educação.

A China recuperou-se de um século de submissão colonial, conflitos e graves convulsões internas. Sob o governo comunista a partir de 1949, passou por grandes dificuldades econômicas decorrentes das tentativas de Mao Tsetung – como o plano “O Grande Salto Adiante”. Foi com as reformas de abertura econômica iniciadas em 1978 que conseguiu combinar o controle político do Partido Comunista com zonas econômicas especiais de livre mercado, tornando-se uma potência militar e industrial e a segunda maior economia do mundo.

Defasagem

No Brasil, a imensa defasagem no ensino básico e técnico, que reduz a capacidade de inovação e a eficiência nas funções, representa um grande desafio. A infraestrutura insuficiente e pouco eficiente, associada ao chamado “Custo Brasil”, constitui outro fator determinante: logísticas precárias e transportes deficientes geram perdas diárias de tempo e recursos. A baixa incorporação de equipamentos modernos nas empresas também deprime o rendimento por hora trabalhada, ao passo que falhas na gestão de processos produtivos e a baixa valorização do capital humano prejudicam o desempenho geral.

Reformas

As reformas estruturais voltadas à produtividade no Brasil estão no radar dos especialistas. É cada vez mais urgente iniciar mudanças profundas capazes de retirar o país da armadilha da baixa produtividade e conduzi-lo a um modelo econômico inclusivo, o que exige a remoção de privilégios corporativistas e a valorização do potencial da força de trabalho. A produtividade do trabalhador brasileiro segue estagnada desde 1950, acumulando avanço de apenas 0,4% em 2025 e desaceleração contínua em 2026. Esse cenário reflete o peso do ecossistema estrutural e da burocracia, distanciando o país da média global de produtividade no trabalho.

Radiografia da Estagnação Produtiva

A eficiência do trabalho no Brasil patina em meio a desajustes setoriais e à reversão de ganhos pontuais do passado. Dados do Observatório da Produtividade Regis Bonelli, gerido pelo FGV-IBRE, mostram que o salto temporário de produtividade registrado em 2020, devido à pandemia, foi totalmente revertido, retornando à trajetória de queda iniciada em 2017.

Após alta de 2,3% em 2023, impulsionada pela agropecuária, o indicador avançou apenas 0,1% em 2024 e fechou 2025 com alta modesta de 0,4%. O setor de serviços, que concentra a maior parte da mão de obra, mantém ganhos de produtividade próximos a zero, na casa de 0,2% ao ano.

Para a Virada Estrutural

A reversão desse quadro depende de reformas profundas, divididas em quatro frentes prioritárias:

– Consolidação e Simplificação Tributária: Fim do Custo Brasil, redução da burocracia fiscal e estímulo direto ao investimento produtivo em inovação, superando o planejamento tributário defensivo.

– Reforma Educacional e Técnica: Alinhamento curricular voltado para ciências, engenharia e ensino técnico, além de requalificação contínua de adultos frente à automação.

– Modernização Administrativa: Corte de privilégios e supersalários no funcionalismo, atrelando a máquina pública à meritocracia e à entrega de serviços eficientes.

– Abertura Comercial e Infraestrutura: Redução de barreiras tarifárias para elevar a competitividade externa e ampliação de concessões em portos, ferrovias e saneamento por meio de segurança jurídica.

Em um momento em que as atenções se voltam para as eleições de outubro, existe a expectativa de que surja um projeto inovador para a próxima gestão. Nesse sentido, refletir sobre a baixa produtividade do trabalhador brasileiro é fundamental para confrontar os resquícios de um passado extrativista que continua a limitar o desenvolvimento nacional.

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  • Artigo publicado no Diário do Comércio – Conteúdo
  • Foto destaque: Reprodução / Redes Sociais
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