Opinião / Coluna
Coluna Bloco de Notas – 1ª edição de março
OPINIÃO

Paulo Roberto Borges
Desfalques
O time do prefeito de São Mateus, Marcus Batista (Podemos), continua apresentando lacunas na nomeação de alguns titulares de secretarias. Existem secretarias importantes que estão sendo representadas, interinamente, por titulares de outras pastas. Obras, Educação e Saúde, por exemplo, seus titulares pediram exoneração.
Os motivos pelos quais saíram foram falados pelas ruas, becos e sarjetas da cidade. Os que remetem a não nomeação, não se sabe.
Vale ressaltar que no município existem vários cidadãos capazes, competentes e conhecedores de cada canto de São Mateus e suas necessidades. Talvez, por acordos políticos, até mesmo de fora das dimensões municipais, aguardam definições.
Apesar disso, o atual prefeito vem colocando o município nos trilhos, após o maquinista anterior ter descarrilhado o trem.
Concorrência
O presidente Lula (PT) tem demonstrado grande talento para o humor negro, com suas piadas sem a mínima graça. Enquanto estiver em narrativas e mentiras, nada que preocupe os humoristas e comediantes que fazem Stand Up. Se Lula falar a verdade dos fatos, aí sim, passa a ser concorrente. Enquanto rola mentiras e mentiras, o povo sifu, mas os profissionais do humor de qualidade, nada a temer.
Lula e o Poder
O governo do PT, comandado pelo seu chefe maior, Luiz Inácio Lula da Silva, não tem programa de governo. Talvez, por ter sido alçado da cadeia para a campanha eleitoral, não tenha dado tempo para a elaboração de um programa de governo, mas o projeto de poder isso sempre a esquerda tem na manga.
O “governo” Lulista nada apresentou nesses anos, exceto programas eleitoreiros e populistas, principalmente direcionado para a classe menos esclarecida.
Agora o presidente está preocupado com a popularidade e não em solucionar os inúmeros problemas que assolam a população brasileira.
Eleições Comunitárias
Em Vitória as associações de moradores exercem um papel muito importante na sua comunidade. Muitas vezes servem para colaborar e alertar o poder público sobre várias demandas. Desenvolvem projetos, promovem eventos sócio culturais, dentre outros. A Associação Comunitária de Jardim Camburi é (Acjac) exemplo disso. Vários presidentes passaram por ela e deixaram um bom legado. O último foi Bruno Malias, hoje vereador eleito pelo PSB.
Em maio estão previstas eleições para a Acjac. É um acontecimento que movimenta o bairro. Informações dão conta que haverá um número considerável de pretendentes a formarem chapa para concorrer.
Em tempo. Não podemos esquecer do Iberê Arruda, que foi muito atuante na associação e em conselhos municipais. Hoje ele não mora mais no bairro e nem mesmo em Vitória. Mas, é sempre lembrado com carinho e respeito pelo que representou em ações em prol da coletividade.
A Ponte do Desejo
O Departamento de Edificações e de Rodovias do Estado do Espirito Santo (DER-ES), não é mais aquele que sofria críticas de manhã, de tarde e de noite. Era dia sim e outro também. Os moradores da região serrana sabem do que falo. Mas ainda não é a perfeição.
A tão sonhada ponte na região do Nativo de Barra Nova, em São Mateus, que ainda é de madeira por onde trafegam carretas m veículos particulares e ônibus escolares, depois de dezenas de anos terá sua construção em concreto. Antes parecia existir uma disputa de egos de políticos que não conseguiram os votos necessários para se elegeram e – ainda segundo lideranças locais – causou toda essa vergonhosa situação.
No entanto, o governador Renato Casagrande (PSB), que vem realizando inúmeras benfeitorias por todo o Estado, tomou para si esse compromisso e acionou o DER-ES para que a ponte fosse construída.
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PODE ISSO, ARNALDO?!

Não, não pode.
Pessoas ou mesmo políticos nomeados em cargos públicos usarem desse “trampolim” para construírem suas candidaturas às próximas eleições.
Os que pleiteiam uma futura candidatura e não têm essa condição ficam em desvantagem.
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Resumão
Pois é – A vereadora de Vitória, Ana Paula Rocha, do PSOL, apresentou Moção de Aplauso para a organização do bloco carnavalesco As Peladonas. E foi aprovada. /// Vaza! – A Câmara de Vitória aprovou Moção de Repúdio a visita do presidente Lula (PT) ao Espírito Santo. Nem precisava, ele desistiu de vir. /// Limpeza – Na gestão passada, de São Mateus, além das ações de limpeza da praia de Guriri, limpava sem pudor os cofres da municipalidade. Foi a Polícia Federal quem disse e apurou a bandalheira. A atual gestão está apenas limpando a praia. /// Esperança – Na política brasileira o deputado federal, Nikolas Ferreira (PL-MG), é o que temos de melhor no Brasil. /// Atuante – O deputado federal, Messias Donato (Republicanos) tem se revelado uma grata surpresa no desempenho do seu mandato. Se destaca na constelação política da bancada capixaba em Brasília. /// Turismo – O presidente Lula vai ao Japão. A primeira-dama Janja foi na frente para aproveitar e fazer turismo. Tudo isso com o dinheiro dos impostos da população brasileira. /// Ditadura – Não há mais dúvida de que vivemos em um regime perseguidor dos que não rezam na cartilha dos que hoje estão no poder. É uma ditadura acompanhada pela democracia relativa… /// Memória – O bairro Bento Ferreira, de Vitória, terá sua história exposta em evento na EMEF Adilson Silva Castro, que fica à Rua João Vieira, no bairro Monte Belo, que vai acontecer dia 26 deste mês de março.
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Para Reflexão
“A maior sabedoria que podemos ter é saber que não sabemos tudo”.
Autor desconhecido
OPINIÃO
Produtividade travada: fatores históricos que explicam o atraso do Brasil
A baixa produtividade do trabalhador brasileiro tem origem no modelo extrativista da economia que vem do colonialismo e, em muitos aspectos, permanece em vigor, mesmo tendo à frente governos liberais ou progressistas
Por Arthur Gebara Júnior*
A produtividade do trabalhador brasileiro é considerada baixa quando comparada à de países desenvolvidos e de algumas nações em desenvolvimento. O Brasil ocupa a 94ª posição no ranking global de produtividade da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ficando atrás até mesmo de vizinhos latino-americanos com graves dificuldades estruturais.
Na América Latina, por exemplo, o Brasil perde para o Uruguai, o Chile, a Argentina e Cuba – país que lida há décadas com um embargo econômico e fortes limitações sob um governo centralizado. No ranking global de produtividade por hora trabalhada, que avalia 184 países, o Brasil registra uma geração média de riqueza de US$ 21,2 por hora. No contexto regional, o Uruguai lidera com US$ 38, seguido por Chile (US$ 34,4), Argentina (US$ 33,8) e Cuba (US$ 22,6).
O indicador é calculado pela OIT ao dividir o Produto Interno Bruto (PIB) em dólares pelo total de horas trabalhadas da população ativa. Os líderes mundiais em produtividade são a Irlanda (US$ 164,7), Luxemburgo (US$ 159), Noruega (US$ 125,6) e Cingapura (US$ 100,4). Em relação aos Estados Unidos, onde o trabalhador gera US$ 81 por hora, o rendimento brasileiro representa apenas cerca de 26% da riqueza produzida por um americano.
A pesquisa da OIT (com dados do primeiro trimestre de 2026) também aborda a jornada semanal. O brasileiro trabalha, em média, 38,9 horas por semana, índice inferior ao de 97 países, incluindo nações como a China (46,1 horas), Índia (45,7 horas) e o México (42,2 horas). A possível aprovação da jornada 6×1, em andamento no Congresso Nacional, por exemplo, deve aumentar o custo para o empregador e para o consumidor, sem alterar a produtividade.
Mas, afinal, o que trava a produtividade? Por que o país permanece estagnado nesse patamar há décadas? Trata-se de uma questão complexa, na qual fatores históricos e estruturais exercem um papel decisivo.
Para ajudar a entender a baixa performance do trabalhador brasileiro, é possível recorrer ao chamado “mito da preguiça tropical”: ideias racistas e deterministas do século XIX, herdadas do período colonial, tentavam culpar o clima ou a etnia pelo atraso econômico. No entanto, a história econômica desmente esses mitos ao demonstrar a alta intensidade de esforço físico imposta aos trabalhadores sob regimes de exploração e escravidão.
Instituições determinantes
Daron Acemoglu é professor de economia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e James A. Robinson, professor de ciência política da Universidade de Chicago. Os dois receberam o Prêmio Nobel de Economia pelo conjunto de suas pesquisas acadêmicas fundamentais sobre como as instituições sociais e políticas afetam a prosperidade dos países, que servem de base para a tese apresentada na obra “Por que as Nações Fracassam”. Este livro destaca como as justificativas geográficas e culturais para decretar a riqueza ou a pobreza de um país não convencem. Os dois especialistas afirmam que o desenho de suas instituições é determinante.
Para uma análise mais precisa, eles classificaram os países em duas categorias. Os de economias inclusivas, que promovem a prosperidade ao garantir direitos de propriedade, incentivar a inovação e distribuir o poder político, com um resultado histórico que gera crescimento sustentável de longo prazo. Direitos amplos, garantia da propriedade privada com segurança jurídica e regulação clara também contribuem para a construção de um ambiente favorável aos investimentos, o que não tem ligação com fatores geográficos e culturais. A educação, a qualificação e o preparo do trabalhador afetam diretamente a sua produtividade.
Já as nações enquadradas como extrativistas concentram a riqueza nas mãos de poucas elites e barram o desenvolvimento. Embora a questão das instituições seja parte das regras do jogo, ela é também determinante para o desenvolvimento de um país. O modelo que os economistas classificam como extrativista não estimula o trabalhador, o que afeta de maneira decisiva a sua produtividade. Ele não tem incentivo para se educar ou investir na sua qualificação técnica, o que o impede de enxergar oportunidades, se preocupar em inovar ou empreender. Além disso, não existe a perspectiva e a garantia de que será recompensado e se apropriará dos resultados do seu esforço, já que o investimento produtivo é muito baixo, com falta de capital físico, o que compromete a produtividade.
O livro compara o sucesso de países como os Estados Unidos com a economia de nações da América Latina, África e Ásia, explicando como essas características institucionais e políticas são cruciais para o êxito ou o fracasso. No caso da América Latina, o modelo colonial de dominação e exploração gerou instituições extrativistas que concentram renda e travam a produtividade moderna.

E o Brasil?
O país ainda sofre com as sequelas desse modelo. O latifúndio colonial limitou o acesso à propriedade para a maioria da população, enquanto a escravidão prolongada atrasou a criação de um mercado consumidor livre e qualificado.
Marcel Solimeo, economista-chefe do Instituto de Economia Gastão Vidigal da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), alerta que a educação e, especialmente, a qualificação dos trabalhadores ainda não são efetivas. “Existem cursos de qualificação profissional em várias entidades empresariais, escolas e institutos de formação técnica, mas o problema vem da educação básica, ainda muito deficiente e que continua produzindo um grande número de analfabetos funcionais”, diz.
O economista afirma ainda que “a falta de cultura geral e o pouco interesse de alguns setores do empresariado pela educação e pelo investimento na qualificação do trabalhador agravam o problema.”
Determinismo histórico
Historicamente, a estrutura econômica brasileira priorizou a extração de recursos de baixo valor agregado para exportação. Esses fatores afetam diretamente a produtividade do trabalhador, que recebe menos e tem menor acesso à infraestrutura e à tecnologia de ponta.
Países dominados por dinâmicas extrativistas entram em ciclos de estagnação, pobreza e disputas pelo controle do Estado. Nesse contexto, fica claro que atribuir a baixa produtividade à cultura do povo desvia o foco dos problemas reais e das falhas dos sistemas econômicos, ignorando as profundas diferenças entre modelos inclusivos e exploradores.
Para Ulisses Ruiz de Gamboa, economista do Instituto de Economia Gastão Vidigal da ACSP e professor de História Econômica do Insper, trata-se de um problema crônico: “Ao longo de toda a sua história, o Brasil sofreu com essas instituições extrativistas que, infelizmente, se mantêm vivas, independentemente da linha ideológica dos sucessivos governos. Nem a ascensão de governos declaradamente progressistas foi capaz de promover mudanças“.
O professor acrescenta que, além do problema da baixa qualificação do trabalhador, o Estado muitas vezes protege interesses corporativos específicos em vez de garantir a livre concorrência, criando um ambiente de negócios que penaliza o empreendedorismo em massa, dificulta ganhos de eficiência e desincentiva os ganhos de produtividade do trabalhador.”
O mapa da baixa produtividade
A colonização estabeleceu bases estruturais que moldaram o destino econômico e social de continentes inteiros. A África teve fronteiras desenhadas arbitrariamente pelas potências europeias na Conferência de Berlim, o que fragmentou etnias, alimentou conflitos civis duradouros e estruturou economias baseadas na exportação de commodities primitivas.
A Ásia sofreu com a exploração comercial agressiva e a imposição de tratados desiguais, sendo que a desestruturação de impérios locais abriu caminho para instabilidades políticas prolongadas no século XX.
Na América Latina, o foco na extração de recursos e na monocultura para exportação deixou um legado de extrema desigualdade social, concentração de terras e dependência externa.
A Divergência Coreana
Em “Por que as Nações Fracassam”, os autores mostram o contraste entre as duas Coreias: a do Norte (comunista) e a do Sul (capitalista). O capítulo ilustra como as instituições e os modelos econômicos superam o determinismo geográfico.
A Coreia do Sul adotou o capitalismo de Estado, investiu massivamente em educação de base e promoveu indústrias voltadas à exportação – os chamados chaebols (conglomerados empresariais familiares) -, transformando-se em uma potência tecnológica global.
Por outro lado, a Coreia do Norte seguiu o modelo de economia planejada e fechada do sistema comunista (Juche), priorizando o setor militar e sofrendo com o isolamento internacional, a estagnação econômica e as crises de abastecimento.
A retomada de Singapura e da China
A ascensão do Sudeste Asiático e da China redefiniu o equilíbrio de poder econômico mundial por meio do pragmatismo estratégico. Singapura transformou-se de uma ilha portuária vulnerável e sem recursos naturais em um centro financeiro global, com um sucesso baseado em forte controle estatal, combate rigoroso à corrupção, abertura ao capital estrangeiro e foco absoluto em logística e educação.
A China recuperou-se de um século de submissão colonial, conflitos e graves convulsões internas. Sob o governo comunista a partir de 1949, passou por grandes dificuldades econômicas decorrentes das tentativas de Mao Tsetung – como o plano “O Grande Salto Adiante”. Foi com as reformas de abertura econômica iniciadas em 1978 que conseguiu combinar o controle político do Partido Comunista com zonas econômicas especiais de livre mercado, tornando-se uma potência militar e industrial e a segunda maior economia do mundo.
Defasagem
No Brasil, a imensa defasagem no ensino básico e técnico, que reduz a capacidade de inovação e a eficiência nas funções, representa um grande desafio. A infraestrutura insuficiente e pouco eficiente, associada ao chamado “Custo Brasil”, constitui outro fator determinante: logísticas precárias e transportes deficientes geram perdas diárias de tempo e recursos. A baixa incorporação de equipamentos modernos nas empresas também deprime o rendimento por hora trabalhada, ao passo que falhas na gestão de processos produtivos e a baixa valorização do capital humano prejudicam o desempenho geral.
Reformas
As reformas estruturais voltadas à produtividade no Brasil estão no radar dos especialistas. É cada vez mais urgente iniciar mudanças profundas capazes de retirar o país da armadilha da baixa produtividade e conduzi-lo a um modelo econômico inclusivo, o que exige a remoção de privilégios corporativistas e a valorização do potencial da força de trabalho. A produtividade do trabalhador brasileiro segue estagnada desde 1950, acumulando avanço de apenas 0,4% em 2025 e desaceleração contínua em 2026. Esse cenário reflete o peso do ecossistema estrutural e da burocracia, distanciando o país da média global de produtividade no trabalho.
Radiografia da Estagnação Produtiva
A eficiência do trabalho no Brasil patina em meio a desajustes setoriais e à reversão de ganhos pontuais do passado. Dados do Observatório da Produtividade Regis Bonelli, gerido pelo FGV-IBRE, mostram que o salto temporário de produtividade registrado em 2020, devido à pandemia, foi totalmente revertido, retornando à trajetória de queda iniciada em 2017.
Após alta de 2,3% em 2023, impulsionada pela agropecuária, o indicador avançou apenas 0,1% em 2024 e fechou 2025 com alta modesta de 0,4%. O setor de serviços, que concentra a maior parte da mão de obra, mantém ganhos de produtividade próximos a zero, na casa de 0,2% ao ano.
Para a Virada Estrutural
A reversão desse quadro depende de reformas profundas, divididas em quatro frentes prioritárias:
– Consolidação e Simplificação Tributária: Fim do Custo Brasil, redução da burocracia fiscal e estímulo direto ao investimento produtivo em inovação, superando o planejamento tributário defensivo.
– Reforma Educacional e Técnica: Alinhamento curricular voltado para ciências, engenharia e ensino técnico, além de requalificação contínua de adultos frente à automação.
– Modernização Administrativa: Corte de privilégios e supersalários no funcionalismo, atrelando a máquina pública à meritocracia e à entrega de serviços eficientes.
– Abertura Comercial e Infraestrutura: Redução de barreiras tarifárias para elevar a competitividade externa e ampliação de concessões em portos, ferrovias e saneamento por meio de segurança jurídica.
Em um momento em que as atenções se voltam para as eleições de outubro, existe a expectativa de que surja um projeto inovador para a próxima gestão. Nesse sentido, refletir sobre a baixa produtividade do trabalhador brasileiro é fundamental para confrontar os resquícios de um passado extrativista que continua a limitar o desenvolvimento nacional.
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- Artigo publicado no Diário do Comércio – Conteúdo
- Foto destaque: Reprodução / Redes Sociais
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