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Coluna / Bloco de Notas

Bloco de Notas / 1ª edição de agosto

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OPINIÃO

Bloco de Notas

    Por Paulo Borges

 

Trator Pasolini?

Na sessão da Câmara em que o prefeito de Vitória, Lorenzo Pasolini (Republicanos) foi fazer a sua prestação de contas, não deu chance aos vereadores de oposição – André Moreira (Psol), Karla Coser (PT) e Vinicius Simões (Cidadania) – manter o embate de questionamentos da sua gestão. Respondeu o que quis e não respondeu o que não lhe interessava responder. Para alguns observadores, o prefeito tratorou a esquerda do legislativo municipal.

Consultas Médicas no Centro de Especialidades

Pacientes que necessitam dos serviços do Centro de Especialidades de Vitória já estão providenciando ingredientes e contratando confeiteiros para um bolo de aniversário. Tem gente que está na fila faz um ano. Até uma simples radiografia do pulso demora meses.

Quando forem chamados para a consulta alguns já fizeram na rede privada, porque a pública não tem tempo e nem hora. Mas os impostos são pagos a tempo e hora pelo contribuinte.

Hidrante Seco

O secretário municipal de Defesa Social de São Mateus, Wagner Borges, saiu de Vitória para participar do socorro às vítimas das enchentes que assolaram o município no início deste ano. Acabou ficando e até foi convidado pelo prefeito Daniel Santana para ser secretário. Até sua esposa foi nomeada subsecretária de Ação Social.

Borges, já se sentindo em casa, tentou até intimidar o presidente da Câmara, Paulo Fundão (PP), mas não surtiu efeito, pois levou uma invertida.

Ele tem que entender que o município não é quartel do Corpo de Bombeiros. E nem a Prefeitura. Acredita-se que estava sendo preparado para uma possível candidatura e continuando desse jeito, o eleitor vai apagar o seu fogo.

A “Paz” do Lula

O presidente, em sua saga pelo mundo defendendo a paz na Ucrânia, se esquece da violência que ocorre no Brasil varonil. Nas comunidades existem milícias e narcotraficantes armados com o que se tem de mais moderno em armas e o cara fica olhando para a Europa, querendo ser um paladino da moralidade, coisa que não o é. Não consegue pacificar o seu País, até porque o seu projeto de se vingar dos seus opositores vem dando certo. Até quando não se sabe.

Esse é o cara!

A escola de samba da Série Prata União Cruz-maltina, do Rio de Janeiro vai homenagear em seu enredo para o carnaval de 2024, o ex-governador carioca Sérgio Cabral. Ele tem todas as qualidades para ser homenageado, legítimo representante do momento em que vive o País. É comprovadamente expert na prática da corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa em processos da Operação Lava a Jato.

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Os mesmos dos mesmos

Um município como o de Serra, o maior e um dos mais importantes em nível estadual e nacional, não consegue renovar suas escolhas para o cargo majoritário. Quando não é Zé é Mané e quando não é Mané é Zé. Com todo respeito. Não estaria na hora de quebrar esse paradigma?

Bola fora

O ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, não tem servido para nada. Por ocasião da prisão e condições em que foram presas as pessoas que apenas, em sua maioria, apenas estavam em uma manifestação, nenhuma ação por parte dele. A agressão sofrida pela jornalista Délis Ortiz por seguranças do ditador Maduro e do GSI, nenhum pronunciamento do ministro e muito menos das defensoras das mulheres, encasteladas nas hostes da esquerda. Mudez total.

Em governo de esquerda direitos humanos só para amigos e apaniguados?

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Pode isso, Arnaldo?!

Não. Não pode.

Bicicletas circulando pelas calçadas, colocando em risco a integridade das pessoas. Vários casos de atropelamento são relatados por pedestres pelos ciclistas e suas bicicletas. Sem ciclovia calçada vira uma.

Isso pode, Arnaldo?!

Pode. Isso pode.

Ação da Associação Comunitária de Jardim Camburi (Acjac) criou um formulário para cadastramento de demandas, para facilitar o diálogo entre todos os cidadãos que se preocupam com o bem-estar do seu bairro e substancial melhoria na qualidade do local aonde reside e vive.

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Você sabia?!

Que o picolé foi inventado por um menino de 11 anos?

Foi em 1905, em Oakland, Califórnia. Seu nome, Frank Epperson, um menino de 11 anos.

Para aqueles que acreditam que sorvete e picolé são a mesma coisa, a diferença é bem clara. Um picolé se trata de um líquido aromatizado artificialmente ou natural congelado em um palito. Já no caso do sorvete, é um creme, geralmente à base de leite e outros ingredientes, batido durante o congelamento para evitar à formação de cristais de gelo.

É bom salientar que o picolé e o sorvete foram criados em épocas diferentes e para propósitos distintos. O sorvete, por exemplo, foi criado há mais de 4 mil anos na China, quando ainda não existia a geladeira, enquanto o picolé foi inventado por acidente em 1905 por uma criança de 11 anos.

Água, suco e gelo

Em 1905, um menino de 11 anos chamado Frank Epperson, morador de Oakland, Califórnia, misturou água com pó de refrigerante no quintal de sua casa enquanto brincava e deixou lá durante toda a noite. Na manhã seguinte, ele encontrou sua mistura congelada ao redor de uma colher no copo.

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Com uma inteligência além de sua idade, Epperson teve a ideia de colocar o copo em água morna para extrair a mistura congelada. Assim nasceu o primeiro picolé do mundo, pelas mãos de uma criança, após um experimento inocente. Se não houvesse um histórico sólido após isso, provavelmente muitos duvidariam se essa realmente foi a história de como tudo começou.

Daquele dia em diante, Epperson passou a fazer todos os dias o picolé. Dezoito anos mais tarde, já era algo que havia passado para seus filhos. Ele chamava sua invenção de “epsicle”, mas seus filhos preferiram chamar de “popsicle”.

Em meados de 1923, o homem entrou com uma patente para seu picolé para começar a vendê-lo com alguns doces em Neptune Beach, na Flórida. Rapidamente, ele se tornou um sucesso entre visitantes e moradores locais, que queriam se refrescar com sua sobremesa deliciosa.

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EM RESUMO

  • A Marinha do Brasil condecorou o petista José Guimarães (PT), o Capitão Cueca, da turma dos dólares nessa peça íntima masculina.
  • O Corpo de Bombeiros do Espírito Santo condecorou o prefeito de São Mateus, Daniel Santana, que esteve preso pela Polícia Federal por corrupção e lavagem de dinheiro.
  • Não devemos estranhar essas condecorações e homenagens, até porque outros depois de soltos voltaram à cena do crime… E tem quem até virou presidente…
  • Da Vitória se reconciliou com Casagrande. Em 2026 é – possivelmente – candidato ao Palácio Anchieta.
  • Pelo Anuário Brasileiro de Segurança publicou que, em seis anos, os registros de armas de fogo no Brasil cresceram quase 270% no Espírito Santo.
  • A inflação baixou, mas o galeto subiu.
  • O ministro Sabino, do Ministério do Turismo, tem no casal presidencial Lula-Janja, cliente em potencial. São inúmeros os pacotes turísticos, supostamente, em viagens mundo a fora na defesa dos interesses do País.
  • José Rainha, depôs na CPI do MST. O deputado federal, Evair de Mello (PP), lembrou do assassinato do fazendeiro José Machado, ocorridos anos atrás, em Pedro Canário. Rainha foi acusado como envolvido, mas não foi quem agiu covardemente contra o fazendeiro, que apenas estava defendendo a sua propriedade.

 

 

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OPINIÃO

Produtividade travada: fatores históricos que explicam o atraso do Brasil

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A baixa produtividade do trabalhador brasileiro tem origem no modelo extrativista da economia que vem do colonialismo e, em muitos aspectos, permanece em vigor, mesmo tendo à frente governos liberais ou progressistas

Por Arthur Gebara Júnior*

A produtividade do trabalhador brasileiro é considerada baixa quando comparada à de países desenvolvidos e de algumas nações em desenvolvimento. O Brasil ocupa a 94ª posição no ranking global de produtividade da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ficando atrás até mesmo de vizinhos latino-americanos com graves dificuldades estruturais.

Na América Latina, por exemplo, o Brasil perde para o Uruguai, o Chile, a Argentina e Cuba – país que lida há décadas com um embargo econômico e fortes limitações sob um governo centralizado. No ranking global de produtividade por hora trabalhada, que avalia 184 países, o Brasil registra uma geração média de riqueza de US$ 21,2 por hora. No contexto regional, o Uruguai lidera com US$ 38, seguido por Chile (US$ 34,4), Argentina (US$ 33,8) e Cuba (US$ 22,6).

O indicador é calculado pela OIT ao dividir o Produto Interno Bruto (PIB) em dólares pelo total de horas trabalhadas da população ativa. Os líderes mundiais em produtividade são a Irlanda (US$ 164,7), Luxemburgo (US$ 159), Noruega (US$ 125,6) e Cingapura (US$ 100,4). Em relação aos Estados Unidos, onde o trabalhador gera US$ 81 por hora, o rendimento brasileiro representa apenas cerca de 26% da riqueza produzida por um americano.

A pesquisa da OIT (com dados do primeiro trimestre de 2026) também aborda a jornada semanal. O brasileiro trabalha, em média, 38,9 horas por semana, índice inferior ao de 97 países, incluindo nações como a China (46,1 horas), Índia (45,7 horas) e o México (42,2 horas). A possível aprovação da jornada 6×1, em andamento no Congresso Nacional, por exemplo, deve aumentar o custo para o empregador e para o consumidor, sem alterar a produtividade.

Mas, afinal, o que trava a produtividade? Por que o país permanece estagnado nesse patamar há décadas? Trata-se de uma questão complexa, na qual fatores históricos e estruturais exercem um papel decisivo.

Para ajudar a entender a baixa performance do trabalhador brasileiro, é possível recorrer ao chamado “mito da preguiça tropical”: ideias racistas e deterministas do século XIX, herdadas do período colonial, tentavam culpar o clima ou a etnia pelo atraso econômico. No entanto, a história econômica desmente esses mitos ao demonstrar a alta intensidade de esforço físico imposta aos trabalhadores sob regimes de exploração e escravidão.

Instituições determinantes

Daron Acemoglu é professor de economia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e James A. Robinson, professor de ciência política da Universidade de Chicago. Os dois receberam o Prêmio Nobel de Economia pelo conjunto de suas pesquisas acadêmicas fundamentais sobre como as instituições sociais e políticas afetam a prosperidade dos países, que servem de base para a tese apresentada na obra “Por que as Nações Fracassam”. Este livro destaca como as justificativas geográficas e culturais para decretar a riqueza ou a pobreza de um país não convencem. Os dois especialistas afirmam que o desenho de suas instituições é determinante.

Para uma análise mais precisa, eles classificaram os países em duas categorias. Os de economias inclusivas, que promovem a prosperidade ao garantir direitos de propriedade, incentivar a inovação e distribuir o poder político, com um resultado histórico que gera crescimento sustentável de longo prazo. Direitos amplos, garantia da propriedade privada com segurança jurídica e regulação clara também contribuem para a construção de um ambiente favorável aos investimentos, o que não tem ligação com fatores geográficos e culturais. A educação, a qualificação e o preparo do trabalhador afetam diretamente a sua produtividade.

Já as nações enquadradas como extrativistas concentram a riqueza nas mãos de poucas elites e barram o desenvolvimento. Embora a questão das instituições seja parte das regras do jogo, ela é também determinante para o desenvolvimento de um país. O modelo que os economistas classificam como extrativista não estimula o trabalhador, o que afeta de maneira decisiva a sua produtividade. Ele não tem incentivo para se educar ou investir na sua qualificação técnica, o que o impede de enxergar oportunidades, se preocupar em inovar ou empreender. Além disso, não existe a perspectiva e a garantia de que será recompensado e se apropriará dos resultados do seu esforço, já que o investimento produtivo é muito baixo, com falta de capital físico, o que compromete a produtividade.

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O livro compara o sucesso de países como os Estados Unidos com a economia de nações da América Latina, África e Ásia, explicando como essas características institucionais e políticas são cruciais para o êxito ou o fracasso. No caso da América Latina, o modelo colonial de dominação e exploração gerou instituições extrativistas que concentram renda e travam a produtividade moderna.

Produtividade travada: fatores históricos que explicam o atraso do Brasil

E o Brasil?

O país ainda sofre com as sequelas desse modelo. O latifúndio colonial limitou o acesso à propriedade para a maioria da população, enquanto a escravidão prolongada atrasou a criação de um mercado consumidor livre e qualificado.

Marcel Solimeo, economista-chefe do Instituto de Economia Gastão Vidigal da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), alerta que a educação e, especialmente, a qualificação dos trabalhadores ainda não são efetivas. “Existem cursos de qualificação profissional em várias entidades empresariais, escolas e institutos de formação técnica, mas o problema vem da educação básica, ainda muito deficiente e que continua produzindo um grande número de analfabetos funcionais”, diz.

O economista afirma ainda que “a falta de cultura geral e o pouco interesse de alguns setores do empresariado pela educação e pelo investimento na qualificação do trabalhador agravam o problema.”

Determinismo histórico

Historicamente, a estrutura econômica brasileira priorizou a extração de recursos de baixo valor agregado para exportação. Esses fatores afetam diretamente a produtividade do trabalhador, que recebe menos e tem menor acesso à infraestrutura e à tecnologia de ponta.

Países dominados por dinâmicas extrativistas entram em ciclos de estagnação, pobreza e disputas pelo controle do Estado. Nesse contexto, fica claro que atribuir a baixa produtividade à cultura do povo desvia o foco dos problemas reais e das falhas dos sistemas econômicos, ignorando as profundas diferenças entre modelos inclusivos e exploradores.

Para Ulisses Ruiz de Gamboa, economista do Instituto de Economia Gastão Vidigal da ACSP e professor de História Econômica do Insper, trata-se de um problema crônico: “Ao longo de toda a sua história, o Brasil sofreu com essas instituições extrativistas que, infelizmente, se mantêm vivas, independentemente da linha ideológica dos sucessivos governos. Nem a ascensão de governos declaradamente progressistas foi capaz de promover mudanças“.

O professor acrescenta que, além do problema da baixa qualificação do trabalhador, o Estado muitas vezes protege interesses corporativos específicos em vez de garantir a livre concorrência, criando um ambiente de negócios que penaliza o empreendedorismo em massa, dificulta ganhos de eficiência e desincentiva os ganhos de produtividade do trabalhador.”

O mapa da baixa produtividade

A colonização estabeleceu bases estruturais que moldaram o destino econômico e social de continentes inteiros. A África teve fronteiras desenhadas arbitrariamente pelas potências europeias na Conferência de Berlim, o que fragmentou etnias, alimentou conflitos civis duradouros e estruturou economias baseadas na exportação de commodities primitivas.

A Ásia sofreu com a exploração comercial agressiva e a imposição de tratados desiguais, sendo que a desestruturação de impérios locais abriu caminho para instabilidades políticas prolongadas no século XX.

Na América Latina, o foco na extração de recursos e na monocultura para exportação deixou um legado de extrema desigualdade social, concentração de terras e dependência externa.

A Divergência Coreana

Em “Por que as Nações Fracassam”, os autores mostram o contraste entre as duas Coreias: a do Norte (comunista) e a do Sul (capitalista). O capítulo ilustra como as instituições e os modelos econômicos superam o determinismo geográfico.

A Coreia do Sul adotou o capitalismo de Estado, investiu massivamente em educação de base e promoveu indústrias voltadas à exportação – os chamados chaebols (conglomerados empresariais familiares) -, transformando-se em uma potência tecnológica global.

Por outro lado, a Coreia do Norte seguiu o modelo de economia planejada e fechada do sistema comunista (Juche), priorizando o setor militar e sofrendo com o isolamento internacional, a estagnação econômica e as crises de abastecimento.

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A retomada de Singapura e da China

A ascensão do Sudeste Asiático e da China redefiniu o equilíbrio de poder econômico mundial por meio do pragmatismo estratégico. Singapura transformou-se de uma ilha portuária vulnerável e sem recursos naturais em um centro financeiro global, com um sucesso baseado em forte controle estatal, combate rigoroso à corrupção, abertura ao capital estrangeiro e foco absoluto em logística e educação.

A China recuperou-se de um século de submissão colonial, conflitos e graves convulsões internas. Sob o governo comunista a partir de 1949, passou por grandes dificuldades econômicas decorrentes das tentativas de Mao Tsetung – como o plano “O Grande Salto Adiante”. Foi com as reformas de abertura econômica iniciadas em 1978 que conseguiu combinar o controle político do Partido Comunista com zonas econômicas especiais de livre mercado, tornando-se uma potência militar e industrial e a segunda maior economia do mundo.

Defasagem

No Brasil, a imensa defasagem no ensino básico e técnico, que reduz a capacidade de inovação e a eficiência nas funções, representa um grande desafio. A infraestrutura insuficiente e pouco eficiente, associada ao chamado “Custo Brasil”, constitui outro fator determinante: logísticas precárias e transportes deficientes geram perdas diárias de tempo e recursos. A baixa incorporação de equipamentos modernos nas empresas também deprime o rendimento por hora trabalhada, ao passo que falhas na gestão de processos produtivos e a baixa valorização do capital humano prejudicam o desempenho geral.

Reformas

As reformas estruturais voltadas à produtividade no Brasil estão no radar dos especialistas. É cada vez mais urgente iniciar mudanças profundas capazes de retirar o país da armadilha da baixa produtividade e conduzi-lo a um modelo econômico inclusivo, o que exige a remoção de privilégios corporativistas e a valorização do potencial da força de trabalho. A produtividade do trabalhador brasileiro segue estagnada desde 1950, acumulando avanço de apenas 0,4% em 2025 e desaceleração contínua em 2026. Esse cenário reflete o peso do ecossistema estrutural e da burocracia, distanciando o país da média global de produtividade no trabalho.

Radiografia da Estagnação Produtiva

A eficiência do trabalho no Brasil patina em meio a desajustes setoriais e à reversão de ganhos pontuais do passado. Dados do Observatório da Produtividade Regis Bonelli, gerido pelo FGV-IBRE, mostram que o salto temporário de produtividade registrado em 2020, devido à pandemia, foi totalmente revertido, retornando à trajetória de queda iniciada em 2017.

Após alta de 2,3% em 2023, impulsionada pela agropecuária, o indicador avançou apenas 0,1% em 2024 e fechou 2025 com alta modesta de 0,4%. O setor de serviços, que concentra a maior parte da mão de obra, mantém ganhos de produtividade próximos a zero, na casa de 0,2% ao ano.

Para a Virada Estrutural

A reversão desse quadro depende de reformas profundas, divididas em quatro frentes prioritárias:

– Consolidação e Simplificação Tributária: Fim do Custo Brasil, redução da burocracia fiscal e estímulo direto ao investimento produtivo em inovação, superando o planejamento tributário defensivo.

– Reforma Educacional e Técnica: Alinhamento curricular voltado para ciências, engenharia e ensino técnico, além de requalificação contínua de adultos frente à automação.

– Modernização Administrativa: Corte de privilégios e supersalários no funcionalismo, atrelando a máquina pública à meritocracia e à entrega de serviços eficientes.

– Abertura Comercial e Infraestrutura: Redução de barreiras tarifárias para elevar a competitividade externa e ampliação de concessões em portos, ferrovias e saneamento por meio de segurança jurídica.

Em um momento em que as atenções se voltam para as eleições de outubro, existe a expectativa de que surja um projeto inovador para a próxima gestão. Nesse sentido, refletir sobre a baixa produtividade do trabalhador brasileiro é fundamental para confrontar os resquícios de um passado extrativista que continua a limitar o desenvolvimento nacional.

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  • Artigo publicado no Diário do Comércio – Conteúdo
  • Foto destaque: Reprodução / Redes Sociais
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