Opinião / Coluna
Bloco de Notas – Edição de julho
OPINIÃO

Paulo Roberto Borges
Uma mulher na Prefeitura
Vitória tem uma mulher como vice-prefeita, mas pode ter uma mulher como prefeita da capital do Espírito Santo. A Capitã Estéfane é pré-candidata a prefeita de Vitória, pelo Podemos. Ela pode, deve ser e será se for à vontade da maioria dos eleitores da capital. É jovem, conhece a cidade, tem demonstrado sua capacidade de diálogo e entendimento das necessidades da população e da cidade em geral, no que diz respeito à segurança, mobilidade urbana, projetos que favoreçam o turismo, além das demandas do dia-a-dia do morador.

Capitã Estéfane
Capitã Estéfane é uma legítima representante da mulher na política. Faz política de qualidade, compromissada com a ética, o respeito a quem tem posições divergentes, é livre de vícios dos políticos faraônicos e tem na política a oportunidade de servir com dignidade à sociedade.
Dúvida Ideológica
Não se consegue entender porque a esquerda é tida como progressista se defende o que se tem de mais atrasado para os novos tempos. A esquerda e seus defensores são, a luz da razão e da sanidade, “Regressistas”. Dizer que são progressistas é atentar contra a inteligência das pessoas que pensam no progresso, no desenvolvimento, na modernidade, na liberdade de expressão e de pensamento e defendem a democracia.
Passando o rodo na história
Como se não bastasse raspar o cofre da municipalidade para empregar em ações irrelevantes, a administração municipal de São Mateus foi executar um calçamento no Sítio Histórico e arrancou o Marco de Fundação da cidade. Não é o original, mas esse estava lá desde 1764.
E ainda tem gente que acredita na insanidade de que a história honesta de São Mateus comporta trios elétricos, bandas e bundas vomitando horrores aos ouvidos das pessoas, trepadas em um caminhão que tem som estridente, estoura os tímpanos e seus organizadores vomitando baboseiras para uma multidão. E pensar estar apreciando o que há de melhor. Temos coisas melhores para mostrar aos que desejam se divertir e ouvir algo que presta.
Notícia urgente

Daniel Santana, prefeito de São Mateus
O prefeito de São Mateus, Daniel Santana (sem partido e sem noção), está com seus dias contados. Sua cassação, depois de ser o protagonista de uma administração desastrada, vai acontecer dia 31 de dezembro à meia-noite. Depois vai comemorar a passagem de ano com uma megafesta regada a recursos da municipalidade e se preparar para uma possível pré-candidatura a deputado estadual em 2026.
Eita cara de sorte!!!
Esperança, a última que morre?
Mas, ainda há esperança.
Foi vista uma lamparina acessa no fim do túnel. Realidade ou ilusão de ótica? Continuemos sentados em nossos sofás e protestando no celular. Vai que dá certo, num cenário real que o certo é dá errado.
O Brasil virou uma bagunça. Mas, tem jeito e esse jeito somente a população pode dar.
Rivotril, era a solução
Tomado de assalto por empresários que levaram seus idosos para serem contratados, sob o aval do presidente e o estilo superado e esgotado do dinizismo, levaram o Fluminense a essa situação vexatória, que agora está saindo. Torcer adoeceu e fez o torcedor passar raiva. Sem saída, o presidente Mário Bittencourt se rendeu aos fatos e tomou atitude, antes que outra atitude fosse tomada contra ele…
Suspeita-se de rachadinhas etc.
Mais um festeiro?
O prefeito de Santa Teresa, Kleber Medice (PSDB), pegou o vírus do prefeito de São Mateus, o tal Daniel Festeiro. Alguns vereadores estão cobrando do prefeito para atender o produtor rural em vez de fazer festa no café da manhã, no almoço e no jantar. Chamam a atenção do chefe do Executivo de Santa Teresa para investir em questões mais importantes para as comunidades produtivas do município. A turma está reclamando, principalmente o presidente da Câmara de Santa Teresa, vereador Bruno Araújo (PL).
Em tempo: ambos – prefeito e presidente – são pré-candidatos nessas eleições.
Atuantes
O deputado estadual Fabrício Gandini (PSD) é, com certeza, o que mais se apresenta pelo estado. Além da sua intensa atuação na Assembleia Legislativa, tem sido presença constante em eventos no interior do Espírito Santo. Na última eleição teve voto em todos os78 municípios. Deixou, faz tempo, de ser um deputado com visibilidade apenas na capital para se tornar conhecido em todo o Estado. Para prefeito não vai dar, mas para uma candidatura à Câmara dos Deputados é uma possibilidade. Até porque, 2026 é logo ali.

Deputado Estadual Fabrício Gandini
Quem também está na ativa é o deputado Theodorico Ferraço (PP). Apesar da idade não deixa a política e já está na posição de largada visando a Prefeitura de Cachoeiro de Itapemirim. Já tem gente, diante da sua longevidade na política e na idade, tombá-lo como patrimônio histórico de Cachoeiro e do Estado do Espírito Santo. Mas isso, segundo os geriatras da política, só após cumprir seu mandato na Prefeitura de 2025 a 2028…
Amigo democrata…
O amigo do Lula venceu em mais uma Mandrake eleição venezuelana. O enviado especial do governo brasileiro para acompanhar as eleições daquele país, certamente viu tudo e vai dizer que não viu nada. Amigos não têm defeitos e o Maduro, para a patota governamental é um democrata e, pelo jeito, mudou a sua narrativa conforme foi orientado pelo Lula quando aqui esteve em visita muito festejada. Venceu a democracia… Dele.
Mais do mesmo
A Câmara Municipal de Vitória aprovou projeto de lei de autoria do vereador Dalton Neves, com uma emenda do colega André Moreira (PSOL). Trata-se do direito da parturiente de escolher quem deseja estar ao seu lado na maternidade, por ocasião de ter seu bebê. A emenda incluiu a extensão da escolha de ter uma doula. Tudo isso parece uma redundância, até porque existe uma lei federal que já contempla esse direito das mulheres que vão para dar à luz ao seu filho.
Os vereadores alegam que em Vitória não existia essa garantia em lei, mas a lei federal existe e cobre, evidentemente, todo o território nacional.
A lei federal é de 2005 (nº 11.108), mais conhecida como a Lei da/o Acompanhante, que determina que os serviços de saúde do SUS, da rede própria ou conveniada, são obrigados a permitir à gestante o direito a acompanhante durante todo o período de trabalho de parto, parto e pós-parto. É a Lei da Parturiente, ainda muito desconhecida. Pelo jeito, até pelos nobres edis da capital capixaba.
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Pode Isso, Arnaldo?!

Não. Não pode.
Um governo que diz defender pretos, pobres, mulheres e as classes menos abastadas, ter um presidente que diz com todas as letras e de cara lavada que o corintiano, como ele, pode bater em mulher.
Esse é o Lula, que hoje, com as redes sociais, não consegue mais esconder a sua verdadeira face.
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Resumão
Sem educação – R$ 362 milhões foi o valor do corte do governo Lula (PT) para a Educação. /// Seletivo – O presidente Lula (PT) e sua comitiva não vão visitar estados em que seu opositor venceu as eleições. O Lula tem medo de ser vaiado. Ele não passa sinceridade quando fala em unir o país. O PT não tem projeto de Estado e nem de governo. O projeto é de poder. José Dirceu disse que eleições não se ganham, se tomam. /// Espertão – O prefeito de São Mateus, Daniel Santana (sem partido e sem noção), está urbanizando uma parte da orla de Guriri pelo simples fato de ter, segundo se diz pela cidade, que tem áreas de sua propriedade por onde passam essas benfeitorias. Investe recursos da municipalidade em local que quase não existem residências. Além disso, abriu uma avenida, destruindo uma vasta área de vegetação nativa, que está no meio do nada, mas que, segundo se diz, vai ser construído um resort em parceria com um amigo importante. /// Preocupação – O que se ouviu nos bastidores da política da capital é o perigo para a oposição do prefeito Lorenzo Pasolini (Republicanos) conseguir vencer as eleições no primeiro turno. Em todas as pesquisas o prefeito de vitória lidera com boa margem de diferença para o segundo colocado. /// Recesso não – Parece estranho, mas, acredite, existem câmaras municipais que não têm recesso parlamentar neste mês de julho. /// Criando polêmica – A Prefeitura de Vitória vai mesmo construir o Mergulhão que dá acesso ao bairro de Jardim Camburi. O vereador André Moreira (PSOL), questiona a obra pelo fato do prefeito não ter ouvido os moradores para que se discutissem os impactos que isso pode causar na região. O martelo foi batido e o Mergulhão vai ser feito. /// É o cara? – O governador Renato Casagrande (PSB) deve disputar o Senado. O seu sucessor que está na sua alça de mira é o seu vice, Ricardo Ferraço (MDB). Deve ser o preferido para sucedê-lo. // Criatividade – Na Câmara de Vitória foi criado o Dia do Saci. /// Fato – Roubar é crime, mas ostentar, além de ser provinciano, é de uma cafonice atroz. /// Cardápio – Abóbora, Pé de Galinha e Carne de Pescoço. Em tempo: em vez do sal, é importante não esquecer do antiácido. /// Sem Noção – O senador Magno Malta (PL), nas convenções das quais se fez presente, tomou quase todo o tempo com seu discurso. Será que não consegue entender que se tornou inconveniente ao tomar o tempo dos seus candidatos? Haja Deus! /// É municipal – A rodovia Norte-Sul, trecho do bairro Jardim Camburi, que era estadual, agora é da Prefeitura de Vitória. Foi entregue toda recapeada e com seu jardim do canteiro central bem cuidado. Estava no projeto antes de entregar a municipalidade. O DER, sob o comando do diretor-presidente Freitas, tem feito um grande trabalho pelo Estado. Com relação ao projeto tem as digitais do deputado estadual Fabrício Gandini (PSD). /// Prestígio – O pré-candidato a vereador pelo município de Serra, Henrique Lima (Podemos), conseguiu reunir mais de 60 empreendedores em uma concorrida reunião na última segunda-feira (29). Ouviu as demandas dos moradores e investidores do bairro Feu Rosa. O deputado estadual Alexandre Xambinho (Podemos) esteve presente ao evento.
Reflexão
“O Cachorro é fiel ao seu dono porque não conhece dinheiro”.
Millor Fernandes
OPINIÃO
Produtividade travada: fatores históricos que explicam o atraso do Brasil
A baixa produtividade do trabalhador brasileiro tem origem no modelo extrativista da economia que vem do colonialismo e, em muitos aspectos, permanece em vigor, mesmo tendo à frente governos liberais ou progressistas
Por Arthur Gebara Júnior*
A produtividade do trabalhador brasileiro é considerada baixa quando comparada à de países desenvolvidos e de algumas nações em desenvolvimento. O Brasil ocupa a 94ª posição no ranking global de produtividade da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ficando atrás até mesmo de vizinhos latino-americanos com graves dificuldades estruturais.
Na América Latina, por exemplo, o Brasil perde para o Uruguai, o Chile, a Argentina e Cuba – país que lida há décadas com um embargo econômico e fortes limitações sob um governo centralizado. No ranking global de produtividade por hora trabalhada, que avalia 184 países, o Brasil registra uma geração média de riqueza de US$ 21,2 por hora. No contexto regional, o Uruguai lidera com US$ 38, seguido por Chile (US$ 34,4), Argentina (US$ 33,8) e Cuba (US$ 22,6).
O indicador é calculado pela OIT ao dividir o Produto Interno Bruto (PIB) em dólares pelo total de horas trabalhadas da população ativa. Os líderes mundiais em produtividade são a Irlanda (US$ 164,7), Luxemburgo (US$ 159), Noruega (US$ 125,6) e Cingapura (US$ 100,4). Em relação aos Estados Unidos, onde o trabalhador gera US$ 81 por hora, o rendimento brasileiro representa apenas cerca de 26% da riqueza produzida por um americano.
A pesquisa da OIT (com dados do primeiro trimestre de 2026) também aborda a jornada semanal. O brasileiro trabalha, em média, 38,9 horas por semana, índice inferior ao de 97 países, incluindo nações como a China (46,1 horas), Índia (45,7 horas) e o México (42,2 horas). A possível aprovação da jornada 6×1, em andamento no Congresso Nacional, por exemplo, deve aumentar o custo para o empregador e para o consumidor, sem alterar a produtividade.
Mas, afinal, o que trava a produtividade? Por que o país permanece estagnado nesse patamar há décadas? Trata-se de uma questão complexa, na qual fatores históricos e estruturais exercem um papel decisivo.
Para ajudar a entender a baixa performance do trabalhador brasileiro, é possível recorrer ao chamado “mito da preguiça tropical”: ideias racistas e deterministas do século XIX, herdadas do período colonial, tentavam culpar o clima ou a etnia pelo atraso econômico. No entanto, a história econômica desmente esses mitos ao demonstrar a alta intensidade de esforço físico imposta aos trabalhadores sob regimes de exploração e escravidão.
Instituições determinantes
Daron Acemoglu é professor de economia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e James A. Robinson, professor de ciência política da Universidade de Chicago. Os dois receberam o Prêmio Nobel de Economia pelo conjunto de suas pesquisas acadêmicas fundamentais sobre como as instituições sociais e políticas afetam a prosperidade dos países, que servem de base para a tese apresentada na obra “Por que as Nações Fracassam”. Este livro destaca como as justificativas geográficas e culturais para decretar a riqueza ou a pobreza de um país não convencem. Os dois especialistas afirmam que o desenho de suas instituições é determinante.
Para uma análise mais precisa, eles classificaram os países em duas categorias. Os de economias inclusivas, que promovem a prosperidade ao garantir direitos de propriedade, incentivar a inovação e distribuir o poder político, com um resultado histórico que gera crescimento sustentável de longo prazo. Direitos amplos, garantia da propriedade privada com segurança jurídica e regulação clara também contribuem para a construção de um ambiente favorável aos investimentos, o que não tem ligação com fatores geográficos e culturais. A educação, a qualificação e o preparo do trabalhador afetam diretamente a sua produtividade.
Já as nações enquadradas como extrativistas concentram a riqueza nas mãos de poucas elites e barram o desenvolvimento. Embora a questão das instituições seja parte das regras do jogo, ela é também determinante para o desenvolvimento de um país. O modelo que os economistas classificam como extrativista não estimula o trabalhador, o que afeta de maneira decisiva a sua produtividade. Ele não tem incentivo para se educar ou investir na sua qualificação técnica, o que o impede de enxergar oportunidades, se preocupar em inovar ou empreender. Além disso, não existe a perspectiva e a garantia de que será recompensado e se apropriará dos resultados do seu esforço, já que o investimento produtivo é muito baixo, com falta de capital físico, o que compromete a produtividade.
O livro compara o sucesso de países como os Estados Unidos com a economia de nações da América Latina, África e Ásia, explicando como essas características institucionais e políticas são cruciais para o êxito ou o fracasso. No caso da América Latina, o modelo colonial de dominação e exploração gerou instituições extrativistas que concentram renda e travam a produtividade moderna.

E o Brasil?
O país ainda sofre com as sequelas desse modelo. O latifúndio colonial limitou o acesso à propriedade para a maioria da população, enquanto a escravidão prolongada atrasou a criação de um mercado consumidor livre e qualificado.
Marcel Solimeo, economista-chefe do Instituto de Economia Gastão Vidigal da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), alerta que a educação e, especialmente, a qualificação dos trabalhadores ainda não são efetivas. “Existem cursos de qualificação profissional em várias entidades empresariais, escolas e institutos de formação técnica, mas o problema vem da educação básica, ainda muito deficiente e que continua produzindo um grande número de analfabetos funcionais”, diz.
O economista afirma ainda que “a falta de cultura geral e o pouco interesse de alguns setores do empresariado pela educação e pelo investimento na qualificação do trabalhador agravam o problema.”
Determinismo histórico
Historicamente, a estrutura econômica brasileira priorizou a extração de recursos de baixo valor agregado para exportação. Esses fatores afetam diretamente a produtividade do trabalhador, que recebe menos e tem menor acesso à infraestrutura e à tecnologia de ponta.
Países dominados por dinâmicas extrativistas entram em ciclos de estagnação, pobreza e disputas pelo controle do Estado. Nesse contexto, fica claro que atribuir a baixa produtividade à cultura do povo desvia o foco dos problemas reais e das falhas dos sistemas econômicos, ignorando as profundas diferenças entre modelos inclusivos e exploradores.
Para Ulisses Ruiz de Gamboa, economista do Instituto de Economia Gastão Vidigal da ACSP e professor de História Econômica do Insper, trata-se de um problema crônico: “Ao longo de toda a sua história, o Brasil sofreu com essas instituições extrativistas que, infelizmente, se mantêm vivas, independentemente da linha ideológica dos sucessivos governos. Nem a ascensão de governos declaradamente progressistas foi capaz de promover mudanças“.
O professor acrescenta que, além do problema da baixa qualificação do trabalhador, o Estado muitas vezes protege interesses corporativos específicos em vez de garantir a livre concorrência, criando um ambiente de negócios que penaliza o empreendedorismo em massa, dificulta ganhos de eficiência e desincentiva os ganhos de produtividade do trabalhador.”
O mapa da baixa produtividade
A colonização estabeleceu bases estruturais que moldaram o destino econômico e social de continentes inteiros. A África teve fronteiras desenhadas arbitrariamente pelas potências europeias na Conferência de Berlim, o que fragmentou etnias, alimentou conflitos civis duradouros e estruturou economias baseadas na exportação de commodities primitivas.
A Ásia sofreu com a exploração comercial agressiva e a imposição de tratados desiguais, sendo que a desestruturação de impérios locais abriu caminho para instabilidades políticas prolongadas no século XX.
Na América Latina, o foco na extração de recursos e na monocultura para exportação deixou um legado de extrema desigualdade social, concentração de terras e dependência externa.
A Divergência Coreana
Em “Por que as Nações Fracassam”, os autores mostram o contraste entre as duas Coreias: a do Norte (comunista) e a do Sul (capitalista). O capítulo ilustra como as instituições e os modelos econômicos superam o determinismo geográfico.
A Coreia do Sul adotou o capitalismo de Estado, investiu massivamente em educação de base e promoveu indústrias voltadas à exportação – os chamados chaebols (conglomerados empresariais familiares) -, transformando-se em uma potência tecnológica global.
Por outro lado, a Coreia do Norte seguiu o modelo de economia planejada e fechada do sistema comunista (Juche), priorizando o setor militar e sofrendo com o isolamento internacional, a estagnação econômica e as crises de abastecimento.
A retomada de Singapura e da China
A ascensão do Sudeste Asiático e da China redefiniu o equilíbrio de poder econômico mundial por meio do pragmatismo estratégico. Singapura transformou-se de uma ilha portuária vulnerável e sem recursos naturais em um centro financeiro global, com um sucesso baseado em forte controle estatal, combate rigoroso à corrupção, abertura ao capital estrangeiro e foco absoluto em logística e educação.
A China recuperou-se de um século de submissão colonial, conflitos e graves convulsões internas. Sob o governo comunista a partir de 1949, passou por grandes dificuldades econômicas decorrentes das tentativas de Mao Tsetung – como o plano “O Grande Salto Adiante”. Foi com as reformas de abertura econômica iniciadas em 1978 que conseguiu combinar o controle político do Partido Comunista com zonas econômicas especiais de livre mercado, tornando-se uma potência militar e industrial e a segunda maior economia do mundo.
Defasagem
No Brasil, a imensa defasagem no ensino básico e técnico, que reduz a capacidade de inovação e a eficiência nas funções, representa um grande desafio. A infraestrutura insuficiente e pouco eficiente, associada ao chamado “Custo Brasil”, constitui outro fator determinante: logísticas precárias e transportes deficientes geram perdas diárias de tempo e recursos. A baixa incorporação de equipamentos modernos nas empresas também deprime o rendimento por hora trabalhada, ao passo que falhas na gestão de processos produtivos e a baixa valorização do capital humano prejudicam o desempenho geral.
Reformas
As reformas estruturais voltadas à produtividade no Brasil estão no radar dos especialistas. É cada vez mais urgente iniciar mudanças profundas capazes de retirar o país da armadilha da baixa produtividade e conduzi-lo a um modelo econômico inclusivo, o que exige a remoção de privilégios corporativistas e a valorização do potencial da força de trabalho. A produtividade do trabalhador brasileiro segue estagnada desde 1950, acumulando avanço de apenas 0,4% em 2025 e desaceleração contínua em 2026. Esse cenário reflete o peso do ecossistema estrutural e da burocracia, distanciando o país da média global de produtividade no trabalho.
Radiografia da Estagnação Produtiva
A eficiência do trabalho no Brasil patina em meio a desajustes setoriais e à reversão de ganhos pontuais do passado. Dados do Observatório da Produtividade Regis Bonelli, gerido pelo FGV-IBRE, mostram que o salto temporário de produtividade registrado em 2020, devido à pandemia, foi totalmente revertido, retornando à trajetória de queda iniciada em 2017.
Após alta de 2,3% em 2023, impulsionada pela agropecuária, o indicador avançou apenas 0,1% em 2024 e fechou 2025 com alta modesta de 0,4%. O setor de serviços, que concentra a maior parte da mão de obra, mantém ganhos de produtividade próximos a zero, na casa de 0,2% ao ano.
Para a Virada Estrutural
A reversão desse quadro depende de reformas profundas, divididas em quatro frentes prioritárias:
– Consolidação e Simplificação Tributária: Fim do Custo Brasil, redução da burocracia fiscal e estímulo direto ao investimento produtivo em inovação, superando o planejamento tributário defensivo.
– Reforma Educacional e Técnica: Alinhamento curricular voltado para ciências, engenharia e ensino técnico, além de requalificação contínua de adultos frente à automação.
– Modernização Administrativa: Corte de privilégios e supersalários no funcionalismo, atrelando a máquina pública à meritocracia e à entrega de serviços eficientes.
– Abertura Comercial e Infraestrutura: Redução de barreiras tarifárias para elevar a competitividade externa e ampliação de concessões em portos, ferrovias e saneamento por meio de segurança jurídica.
Em um momento em que as atenções se voltam para as eleições de outubro, existe a expectativa de que surja um projeto inovador para a próxima gestão. Nesse sentido, refletir sobre a baixa produtividade do trabalhador brasileiro é fundamental para confrontar os resquícios de um passado extrativista que continua a limitar o desenvolvimento nacional.
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- Artigo publicado no Diário do Comércio – Conteúdo
- Foto destaque: Reprodução / Redes Sociais
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