Economia
PIB capixaba encerra 2022 com crescimento de 1,9%
Economia
O Produto Interno Bruto (PIB) do Espírito Santo variou -0,2% no quarto trimestre de 2022, encerrando o ano com crescimento acumulado de +1,9% no período. O resultado anual foi influenciado pela expansão dos Serviços (+8,9%) e do Comércio Varejista Ampliado (+0,3%), e contrabalanceado pela redução da Indústria geral (-8,4%). Os dados foram divulgados na manhã desta quarta-feira (08), pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN).
De acordo com o levantamento, a atividade econômica estadual avançou em duas das quatro bases de comparação temporal adotadas pelo estudo. Além do crescimento de +1,9% no acumulado ao longo do ano, o Espírito Santo registrou a mesma expansão no comparativo entre os últimos quatro trimestres contra os quatro trimestres imediatamente anteriores. O resultado ficou abaixo da média nacional, que foi de +2,9% nas duas bases.
Nas comparações com o mesmo trimestre do ano anterior e com o trimestre imediatamente anterior, a economia capixaba apresentou recuo de -0,9% e -0,2%, respectivamente. Nessas mesmas bases, o PIB nacional registrou alta de +1,9% na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, e queda de -0,2% na comparação com o trimestre imediatamente anterior.
“A economia capixaba tem essa particularidade histórica. Quando a economia brasileira vai bem, o Espírito Santo supera o desempenho nacional. Por outro lado, quando há uma desaceleração no cenário nacional, os efeitos são sentidos mais fortemente aqui. Vale destacar ainda a influência de fatores externos, com incertezas no cenário internacional, com inflação e elevação na taxa de juros nos Estados Unidos e na União Europeia, além dos efeitos da guerra na Ucrânia”, explicou o diretor-presidente do Instituto Jones dos Santos Neves, Pablo Lira.
Em valores correntes, o PIB nominal do Espírito Santo foi estimado em R$ 44,5 bilhões no quarto trimestre de 2021, acumulando o montante de R$ 178,4 bilhões ao longo do ano de 2022.
Resultados
De acordo com o Instituto Jones dos Santos Neves, o resultado positivo da atividade econômica capixaba em 2022 foi impulsionado pelo setor de Serviços, que cresceu +8,9%, e em menor proporção pelo Comércio varejista ampliado, que ficou praticamente estável, com acréscimo de +0,3%. Por outro lado, a Indústria geral declinou -8,4% contrabalanceando o resultado anual.
“A expansão no setor de serviços contribuiu fortemente para o resultado positivo no acumulado do ano. Vale destacar o segmento de Serviços Prestados às Famílias, que cresceu +20,4% no período. São atividades desempenhadas por pequenas e médias empresas, ligadas à alimentação, alojamentos, cursos de idiomas, academias de ginástica e salões de beleza, por exemplo”, destacou o coordenador de Estudos Econômicos do IJSN, Antonio Ricardo Freislebem da Rocha.
Outros destaques no setor foram em Serviços profissionais, administrativos e complementares, com crescimento de +10,4%, e em Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio, com expansão de +10,0%.
Já a relativa estabilidade do Comércio varejista ampliado foi resultante, sobretudo, da redução de -6,2% em Veículos, motocicletas, partes e peças conjugada ao aumento de +5,8% no Varejo restrito. Neste último, houve alta em sete dos oito segmentos pesquisados.
Quanto à produção industrial, a retração foi influenciada pela Indústria extrativa (-18,7%) e, em menor intensidade, pela Indústria de transformação (-3,5%). Na Indústria extrativa, o resultado negativo ocorreu em função das quedas na pelotização de minério de ferro (-6,3%), na produção de gás natural (-37,6%) e produção de petróleo (-34,6%). O ponto positivo vem da Indústria de transformação, com a Fabricação de celulose, papel e produtos de papel, que registrou crescimento de +7,3%.
Em relação à agricultura capixaba, os resultados esperados para as principais culturas mostram expectativa de alta na produção de Café Conilon (+6,8%), Café Arábica (+42,7%), Pimenta-do-reino (+6,6%), Tomate (+2,8%), Cana-de-açúcar (+6,3%) e Cacau (+1,5%); e de queda na produção de Coco (-14,1%), Banana (-3,6%), Mamão (-3,0%), e Mandioca (-1,1%).
Panorama Econômico
O Instituto Jones lançou ainda o Panorama Econômico do Espírito Santo, referente ao quarto trimestre de 2022. A publicação traz, de forma detalhada, os desempenhos setoriais registrados pelos setores de Indústria, Comércio e Serviços, além de dados do Comércio Exterior, Inflação e Mercado de Trabalho do Estado no período.
Entre os principais destaques estão a alta de +14,1% na corrente de comércio, movimentando US$ 18,6 bilhões entre importações e exportações realizadas naquele ano. Em relação ao Mercado de Trabalho, o estoque de empregos formais no Espírito Santo superou 818 mil postos, produzindo um saldo de quase 45 mil novos vínculos com carteira assinada somente no último ano.
- Informações: Assessoria de Comunicação do IJSN – Eduardo Rabello
- Fotos: Divulgação
Economia
Nascida com investimento de R$ 360, Borana quer faturar R$ 32 milhões em 2026
Marca beachwear de São Mateus ganhou mercado externo, cinco lojas físicas e 150 funcionários partindo de um investimento inicial de R$ 360
Por João Flávio Figueiredo* | Vitória – ES
A marca de beachwear Borana, fundada em São Mateus, no norte do Espírito Santo, projeta faturamento superior a R$ 32 milhões em 2026. No ano passado, a empresa registrou R$ 28 milhões em receita com uma produção anual em torno de 360 mil peças. A marca conta com uma fábrica, cinco lojas físicas no Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo e emprega 150 pessoas.
O número é resultado de uma jornada forjada na escassez, com capital próprio e sem investidor externo. Em 2010, a família começou a produzir biquínis sob medida para a filha, que estudava em Vitória.

Empresário Jorge Aguiar recebeu a medalha Mérito Empreendedor, honraria da Findes / Foto: Divulgação
“O produto circulou entre amigas, os pedidos cresceram e, em seis meses, a marca começou a receber um volume relevante de encomendas. Eu tocava flauta na noite para fazer renda e juntei R$ 360 para comprar alguns metros de tecido”, lembra Jorge Aguiar, sócio-fundador da Borana.
A empresa tocada pela família Aguiar. O criativo fica a cargo de Patiara, filha do casal Inânia, esposa de Jorge, cuida da produção. Moreno, o filho, completa o quadro societário.
O salto de visibilidade veio em 2016, quando a Borana foi selecionada para participar de um desfile do São Paulo Fashion Week. A marca ganhou o desfile solo na semana de moda de Macau e ganhou popularidade ao ter uma peça usada pela cantora Anitta em 2020.
Hoje, 70% da produção é realizada na fábrica própria em São Mateus, que emprega 108 funcionários. Os 30% restantes são distribuídos por uma rede de aproximadamente 50 costureiras independentes que trabalham de casa, concentradas principalmente na Grande Vitória.
No exterior, a Borana exporta para a Europa, Estados Unidos, América Latina e Ásia. O mercado externo representa, na média, 10% do faturamento, mas Aguiar considera a presença internacional estratégica para o posicionamento da marca no Brasil.
“Quando você fala que está exportando para esses países, valoriza o produto internamente”, afirmou. “Mas sempre valorizamos a nossa origem em vez de buscar as tendências estrangeiras. Tornamos o produto local uma referência no Brasil e no mundo”.
Para sustentar o crescimento, a Borana fez recentemente um investimento de R$ 1,3 milhão em uma sala de corte automatizada. A aquisição busca aumentar a velocidade e a precisão do processo de corte, que antes era feito manualmente.
O próximo passo em análise é a adoção de um modelo de franquias, embora Aguiar considere que a empresa ainda precisa aumentar a produtividade para adotar esse modelo.
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- O autor assina a coluna Folha Business – Conteúdo
- Foto destaque: Divulgação / Borana
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