Cidade / Conhecendo sua História
Do Cais da Lenha ao Hidroavião: a História do Primeiro Aeroporto do Espírito Santo
Curiosidade & Conhecimento
Por Edlamara Conti* / Vitória – ES
À beira da Baía de Vitória, encontra-se um capítulo importante da história da capital, porém pouco explorado. Este período começa com o Cais da Lenha, acompanha a transformação do bairro Santo Antônio, incorpora a chegada de empresas internacionais e tem seu apogeu na construção do Cais do Hidroavião, em 1939, o primeiro aeroporto internacional do Espírito Santo.
Desativado apenas dez anos após sua inauguração, o hidroporto capixaba é um dos três únicos remanescentes daquela época no Brasil, e as experiências acumuladas naqueles anos até hoje têm grande valor para a aviação brasileira.

Cais do Hidroavião – Início dos anos 1940
Documentos oficiais, jornais da época e fotos, preservados no Arquivo Público Municipal de Vitória, ajudam a reconstruir a história do hidroporto. “Esse material em breve vai completar um século e nosso papel é garantir que continue seguro e acessível. Afinal, trata-se de um acontecimento que durou menos de uma década, mas trouxe modernidade e conectou Vitória a outros países e continentes pelo modal aéreo”, diz Vadilson Malaquias, integrante da equipe do Arquivo Municipal.
O Cais do Hidroavião é a lembrança de que Santo Antônio foi, durante um extraordinário momento, a porta de entrada para o mundo.
Antes da Chegada dos Hidroaviões
Nas primeiras décadas do século XX, Santo Antônio tinha pequenos comércios. Migrantes, estivadores, funcionários públicos, trabalhadores do mercado e policiais construíam lá suas casas, algumas bem à beira do mar. Só havia um ponto de encontro, o campo do Estrela Futebol Clube. O bonde elétrico chegou em 1912 e era a principal ligação do bairro com o Centro e com a Praia do Canto.

Cais do Hidroavião. Fotografia colorizada por Vadilson Malaquias
Desta forma, no Cais da Lenha se concentrava a maior movimentação do bairro. Por lá chegavam mercadorias como banana, cana de açúcar, café e lenha, provenientes de Iúna Grande, Rio Santa Maria e Cariacica. Vale lembrar que, em Vitória, o transporte de pessoas e de mercadorias era feito principalmente por mar, especialmente a linha cais Schmidt – cais de Argolas. A primeira ponte ligando a ilha ao continente, a Florentino Avidos, só foi inaugurada em 1928.
Syndicato Condor (ou Condor Syndikat)
Em 1º de agosto de 1929, a Condor Syndikat faz uma ‘descripção technica’ do futuro Aeroporto de Victoria, indicando a ‘installação’ em um terreno de 30x30m em Santo Antônio. O relatório diz:
“Para o encalhamento dos aviões, são necessários dois carros “Slip”, os quaes são puxados para o interior do galpão por meio de um guincho. Em construção anexa a esse galpão, encontra-se a officina com guindaste para troca de motores, deposito, sala de despachos etc. A gazolina será depositada em tanque subterraneo. O terreno em questão foi aterrado com 3 metros e cercado com um muro de madeira”.

Em seguida, a descrição lista todos os materiais e respectivos valores (em réis e contos de réis) para a criação do ‘porto aéreo’.
A Condor Syndikat ou Syndicato Condor era nada menos do que uma subsidiária da Deutsche Luft Hansa, uma companhia aérea alemã fundamental para os primórdios da aviação comercial brasileira. Pioneira a operar rotas nacionais e internacionais no Brasil, ela chegou ao País em 1927, começando pela então capital, Rio de Janeiro.
“Pesquisas mais profundas, em arquivos da Aeronáutica ou do Governo Federal, podem nos trazer respostas sobre esse projeto, do qual pouco se fala”, diz Malaquias. De qualquer forma, estes documentos provam que já havia interesses e estudos sendo feitos no terreno do futuro aeródromo.
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- Prefeitura de Vitória – Conteúdo
- Foto Destaque: Arquivo Público Municipal / PMV
Curiosidade & Conhecimento
Fazenda ‘rara’ do subúrbio do Rio segue abandonada após promessa de revitalização do Governo Federal
Por Victor Serra* | Rio de Janeiro (RJ)
Mais de um ano após ser incluída entre os 14 bens culturais fluminenses contemplados pelo Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), a histórica Fazenda Capão do Bispo, no Cachambi, Zona Norte do Rio, permanece sem qualquer intervenção de restauro. Enquanto as obras não saem do papel, o casarão do fim do século XVIII segue sendo alvo de invasões, vandalismo e furtos. Segundo apuração da reportagem, o programa destinou R$ 440 mil para a elaboração do projeto de restauração do imóvel.
Na época do anúncio, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) informou ao DDR que o imóvel seria transformado
Patrimônio em deterioração

Sem vigilância permanente e praticamente abandonado, o casarão vem sofrendo com a retirada de portas, janelas e outros elementos arquitetônicos, além da ocupação irregular por pessoas em situação de rua. Recentemente, preservacionistas denunciaram a realização de fogueiras no interior da construção, aumentando o risco de incêndio em um imóvel tombado.
Para o ativista Marconi Andrade, da página SOS Patrimônio, a situação é crítica e coloca em risco um dos imóveis históricos mais importantes da cidade. “A Fazenda Capão do Bispo é um patrimônio fundamental para a história do Rio de Janeiro e do Brasil. Foi um dos primeiros locais de cultivo de cana-de-açúcar e, mais tarde, recebeu uma das primeiras mudas de café plantadas no país. Hoje, infelizmente, a casa está completamente aberta, sem segurança e sem manutenção. Portas e janelas estão sendo roubadas, há pessoas morando no imóvel e existe um risco real de incêndio ou até mesmo de desabamento”.

Marconi afirma que grupos ligados à preservação do patrimônio precisaram se mobilizar. “Existe um risco real de incêndio e até de desabamento. Há pessoas utilizando o imóvel de forma irregular, enquanto o patrimônio permanece completamente vulnerável”.
Há cerca de quatro anos, o Ministério Público ajuizou uma ação civil pública pedindo medidas para garantir a recuperação do imóvel. O processo, no entanto, não produziu os efeitos esperados.
Uma fazenda que ajudou a contar a história do Brasil
A Casa do Capão é considerada um símbolo da arquitetura vernacular brasileira, e integra o Projeto Circuito de Fazendas Históricas do Rio de Janeiro. Em 1759, a fazenda foi confiscada dos jesuítas e incorporada à Coroa. Dois anos depois, começou a ser leiloada. Um dos compradores foi o bispo D. José Joaquim Justiniano Mascarenhas de Castelo Branco, que construiu a casa-grande em um capão — porção de mata isolada sobre um outeiro de cerca de 20 metros de altura — origem do nome da propriedade. Durante séculos, a fazenda manteve atividades agrícolas.
Do ponto de vista arquitetônico, o casarão é uma das raríssimas casas de engenho preservadas na cidade do Rio. Conserva características típicas das edificações rurais setecentistas da Baía de Guanabara, como o pátio central e a varanda sustentada por colunas toscanas de alvenaria. Especialistas costumam comparar sua relevância apenas à da Fazenda do Colubandê, em São Gonçalo.
O imóvel foi tombado pelo Iphan ainda na primeira metade do século XX.
O que diz o Iphan
Procurado pelo DIÁRIO DO RIO, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional informou que aguarda o envio do projeto executivo de restauração pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac), responsável pela condução do processo. Segundo o órgão federal, cabe ao Iphan apenas analisar e aprovar o projeto, descentralizar os recursos do Novo PAC e fiscalizar a execução das obras.
Sobre as invasões e o vandalismo registrados no imóvel, o instituto ressaltou que a manutenção dos bens tombados é responsabilidade de seus proprietários. O órgão informou ainda que, após vistoria técnica, encaminhou ofícios à Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (Secec), alertando para o descumprimento de medidas emergenciais e solicitando providências imediatas.
Entre os problemas apontados estão a falta de limpeza do terreno, o acúmulo de lixo e dejetos, a ausência de capina, o avanço da vegetação e a inexistência de vigilância efetiva no local.
- Matéria do Diário do Rio – Conteúdo
- Foto destaque: Reprodução / Iphan
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