Política Municipal
Museu Capixaba do Negro abre as portas restaurado
CULTURA & ENTRETENIMENTO
Vitória – ES
Neste sábado (23), a Prefeitura de Vitória anunciou a conclusão das obras de restauração do icônico Museu Capixaba do Negro – Mucane, um tesouro cultural localizado no coração da cidade.
Com um investimento total de R$ 801.394,47, o restauro representa um marco significativo na preservação do patrimônio histórico e cultural da região.

Mucane
“Nós nos preparamos, fizemos a restauração preservando a sua cultura, seu papel histórico, paisagístico, cultural e artístico. Hoje é um dia muito especial, pois estamos devolvendo aos capixabas um espaço significativo que conta uma história de valor para todos nós”, destacou Lorenzo Pazolini, Prefeito de Vitória.
A edificação, que remonta a 1912 e é um testemunho da rica herança afrodescendente da cidade, passou por um rigoroso processo de restauração. Engenheiros e arquitetos da Prefeitura de Vitória conduziram uma minuciosa vistoria, identificando patologias e necessidades de reforma. Problemas como infiltrações, desplacamento do revestimento e trincas nas paredes foram cuidadosamente abordados, resultando na recuperação completa da edificação.
O Mucane, composto por dois pavimentos e uma ampliação de três pavimentos nos fundos, está agora pronto para continuar sua missão vital de difundir a cultura dos povos afrodescendentes.
Seus corredores estão repletos de história e significado, prontos para receber visitantes ansiosos para explorar e aprender. “Estamos em um prédio histórico, no meio da memória da cultura, da cidade, do centro desta capital. Estamos entregando à população uma obra bonita, decente, bem feita e acabada. Com a vital importância do povo negro que fez e faz a história do Brasil. Quando a Prefeitura se preocupa em propor esse tipo de ação, nós passamos a reconsiderar muitas coisas que ficaram para trás”, disse Edu Henning, Secretário de Cultura de Vitória.
A solenidade teve a participação da família do ex-governador (1990-1994), Albuino Cunha de Azeredo, que fundou o museu, em 1993.
Na companhia do prefeito da capital, Lorenzo Pazolini, de vereadores, autoridades e representantes dos movimentos negros, a família descerrou a placa de inauguração do restauro do Mucane e uma placa em homenagem a Albuino Azeredo.

Mucane
Emocionada, a viúva do ex-governador, Valdicéia Peçanha de Azeredo, não conseguiu esconder a gratidão que sentia. “Sou muito grata ao Prefeito Lorenzo Pazolini. Me sinto honrada e lisonjeada por essa homenagem ao meu falecido esposo”, disse.
A filha do ex-governador, Ana Flavia Azeredo, destacou a importância da luta por igualdade e combate à discriminação racial. “Fui vítima de discriminação. Foi um episódio que me ensinou a importância de intensificar a voz e a lut”, declarou.
Jocelino Junior, professor e coordenador do Museu do Negro, destacou a felicidade que estava sentido pela reabertura do local para a população de Vitória: “Principalmente por se tratar de um local que enfatiza a importância e a beleza da cultura negra e valoriza a trajetória do Mucane nos seus mais de 30 anos de história. O museu agora vive uma nova fase. Nosso agradecimento a prefeito Lorenzo Pazolini pelo respeito e investimento. O Museu era muito sem cor. Tivemos a oportunidade de ouvir os movimentos negros e hoje temos as cores que escolhemos nas paredes. Agora, esse espaço está renovado, colorido, com uma agenda lotada e dedicada a população negra e de toda a cidade de forma gratuita”, afirmou.
A restauração do Mucane é apenas uma parte de um esforço mais amplo da Prefeitura de Vitória para requalificar o Centro da cidade. Com investimentos totalizando R$ 55 milhões, a região tem recebido obras e projetos transformadores, como a reforma do Parque Municipal Gruta da Onça e o Residencial Santa Cecília, que agora fornece moradia para famílias beneficiárias de programas habitacionais. “Estamos atuando com intervenções para o restabelecimento dos prédios históricos no Centro, como o Mucane, Viaduto Caramuru e o Mercado da Capixaba. É o respeito à cultura de Vitória. Essas intervenções resgatam o sentido histórico que Vitória sempre representou para o cidadão”, enfatizou Gustavo Perim, Secretário de Obras do município.
A infraestrutura no Centro também tem sido melhorada consideravelmente, com obras de contenção de encostas e a reurbanização de escadarias, como a José Ambrósio Rocha, em Santa Clara. Além disso, a atual gestão criou a Lei 9.882/2022, que oferece incentivos fiscais atrativos, incluindo a isenção de IPTU para edifícios do Centro de Vitória que aderirem ao programa RetroFit, visando à modernização e ocupação de imóveis anteriormente ociosos.
A restauração de edificações históricas estende-se a outros locais de relevância na área central, incluindo a Escola da Ciência-Física, o Viaduto Caramuru e o Mercado da Capixaba, todos passando por restaurações significativas. Essas iniciativas desempenham um papel fundamental na preservação da herança cultural e histórica da cidade, garantindo que esses locais continuem a contar as histórias que moldaram Vitória ao longo dos anos.
Os primeiros resultados já aparecem, com aumento no número de empresas abertas no Centro de Vitória. Em 2021, foram registradas 766 inaugurações de empresas, um número que cresceu para 998 em 2022, representando um aumento impressionante de mais de 30%. Os números de 2023 continuam a apontar para o sucesso econômico da região, com 742 novas empresas abertas até o momento, consolidando o Centro de Vitória como um vibrante centro empreendedor em ascensão.
O sucesso da restauração do Mucane e os esforços de revitalização do Centro de Vitória demonstram o compromisso da Prefeitura em preservar a história da cidade e criar um ambiente próspero para os cidadãos e empreendedores. Vitória celebra sua rica herança cultural e olha com otimismo para o futuro, onde o passado e o presente se entrelaçam harmoniosamente em suas ruas históricas.
* Informações Prefeitura de Vitória – Michelle Moretti (Conteúdo) / Fotos: Carlos Antonini
CULTURA & ENTRETENIMENTO
Pela primeira vez em 47 anos, Festa da Polenta é cancelada em Venda Nova do Imigrante
O anúncio foi feito pela Associação Festa da Polenta (Afepol), responsável pela organização do evento
Por Maria Clara Leitão*
Pela primeira vez desde a criação, em 1979, a tradicional Festa da Polenta foi cancelada em Venda Nova do Imigrante. O anúncio foi feito pela Associação Festa da Polenta (Afepol), responsável da organização do evento, que é considerado um dos maiores símbolos da cultura italiana no Espírito Santo.
A Festa da Polenta é realizada todos os anos no Centro de Eventos Padre Cleto Caliman, o “Polentão”. No entanto, o local passa por obras de infraestrutura, atualmente, e, por este motivo, o evento deste ano precisou ser cancelado.
Segundo o presidente da Associação Festa da Polenta (Afepol),Tarcísio Caliman, apesar da obra principal estar em andamento sem atrasos, a estrutura necessária para a realização da festa vai além da nova cobertura do espaço.
“É uma obra grandiosa e não há atrasos, mas tem toda uma infraestrutura que precisa ser preparada para oferecer ao turista uma festa como sempre fizemos. É uma festa grande, que envolve muita gente. Ela tem a alma do vendanovense. Então, oferecer algo que não estivesse à altura da festa, a gente preferiu não fazer neste ano”. Tarcísio Caliman, presidente da Associação Festa da Polenta (Afepol)
Mesmo com previsão de conclusão da estrutura principal até agosto, a Afepol avaliou que o local não teria condições adequadas para receber o público com segurança e conforto durante os dois fins de semana previstos para outubro.
Além disso, também foi ressaltado que a decisão não partiu apenas da diretoria da associação, mas também do conselho formado por dezenas de integrantes da comunidade.
“No ano passado foram quase 1.800 voluntários. Temos 85 coordenadores de equipes que fazem a festa acontecer. Achamos melhor cancelar neste ano para, no próximo, inaugurar o Polentão da maneira que ele merece, com muita grandiosidade”. Pontuou Tarcísio Caliman.
Cancelamento deve afetar setores de Venda Nova
Será a primeira vez, desde a criação da Festa da Polenta, que o evento não será realizado presencialmente. Nem mesmo na pandemia de Covid-19 a tradição foi interrompida, já que, em 2020 e 2021, a programação aconteceu em formatos adaptados.
O cancelamento também deve impactar hotéis, restaurantes, comércio e o setor turístico da cidade serrana. Apesar disso, Tarcísio acredita que o momento também pode servir para mobilizar ainda mais a população e os empresários locais em torno da festa.
“A Festa da Polenta não pertence só à diretoria ou aos voluntários. Ela pertence ao comércio, à hotelaria, ao turismo e a toda a cidade. Todo mundo sente quando ela não acontece”, disse Tarcísio Caliman, presidente da Associação Festa da Polenta (Afepol)
O presidente garantiu que a expectativa é realizar uma edição ainda maior no ano de 2027. “Vamos trabalhar com muito carinho para que a próxima edição seja uma festa à altura de Venda Nova e dos turistas que vêm participar conosco”, disse Caliman.
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- Folha Vitória – Conteúdo
- Foto destaque: Reprodução / Internet
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