Política / Investigação
CPI das Pirâmides aprova quebra de sigilo bancário de Tatá Werneck e Cauã Raymond
BRASIL
Os dois fizeram propaganda, em 2018, para a Atlas Quantum, empresa acusada de dar golpe em investidores
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga pirâmides financeiras autorizou, na tarde da última quarta-feira, a quebra do sigilo bancário dos atores Cauã Reymond e Tatá Werneck e do jornalista Marcelo Tás. Os deputados estão investigando a empresa Atlas Quantum, e os três fizeram propagandas para a empresa em 2018, por isso estão envolvidos no caso.
A Atlas Quantum, que pertence a Rodrigo Marques dos Santos, que também terá o sigilo bancário quebrado, é acusada de dar um golpe de R$ 7 bilhões num grupo de cerca de 200 mil investidores de dar golpes envolvendo criptomoedas.
O pedido da quebra de sigilo dos três famosos foi feito pelo deputado Delegado Paulo Bilynskyj (PL/SP), que, no fim de julho, já havia requerido a presença de Cauã e Tatá na Comissão. Ambos, no entanto, conseguiram um habeas-corpus no Supremo Tribunal Federal para não comparecer à Câmara dos Deputados, em Brasília.
Na quarta-feira, advogados de Tatá Werneck classificaram a quebra de sigilo como absurda e prometeram recorrer à Justiça.
“Ela jamais foi sócia, investidora ou participou dos lucros da empresa, motivo pelo qual considera a quebra de sigilo absurda e totalmente descabida para o que se pretende investigar na CPI”, diz a nota de seus advogados publicada na coluna de Lauro Jardim.
Cauã e Tatá fizeram propaganda para a empresa nas redes sociais em 2018. Eles participaram no “Desafio dos Investidores”. O vídeo ainda está no ar no Facebook.
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* Informações/conteúdo EXTRA
* Foto: Divulgação – Rede Globo
BRASIL
Delegados da PF pedem que Gonet se declare impedido para apurar relatório
A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) quer que Gonet se retire de investigações com citações ao Procurador Geral da República
Por Manuela de Moura e Luana Patriolino* | Brasília (F)
A ADPF pediu neste sábado (5) que o procurador geral da República, Paulo Gonet, se declare impedido de atuar na apuração sobre a elaboração de um relatório da Polícia Federal (PF) relacionado à Operação Compliance Zero.
A ADPF argumenta que Gonet deveria se declarar impedido porque seu nome aparece no próprio relatório que está sendo analisado pela PGR. A entidade cita o artigo 258 do Código de Processo Penal, que estende aos integrantes do Ministério Público as regras de impedimento e suspeição aplicadas aos juízes.
“Independentemente de qualquer juízo sobre intenções, que a ADPF não formula, o efeito objetivo da medida é intimidatório sobre os investigadores”, afirmou a associação.
A entidade também questionou o fato de a apuração ter como alvo os policiais responsáveis pela elaboração do documento, e não a decisão judicial que determinou sua produção.
Para a ADPF, responsabilizar os executores por cumprir uma ordem judicial transfere aos investigadores uma controvérsia que, na avaliação da associação, deve ser discutida no próprio STF.
“Se a Procuradoria-Geral da República entende que a decisão determinante do relatório é irregular ou que deveria ter sido previamente comunicada, a via própria é o processo perante o Supremo Tribunal Federal”, afirmou a associação.
Relatório da Policia Federal
– A controvérsia envolve um relatório produzido pela PF a pedido do ministro André Mendonça, do STF
– O documento reuniu informações sobre mensagens e contatos do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, com autoridades, entre elas o ministro Alexandre de Moares e o próprio Paulo Gonet.
– Após retirar o sigilo do relatório, Mendonça determinou que os elementos apresentados fossem analisados e solicitou manifestação da PGR.
– Na sequência, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, passou a conduzir os procedimentos relacionados ao caso e pediu esclarecimentos à Procuradoria sobre a elaboração do documento.
– A PGR informou a Fachin que abriu o Procedimento de Controle Externo da Atividade Policial para apurar se houve eventual ordem ou interferência externa que pudesse ter comprometido o conteúdo do relatório.
– Segundo a Procuradoria, o Ministério Público não foi comunicado sobre a determinação para a produção do material.
– A PGR sustenta que a ausência de comunicação impediu o exercício do controle externo da atividade policial durante a elaboração do documento.
– Além do impedimento de Gonet, a associação pediu o arquivamento do procedimento instaurado pela PGR, sob o argumento de que o instrumento seria inadequado para questionar uma decisão do STF.
A entidade também defendeu que os fatos revelados pela Operação Compliance Zero sejam investigados “em toda a sua extensão”, sem seletividade em relação às autoridades envolvidas.
A ADPF afirmou ainda que prestará assistência aos delegados e servidores eventualmente alcançados por procedimentos instaurados nas circunstâncias questionadas.
“Assegurar que ninguém seja responsabilizado por cumprir ordem judicial não é defesa corporativa: é defesa da capacidade do Estado brasileiro de investigar sem receio de retaliação”, declarou a entidade.
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- Matéria do Metrópoles – Conteúdo
- Foto destaque: Crédito – Breno Esaki / Metrópolis
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