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Investigação de mais um Escândalo

PF apura se Lulinha, Roberta e Marcola interferiram em negócio que prejudicaria Petrobras

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BRASIL

Por Juliet Manfrin*

A Polícia Federal investiga se Fábio Luís da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a empresária Roberta Luchsinger e Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula no Palácio do Planalto, atuaram nos bastidores para favorecer a fabricante de fertilizantes Unigel em uma negociação que poderia trazer prejuízos de quase meio bilhão de reais à Petrobras.

A apuração, baseada em mensagens e informações financeiras obtidas pela PF, tenta esclarecer qual foi o papel de cada um na suposta articulação em contrato entre a empresa e a estatal.

A defesa de Fábio Luís Lula da Silva afirmou que não teve acesso ao procedimento investigativo, criticou o vazamento seletivo e “criminoso” e não comentará alegações que considera não verificadas.

À Gazeta do Povo, o advogado Guilherme Suguimori Santos, que representa Lulinha, disse que o vazamento de informações sigilosas apresenta hipóteses de investigação como fatos antes da devida apuração e impede a defesa de contextualizar os dados ou apresentar elementos de inocência.

Santos também sustentou que os vazamentos teriam motivação política e poderiam comprometer a investigação, a imagem das instituições e o processo eleitoral. 

Já a defesa de Roberta Luchsinger afirmou que as supostas mensagens são resultado de vazamentos criminosos ocorridos às vésperas da eleição e que os diálogos estariam sendo divulgados com o objetivo de criar fatos políticos para influenciar o processo eleitoral. Os advogados pedem que as autoridades adotem providências e afirmam que vazamentos desse tipo, independentemente de quem seja beneficiado por eles, prejudicam a democracia.

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O caso em análise envolveria contrato de tolling, em que a Petrobras forneceria gás natural às fábricas de fertilizantes da Unigel e receberia produtos fabricados. “Contrato de tolling” ocorre quando uma empresa fornece a matéria-prima para outra, que a processa ou transforma e, em vez de receber necessariamente um pagamento em dinheiro pelo serviço, devolve o produto resultante ao fornecedor.

O negócio foi apresentado como solução temporária para manter unidades em funcionamento, mas documentos analisados pelo Tribunal de Contas da União (TCU) apontaram riscos econômicos à estatal. A própria análise de riscos da Petrobras estimava prejuízo de R$ 487,1 milhões.

A PF, que não comenta possíveis investigações em curso, quer entender se Lulinha, Roberta e Marcola cometeram algum crime ou agiram para causar prejuízo à Petrobras. O que está sendo apurado é se houve atuação coordenada em favor dos interesses da Unigel e se eventuais contatos interferiram na negociação empresarial.

Segundo o TCU, o contrato traria prejuízos à Petrobras porque o modelo deixava para a estatal custos e riscos em um momento que o gás estava caro e os preços dos fertilizantes, desfavoráveis. O TCU também apontou que a metodologia teria aumentado artificialmente a viabilidade do contrato ao superestimar os prejuízos de possíveis alternativas e subestimar os riscos da solução escolhida.

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Em resumo, a Petrobras forneceria um insumo caro para a produção de fertilizantes, mas a operação não geraria receita para compensar custos e riscos.

A tentativa de salvar fábricas

A origem estaria nas duas fábricas de fertilizantes da Petrobras na Bahia e em Sergipe. Elas haviam sido arrendadas para a Unigel em 2019. O cenário econômico mudou depois de um período inicialmente favorável ao setor e a empresa passou a enfrentar dificuldades, chegando a paralisar as atividades.

Foi aí que a Unigel teria passado a defender uma nova solução para manter as unidades operando. O modelo escolhido foi o tolling: em que a Petrobras forneceria o gás como matéria.

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*Gazeta do Povo – Conteúdo

*Foto Destaque: Reprodução / CNN Brasil

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BRASIL

Lobista organizou viagem de R$ 2 milhões com família de Lulinha

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Roberta Luchsinger esteve com família de filho de Lula em viagem pela Europa

Por Paulo Moura*

Uma viagem de luxo feita por Fábio Luís da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e sua família ao lado da lobista Roberta Luchsinger e de familiares dela custou mais de R$ 2 milhões, segundo documentos obtidos pela Polícia Federal (PF). O roteiro, realizado em janeiro de 2025, incluiu Suécia, Finlândia e Suíça e teve como um dos objetivos acompanhar a aurora boreal.

Um orçamento encontrado pela PF no celular de Roberta detalha despesas de R$ 1.868.179,66 para o grupo. O valor corresponde a cerca de R$ 266,8 mil por pessoa e incluía serviços considerados de alto padrão, como chef particular e mordomo.

O roteiro e a organização da viagem ficaram a cargo da agência TTW, com participação de Marina Mantega, filha do ex-ministro Guido Mantega. Segundo os documentos analisados pelos investigadores, Roberta pagou um sinal de R$ 339 mil à agência em outubro de 2024 para confirmar a programação.

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Além do valor previsto no orçamento, houve uma despesa adicional com transporte aéreo. Em 8 de janeiro de 2025, Roberta acionou a TTW para fretar um jatinho que levou o grupo da Suíça até Estocolmo, na Suécia. O voo custou R$ 220,8 mil, elevando os gastos identificados para mais de R$ 2 milhões.

Durante a passagem pela Suíça, Roberta, Lulinha e os familiares ficaram hospedados no HUUS Gstaad, nos Alpes. O planejamento também previa seis dias consecutivos de atividades de esqui, além de outros serviços incluídos no pacote.

A viagem é analisada no contexto de investigações sobre a atuação de Roberta Luchsinger e Lulinha em negócios envolvendo empresas e órgãos do governo. Em uma das frentes, a PF apura se os dois praticaram tráfico de influência ao atuar em interesses da Unigel em um contrato firmado com a Petrobras.

Outra investigação envolve a tentativa de intermediar negócios de uma empresa ligada a Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, no setor de canabidiol junto ao Ministério da Saúde. A apuração avançou após a descoberta das relações entre Antunes e Roberta durante as investigações sobre fraudes contra aposentados e pensionistas.

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A defesa de Lulinha afirmou que ele “não cometeu nenhum crime” e que prestará esclarecimentos às autoridades sobre qualquer fato que esteja sendo investigado. Em nota, os advogados também criticaram o uso de informações obtidas por meio de vazamentos e afirmaram que os dados estariam sendo utilizados para produzir “ilações e narrativas falsas”. O advogado de Luchsinger, Roberto Podval, não respondeu.

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  • Pleno.News – Conteúdo
  • Foto Destaque: Arquivo pessoal // Juca Varella – Estadão
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