Reportagem Especial
Quais são as doenças mais comuns no Brasil?
Medicina & Saúde
Por Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina*
Compreender quais são as doenças mais comuns, assim como os efeitos subjacentes habituais de determinadas patologias, consiste em uma prática fundamental para profissionais e estudantes de medicina que estão na dúvida sobre qual especialização seguir.
Este conhecimento contribui para tomadas de decisão individuais, gestão da saúde pública e desenvolvimento de programas de prevenção. A compreensão do panorama epidemiológico também possibilita antecipar riscos.
Neste artigo, reunimos estudos e pesquisas, com dados válidos que revelam parte importante do quadro geral das doenças de maior incidência no Brasil.
Hipertensão arterial
Entre 2006 e 2024, existe uma variação de 22,6% a 29,7%, na frequência de adultos que referem diagnóstico médico de hipertensão. Neste período, o maior incremento está entre os homens, de 19,5% a 27,4%.
Estima-se que mais de 30 milhões de brasileiros tenham pressão alta. As mortes atribuídas à hipertensão cresceram 72% entre 2011 e 2021, totalizando quase 300 mil óbitos nesse intervalo.
Diabetes
A frequência de pessoas adultas que referiram diagnóstico médico para o diabetes cresceu de 5,5% a 12,9%, entre os anos de 2006 e 2024. As mulheres apresentaram maior crescimento na variação, de 6,3% para 14,3%.
Entre pessoas de 20 a 79 anos, o Brasil possui cerca de 16,6 milhões de adultos com diabetes, ocupando a sexta posição no ranking mundial. O país fica atrás apenas de China, que lidera a lista, Índia, Estados Unidos, Paquistão e Indonésia, segundo estimativas da International Diabetes Federation (IDF).
Obesidade
De 2006 a 2024, a frequência de pessoas adultas obesas no Brasil cresceu de modo abrangente, de 11,8% a 25,7%. O maior crescimento ocorreu em mulheres, de 12,1% a 26,7%.
No Brasil, aproximadamente 31% das pessoas têm obesidade. Nos próximos anos, estes números devem aumentar. Isso porque de 40% a 50% da população adulta não pratica exercícios físicos frequentemente.
Depressão
A frequência da depressão como diagnóstico médico em adultos ampliou de 10,9% a 14,5%, nos anos de 2020 e 2024. Na análise por sexo, somente as mulheres demonstraram crescimento, de 14,8% a 19,7%, respectivamente.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o equivalente a 11,7 milhões de brasileiros têm depressão. Esses dados colocam o Brasil como o país com a população mais depressiva da América Latina.
Demência
Cerca de 8,5% das pessoas idosas, ou seja, com mais de 60 anos, possuem demência. Isso equivale a 1,8 milhão de casos aproximadamente. Esse número pode aumentar para 5,7 milhões, até 2050.
Ao levar em conta a estimativa geral, a patologia é mais prevalente nas mulheres idosas, com 9,1% dos diagnósticos. Já entre os idosos, a proporção é de 7,7%. Regionalmente, existe uma variação que oscila de 7,3% a 10,4%, no Sul e Nordeste, de modo respectivo.
Asma e doença pulmonar crônica
De 10% a 13% da população brasileira possui asma. A maioria dos óbitos decorrentes desta doença inflamatória crônica ocorre por falta de tratamento adequado.
Já em relação à doença pulmonar crônica, os dados também são preocupantes. Mais de 7 milhões de pessoas no Brasil sofrem desta enfermidade, uma patologia que tem relação direta com o uso de cigarro, embora também existam outras causas.
Dengue e Chikungunya
No primeiro bimestre de 2025, o Brasil registrou 493.403 casos de dengue, um número inferior aos 1.604.611 de incidências nos dois primeiros meses de 2024. Nestes dois anos, a prevalência foi maior na região Sudeste: 66,14% e 73,16%, respectivamente.
No caso da Chikungunya, os números também chamam atenção: o Brasil registrou mais de 120 mil casos prováveis, entre janeiro e agosto de 2025.
Influenza A
O Boletim InfoGripe, divulgado em 3 de julho de 2025, referente à atualização da Semana Epidemiológica 26, de 22 a 28 de junho de 2025, informou que no Brasil a Influenza A foi responsável por 74% dos óbitos por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), considerando as quatro últimas semanas epidemiológicas.
Esteatose hepática e anemia ferropriva
Em torno de 20% da população geral possui gordura no fígado, conhecida como esteatose hepática. Após a análise de ultrassom, 70% das pessoas diabéticas apresentam esta condição.
Em relação à anemia ferropriva, cerca de 3 milhões de crianças brasileiras menores de 5 anos são afetadas pela doença. Também há prevalência nas mulheres, presente em 29,4% das brasileiras, aproximadamente.
Perguntas frequentes
Por que as doenças crônicas não transmissíveis estão aumentando no Brasil?
O crescimento das doenças crônicas não transmissíveis ocorre em parte por causa do envelhecimento populacional. Além disso, existem fatores mais preocupantes com relação a riscos comportamentais e condições de vida, por exemplo: inatividade física, alimentação não saudável, consumo de álcool e tabagismo.
Quais são as doenças mais frequentes do Brasil?
As doenças mais frequentes no Brasil incluem, principalmente, infecções respiratórias e doenças crônicas, como: gripe e outras infecções respiratórias (como resfriado e COVID-19), hipertensão arterial, diabetes, dengue, gastroenterites (infecções intestinais) e doenças cardiovasculares.
Quais as doenças que mais matam no Brasil?
Doenças cardiovasculares são as que mais matam no Brasil, representando cerca de 30% dos óbitos.
Atendimento na SPDM
Com quase um século de tradição em atendimentos no estado de São Paulo e em outras regiões do país, a Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM) disponibiliza uma ampla rede de especialidades médicas de forma gratuita.
Somos uma instituição filantrópica. Prestamos serviços humanizados. Atendemos com equidade. Atuamos em parceria com o Sistema Único de Saúde (SUS). Focados no cuidado com a população brasileira, trabalhamos por meio de pronto atendimento, ambulatórios, unidades hospitalares, ações sociais e educação.
Considerações finais
Aos profissionais de medicina, entender quais são as doenças mais comuns no Brasil é essencial para diagnósticos precoces e conhecimento dos riscos, a fim de estabelecer atendimentos ágeis, sem perda de qualidade, colaborando para reduções nas filas de espera.
Já à gestão do SUS, os dados contribuem para alocar investimentos de modo eficiente em leitos, vacinas e contratações de especialistas. As informações deste tipo também são cruciais para gestores públicos identificarem epidemias silenciosas.
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- Matéria reproduzida – Conteúdo
- Foto destaque: Reprodução / APPDM
Medicina & Saúde
Uso indiscriminado de corticoides pode causar glaucoma e cegueira
Especialistas alertam para riscos da automedicação. O uso de corticoides de forma inadequada e adquiridos sem receita médica pode levar ao desenvolvimento e aumento de casos de glaucoma. O alerta é do presidente da Sociedade Brasileira de Glaucoma (SBG), Roberto Murad Vessani.
Por Alana Gandra* | Rio de Janeiro – RJ
O glaucoma é uma doença que afeta o nervo óptico, provocada pela elevação da pressão ocular e não tem cura. Quando não é tratada, pode levar à cegueira.
Estima-se que pelo menos 1,7 milhão de brasileiros convivam com a doença. Segundo Vessani, cerca de 2,5% a 3,5% dos indivíduos acima dos 40 anos já têm glaucoma.
Tanto colírios usados para aliviar irritação ocular como outros medicamentos que contenham corticoides como pomadas ou comprimidos podem provocar glaucoma quando utilizados sem acompanhamento médico.
Os corticoides são medicamentos usados para reduzir inflamações do organismo, como nos casos de irritações nos olhos, alergias, crises respiratórias, sinusites e dores inflamatórias. O alívio costuma ser rápido e isso faz com que muitas pessoas passem a reutilizar essas medicações por conta própria sempre que os sintomas reaparecem.
Mas, com o uso prolongado, os corticoides também podem alterar o funcionamento natural dos olhos. Eles dificultam a drenagem do líquido que circula dentro do globo ocular, que acaba acumulando e aumentando a pressão intraocular. Quando essa pressão permanece elevada por muito tempo, pode provocar lesões irreversíveis no nervo óptico e levar ao glaucoma.
A utilização indiscriminada dessas substâncias pode provocar outros problemas no organismo. Entre eles, aumento da glicose no sangue e descontrole do diabetes, ganho de peso, retenção de líquido, hipertensão, enfraquecimento dos ossos e maior risco de infecções e alterações hormonais.
Alerta
A SBG, em conjunto com o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e a Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP) encaminharam uma nota pública à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), ao Ministério da Saúde, ao Congresso Nacional e a entidades médicas de diversas especialidades chamando a atenção para os perigos relacionados ao uso indiscriminado de fórmulas com corticoides pela população.
“É muito grave. Na verdade, é um problema de saúde pública”, destacou Roberto Vessani.
Além da discussão junto aos órgãos reguladores, foi feita uma reunião para tentar sensibilizar políticos em busca de solução. A ideia é buscar o mesmo caminho de rigor que existe atualmente para o antibiótico, mencionou Vessani.
Vessani destacou que diversas especialidades médicas como ortopedia, reumatologia, pediatria e geriatria prescrevem corticoides para tratar o problema de um paciente que, eventualmente, já pode ter glaucoma.
Sensibilidade
O presidente da SBG lembrou que cerca de 90% dos pacientes que já têm glaucoma são sensíveis ao uso de corticoide e isso faz com que a pressão do olho suba de maneira significativa, “comprometendo mais ainda a situação do glaucoma desse paciente”.
No caso de crianças alérgicas que, muitas vezes, têm história de alergia ocular, os pais, por falta de conhecimento, podem usar colírios com corticoides de forma crônica, o que pode levar ao aumento da pressão do olho ou ao desenvolvimento da catarata precocemente.
Na área oftalmológica, Roberto Vessani esclareceu que o uso de colírio de antibiótico acaba sendo menos perigoso do que o de colírio de corticoide de forma indiscriminada.
“Para nós, é muito importante que o uso de corticoides nas diversas formas tenha o mesmo rigor que ocorre em relação aos antibióticos”.
Para os antibióticos, são exigidas duas vias da receita médica, uma que fica retida pela farmácia para informar os órgãos reguladores que aquela medicação foi prescrita para aquele paciente.
“Tem um controle dessa prescrição médica. Esse seria um caminho para que a gente tenha um pouco mais de segurança na hora que isso seja prescrito pelo médico e, também, bloqueando as pessoas que compram essas medicações, fazendo um autotratamento sem passar por um médico”.
Campanhas
Por meio de campanhas de informação, a SBG, o CBO e a SBOP vêm buscando informar as outras especialidades médicas sobre o risco para os olhos do uso crônico de corticoides.
“Isso ajuda a diminuir riscos e a evitar situações que possam causar problemas maiores para a visão das pessoas que estão sendo tratadas de condições crônicas de saúde das diferentes especialidades”.
Ao fim de algumas semanas do uso crônico de corticoides, podem acontecer elevações na pressão dos olhos. “E essas pessoas, se continuarem usando essas medicações, podem acabar desenvolvendo o glaucoma e perder a visão”.
Em muitos países desenvolvidos do mundo ocidental, o uso de corticoides tem um controle maior, disse Vessani. Existe, segundo ele, uma melhor troca de informações entre as várias especialidades médicas do que ocorre no Brasil.
“A grande preocupação é com a informação e a conscientização da população e dos profissionais da área da saúde que prescrevem essas medicações”, reforçou.
Grupos de risco
Segundo Roberto Vessani, a partir dos 40 anos, a cada década, a prevalência de glaucoma quase dobra.
“As pessoas têm outras condições de saúde que, frequentemente, podem precisar do uso crônico de corticoides. Há muitos pacientes de 70, 80 anos que, muitas vezes, têm glaucoma e, devido a um problema de saúde que exige o uso crônico de corticoides, estes medicamentos podem trazer problemas para os olhos dessas pessoas. São situações que acabam levando ao aumento do risco e do perigo”, apontou Vessani.
As três entidades médicas do setor oftalmológico recomendam o monitoramento da pressão intraocular em pacientes que utilizam essas medicações com corticoides por períodos prolongados, especialmente crianças e grupos de risco.
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- Agência Brasil – Conteúdo
- Foto destaque: Crédito – Marcello Casal Jr. / Agência Brasil
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