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Destaque na Educação

A cidade onde professor ganha mais que médico e crianças têm aula de judô com campeã olímpica

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Brasil / Educação

Quando o Ministério da Educação anunciou, em janeiro, o novo piso salarial do magistério, de R$ 5,1 mil, os professores do município de Campo Largo do Piauí (PI) já ganhavam cerca de R$ 8 mil como remuneração base.

Somadas as gratificações, o salário pode chegar a quase R$ 13 mil, no caso de um professor nos anos finais da carreira que trabalha 40 horas semanais. Isso é mais do que ganham alguns médicos no mesmo município, cerca de R$ 11 mil.

Segundo o Anuário Brasileiro de Educação Básica 2025, essa não é a realidade da maioria dos municípios brasileiros. Os dados mostram que uma a cada três prefeituras nem sequer paga o piso salarial do magistério, determinado por lei.

O rendimento bruto médio dos professores da rede pública foi de R$ 5,5 mil em 2024, enquanto o de outros profissionais com mesmo nível de escolaridade foi de R$ 6,4 mil, de acordo com o anuário.

O Piauí se destaca positivamente, com quase 94% dos municípios pagando acima do piso. Em primeiro lugar está o Ceará, com 98%. Na outra ponta, apenas 37% dos municípios do Espírito Santo e 33% de Roraima fazem o mesmo.

Salário é essencial, mas não é suficiente

Para Ivan Gontijo, gerente de Políticas Educacionais da ONG Todos pela Educação, a valorização salarial dos professores de educação básica é essencial para atrair bons profissionais e mantê-los na sala de aula, em um cenário em que há déficit de professores para os anos iniciais.

Mas ele alerta que só isso não é suficiente para melhorar os resultados educacionais a médio e longo prazo.

“Precisa dar uma formação continuada de qualidade para esses professores, dar boas condições de trabalho. Não adianta aumentar o salário e colocar o professor para atuar numa sala com 50 alunos, não dar ferramentas pedagógicas ou um bom livro didático”, afirmou Gontijo.

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Não há dados recentes sobre a qualidade da educação básica em Campo Largo do Piauí que possam mensurar os resultados das ações atuais no município.

Segundo o IBGE, em 2022, a taxa de escolarização das crianças entre 6 e 14 anos era de 99,5%. Nos anos iniciais do ensino fundamental, em 2024, a nota no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica era 4 em uma escala que vai de 0 a 10. Já nos anos finais, era 3,7.

Projeto de judô com campeã olímpica

Campo Largo do Piauí aposta no regime de tempo integral para 100% dos alunos e em atividades extracurriculares artísticas e esportivas, como judô, balé, handebol, futsal e capoeira.

Uma dessas iniciativas é o Projeto Crescer, que oferece aulas de judô para mais de 300 estudantes em parceria com o Instituto Sarah Menezes, criado pela campeã olímpica brasileira.

As aulas acontecem aos sábados com uma equipe da judoca. Menezes disse que acompanha as atividades de perto, sempre em busca de atletas que também possam se tornar campeões olímpicos como ela. “Nosso papel é descobrir talentos e projetá-los, dando suporte com nosso conhecimento e, acima de tudo, com o nome que temos no esporte”, afirmou.

Gestores veem dificuldade para pagar o piso; entidade cobra cumprimento da lei

Para o presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Luiz Miguel Martins Garcia, a dificuldade de muitas prefeituras para pagar o piso do magistério se deve ao modelo de financiamento da educação no país.

Por lei, os municípios têm que aplicar 25% do que arrecadam com educação básica. Além disso, as prefeituras recebem, a cada 10 dias, recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), que são enviados pelo Ministério da Educação, além de verbas adicionais.

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“Hoje, o financiamento da educação está vinculado à arrecadação. Se ela cai, os recursos diminuem, mas os custos da educação não variam dessa forma. Pelo contrário, eles tendem a crescer”, afirma.

O ideal, defende Garcia, seria um financiamento baseado no custo aluno-qualidade. Ou seja, um modelo que assegure o pagamento do custo real da educação, garantindo o funcionamento com qualidade, independentemente do que foi arrecadado com impostos.

Segundo Fátima Silva, presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), o que falta mesmo é os municípios cumprirem a lei do piso.

“Em alguns casos, o valor só é alcançado por meio de gratificações e abonos, e não como vencimento básico. Isso também contraria a lei”, diz Silva.

Gontijo destaca que o caso de Campo Largo do Piauí chama atenção porque contraria essa prática citada por Silva. Além do vencimento base, o município paga uma gratificação chamada “regência de classe”, que funciona como um incentivo para quem permanece dando aulas, em vez de ocupar outras funções. Ela não é obrigatória, por isso, nem todas as prefeituras pagam.

O município também conseguiu estruturar uma progressão salarial significativa ao longo dos anos, na avaliação de Gontijo. O “adicional por tempo de serviço” faz com que o professor, no fim da carreira, esteja ganhando mais que o dobro do piso.

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  • Reprodução de reportagem do G1 – Conteúdo
  • Foto Destaque: Reprodução
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Brasil / Educação

Alunos do Ensino Médio vão passar de ano mesmo reprovados em até seis matérias na rede estadual do RJ

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Medida, válida já para 2025, prevê recuperação paralela obrigatória; governo diz que objetivo é combater evasão, e sindicato critica política

Por Wilson França* – Rio de Janeiro / RJ

Alunos do Ensino Médio da rede estadual do Rio poderão avançar para a série seguinte mesmo que sejam reprovados em até seis disciplinas, desde que cumpram um regime de recuperação paralela definido pelas escolas. A nova regra, que já vale para este ano letivo, integra a chamada Política Extraordinária Excepcional de Progressão Parcial, instituída por decreto do governador Cláudio Castro e regulamentada por resolução da Secretaria estadual de Educação (Seduc).

Média de idade dos alunos do 1º ano do ensino médio é de 20 anos na rede  pública do Rio - Educação - Extra Online

Alunos do Ensino Médio do Rio de Janeiro / Foto: Jornal Extra

Segundo a norma, estudantes da 1ª e 2ª séries poderão ficar em até seis dependências por ano, concluindo o conteúdo pendente até o fim do primeiro trimestre do ano seguinte. No caso da 3ª série, a permissão será de até três disciplinas, com prazo até o primeiro trimestre do ano posterior para completar os requisitos e obter o certificado de conclusão do Ensino Médio.

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Secretaria diz que objetivo é reduzir evasão escolar

A secretária de Educação, Roberta Barreto, afirma que a medida busca enfrentar os altos índices de abandono escolar registrados no Ensino Médio. O Ensino Médio ainda concentra os maiores índices de evasão. Estudos mostram que o número elevado de dependências impacta na permanência do aluno. Precisamos garantir aos jovens as mesmas oportunidades já ofertadas em outros estados”, disse.

A Seduc destaca que o modelo de aprovação com dependência já é aplicado em pelo menos 15 unidades da federação, como Roraima, Rio Grande do Norte, Pará, Alagoas, Bahia, Piauí e Mato Grosso. O decreto estabelece ainda que a política terá validade de três anos consecutivos, durante os quais o acompanhamento pedagógico deverá ser contínuo. Caberá às escolas definir calendário, metodologia e estratégias de recuperação, que poderão ocorrer de forma presencial ou remota, individual ou em grupo.

Sindicato critica: “Desmonte do conhecimento do aluno”

A medida, porém, recebeu críticas do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe-RJ). A coordenadora-geral da entidade, Helenita Beserra, afirma que a progressão parcial foi implementada sem parecer do Conselho Estadual de Educação e acusa o governo de buscar elevar artificialmente o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).

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Essa medida faz parte de uma política de desmonte do conhecimento do aluno, para aumentar o Ideb”, criticou. Helenita cita também outra iniciativa da Seduc: a gratificação de R$ 3 mil a professores que atingirem determinado percentual de aprovação, que varia conforme a série.

Estão dando um cala-boca para os professores aceitarem abrir mão do ensino. Para disfarçar o Ideb, estão tirando do aluno o direito de aprender”, afirmou.

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  • Diário do Rio – Conteúdo
  • Foto/Destaque: Sede da Secretaria Estadual de Educação RJ / Reprodução / Internet
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