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Negócio & Economia

Nenhuma sociedade enriquece punindo quem produz

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Economia

Por Rayane Fernandes Gonçalves Borges*

prosperidade de um país depende da liberdade de produzir, inovar e assumir riscos. Ainda assim, o Brasil trata o empreendedor como suspeito antes de reconhecê-lo como motor da economia. A hostilidade ao produtor, sustentada por burocracia excessiva, regulamentações imprevisíveis, judicialização trabalhista e carga tributária crescente, transformou a iniciativa privada em um ato quase heroico. Nenhuma sociedade enriquece punindo quem gera riqueza.

Friedrich Hayek, um dos maiores pensadores liberais do século XX, afirmava que nenhuma ordem econômica prospera quando o Estado cria incentivos que desorganizam a cooperação voluntária. Para ele, a liberdade de empreender é condição essencial para qualquer desenvolvimento consistente. Quando essa liberdade é restringida, corrói-se a economia e a própria arquitetura civilizatória. Ayn Rand reforça essa lógica ao mostrar que sociedades que demonizam seus produtores caminham para o declínio. Em “A Revolta de Atlas”, a autora demonstra que nada destrói uma nação com mais velocidade do que penalizar quem cria valor. O Brasil atual confirma o alerta.

O Impacto das Normas e a Realidade Brasileira

É inegável que muitas dessas normas nasceram sob a justificativa de proteger o trabalhador e equilibrar relações assimétricas, mas a distância entre a intenção declarada e o resultado prático tornou-se abissal. Os números revelam a dimensão do problema. Segundo o Banco Mundial, o país está entre os mais difíceis do mundo para abrir e manter empresas. São necessárias mais de 1.500 horas anuais apenas para cumprir obrigações tributárias. Pesquisas do Insper mostram que empresas brasileiras gastam até três vezes mais com contencioso trabalhista do que empresas da OCDE. O relatório Justiça em Números indica que o Brasil concentra cerca de 49 por cento das ações trabalhistas do planeta. Empreender se tornou risco jurídico permanente.

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A nova tarifação prevista para 2026 reforça a lógica punitiva. A revisão de cobranças sobre importações de baixo valor e o reajuste das bases de cálculo aumentarão custos e incertezas no setor produtivo. O impacto recairá unicamente sobre quem trabalha, investe e assume risco.

Judicialização e suas Implicações

judicialização também se intensificou. Em 2024, o Tribunal Superior do Trabalho registrou aumento expressivo nas ações contra pequenas e médias empresas. Mesmo quando cumprem normas, investem em compliance e treinam equipes, os empreendedores continuam submetidos a decisões imprevisíveis que travam contratações e desestimulam expansão.

As consequências já são visíveis. O Mapa de Empresas do governo federal registrou mais de 1,66 milhão de fechamentos apenas em 2023. Metade das micro e pequenas empresas não sobrevive quatro anos, segundo o Sebrae e o IBGE. Relatórios da CNI e da FGV mostram redução de investimentos e deslocamento de operações para países com ambiente regulatório mais racional, como Paraguai, Chile e Estados Unidos. Cada empresa encerrada representa menos inovação, menos empregos e menos competitividade.

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Nenhuma sociedade enriquece punindo quem produz. O Brasil precisa recuperar o respeito por aqueles que assumem riscos, geram empregos e sustentam o dinamismo econômico. A riqueza nasce da liberdade de atuar, da segurança jurídica e do mérito de quem transforma risco em prosperidade. Uma nação só prospera quando protege quem cria valor.


  • Coluna Líderes do Amanhã / Folha Vitória – Conteúdo
  • Foto Destaque: Reprodução / FV
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Economia

Nascida com investimento de R$ 360, Borana quer faturar R$ 32 milhões em 2026

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Marca beachwear de São Mateus ganhou mercado externo, cinco lojas físicas e 150 funcionários partindo de um investimento inicial de R$ 360

Por João Flávio Figueiredo* | Vitória – ES

A marca de beachwear Borana, fundada em São Mateus, no norte do Espírito Santo, projeta faturamento superior a R$ 32 milhões em 2026. No ano passado, a empresa registrou R$ 28 milhões em receita com uma produção anual em torno de 360 mil peças. A marca conta com uma fábrica, cinco lojas físicas no Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo e emprega 150 pessoas.

O número é resultado de uma jornada forjada na escassez, com capital próprio e sem investidor externo. Em 2010, a família começou a produzir biquínis sob medida para a filha, que estudava em Vitória. 

Empresário Jorge Aguiar recebeu a medalha Mérito Empreendedor, honraria da Findes / Foto: Divulgação

“O produto circulou entre amigas, os pedidos cresceram e, em seis meses, a marca começou a receber um volume relevante de encomendas. Eu tocava flauta na noite para fazer renda e juntei R$ 360 para comprar alguns metros de tecido”, lembra Jorge Aguiar, sócio-fundador da Borana.

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A empresa tocada pela família Aguiar. O criativo fica a cargo de Patiara, filha do casal Inânia, esposa de Jorge, cuida da produção. Moreno, o filho, completa o quadro societário.

O salto de visibilidade veio em 2016, quando a Borana foi selecionada para participar de um desfile do São Paulo Fashion Week. A marca ganhou o desfile solo na semana de moda de Macau e ganhou popularidade ao ter uma peça usada pela cantora Anitta em 2020.

Hoje, 70% da produção é realizada na fábrica própria em São Mateus, que emprega 108 funcionários. Os 30% restantes são distribuídos por uma rede de aproximadamente 50 costureiras independentes que trabalham de casa, concentradas principalmente na Grande Vitória.

No exterior, a Borana exporta para a Europa, Estados Unidos, América Latina e Ásia. O mercado externo representa, na média, 10% do faturamento, mas Aguiar considera a presença internacional estratégica para o posicionamento da marca no Brasil. 

“Quando você fala que está exportando para esses países, valoriza o produto internamente”, afirmou. “Mas sempre valorizamos a nossa origem em vez de buscar as tendências estrangeiras. Tornamos o produto local uma referência no Brasil e no mundo”.

Para sustentar o crescimento, a Borana fez recentemente um investimento de R$ 1,3 milhão em uma sala de corte automatizada. A aquisição busca aumentar a velocidade e a precisão do processo de corte, que antes era feito manualmente. 

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O próximo passo em análise é a adoção de um modelo de franquias, embora Aguiar considere que a empresa ainda precisa aumentar a produtividade para adotar esse modelo.

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  • O autor assina a coluna Folha Business – Conteúdo
  • Foto destaque: Divulgação / Borana
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