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Política Internacional

Reino Unido reforça laços com a China apesar de alerta de Trump

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INTERNACIONAL

Keir Starmer defende cooperação econômica com Pequim durante visita histórica e minimiza críticas do presidente americano

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, insistiu nesta sexta-feira (30) em que o Reino Unido tem “muito a oferecer” à China, depois que suas tentativas de reforçar os laços durante uma visita ao país asiático aborreceram o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A viagem de Starmer à China, a primeira de um chefe de governo britânico em oito anos, segue os passos de outros líderes ocidentais que buscam contrabalançar a crescente volatilidade das políticas americanas.

Questionado ontem sobre a possibilidade de o Reino Unido “fazer negócios” com a China, o presidente americano advertiu que isso “é muito perigoso”. Starmer minimizou os comentários de Trump ao mencionar na China que o presidente americano deve visitar nos próximos meses o país asiático.

“Estados Unidos e Reino Unido são aliados muito próximos, por isso conversamos antes sobre a visita com sua equipe”, disse Starmer, em entrevista à TV britânica. Ele se reuniu ontem com os principais líderes chineses, entre eles o presidente Xi Jinping e o primeiro-ministro Li Qiang.

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Hoje, o líder britânico disse a representantes empresariais do Reino Unido e da China que os dois países haviam feito “avanços reais”. “O Reino Unido tem muito a oferecer”, afirmou em um fórum empresarial binacional organizado pelo Banco da China, antes de visitar a cidade de Xangai.

Starmer assinou na véspera uma série de acordos, incluindo a isenção de visto para titulares de passaporte britânico que visitarem o território chinês por menos de 30 dias, mas admitiu que não há uma data para o início da medida. Também assinou acordos de cooperação no combate às cadeias de abastecimento usadas por traficantes de migrantes, assim como nas exportações britânicas para a China, na área da saúde e no fortalecimento de uma comissão comercial bilateral.

A China também concordou em reduzir as tarifas sobre o uísque britânico de 10% para 5%, segundo Downing Street.

Starmer elogiou os acordos, além de anúncios milionários de exportações e investimento, como “simbólicos” do rumo tomado pela relação bilateral. Também afirmou que Pequim havia suspendido as sanções impostas desde 2021 aos parlamentares britânicos por suas críticas a supostas violações dos direitos humanos contra a minoria muçulmana uigur.

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As relações entre China e Reino Unido haviam se deteriorado principalmente desde 2020, quando Pequim impôs uma severa lei de segurança nacional em Hong Kong e adotou medidas enérgicas contra os ativistas pró-democracia na ex-colônia britânica. Ainda assim, a China, segunda maior economia do mundo, continua sendo o terceiro maior parceiro comercial do Reino Unido.

Starmer continuará sua viagem à Asia com uma escala no Japão neste sábado, onde se reunirá com a primeira-ministra do país.

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  • Informações da AFP
  • Foto Destacada: Crédito – AFP
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INTERNACIONAL

Hamas aceita acordo para seu desarmamento e retirada de Israel de Gaza

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O desarmamento do grupo islamista, que controla a Faixa de Gaza desde 2007, era um dos principais obstáculos para encerrar a guerra com Israel

Por Agência AFP

O movimento islamista Hamas afirmou nesta sexta-feira (31) que aceitou um acordo para acabar com a guerra em Gaza, que inclui dispositivos relacionados ao seu desarmamento e à retirada gradual do Exército de Israel do território palestino.

Israel ainda não reagiu oficialmente ao acordo, anunciado na noite de quinta-feira (30) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que o definiu em sua rede Truth Social como “um acordo HISTÓRICO” e “um passo monumental rumo a uma PAZ e SEGURANÇA duradouras”.

O desarmamento do grupo islamista, que controla a Faixa de Gaza desde 2007, era um dos principais obstáculos para encerrar a guerra com Israel após o cessar-fogo assinado em outubro.

Uma fonte política israelense disse à AFP que o acordo proposto não soluciona “de forma satisfatória” as demandas do país por uma desmilitarização completa de Gaza.

Também indicou que a questão não foi abordada durante a reunião desta semana na Casa Branca entre o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente americano.

Segundo Trump, o desarmamento é uma fase crucial para avançar em direção à instalação de um novo governo palestino no território.

Fontes do Hamas confirmam acordo 

Duas fontes do alto escalão do Hamas, que falaram sob a condição de anonimato, confirmaram à AFP um acordo com o Estado hebreu para o desarmamento do grupo e a retirada do Exército israelense de Gaza.

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As fontes afirmaram que esperam que os mediadores e o Conselho da Paz garantam que os israelenses cumpram o que foi estabelecido e supervisionem o processo de desarmamento do grupo.

O Hamas está fazendo “concessões pelo bem do nosso povo na Faixa de Gaza, para salvá-lo da morte e do deslocamento”, declarou Ghazi Hamad, um dos negociadores do movimento.

“Israel não vai interferir na questão do desarmamento”, disse Hamad. Segundo ele, a tarefa será responsabilidade do Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG).

Segundo uma fonte diplomática que acompanha as negociações, as armas serão entregues a este órgão de tecnocratas palestinos, que deverá administrar, durante o período de transição, a vida cotidiana em Gaza.

Negociações aconteciam há semanas no Egito para implementar a segunda fase do acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hamas, que tem como objetivo pôr fim de forma definitiva à guerra.

O conflito começou com o ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023, que deixou um balanço de 1.221 mortos, segundo números oficiais israelenses, e 251 pessoas sequestradas. 

A retaliação israelense contra Gaza deixou mais de 73.000 mortos, segundo os  dados do Ministério da Saúde do governo liderado pelo Hamas.

Apesar da trégua, a violência continua na Faixa. Na quinta-feira, bombardeios israelenses mataram ao menos quatro pessoas, incluindo duas crianças, segundo autoridades de saúde da região.

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 “Implementação” 

O Conselho da Paz confirmou em uma publicação no X que o Hamas havia “aceitado um mapa do caminho detalhado para implementar as próximas fases do cessar-fogo em Gaza”.

“Agora, nossa atenção está voltada para a implementação”, escreveu a organização, acrescentando que o NCAG “começará em breve uma transição gradual rumo à plena autoridade”.

Trump, em uma publicação anterior, afirmou que, uma vez que o Hamas estiver desarmado, “as forças israelenses vão se retirar e a Força Internacional de Estabilização trabalhará com uma nova força policial palestina para assumir a responsabilidade sobre Gaza”.

A Força Internacional de Estabilização é uma estrutura em processo de criação que reunirá tropas de vários países sob a direção do Conselho da Paz.

Uma fonte diplomática afirmou à AFP que o desarmamento será supervisionado de forma coordenada entre esta força e o governo interino do NCAG. Este órgão, no entanto, trabalha atualmente no Egito porque Israel não permite que seus membros tenham acesso a Gaza, segundo a imprensa egípcia e palestina.

Israel controla mais de 60% desse território e exigia o desarmamento completo do Hamas e dos demais grupos palestinos antes de qualquer avanço no plano.

O Hamas anunciou no início de julho a dissolução do comitê que administrava os assuntos civis da Faixa de Gaza desde 2007 e declarou querer transferir estas responsabilidades ao NCAG.

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  • Foto destaque: Crédito – Eyad Baba / AFP
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