Reportagem Especial
A história da Matriz de N. Sª. da Vitória, um marco da cidade
Curiosidade & Conhecimento
Por Edlamara Conti*
Muito antes da atual Catedral Metropolitana de Vitória, com sua arquitetura eclética, elementos neogóticos e vitrais que encantam moradores e turistas, existiu ali mesmo, na Cidade Alta, uma igreja bem mais antiga: a Matriz de Nossa Senhora da Vitória. Construída entre 1550 e 1552, a igreja foi, durante cerca de 400 anos, o centro político, religioso e social da Vila de Vitória e acompanhou transformações históricas profundas, como a transição para os períodos do Império e da República, testemunhando mudanças na vida cotidiana dos capixabas.

O grupo escolar Gomes Cardim em frente da Catedral, nas exéquias do Barão do Rio Branco. 1912 / Foto: Arquivo Público Municipal
Demolida em 1918 para dar espaço à construção da Catedral, a antiga matriz é um exemplo da transformações de monumentos que ajudaram a construir a identidade coletiva de nossa sociedade em tempos remotos. Relembrar essa trajetória é importante para entender como o crescimento da cidade nos últimos séculos impulsionou novas configurações sociais e culturais.
Esta história é contada por meio de fotografias e documentos preservados no Arquivo Público Municipal de Vitória. Também foram consultadas obras bibliográficas produzidas, em parte, a partir de pesquisas realizadas no Arquivo Municipal.
Religiosidade na ocupação do território capixaba
A Igreja de Nossa Senhora da Vitória foi a primeira igreja e uma das mais importantes da cidade durante quase 400 anos. Simples no aspecto estético, ela integrava um importante conjunto arquitetônico religioso, composto ainda pelo Colégio dos Jesuítas (atualmente, Palácio Anchieta) e pela Igreja de Nossa Senhora da Misericórdia (demolida, deu lugar ao Palácio da Cultura Sônia Cabral), no Centro Histórico. Esses três monumentos expressavam a forte presença da religião católica na ocupação do solo capixaba.

Construção do Palácio Domingos Martins, Praça João Clímaco e Igreja Matriz ao fundo. 1911.
A Matriz foi construída em um contexto de pronfunda ligação entre a Coroa Portuguesa e a Igreja Católica. Na época, o governo português custeava a construção dos templos, a manutenção dos cultos e os salários dos vigários e bispos, que eram considerados funcionários públicos. Em troca, ficava com os dízimos. O período de construção da igreja corresponde ao da fundação da Vila de Vitória (1551) e ao registro dos primeiros padres capixabas seculares, como Francisco da Luz, em 1550, e Pero dos Santos, em 1552.
Naquele tempo, como funcionários do governo, o bispo e os vigários, além de suas obrigações religiosas, orientavam o comportamento e as condutas da sociedade, que eram apontados como cheios de “vícios e pecados”. As celebrações eram frequentadas pelas autoridades locais, funcionários públicos, senhores de posses e pessoas livres (não escravizadas); enquanto os batismos e sepultamentos eram permitidos apenas para os nobres e governantes.
Posição de destaque na cidade
Em estilo colonial, com influências barrocas, a matriz foi construída sobre uma área elevada, em uma posição de destaque na cidade, como era comum na época. Construída com paredes de pedra, barro e cal, a antiga igreja não era imponente, mas acomodava bem a população local nas missas rotineiras e em eventos importantes.
Tinha 120 palmos de comprimento por 60 palmos de largura. A altura do telhado era de 20 palmos. Sim, o palmo era a unidade de medida utilizada naquele tempo. A conversão em metros aponta para uma área construída de aproximadamente 350 m2 e cerca de 4,4 metros de altura.
A igreja tinha o formato retangular simples e, acoplada à fachada, uma torre com sino. No interior, a ornamentação era simples, com exceção do altar-mor, onde ficava a imagem de Nossa Senhora da Vitória. Havia vários altares: Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora das Dores, São José, Santo Antônio, São João e o da Capela do Santíssimo Sacramento. Em frente à igreja, havia uma área chamada Largo da Matriz, onde também se situar um pequeno cemitério.
Em 1726, o vice-rei Vasco Fernandes César de Meneses orçou em 10.000 cruzados a reconstrução e ampliação da matriz, que já se encontrava em mau estado de conservação. Em 29 de agosto de 1731, o rei D. João V ordenou a execução das obras, com a separação de 1 mil cruzados do valor dos dízimos por ano para concretizá-las. A execução só foi iniciada 1749 e as obras duraram décadas.
Testemunha de grandes acontecimentos
Foi na Igreja Matriz que as autoridades capixabas fizeram o juramento à Constituição Portuguesa, em 1821, quando o rei Dom João VI retornou a Portugal. Em 19 de abril de 1824, Vitória assistiu ao juramento da Constituição do Império, outorgada por D. Pedro, como em todos os atos solenes da época, na antiga igreja. As cerimônias eram presenciadas pelo moradores e dirigidas a integrantes da Câmara Municipal e corporações civis, eclesiásticas e militares.
Já em 1860, durante a visita de D. Pedro II à província do Espírito Santo, a igreja matriz não foi visitada, devido à decadência física em que se encontrava. Com a Proclamação da República, em 1889, houve a separação entre o Estado e a Igreja Católica e os custos com as construções, manutenções, festas e procissões deixaram de sair dos cofres públicos. A situação do imóvel ficou ainda mais precária.
Maior e mais imponente: nasce a Catedral
Em 1895, o padre Eurípides Calmon Nogueira da Gama Pedrinha descreve a situação da igreja como “Em misero estado, desde o telhado até a sachristia tudo desconcertado, tudo lixoso e imundo”. Ele faz campanhas para a reforma da igreja e também para o retorno à prática religiosa da população.

Interior da antiga Catedral de Vitória com o catafalco do Barão do Rio Branco. 1912
As ações surtem efeito e, no mesmo ano, é criada a Diocese do Espírito Santo, é nomeado o primeiro bispo, Dom João Batista Correia Nery, e a igreja recebe o título de Catedral. A nova Catedral ainda passou por uma nova reforma em 1902, pelo segundo bispo do Espírito Santo, Dom Fernando de Souza Monteiro.
Em 1912, o Governo do Estado mandou celebrar exéquias solenes na matriz pelo trigésimo dia do falecimento do Barão de Rio Branco. Como se sabe, o barão foi Ministro das Relações Exteriores e é considerado como o patrono da diplomacia brasileira. Suas exéquias foram realizadas em todas as capitais brasileiras, em Lisboa e várias capitais europeias. Na Igreja de Nossa Senhora da Vitória, segundo os jornais da época, a cerimônia foi “extraordinariamente concorrida, tendo ficado repleto o vasto templo
Porém, em 1917, a Diocese decide-se favorável à demolição da antiga matriz e à construção de um novo templo, maior e em um estilo arquitetônico considerado mais apropriado, mais imponente. Assim, a antiga igreja foi demolida no bispado de D. Benedito Paulo Alves de Souza (1918-1932), no dia 6 de julho de 1918. A construção da atual Catedral Metropolitana de Vitória foi iniciada, no mesmo local, em 1920.
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- Prefeitura de Vitória / Comunicação – Conteúdo
- Foto Destacada: Altar-mor da antiga Igreja Nossa Senhora da Vitória / Arquivo Público Municipal
- Referências:
https://morrodomoreno.com.br/materias/logradouros-antigos-de-vitoria-por-serafim-derenzi.html. Visitado em 29/12/2025
OLIVEIRA, José Teixeira de. História do Estado do Espírito Santo. 3 ed. Vitória: Arquivo Público do Estado do Espírito Santo: Secretaria de Estado da Cultura, 2008. Disponível em https://ape.es.gov.br/Media/ape/PDF/Livros/Livro_Historia_ES.pdf. Visitado em 02/01/2025.
SCABELLO, Joana Segatto. O resgate e o (re)conhecimento da imagem da antiga Matriz de Vitória por meio de sua reconstrução digital 3D. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) — Universidade Federal do Espírito Santo, Centro de Artes, Vitória, 2021. Disponível em https://sappg.ufes.br/tese_drupal//tese_15312_Disserta%E7%E3o%20-%20Joana%20Segatto%20Scabelo.pdf. Visitado em 02/01/2025.
Curiosidade & Conhecimento
Como surgiu o Dia das Mães? Entenda história por trás dessa data
O Dia das Mães é hoje uma das datas mais celebradas do ano. Com o tempo, a data também se tornou uma das datas mais lucrativas do comércio. Para o varejo brasileiro, é como se fosse o Natal do primeiro semestre do ano.
A ideia de homenagear as mães surgiu no começo do século XX, como uma forma de reconhecer o amor, o cuidado e os sacrifícios das mulheres que criam seus filhos.

Nos Estados Unidos, o Dia das Mães foi criado por Anna Jarvis, inspirada por sua mãe, Ann Jarvis, que queria um dia para lembrar o valor da maternidade. Depois que Ann faleceu em 1905, Anna organizou a primeira celebração em 1908, na Virgínia Ocidental. De acordo com a Time, ela enviou 500 cravos brancos à igreja onde o evento aconteceu, e a flor virou símbolo da data. Após anos de campanha, o presidente Woodrow Wilson oficializou o segundo domingo de maio como o Dia das Mães em 1914.
No Brasil
Já no Brasil, o Dia das Mães foi oficializado anos depois. Em 5 de maio de 1932, o então presidente Getúlio Vargas assinou um decreto que determinava que o segundo domingo de maio seria dedicado às mães. O texto do decreto dizia que o amor materno era um sentimento que “concorre para o aperfeiçoamento do coração humano”, desenvolvendo a bondade e a solidariedade. O governo reconheceu a importância desse amor como parte do crescimento moral da sociedade.
“O segundo domingo de maio é consagrado às mães, em comemoração aos sentimentos e virtudes que o amor materno concorre para despertar…”, dizia o decreto de 1932, assinado por Getúlio Vargas e seu ministro da Educação, Francisco Campos.
Assim, o Brasil adotou oficialmente a data como um dia de reconhecimento nacional às mães. Em outros países, a homenagem tem formas variadas.
De acordo com o site Kremp Florist, na França, por exemplo, a data surgiu como incentivo à maternidade, sendo hoje comemorada com flores e pequenos presentes no fim de maio. No Reino Unido, mistura-se a uma antiga tradição cristã chamada “Domingo das Mães”. No México, as mães são acordadas com músicas e levadas para jantar. No Peru, muitas famílias vão aos cemitérios homenagear mães falecidas.
Portanto, o Dia das Mães não é somente um fator impactante no aquecimento das vendas, mas, principalmente, a oportunidade de ter um dia especial para homenageá-la sem deixar de destacar que dia das mães são todos os dias do ano.
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* Da Redação | Com pesquisas da equipe Pauta1
* Foto destaque: Crédito – Envatos Elements
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